Bad Man
6 Arco 2.1.1
Notas iniciais
Em algum lugar da Ásia, o maior empresário do continente relaxava em sua cama duas vezes maior do que o tamanho de uma king size, com travesseiros e cobertores de penas de ganso. É claro, a largura só era necessária porque ele não dormiria sozinho e precisava de espaço suficiente para suas acompanhantes. Vestido com o roupão branco do hotel que lhe pertencia, Dong-Sun encarava a mulher muito mais jovem ajoelhada à sua frente que tratava de satisfazê-lo com os lábios. Os sons que ela emitia eram apenas por atuação, enquanto nenhuma reação era emitida pelo outro.
-Seosaeng. — seu fiel secretário entrou no quarto com uma pasta de documentos debaixo do colo. A cena não o surpreendia.
—Me dê boas notícias, Sangwoo.
—Receio que não tenho nenhuma, senhor. Eu trouxe os documentos referentes à reunião dessa tarde.
—Tsc, você é muito sério, Jung Sangwoo. — ele pegou os documentos sem muita vontade, em seguida apontando com a cabeça para quem havia chegado. -Vá agradá-lo, querida.
A jovem, totalmente nua, parou o que estava fazendo para olhar o homem ao lado da cama. Seus olhos brilharam com a boa aparência e o porte físico de seu novo cliente, além dele parecer muito mais próximo de sua idade. Exibindo tudo o que podia, foi até ele e desabotoou sua calça num instante. O resto era com ela.
-Eu agradeço a consideração, Seosaeng, mas estou com pressa... — Sangwoo já sentia o rosto arder pelo calor que sentia em seu corpo e se controlava para não tomar aquela mulher desconhecida ali mesmo, na frente de seu chefe.
-Besteira. Você merece uma pausa.
A maneira como Park Dong-Sun se relacionava com o seu círculo de confiança era calculada nos mínimos detalhes. Todos os seus sócios e potenciais credores eram escolhidos a dedo, para então serem controlados imperceptivelmente, seja com subornos, vigilância 24 horas ou ameaças devastadoras, se fosse o caso. Jung Sangwoo, seu secretário há mais de 10 anos, era fruto de um acordo com a família de advogados e anos de treinamentos corretos para suportar a responsabilidade de sua futura profissão. Como retribuição pelo grande investimento na firma Jung, o primeiro descendente homem deveria ser criado para atender todas as expectativas e exigências do empresário e isso incluía cortar qualquer tipo de relação que pudesse fazê-lo hesitar ao tomar decisões importantes ou que servisse como refém num caso de emergência.
Após examinar com calma a papelada e rabiscar algumas assinaturas, o mais velho se levantou da cama sem dizer nada e seguiu para o banheiro enorme da suíte, praticamente a mesma área do quarto. Já conhecendo muito bem o comportamento do chefe, Sangwoo aproveitou a oportunidade para imprensar a mulher contra a parede de costas para ele, ato que a assustou bastante. Nos próximos segundos, seu foco era terminar de se satisfazer a sair dali o mais rápido possível para enviar as outras damas de companhia enquanto essa era "inutilizável", em sua concepção. Essa era a única ideia que o jovem tinha sobre as mulheres, objetos descartáveis para o prazer carnal e gerar herdeiros. Isso causava até mesmo um certo ciúme em relação a JiYoung; era incabível uma mulher ser a futura administradora de uma economia tão grande, ainda mais sendo óbvia a falta de interesse. Em seus pensamentos, ele era o único que poderia honrar o cargo.
Com a mente tomada de raiva, seu ápice se espalhou pelo chão, dando mais um problema para ele resolver. Saiu, deixando que o mais velho tomasse o tempo que quisesse para se arrumar enquanto a reunião da tarde era organizada nos últimos detalhes. Hoje seria um dia importante.
[Algumas horas depois]
Para esse encontro específico, o local onde seria discutido um dos maiores acordos empresariais do ano só seria revelado uma hora antes do combinado. Cada integrante havia sido instalado em hotéis de localização estratégica, onde o trajeto partindo de cada um deles durasse o mesmo tempo até o ponto de encontro e nenhum deles sabia da identidade do outro, a não ser Dong-Sun, que era responsável por toda a organização. Para não causar nenhuma suspeita em cima dos empresários, um álibi que se estendia pelos três meses anteriores fora calculado nos mínimos detalhes e posto em prática por uma rede de centenas de pessoas involvidas.
Pouco a pouco, as coordenadas foram liberadas em fragmentos criptografados para os dispositivos em cada quarto e as instruções para traduzi-las foram entregues por funcionários que as esconderam nos carrinhos de café da manhã. Com as gravatas devidamente colocadas, a hora da negociação já se aproximava.
Park Dong-Sun estava sentado no centro da sala enorme e vazia como um rei. Ninguém sabia sua localização exceto pessoas de sua confiança e todo aquele clima de ilegalidade e dominação o excitava de formas diferentes. Sua acompanhante também estava no centro, entre suas pernas, ainda completamente vestida. Ele sabia exatamente o que conseguiria com aquela reunião e os efeitos que ela teria em seu império. Era animador demais para não comemorar naquele momento.
-Natasha. – o homem olhou para a jovem que encaixava seus quadris. Não era a mesma que havia passado a noite no hotel, nem a que o agradava de manhã. Seu rosto tinha características mais ousadas ao invés de delicadas, o cabelo descolorido porém bem cuidado deslizava até o final das costas e seus músculos eram visivelmente mais definidos do que todas as outras damas de companhia. –Hoje é um dia especial, faça do jeito que eu gosto.
Natasha sorriu, retirando do bolso duas tiras de pano preto; uma para venda, outra para mordaça. Logo, o homem mais poderoso da Ásia não era capaz de ver nem falar, apenas ouvir as palavras humilhantes numa voz feminina.
Ela era de longe a preferida entre as vinte e cinco. A loira muitas vezes servia de dupla para bailes ilegais e secretos onde nenhum flash de câmera poderia flagrar os dois num mundo onde esposas e amantes conviviam numa paz invejável. As tatuagens que cobriam suas curvas eram seu ponto mais atraente, principalmente para uma geração tão conservadora em que havia se metido. Se quisesse, Natasha poderia ser a primeira mulher a fazer com que Sangwoo baixasse a cabeça – e depois a colocasse entre suas pernas.
A sala que logo acomodaria pessoas respeitáveis agora era tomada por uma onda de luxúria e sensualidade que ecoava por cada metro quadrado. Todos os seguranças ficavam do lado de fora e não podiam ouvir o que se passava lá dentro, o que deixava o casal livre para se agredirem verbal e fisicamente o quanto quiserem, porém era Park Dong-Sun quem mais se feria. Ele não tinha problema algum com isso. Quando seu celular vibrou em meio às roupas espalhadas, teve vontade de sair de Natasha, mas mesmo assim não o fez. Atendeu a ligação e reconheceu a voz de imediato.
-Bang Yongguk. – foi tudo que disse, ficando alguns minutos em silêncio para ouvir as notícias do outro lado e guiar os movimentos de seu quadril. Sua expressão séria e cautelosa não foi abalada pelas coisas que ouvia e a calma continuava ali. –JiYoung está segura? ... Então que continue assim. – era a primeira vez que recebia informações da filha desde que havia viajado e ficou satisfeito. –Os outros? Deixe-os a própria sorte, só se certifique que minha filha está a salvo.
Desligou. Agora sabia que em poucas horas o noticiário lhe daria problemas a mais para pensar, além de ter que ter certeza que Park JiYoung seguiria de acordo com seus planos sem suspeitar de nada. Com certeza um homem daria muito menos trabalho do que sua única herdeira. Bom, por outro lado, ela seria sua única preocupação diante da mídia e a provável única sobrevivente. Se preocupar com pessoas mortas não entrava em suas responsabilidades.
Ainda mais se fosse por um acidente.
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