Bad Girl II
7 Capítulo 6
Her Pov
– Anika, querida, é um prazer revê-la – Harrison McCoy cumprimentou-me assim que entrei em sua sala. O escritório do pai de Will era amplo, as paredes por trás de sua mesa de mogno preta eram de vidro, proporcionando uma bela vista da cidade.
– Digo o mesmo, Sr. McCoy. E gostaria de agradecer mais uma vez por me conceder um pouco de seu tempo – sorri enquanto apertava sua mão.
– Por favor, chame-me de Harrison. Senhor faz eu me sentir velho – ele sorriu e piscou – PISCOU — para mim.
– Como quiser, Harrison.
Ele indicou uma das cadeiras de couro em frente à sua mesa para que eu me sentasse, e tomou o assento ao meu lado, tornando nossa “reunião” ainda mais informal. Depois de me perguntar como estavam as coisas com Will, e de eu garantir, novamente, que erámos apenas amigos, dei continuidade às perguntas, começando exatamente de onde havia parado da última vez, quando havíamos sido interrompidos por sua secretária avisando que ele tinha uma reunião. A McCoy Enterprises era uma empresa especializada em tecnologias de comunicação e aos poucos, já dominava o mercado nacional. Mais um motivo para Will se sentir superior aos outros.
Ah, por falar nele, tenho que dizer que a viagem de moto até aqui não foi uma das piores que já fiz na vida, mas que o fato de ser Will o condutor do veículo estragou toda a diversão que eu poderia ter tido. Ele queria esperar no prédio para me levar para casa, mas eu dei um jeito de fazê-lo mudar de ideia. Não havia a menor chance de andarmos de moto juntos novamente.
Já passava das oito horas quando finalmente dei a entrevista por encerrada.
– Desculpe o número de perguntas, espero que não tenha o aborrecido – falei enquanto guardava o gravador na bolsa. Poderia ter gravado no celular, mas quis dar um ar mais profissional, por isso peguei emprestado alguns equipamentos da minha mãe. Sem que ela soubesse, é claro.
– De modo algum, Anika. Adorei a entrevista, e também sua sagacidade – ele sorriu, conduzindo-me à porta – Já fui entrevistado por vários profissionais formados na área, que não saberiam formular metade das perguntas que me fez hoje. E isso para uma estudante de graduação é impressionante, acredite.
– Neste caso, fico lisonjeada, Harrison. Obrigada.
Ele parou com a mão na maçaneta da porta e virou-se para me encarar: — Sabe, Anika, eu sinceramente espero que essa sua “amizade” com meu filho evolua para algo mais – Se houve um momento em que fiquei triste por alguém, foi aquele. Harrison, diferentemente do filho, era uma boa pessoa. E eu infelizmente teria que decepcioná-lo para atingir meu objetivo final – Se eu fosse vinte anos mais jovem, e não fosse casado, certamente não deixaria um boa moça como você escapar.
Caramba, como é que eu responderia a isso? Definitivamente não estava esperando por algo assim. Não mesmo.
– Vejo que deixei a bela jovem sem palavras. E, considerando que vai ser jornalista, este deve ser um feito e tanto, não é?
Sorri um pouco sem graça – Bem, não é mesmo comum conseguirem me deixar sem palavras. Não estava esperando que dissesse isso, mas fico feliz que tenha uma visão tão positiva sobre mim. Jornalistas, geralmente, acabam desagradando as pessoas.
– Você dificilmente desagradaria alguém, Anika – Harrison abriu a porta e antes que eu tivesse saído, completou: — E pense sobre o que eu disse. Você e Will fariam um belo casal.
Nem aqui e nem na China! Desculpe-me por isso, Harrison.
– Prometo que pensarei, mas as coisas não dependem só de mim.
– Infelizmente, eu sei. Will não é tão fácil de lidar. – ele suspirou — Espero vê-la novamente, e logo.
– Até a próxima – acenei enquanto andava para o elevador. Minha nossa, que dia! Eu estava precisando de férias, e urgentemente.
Já do lado fora do prédio, estava prestes a fazer sinal para um táxi parar, quando meu celular tocou. Durante o tempo em que havia permanecido na sala do pai de Will, tinha deixado meu celular desligado, para que ninguém atrapalhasse, e só o havia ligado novamente quando estava no elevador. Não foi nenhuma surpresa ver o nome de Shantaw na tela. Ela não iria me deixar em paz tão cedo, principalmente, depois de eu ter admitido que algo estava errado. Provavelmente ela tentara me ligar outras vezes, enquanto o telefone estava desligado. Insistente, do jeito que era, deveria ter ficado tentando entrar em contato comigo a tarde inteira, até me encontrar disponível novamente.
– Ei Shaw!
– Oi Anika, por Deus, onde você está? Eu acabo de sair da sua casa e não imagina minha surpresa ao encontrar sua mãe lá. Ela não deveria estar em Los Angeles?
Mais insistente do que imaginara. Ela não se contentou com o telefone desligado e foi atrás de mim em casa! Eu deveria ter previsto isto.
– Estou acabando de sair da McCoy Enterprises, prestes a pegar um táxi, na verdade. Finalmente terminei minha entrevista com o pai de Will. Quanto à mamãe – suspirei – ela me fez a surpresa de aparecer hoje.
– Oh, Deus, então é por isso que você estava tão mal hoje, não é? Não saia daí, Anika. Esqueça o táxi, eu estou indo te buscar – E com isso ela desligou, não me deixando outra alternativa a não ser esperá-la.
Aproximadamente 5 minutos depois vi o Mazda MX-5 Miata prata de Shantaw parar em frente ao prédio da empresa. Ela devia ter transgredido todas as leis de trânsito para chegar tão rápido aqui, porque meu apartamento ficava um pouco longe.
– Anika, você está bem? – Shantaw perguntou assim que entrei no carro.
– Na medida do possível, Shaw – respondi – Será que podemos esperar chegar na sua casa para falar sobre isso?
– Claro, claro. Vou ficar caladinha até chegarmos lá.
Ela pisou no acelerador, e logo havíamos chegado ao seu prédio. Subimos em silêncio até o seu andar, e agradeci mentalmente por Shantaw estar me dando este tempo. Eu precisava pensar, elaborar um história convincente, embora o fato de mamãe estar na cidade já ajudasse em boa parte, uma vez que Shaw sabia o quão pouco nos dávamos bem. O problema é que só descobri que ela estava aqui quando cheguei em casa, o que não condizia com minha reação na faculdade, por isso teria que inventar que havia recebido um telefonema dela enquanto estava lá. Sim, isto serviria.
– Já está pronta para falar? – ela perguntou assim que entramos em seu apartamento. A sala de estar ampla era decorada com dois quadros abstracionistas, uma réplica de Prazeres, e outra de Fuga, ambos de Wassily Kandinsky, que davam um ar alegre e jovem ao lugar.
– Sim, estou – falei sentando-me no sofá, sendo seguida por ela, que se sentou ao meu lado. Preparei-me para contar mais essa mentira, e me senti mal por ter que enganá-la.
Odiava ter que mentir para Shantaw, ela era a única amiga que tinha, a única pessoa com quem podia contar, mas que outra escolha eu tinha? Deveria me virar para encará-la e dizer: “Sabe, Shaw, o ex-namorado que te falei ontem? Pois bem, nós nunca namoramos, ele foi apenas alvo de uma vingança minha, e agora está aqui, provavelmente para me enlouquecer”.
Não dava. Isso simplesmente estava fora de cogitação. Por isso coloquei meu teatrinho em prática e contei que mamãe havia me ligado avisando que iria passar uns dias comigo, pouco tempo depois que eu me despedira e Shantaw entrara em sua classe.
– E como estão as coisas com ela? Ainda na mesma? – Shaw havia presenciado mais do que algumas de minhas brigas com mamãe, por isso sua preocupação era ainda maior do que se ela apenas soubesse das coisas através dos meus relatos.
– Eu venho ignorando que ela está lá, quem sabe assim consigo aturá-la.
– Você sabe, Anika, que se não conseguir suportar ficar lá, pode vir morar comigo. – Shantaw ofereceu. — O apartamento é grande, e tem espaço mais que suficiente para nós duas. Aliás, eu adoraria ter uma colega de casa, é tão chato morar sozinha!
– Obrigada, Shaw, é bom saber que tenho para onde ir, no caso de precisar sair de lá – dei um sorriso – Vamos ver quanto tempo ainda posso suportar antes disso acontecer!
Pedimos uma pizza depois de algum tempo, e Shantaw contou que Stefany havia ligado pouco tempo depois que chegara da faculdade e não parara de falar um segundo sobre o novo estudante gato que vira hoje, e que ela não via a hora de pegar. Ela obviamente estava falando de Could e senti meu estômago revirar só de pensar em Stefany colocando suas garras pintadas de pink nele. Eu sabia que não tinha o direito de pensar assim, mas era impossível evitar.
Fingi prestar atenção à conversa por mais algum tempo antes de pedir que ela me deixasse em casa. Já passava das 10, e certamente Clarisse estaria em seu quarto dormindo. Ela era o tipo de pessoa que dormia cedo e acordava tarde, o contrário de mim.
*** * ***
Não consegui dormir naquela noite. Passei o tempo todo em que estive deitada, rolando de um lado para o outro da cama. Isso era frustrante, porque eu sabia que tinha que estar descansada no dia seguinte, no entanto, o sono simplesmente havia desaparecido. A certa altura, meus olhos já estavam secos, e minha mente continuava ativa repassando todos os acontecimentos do dia. Talvez fosse por isso que eu não conseguia dormir, afinal, quem conseguiria depois de um dia infernal como o meu?
Hoje eu havia tido mais altos e baixos do que qualquer ser humano poderia suportar. Era muita pressão psicológica para uma pessoa só. E o fato era que a ficha nem havia caído ainda. Sabe aquela sensação de estar fora do seu corpo observando o que está acontecendo com você, mas imaginando que é com outra pessoa? Era desse modo que me sentia. Como uma expectadora da minha própria vida, apenas vendo as coisas acontecerem, mas sem conseguir assimilar que aquilo era mesmo verdade, e que estava acontecendo comigo.
Tudo estava caminhando perfeitamente bem até Could aparecer, o plano seguia exatamente como eu queria, quer dizer, até melhor, já que não esperava incluir o Sr. McCoy na equação. Mas agora tudo estava de pernas para o ar. Minha mente estava dando nós de tanto pensar, e minha vida estava uma completa bagunça. Embora eu tivesse fingido muito bem mais cedo, a verdade era que Could estava me afetando demais, e como se isso não bastasse, minha mãe ainda tinha que aparecer aqui para complicar ainda mais as coisas.
E o pior de tudo era que eu estava sozinha para enfrentar isso, pois Shantaw jamais entenderia minha situação, não importava quantas vezes repetisse que podia contar com ela, e que sempre me ouviria quando eu precisasse. Analisando bem, ninguém poderia me ajudar a sair da enrascada em que havia me metido. Eu estava por conta própria e não tinha a menor ideia de como resolver essa situação.
Depois de mais algum tempo com os olhos fechados, e a mente trabalhando sem parar, resolvi que deveria fazer algo mais útil com este tempo livre – que eu desagradavelmente havia ganhado – do que ficar pensando em como minha vida havia se transformado em um pesadelo. Por isso levantei-me da cama e peguei meu laptop na bolsa. Era hora de começar a fazer meu trabalho para a classe de economia. Sr. Thompson ficaria impressionado quando visse minha matéria. Eu tinha certeza disso.
Fui acordada por uma dor latente no meu pescoço e vi que o quarto estava iluminado pelos raios solares. Em algum momento enquanto digitava meu trabalho eu tinha adormecido, deitada de mal jeito na cama, e agora além daquela sensação de cansaço que as pessoas sentem quando dormem por pouco tempo, eu também estava com uma dor horrorosa no meu pescoço. Que bela maneira de iniciar o dia, Anika!
Espreguicei-me, sentindo todos os meus ossos protestarem pela noite mal dormida que tive, e segui para o banheiro. Hoje era um novo dia; um novo recomeço; um novo desafio. E eu tinha que estar preparada à altura. Dolorida, ou não.
Quando saí do quarto encontrei a casa silenciosa, o que não me surpreendeu. Clarisse não era uma pessoa matinal, e se, por algum motivo era acordada antes das onze, ficava de mal humor. Como não estava no clima para aturá-la, de qualquer maneira, isso, para mim, foi um alívio. Quanto menos a visse, melhor. Principalmente, se eu estava pretendendo manter minha sanidade mental.
Enquanto passava manteiga em um pão, repentinamente minha mente foi assaltada pelas palavras de Shantaw na noite passada: “Você sabe, Anika, que se não conseguir suportar ficar lá, pode vir morar comigo. O apartamento é grande, e tem espaço mais que suficiente para nós duas”.
Pensando bem, até que essa não era má ideia. Em última instância, eu já tinha um plano B, se conviver com a mamãe não desse certo.
Parecia mesmo que a sorte havia me abandonado. Assim que cheguei à faculdade a primeira pessoa que avistei no estacionamento foi Could. Por que justo ele? Por que eu não podia ter um segundo de paz? O carro dele estava estacionado há apenas duas vagas do meu, e algumas garotas já estavam rondando-o. Não muito próximas para que ele percebesse, mas perto o suficiente para eu querer enganá-las. Mas que droga! Ele estava me deixando agitada sem nem fazer esforço. Entretanto, não iria deixa-lo perceber o quanto estava me afetando, mas não deixaria mesmo!
– Bom dia, gatinha! – Will apareceu na minha linha de visão, bloqueando meu inferno pessoal. Nunca imaginei que pensaria isso, mas jamais fiquei tão feliz de ter que tolerá-lo do que naquele momento.
– Will – fingi um sorriso – Que bom te ver!
– É mesmo? – o sorriso dele ampliou, e com isso meu senso do jogo foi reativado. – Então, isto significa que as chances estão boas para o meu lado? – ele aproximou-se ainda mais de mim, e resisti a vontade doentia de virar para ver se Could estava observando esta cena. Não que eu estivesse tentando provocá-lo, longe disso. Mentirosa, minha mente ecoou, mas ignorei. Minhas ações não giravam em torno dele. De modo algum. Tudo o que eu fazia era em razão da minha vingança pessoal, nada mais que isso.
– Não, Will, querido – balancei a cabeça em sinal de negação – Isto significa que quero saber se seu pai comentou algo sobre a entrevista que eu fiz.
A cara de decepção que ele fez foi impagável. E me ajudou a recuperar um pouco do meu ânimo. Nada como o desgosto alheio para me revigorar, principalmente, se esta pessoa fosse o meu alvo.
– Ah, isso – ele falou com desânimo – Papai não parou de falar um minuto sobre o quanto você era talentosa, e mencionou várias vezes como havia adorado a entrevista – ele revirou os olhos – Até mamãe ficou curiosa sobre você agora.
– Nossa, eu não imaginava que faria tanto sucesso assim – sorri, com meu humor definitivamente nas alturas.
– Ao que parece, você conseguiu conquistar meu velho completamente – ele disse, emburrado.
– Você não está com ciúmes do seu próprio pai, não é Will? – perguntei sarcasticamente.
– Por que você não para com esse joguinho, Anika? – Will pegou meu braço – Pare de fingir que não me quer, quando nós dois sabemos muito bem que isso não é verdade. Eu sei que você também sente isso, até faculdade inteira percebe quanta tensão sexual existe entre nós.
DEFINITIVAMENTE NÃO!
Ah Will, se você soubesse o nojo que sinto de você. O quanto preciso me esforçar para fazer isso parecer natural.
– Não é um jogo, Will. Agora, se você pensa que serei mais uma conquista para sua interminável lista, está completamente enganado. – tirei sua mão do meu braço e comecei a andar em direção a minha classe.
Eu sabia que agora estava fazendo uma cena, e isso era algo que não queria. Mas Will estava me tirando do sério, ou talvez a culpa toda não devesse ser atribuída a ele, já que desde ontem Could me roubava a paciência, e o domínio dos meus pensamentos...
– Espera, Anika – Will me parou no corredor, e várias pessoas pararam para olhar. Será que elas não tinham coisas melhores para fazer do que querer saber sobre a vida dos outros?
– O que foi agora, Will? – perguntei entredentes. Sim, eu não estava conseguindo me fingir de amigável hoje.
– Eu não deveria ter te pressionado assim – Uau! Eu estava ouvindo mesmo isso? William McCoy estava mesmo me pedindo desculpas?
– Will, eu já te disse diversas vezes que só quero ser sua amiga, que não vou ser só mais um nome em um caderninho preto. Quantas vezes vou precisar repetir isso para você entender?
– Eu já entendi isso, Anika, não se preocupe. – Ele me virou, de modo que pudesse olhá-lo nos olhos. Os mesmos olhos verdes que já haviam me feito cair em sua lábia uma vez. Só que isso estava no passado, eu não sentia mais aquela atração por ele, tudo que conseguia sentir era repulsa. Repulsa pelo o que ele representava para mim; pelo que tinha feito comigo. Os únicos olhos que eu estava interessada em olhar eram azuis, e pertenciam ao cara que devia me odiar agora, por tudo o que eu tinha feito com ele. Olhos que pude ver, e também estavam observando esta cena, junto com metade da faculdade. Se eles queriam um show, talvez eu pudesse dar-lhes o que desejavam.
– Bem, se era só isso, eu tenho aula agora – falei me desvencilhando dele.
– Então estamos bem? Ainda amigos?
– Ainda amigos – murmurei e dei um beijo em sua bochecha (Precisaria lavar minha boca com sabão depois disso!) – Nos vemos no almoço – pisquei e caminhei para minha sala, sob o olhar atordoado do bando de enxeridos que estava nos observando. Eu disse que lhes daria um show, não disse?
*** * ***
Concentrar-me nas aulas foi impossível. Minha mente ficava voltando para a “discussão” que tive com Will, e Could também era presença constante em meus pensamentos. Não ajudava que boa parte dos meus colegas havia presenciado a cena no corredor e ficava me encarando enquanto sussurrava coisas a meu respeito. Eu estava ficando cansada disso, e contava os minutos para o horário do almoço, apesar de saber que lá fora isso seria pior, pois, provavelmente todo mundo já estava a par do que havia acontecido e me encararia também. A diferença era que eu não teria que fingir estar prestando atenção à aula, quando estudo era a última coisa em minha cabeça.
– Anika, que história é essa que você e Will brigaram? – Shantaw perguntou assim que me viu perto do restaurante em que almoçávamos – Não se fala em outra coisa por aqui.
– Urgh, que bando de fofoqueiros, será que não têm nada melhor para fazer?! – exclamei, irritada.
– Então é verdade?!
– O que, exatamente, você ouviu? – Eu precisava saber com o que estava lidando, antes de dizer qualquer coisa.
– Disseram que você o enfrentou, e ele te pediu desculpas feito um cachorrinho. Ah, e que rolou até B-E-I-J-O depois, isto é sério? – ela soletrou a palavra beijo, de maneira a ter certeza de que eu não fingiria ter entendido errado.
– Não foi nada demais, Shaw. – tranquilizei-a – Will apenas insistiu nessa história de ficar, e eu deixei bem claro o que pensava dessa ideia.
– Então, onde fica o beijo nisto?
Tive que rir, não consegui me controlar, ao lembrar do meu showzinho.
– Foi um beijo no rosto, Shantaw. Dado especialmente para meu público.
Ela começou a rir também: — Como você é má, Anika!
– Nunca disse que era boazinha.
Após pegarmos nosso almoço, caminhamos em meio à risadas até nossa mesa habitual, onde Stefany já estava sentada, sem Lindsay ou Marie por perto. Só que ela não estava sozinha. Ao seu lado, onde ela praticamente se debruçara, provavelmente falando algo fútil, em busca de manter sua atenção, estava Could Montgomery – a mais recente causa dos meus problemas. Por que as coisas tinham que ser tão difíceis para mim?
Fale com o autor