Bad Man
10 Arco 3.1.1
Notas iniciais
Nós estávamos correndo pelo o que já pareciam horas por meio de becos e ruas pouco movimentadas. Zelo mantinha sua velocidade desde que saímos do hotel, mas o cansaço já estava consumindo minhas pernas e eu ficava cada vez mais para trás. Eu sabia que no momento que parasse por alguns míseros segundos para descansar, eu não conseguiria me mover.
—Vamos, JiYoung! Depressa! — ouvi Zelo gritar com certa raiva antes de pegar o celular novamente e apertar a discagem rápida pela décima vez. Eu estava contando, ajudava a me distrair da dor. — Atende, droga! Cadê você, Youngjae?
Eu deveria ter imaginado que algo assim aconteceria. “Antes da tempestade vem a calmaria”. Entretanto, ninguém poderia ter me preparado para os acontecimentos das últimas 24 horas. Muito menos fisicamente. Nós deveríamos ter encontrado o carro de Youngjae há algumas esquinas e nenhum sinal dele. Eu não tinha escolha a não ser acreditar no que Zelo estava fazendo, mas era claro que nós dois estávamos perdidos e desesperados. Olhei para trás algumas vezes para me certificar de que os homens que nos perseguiam estavam fora de vista e desacelerei um pouco.
—Zelo... — tentei chamá-lo com o pouco oxigênio que me restava. — Não sei se consigo...
—Merda. — ele se virou para mim, visivelmente preocupado, e desacelerou para que eu o alcançasse e segurasse sua mão. -Não desista agora, ok? Estou pensando em algo, você consegue aguentar um pouco mais?
—Acho...sim.
—Ok, fique comigo, JiYoung.
Fiz uso do apoio que tinha agora com Zelo me puxando e acelerei minha corrida. Não era o momento mais adequado para pensar nisso, mas eu estava surpresa com o quanto nosso relacionamento havia mudado nos últimos dias. Parecia quase impossível no início que alguma vez ele iria trocar mais de três palavras comigo. Só de segurar minha mão era um avanço incrível.
Por mais que eu não tivesse nenhuma força ou inteligência estratégica como ele, eu queria protegê-lo. Eu queria ser útil e não um peso morto como estava sendo desde que nos conhecemos. Talvez eu estivesse me apegando rápido demais ao já considerá-lo como um aliado. Talvez fosse inocência demais da minha parte. Entretanto, algo me dizia que ele era um bom menino.
E não merecia o que aconteceu.
Quando estávamos prontos para virar mais uma esquina, acompanhei em câmera lenta a figura à minha frente cair no chão e me fazendo tropeçar por cima dela. Demorou alguns segundos para me recompor, até que ouvi um grunhido de dor abaixo de mim.
—Filho da...
Minhas mãos sentiram algo úmido ao procurar apoio para levantar e algo se estalou dentro de mim.
Sangue. Muito sangue, pra ser exata.
Zelo havia sido baleado.
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