Bad Girl II

18 Capítulo 17


Her Pov

Eu estava me sentindo estranha. Nunca, desde que comecei a planejar minha vingança, imaginei que as coisas fossem chegar a esse ponto. Um ponto em que eu não sabia mais como agir, onde não havia um próximo passo a ser dado. Jamais fui uma pessoa de desistir, mas as coisas haviam se tornado insustentáveis.

Minhas escolhas me trouxeram até aqui, até este momento horrível; eu era a única culpada por minha situação. O que eu tinha conseguido com essa história de vingança? Será que fazer com outros homens o que Will fez comigo apagava o que passei 5 anos atrás? Isso me fazia sentir melhor?

A resposta para essas perguntas era não. A vingança não havia acrescentado nada em minha vida, eu me tornei um ser vazio.

Passando a mão delicadamente no machucado em meu rosto, fiz uma careta. Eu não estava desistindo da vingança contra Will, apenas dando um basta em algo que prejudicou minha vida. Era hora de acabar com esses joguinhos nos quais me tornei mestre. Will podia se explodir e o mundo todo junto com ele, porque Anika Olsen não estava nem aí. Eu não me importava mais se ele sofreria, ou não. O que eu sabia é que não permitiria mais que isso governasse minha vida.

— Anika? – A voz de Shantaw foi seguida por uma batida em minha porta. – Você está aí?

Eu não tinha tido coragem de enfrentá-la desde que voltei para casa ontem, logo cedo da manhã. Ainda estava me sentindo confusa depois de ter passado a noite aos cuidados de Could.

Suspirando, tomei coragem para encará-la.

— Estou sim, Shaw. Pode entrar.

A porta se abriu lentamente, Shantaw entrou no quarto, cautelosa, mas parou abruptamente quando seu olhar focou em meu rosto.

— Anika! – Ela correu até onde eu estava, sentada na cama. – Meu Deus, o que aconteceu? Quem fez isso com você?! – Questionou ferozmente.

Eu estava tão cansada de mentir, tão cansada... Não queria mais esconder as coisas de minha melhor amiga, por isso resolvi ser sincera.

— Foi o Will – respondi em um sussurro.

— O quê?! – Ela se exaltou. – Como aquele cretino ousou encostar um dedo em você?! Ah, mas ele vai pagar por isso. Você já foi na polícia para denunciá-lo, não é? Ele é um perigo, tem que estar atrás das grades. Eu mesma vou me encarregar para que ele passe pelo menos alguns dias na cadeia, antes que o papai influente dele consiga liberá-lo. Se bem que ele tem direito a fiança, portanto não ficará muito tempo preso... – Confesso que me perdi no meio do discurso dela, e apenas fiquei observando enquanto caminhava pelo carpete, agitando os braços conforme falava. – Hein, Anika?

— Oi? – Pisquei, voltando a prestar atenção em Shaw, que agora balançava as mãos em frente ao meu rosto.

— Você não respondeu nada do que eu te perguntei!

— Eu não fui na polícia, e nem pretendo ir, se é isso que está te inquietando.

— Como assim não pretende ir? O Will te agrediu, Anika! Isso é crime. Eu não estou acreditando que você quer deixar o desgraçado impune!

— Você não entende – murmurei.

— Claro que não entendo, porque isso não faz sentido! – Eu conseguia sentir uma explosão a lá Shantaw se aproximando.

— Há coisas que você não sabe, Shantaw. Coisas que não posso te dizer agora. Mas, de certa forma, isso que aconteceu serviu de despertar para mim. Comecei a ver as coisas por outra perspectiva. Não estou pedindo que entenda, nem mesmo que não me peça para contar o que ando ocultando, mas, por ora, eu gostaria de não tocar nesse assunto. Tudo bem?

— Você é a pessoa que me faz abrir mais concessões no mundo inteiro, sabia? – Ela passou as mãos pelo cabelo e fechou os olhos, sinais de frustação. Eu sabia que para uma estudante de Direito, que acreditava firmemente que nada devia ficar impune, ver uma situação que poderia ajudar e não fazer nada devia ser um martírio.

— Desculpa – dei um pequeno sorriso, que quase se transformou em uma careta, por causa do lado machucado do meu rosto.

— Não é a mim que você deve desculpas, mas sim a si mesma, por estar tomando uma decisão errada. Mas eu aceito as desculpas, também, por ter sido arrastada para esse barco. – Sentando-se ao meu lado na cama, ela virou-se de modo que pudesse me encarar. Como sempre, quando ela fazia isso, me senti um pouco intimidada. – Agora, será que você podia me explicar ao menos onde você passou a noite?

— Na casa do Could. – Admiti, olhando para meu colo.

— Na casa do Could? – Shaw repetiu, e seu tom de voz transmitia incredulidade. – Você vai ter que me explicar isso direitinho Anika Olsen!

Suspirei pesadamente.

— Posso te dar uma versão resumida? E você promete não querer fazer nada a respeito dessa história?

— Que escolha eu tenho, não é mesmo? – Falou, com pesar.

— Bem, depois que fui pegar nossas bebidas, acabei me encontrando com Will e nós ficamos dançando. Só que, depois de um tempo, resolvi sair e ele teve outras ideias. Eu não queria – senti minha expressão endurecer ao lembrar das mãos daquele desgraçado em meu corpo, do tapa que deu em meu rosto -, e ele quis me obrigar. Quando tentei me libertar, ele me estapeou.

— Que desgraçado! Anika, por favor, não me diga que ele conseguiu...

— Não, eu consegui fugir. Mas não tinha como voltar para casa. Will veio atrás de mim, só que Could já tinha me alcançado e eles acabaram brigando. Não me pergunte como ele me encontrou, porque não sei. Depois disso, Could se ofereceu para cuidar de mim.

— Eu não acredito que mesmo depois de tudo isso você não quer denunciá-lo! Ele tentou, não vou nem pronunciar essa palavra...

— Eu não posso, entenda! – Me ergui, em meio a minha exaltação. – Já disse que há mais coisas aqui do que o que simplesmente aconteceu!

— Tudo bem, você é quem sabe. Não vou me intrometer. Mas se eu vir você de novo perto do Will...

— Não vou ficar perto dele, não se preocupe.

*** * ***

Distante. Foi assim que me senti emocionalmente nos dias que se seguiram após minha conversa com Shantaw. Nem mesmo o e-mail que a secretária de meu irmão havia enviado surtira algum efeito em mim. O fato de que Adam queria adiar a compra das ações por tempo indeterminado, porque havia viajado para resolver um problema em uma das filiais e não sabia quando voltaria, e a transação só seria realizada pessoalmente, não provocou nada, absolutamente nada em mim. Era como se tivesse me tornado fria, metaforicamente e literalmente. Até que finalmente voltei a mim, e quando isto aconteceu, tive medo de já ser tarde demais.

Shantaw esteve preocupada comigo, preocupada que eu estivesse retendo emoções e que quando a barragem cedesse eu enlouqueceria. Contudo, eu não estava me policiando, apenas não conseguia me importar o suficiente para sentir. E isto fez com que eu me distanciasse ainda mais de Could, pois ignorei todas as tentativas que fez de entrar em contato comigo depois daquela noite, até que ele desistiu. Algo que também fiz com Will, que tentou se desculpar comigo por seu comportamento, colocando a culpa na bebida pela forma como agiu. Excluí todas as mensagens que me enviou e esperava que ele entendesse de uma vez por todas que eu não queria que tivesse mais nenhum tipo de contato comigo.

Só me arrependia de ter ignorado Could, pois sentia falta dele. Muita. Cada vez que deitava em minha cama, imaginava seus braços me rodeando, o calor de seu corpo junto ao meu. Fui muito estúpida em pensar que conseguiria controlar meus sentimentos por ele. Ele fazia parte de mim, assim como eu fazia parte dele. Não havia como negar. Entretanto, não sabia mais como me aproximar dele e dizer como me sentia. Agora que estava preparada, não tinha ideia de como agir.

Hoje era o primeiro dia em que eu sairia “oficialmente” da concha, como diria Shaw, já que nas duas últimas semanas eu apenas vegetei, fechada em mim mesma, passando praticamente despercebida na faculdade. E para “consagrar” isso, Shantaw estava praticamente me obrigando a ir em uma boate com ela e as outras garotas. Meu nível de animação para isso era praticamente zero.

— E aí, está pronta? – Ela questionou, ao abrir a porta do meu quarto.

Analisei meu reflexo no espelho e dei de ombros. As marcas em meu rosto eram praticamente imperceptíveis agora, quase não precisei usar maquiagem para escondê-las, pelo menos não do modo como necessitei para poder ir para a faculdade.

— É, eu diria que sim.

— Anika, fala sério! Eu te conheci mais animada do que isso. Não foi você mesma que disse que não deixaria o que aconteceu te abalar?! – Shaw entrou totalmente no quarto, exalando exasperação.

O problema não era o que aconteceu. Eu só estava assim porque estava com raiva de mim mesma. Odiando o que eu fizera com minha vida e como isso afastou o único homem que já amei. E eu era orgulhosa demais para tomar a iniciativa de conversarmos, depois daquela noite.

— Shantaw o problema não é esse caramba! Só que eu não sinto vontade de sair. Ok? Qual o sentido em me produzir toda, para algum cara dar em cima de mim, se eu não posso ter quem eu quero?! – Bati as mãos na parte de cima da penteadeira, derrubando alguns cosméticos no processo.

— Ah, então o problema é o Could, não é? Eu sinceramente não entendo vocês dois. Uma hora se odeiam, depois têm uma recaída, e daí voltam a não se falar. – Ela balançou a cabeça e franziu os lábios, em desgosto. – Mas eu tenho uma informação que talvez vá te animar.

— Que informação? – Perguntei, sem nem me virar para encará-la. Continuei aplicando o batom em meus lábios.

— Could também vai nessa boate esta noite!

— O quê? – Virei-me de supetão. – Quem te disse isso?

— Eu tenho minhas fontes. – Ela sorriu, olhando para as unhas bem cuidadas pintadas de uma cor clara.

— Ok, vamos supor que ele vá mesmo. O que isso mudaria?

— Anika, tente se divertir hoje. Você merece. Além do mais, estou cansada de ter que ver você com essa cara de desolamento.

— Eu não estou com essa cara! – Me defendi.

— Ah, está sim.

Revirei os olhos.

— Cala a boca, que eu já estou pronta. Eu e minha cara de desolamento vamos tentar nos divertir hoje.

— É assim que se fala, garota!

*** * ***

Não demorou muito para eu perceber que aceitar esse convite fora um erro.

Tão logo chegamos, Shantaw foi procurar as outras garotas, e eu disse que ficaria um pouco no bar e depois me juntaria a elas na pista de dança. Mais de uma hora havia se passado desde isso, e eu não tinha feito menção de me levantar do lugar em que estava. O que começara com alguns drinks adocicados, logo evoluiu para vodka, e em seguida whisky. Eu precisava bloquear a cena diante de mim. Adivinhe quem eu havia visto? Exatamente, Could. No entanto, ele não estava sozinho.

Que ironia! Shantaw usara a vinda dele para me atrair até aqui e o que eu encontrava? Ele se esfregando em uma mulher qualquer a poucos metros de onde eu estava. Eu era uma idiota, e ele, mais idiota ainda! Mas isso não passava de uma provocação, eu tinha certeza. Ou talvez, até mesmo uma pequena vingança por ter sido ignorado. Could queria que eu tomasse uma atitude. Só que isso não estava nos meus planos. Beber, por outro lado...

Engoli minha segunda dose de Whisky da noite, e ela desceu queimando minha garganta.

— O que uma garota tão linda como você está fazendo aqui sozinha? – Uma voz masculina perguntou ao meu lado.

Sorri. O álcool certamente nublara meu senso de julgamento (não que isso importasse no momento), mas eu iria pagar o que vira na mesma moeda. Se o Could estava dançando com outra mulher, eu bem que poderia me divertir com outro homem. E que homem! Assim que me virei dei de cara um par de olhos azuis meia-noite que me avaliavam, como eu o avaliava. Seu cabelo era escuro, e sua pele bronzeada.

— Minhas amigas me largaram aqui – dei de ombros, mentindo descaradamente. Eu estava sozinha por opção, mas ele não precisava saber desse detalhe. – E encontraram outras companhias, se é que você me entende.

—Bem, acho que podemos resolver esse problema agora. Posso eu, ser a sua companhia pelo resto da noite? – Uau, que direto! Perfeito para eu utilizar para fazer Could ficar com ciúmes!

— Claro, por que não? – E sorri, flertando. Só por curiosidade olhei para pista de dança e vi que Could nos observava. Quando notou meu olhar em sua direção lançou punhais com seus olhos, mas eu ignorei, assim como ele fazia comigo. Aprenda agora, Montgomery!— Mas antes, que tal me dizer seu nome?

— Andrew, mas pode me chamar de Drew. E você é?

— Anika.

— Então, Anika, gostaria de uma bebida?

— Eu adoraria.

Notas finais
Mais um capítulo! O que será que ela vai aprontar agora, hein?