Her Pov


Mantenha-se calma – repeti mentalmente – Você consegue passar por isso.
– Hey, meninas – Stefany saúdo-nos assim que chegamos à mesa, e aproveitou para grudar-se ainda mais em Could. Se ela continuasse se movendo para perto dele, logo estaria sentada em seu colo – Este é o Could – sua voz tornou-se melosa, e meu estômago revirou – Ele estuda administração e é novo na faculdade, acabou de ser transferido. Pensei que seria bom fazermos companhia a ele, já que ainda não conhece muitas pessoas por aqui. Não tem problema, não é?
Lançando um olhar que claramente dizia: Nem pensem em dizer algo contra, ela se recostou em sua cadeira. Minha vontade era de gritar, dizendo que isto era um enorme problema, sim, e que não o queria em nossa mesa. Entretanto, estava de mãos atadas nesta situação, e nada poderia dizer. Só me restava atuar, como sempre. Por isto, sentei-me em silêncio ao lado de Shantaw.
– Oi, Could, é bom revê-lo – Shaw sorriu.
Espere um pouco. Ela já o conhecia? Por Deus, será que ela também era uma de suas muitas bajuladoras? Eu seriamente esperava que não, porque, caso contrário, isso aqui iria se tornar uma confusão maior do que já era.
– Digo o mesmo, Shantaw – ele sorriu para ela, do mesmo modo que sorria para mim meses atrás. Como se quisesse pegá-la. Porco, cretino, cafajeste! – E esta seria a sua amiga que estava com problemas ontem?
– Sim, é ela. Que maneiras essas minhas! Esqueci de apresentá-los. Could esta é a...
– Não precisa, Shaw – a interrompi, ganhando imediatamente a atenção de Could. Talvez ele esperasse que eu dissesse que já nos conhecíamos, pelo olhar de curiosidade em seu rosto – Deixe que eu mesma me apresente. – Cada célula do meu corpo vibrava com o desafio, e foi impossível controlar. — Olá Could, eu sou a Anika.
– Prazer em conhecê-la, Anika – o cínico entrou no fingimento.
– Quer dizer que agora os garotos também são permitidos na mesa das meninas e ninguém me avisou? – Will perguntou enquanto apoiava as mãos em meus ombros.
Quão irônico seria admitir que Will salvou-me pela segunda vez em um dia de um momento inoportuno com Could? Te devo essa, McCoy.
– Will! – Stefany praticamente gritou – Que briga foi essa entre você e a Anika? Este é o assunto do momento por aqui!
Será que apenas eu notei o tom vitorioso dela, como se estivesse feliz por eu ser alvo das fofocas da faculdade?
– Foi uma bobagem – ele sentou-se ao meu lado, sem nem ao menos ser convidado. Como se Will se importasse com essas coisas! – Tudo foi resolvido, não é Anika?
– Claro – respondi – Foi apenas uma pequena divergência que já resolvemos.
– Percebe-se – ela falou, venenosa. Inveja escorria por cada sílaba que ela pronunciava. Por que mais ninguém percebia isso?
– Então, onde estão Lindsay e Marie? – perguntei, tentando tirar de mim o foco da conversa.
– Hoje elas só tinham aula até às 10, Anika. — Shantaw respondeu – Lindsay me mandou uma mensagem avisando que dois professores haviam faltado, e que elas não iriam ficar aqui esperando até as 3 da tarde, quando seria sua próxima aula.
– Que sorte a delas. Bem que eu queria poder fazer isso também – resmunguei.
– Não seja por isso, gata – Will disse – Se você quiser sair daqui agora, eu topo ir junto. Sei de muitas coisas que poderíamos fazer! – Deu para perceber a insinuação na frase? Eu certamente percebi.
Estava prestes a rebatê-lo com mais uma de minhas tiradas sarcásticas, quando percebi que poderia fazer uso daquela situação de outra maneira. Veja bem, Could também estava à mesa, e além do olhar de desafio que me lançava, estava deixando a Stefany praticamente se esfregar nele! Isso era muita provocação, certo? Então, nada mais justo do que eu provocá-lo também, não é? E nada de ficar me julgando desse jeito. Caramba!
– Infelizmente tenho um trabalho para apresentar na próxima aula, Will. – respondi encarando-o.
– Quem sabe mais tarde, então? – ele sorriu lascivamente para mim.
– Ah, minha nossa. Como está quente aqui! – murmurou Shantaw, se abanando.
– Tudo bem, chega dessas coisas aqui na mesa – Stefany reclamou – Vão assustar o Could com este rolo estranho estre vocês.
– Ah não, não liguem para mim – Could disse, tentando parecer casual com tudo isso.
– Não, a Steffi está certa – Will falou, o que me surpreendeu – Melhor pegarmos mais leve na frente das pessoas, e deixar as insinuações para quando estivermos sozinhos – ele piscou.
– Urgh! – grunhi, batendo em seu braço – Você não perde uma, hein?!
– O que posso dizer? – ele deu de ombros – Simplesmente não consigo evitar.

Depois daquele último comentário, Stefany interviu, mudando de assunto ao falar sobre como estava estressada com uma prova que teria que fazer na semana que vem. Era a primeira coisa que eu a ouvia dizer que não era relacionada à festas, garotos ou moda. Entretanto, isso pelo menos tirou de vez o foco de mim, e por isto eu seria grata a ela, já que cada um começou a mencionar suas preocupações com os trabalhos que deviam ser apresentados ou entregues, e com as provas que estavam próximas.
Para qualquer pessoa que nos visse, aquela pareceria uma mesa normal, com amigos universitários conversando enquanto almoçavam. No entanto, aquilo não poderia estar mais longe da verdade. De um lado da mesa, estavam Shantaw, Will e eu: Minha melhor amiga (que não fazia ideia da verdadeiro motivo para estar estudando ali) e o cara que eu mais detestava no mundo (o principal, e último alvo da minha vingança). E do outro, estavam Could e Stefany: o cara que eu amava, mas que provavelmente me odiava (cujos planos eu não tinha a menor ideia), e a patricinha insuportável (que além de só falar coisas fúteis, estava dando em cima do cara que eu gostava). Com o quadro totalmente exposto, não era nenhuma surpresa que eu estivesse contando os minutos para sair dali.
Quando Could disse que tinha que ir, fiquei imensamente aliviada, parecia até que eu podia respirar melhor, como se tivesse um peso sobre meus pulmões que havia sido retirado ao saber de sua saída. No entanto, essa tranquilidade foi passageira, porque Will decidiu ir com ele, já que ambos faziam o mesmo curso, e portanto iriam para o mesmo Centro Acadêmico, embora Will estivesse dois períodos à frente de Could. Aquilo não me agradou nem um pouquinho e me deixou inquieta, afinal de contas, quem ficaria relaxado se estivesse na mesma situação que eu? Só o que me faltava agora era Will e Could se tornarem amigos. Já imaginou que confusão isso iria ser?
Não preciso nem dizer que não prestei atenção em nenhuma aula depois disso, não é mesmo? Minha mente ficou dando voltas e voltas, tentando encontrar uma forma de afastar Could de todos que estavam próximos a mim, mas não consegui pensar em nada eficaz o bastante. Onde foram parar suas ideias brilhantes, Anika?

Quando as aulas finalmente acabaram, praticamente corri para o estacionamento. Eu precisava sair daquele lugar, ir para onde pudesse limpar a mente para pensar claramente, e onde, principalmente, pudesse extravasar um pouco da frustação que estava sentindo.
Ir para casa estava completamente fora de cogitação, pois as chances de Clarisse estar lá eram particularmente altas, apesar de que ela poderia estar fazendo compras. No entanto, resolvi não arriscar, pois com a sorte que eu estava tendo ultimamente, era capaz de encontrá-la e no momento não podia lidar com ela. Por isso resolvi ir para a academia.
Como minhas aulas de pole dance acabaram há alguns dias, eu não havia reservado a sala e tive que esperar para usá-la. Por sorte, quando cheguei só faltavam 10 minutos para a sala desocupar, e ninguém a havia reservado. Aproveitei este tempinho para trocar de roupa, pois ainda estava com os jeans e camiseta que havia ido para a faculdade. Felizmente eu deixei uma bolsa de academia no porta-malas do carro e não precisei passar em casa (até porque eu não iria mesmo).
Depois de mais de uma hora praticando — suada, e com os músculos doloridos, por ter passado dias sem me exercitar — eu finalmente me convenci a ir para casa. Pois era o MEU apartamento, e não deixaria Clarisse se apossar do que me pertencia. Saí da sala e fui para o vestiário, onde tomei um banho relaxante e me troquei. Após todo o cansaço físico, eu finalmente estava me sentindo melhor, bem mais calma. Comecei a caminhar para a recepção quando vi algo que me fez parar no meio do caminho.
Could fazia musculação a poucos metros de onde eu estava. Observar sua concentração enquanto se exercitava era excitante. Seu peito subia e descia com força quando respirava, o suor escorria por sua pele, e minhas mãos coçavam para tocar seus músculos salientes.
Por que ele tinha que ser tão lindo? Tão gostoso?
Era pedir demais que uma simples mortal como eu conseguisse continuar resistindo a ele. Could, definitivamente, iria tornar minha vida mais difícil.
Fui embora antes que ele notasse minha presença ali, e, principalmente, antes que alguém percebesse a cena silenciosa que eu fazia ao observá-lo fixamente, como uma espécie de psicopata. Dirigi para casa o mais rápido que pude, com a imagem do corpo dele fixa em minha mente. E ainda estava em meu mundo fantasioso quando entrei no apartamento, por isso levei um susto ao deparar-me com Clarisse sentada no sofá, encarando-me, enquanto depositava sua xícara de chá na mesinha de centro.
– Chegou tarde, onde estava? — foi a primeira coisa que disse quando me viu.
– Na academia — respondi secamente, e comecei a andar para meu quarto, quando sua voz me parou:
– Não estou falando de hoje, refiro-me à ontem — ela fechou a revista Vogue que estava aberta em seu colo, e concentrou toda sua atenção em mim.
– Não é da sua conta — desferi rispidamente.
– Tudo o que você faz é da minha conta, Anika. Não posso deixar que se envolva em nenhum escândalo, seria péssimo para minha imagem — Revirei os olhos ao ouvir seu discurso — Mas devo dizer que fiquei muito feliz com sua escolha de namorado. William McCoy é um bom partido.
O quê?! Como ela poderia saber sobre Will?
– Do que está falando?
– Você saiu ontem à tarde com um rapaz, vi isso aqui da janela. Como prezo pela nossa imagem, algo que você não faz, desci para perguntar ao porteiro, já que se dependesse de suas informações, eu morreria sem saber.
– Eu não acredito que você fez isso! — vociferei — Não quero que se meta em minha vida, entendeu? Cansei de todo esse seu fingimento; você não é uma triste viúva que tenta seguir sua vida trabalhando e cuidando da filha, você é uma...
– Não ouse me insultar — Clarisse interrompeu-me — Sou sua mãe, e como tal, exijo que me respeite!
– Respeito? — ri, sem humor — Você não pode me exigir nada, muito menos respeito, que é algo que não merece — saí da sala e entrei no meu quarto, trancando a porta, frustrada novamente. Desse jeito eu não iria aguentar. Essa batalha de emoções iria me enlouquecer mais cedo ou mais tarde, se não tomasse uma providência. Eu tinha que eliminar um elemento desta equação, e rápido.

Permaneci no quarto o resto da noite, e retirei-me de lá apenas quando Clarisse fora dormir, por volta das nove. Depois de comer o restante do jantar italiano que ela havia pedido, fui direto para o chuveiro e vesti um pijama cinza de flanela. Revisei alguns trabalhos, chequei meu e-mail, e só então me deitei. Ao olhar para o relógio digital na mesinha de cabeceira, vi que já passava da meia-noite. Fechei meus olhos, pronta para me deixar levar pelo sono.
Estava quase adormecendo quando senti a cama se afundar ao meu lado. Eu não podia acreditar na petulância de Clarisse ao vir até aqui. Isso já era demais! O que ela poderia querer a essa hora?
Antes que pudesse protestar sua invasão, senti um corpo quente pressionar-se ao meu. E não, não havia a menor possibilidade de ser a minha mãe. Mesmo em meu estado semiadormecido, eu sabia reconhecer um corpo masculino. Meu coração acelerou no mesmo instante. Medo? Excitação? Sinceramente, não sabia. No entanto, a dúvida sobre quem poderia estar aqui, na minha cama, martelava em minha cabeça.
– Não precisa ter medo — aquela voz rouca e sensual sussurrou em meu ouvido — Sou só eu.
– Could? — perguntei, confusa — O que?... Como... Como você entrou aqui?
– Shh — disse ele, antes de me virar para que eu pudesse encará-lo — Não há nada que possa me impedir de ter o que quero. Além do mais, eu não iria deixar as coisas daquele jeito entre nós.
– Como assim?
– Não vamos pensar em nada, Anika. É hora de nos deixar levar pelo momento. Eu sei que você quer isso, não adianta negar, porque não vou acreditar — dizendo isto, seus lábios desceram sobre os meus com força, exigindo que eu correspondesse. Como poderia resistir à ele? Estaria enganando a mim mesma se fizesse isso.
Nosso beijo era frenético, desesperado, como se não pudéssemos obter o suficiente um do outro. Eu o queria tanto naquele momento como jamais o desejara. Era intenso, sensual, carnal. Minhas mãos passavam por suas costas, embaixo da camisa, arranhando-lhe a pele, para que ele soubesse que pertencia a mim, e a ninguém mais. Enquanto isso, suas mãos ocupavam-se em me despir. Primeiro meu short, e depois a blusa do meu pijama.
Achando injusto que somente eu estivesse exposta, tirei-lhe a camisa rapidamente, jogando-a em qualquer lugar do quarto. Ele riu quando tateei por seu corpo, sentindo os músculos rígidos de sua barriga de tanquinho, até chegar ao zíper da calça jeans que vestia. Aquela risada sexy excitou-me ainda mais, e resolvi proporcionar-lhe a mesma sensação ao tocar seu membro grosso e ereto por dentro da boxer.
– Anika. — ele rosnou, enquanto atacava meu pescoço com beijos e mordidas. Continuei a torturá-lo, movendo minha mão lentamente por sua extensão, até que sua mão cobriu a minha, parando meus movimentos. — Minha garota má quer brincar, não é? Vou mostrar-lhe como eu brinco, Anika.
Após sussurrar isso em meu ouvido, Could desceu beijos pelo meu corpo, até chegar à minha calcinha. Em um movimento de seu pulso, ele a rasgou em duas e jogou por cima do ombro. Logo em seguida, passou a me beijar lá embaixo, levando-me à loucura, fazendo com que eu tivesse que segurar nos lençóis para manter-me à cama.
Minha pele queimava de tanto desejo, e eu não poderia esperar mais nenhum segundo para tê-lo dentro de mim. Precisava dessa conexão, como precisava de oxigênio para respirar. Era vital. Entretanto, mesmo em minha névoa de luxúria, consegui pensar claramente por alguns instantes. Até onde eu sabia, Could me odiava, ou pelo menos devia. Ele não poderia ainda me querer como eu o queria. Não depois do que fiz.
– Could... — pronunciei com algum esforço para me manter coerente. Puxei seu cabelo, fazendo-o erguer a cabeça para me encarar — Como... Como você pode querer me tocar depois do que eu te fiz? — consegui perguntar, entre fôlegos.
Seus olhos azuis fixaram-se nos meus, e mesmo no escuro do meu quarto, iluminado apenas pela luz da lua que vinha da janela, eu podia ver o desejo em seu olhar.
– Como eu poderia não querer tocar em você?
Era só disso que eu precisava. Mal as palavras haviam saído de sua boca e eu já estava beijando-o avidamente. Como senti falta disso!
– Anika... — uma voz distante me chamou. Could e eu paramos de nos beijar no mesmo instante. Minha respiração estava irregular, e meu coração batia rapidamente. No entanto, havia algo estranho, Could estava meio embaçado, e cada vez mais se distanciava de mim — Anika, acorde!
Abri meus olhos para encontrar Clarisse encarando-me. Sentei-me na cama e tentei controlar minha respiração.
– O que você está fazendo no meu quarto?! — inquiri com raiva. Aos poucos minha mente estava processando que tudo aquilo não passara de um sonho. Um sonho, droga! Could jamais iria me querer daquele jeito novamente.
– Calma — ela ergueu as duas mãos e se afastou de mim — Estava indo beber um copo de água na cozinha e a ouvi fazer uns sons estranhos e se remexer na cama. Pensei que fosse melhor acordá-la do pesadelo que estava tendo. Fiz mal?
Sim!
– Não — murmurei — Obrigada por se preocupar, mas quero que saia do meu quarto agora.
– Tudo bem, já estou indo — disse ela, enquanto caminhava para a porta.
Assim que estava sozinha novamente, permiti que as lágrimas que estava segurando banhassem meu rosto.
Tudo fora apenas um sonho. Um maldito sonho idiota.