Bad Boy
9 White Feelings
Notas iniciais
Obrigada por mais uma...(respira de tanta emoção) Recomendação!!!!!IuHHHHuuUUUuhuuuhuhuu (~le ataque emocional~) da vivi-chanS2 *-* obrigadaaaaaa!!! Sua fofaaaa!!!
Enfim, agora q já dei o ataque... esse capítulo, como eu disse no outro, fala dos sentimentos do Allen. Okay, estabelecidos a compreensão dos dois, é hora de avançar huhuhuhu
Boa, leitura!
Allen observou o lado vazio ao seu lado do banco de madeira, onde há segundos atrás havia um pseudo-samurai rabugento sentado. Desviou o olhar a tempo de ver o corpo alto e escuro de Kanda dobrar em um corredor.
“E lá vai ele de novo...”, pensou, enquanto o corpo desaparecia entre as paredes, “ele não consegue ficar perto de ninguém?”. Bufou, porque não conseguia entender a mente do moreno. E tinha a má sensação de que era impossível compreendê-la tão fácil.
-O Yuu é assim mesmo. Ele segue o que acha que é preciso.
Allen deu um salto em sue próprio lugar, quando Alma falou ao seu lado. Mas sabia que o garoto era a prova viva de que era na verdade possível compreender o moreno. Mesmo que fosse difícil.
-Hã?
-Acho que ele foi verificar alguma coisa. O que quer que seja...
-Ah...- o garoto observou o lugar onde viu o vulto confortante de Kanda virar, sem nem ao menos saber atrás do que ele havia ido- m-mas por que tá dizendo isso t-tão de repente?
-Ué?- dessa vez, Lenalee soou logo ao lado de Alma- eu pensei que você estivesse pensando nele...
-É, você ficou encarando ele e depois onde ele estava sentado...
-O que estão insinuando???- o albino deu outro pulo.
-Nada- Lenalee sorriu de um jeito estranho- você está insinuando coisas sozinho...
Allen sentiu vontade de se esconder. Duas das pessoas mais perceptivas estavam logo à sua frente. Resultado: tentar esconder era praticamente impossível.
-Ah, mas bem que ele podia ficar mais com a gente...- o albino deixou escapar- e deixar de escorregar pra fora toda vez que se encontra com alguém.
-Sabe, Allen- Lenalee trocou de lugar, ficou do lado de Allen, no que Alma não estava. Agora estava cercado- eu não conheço o cara muito bem. Mas acho que você parece bem apegado... Só acho, assim...
-Naquela noite que você não conseguia achar o Allen- Alma se referia ao dia em que o albino foi ao bar. Lena tentou ligar para ele, mas o garoto não estava em casa, obviamente- ele saiu com o Yuu.
-Eu aqui desesperada, e você com o moreno bonitão, hein.
-Que isso, Lena?- Allen se assustou- não fale como se eu saísse com ele.
-Ué, qual é o problema?- Lenalee deslizou sua mão pelos ombros do garoto- eu acho ele bem bonito...
-Então vá você com ele- o albino falou, estava se espremendo no lado contrário do corpo da menina. Mas por que sentia medo em dizer aquelas palavras daquele jeito? Como se estivesse entregando o garoto.
-Eu?- o dedo fino da garota apontou para o próprio rosto, então ela caiu em gargalhadas- eu mal conheço o garoto. Além disso, eu acho que você combina muito mais.
-Lena? Você anda lendo aquelas histórias de mangá...?
-Ah, yaoi?- a garota, riu, mas concordou, para desgosto do albino, com cabeça- Allen, você sabe que é viciante ver homens to envolvidos daquele jeito...
-Não para mim. Aí é com você. Deve ser por isso que você vê romance onde não devia...
Com cuidado, o garoto se desvencilhou dos braços da amiga. Estava livre. Lenalee levantou, já vencida e saiu de perto ainda rindo de seu amigo. Acenou com a mão que não cobria as risadas e se moveu para um grupo de garotas ali perto. Allen inclinou o quanto pôde para o outro lado, até que seu corpo tombou no de Alma. Esquecera que estava cercado.
-Mas seria tão bonitinho!- agora era Alma que se agarrava ao seu ombro. Estava rindo do rosto cada vez mais confundível com um tomate do albino.
-Almaaaa- Allen choramingou- até você?
-Agora, Allen. Cá entre nós. Homens, apenas. O que você acha do Yuu?
-Ele é...- Allen demorou a achar palavras que descrevessem tão bem o moreno e todos seus aspectos-...Bakanda.
-Bakan...?
-Um Baka. E um Kanda...
O vento assobiou perto do banco, a cobrir o silêncio que sucedeu a fala tão inesperada e um tanto idiota do albino. Por essa, nem ele mesmo esperava, fora uma coisa impensável e espontânea.
Alma encarou os olhos prateados sem a menor reação. Estavam tremendo de vergonha pelo que acabara de falar. Então, Alma não se conteve, soltou de suas gargalhadas mais altas, tão fortes que pendeu sua cabeça para trás.
-Hey, Alma...Não precisa rir tanto assim. Eu sei que foi idiota.
-Não, não- o garoto enxugou uma lágrima que pendia em um de seus olhos- é que eu nunca pensei em alguém descrevendo o Yuu desse jeito tão...
-Idiota? Eu sei, eu sou um palerma...
-Não- Alma sorriu de um jeito tão brilhante e estranho que Allen recuou um pouco- de um jeito tão...não-sombrio.
-Tem razão. As pessoas realmente veem o Kanda desse jeito...Mal humorado, briguento...e...
Allen esfregou uma das mãos na cabeça. Ele não conseguia encaixar essas características em uma descrição de uma palavra no Kanda. Antes que pudesse entender essa parte de sua mente, Alma estava rindo novamente ao seu lado.
-O que foi agora?
-Desculpa, Allen. Mas é que eu estou feliz.
-Ah, isso eu percebi não para de rir.
-Não. É só que, você faz o Yuu feliz.
-Q-Quê??!! I-Isso não...Isso não é verdade! Além disso, eu nunca vi ele sorrir ou demonstrar que estava feliz.
-Hã? Mas esse não é o jeito do Yuu, obviamente! Esse não é o jeito de demonstrar alegria. Tente olhar nos olhos dele e não na boca.
-Olhos...
Allen olhou para o céu. Ensolarado, pássaros travavam sua rotina de migração, as nuvens iludiam seus olhos em formas variadas de pluma branca.
Os olhos...
Todos os momentos que se lembrava dos olhos. No beco, a escuridão que se fundia com suas íris negras. Na lanchonete, os olhos que desejavam estar sozinho. No mercado, os olhos casuais. Em sua casa, os olhos confusos e desconfortáveis. Na escola, os olhos deslocados. No bar, os olhos interessados. Na rua, os olhos desconcertados.
Todos os momentos...certo?
Por que sentia a falta de um momento?
De onde...aqueles...olhos...?
-Se você puder amar o Yuu, eu ficaria muito mais feliz.
Alma riu, mas Allen não desviou o olhar do céu. Seus olhos foram cegados pela luz do Sol.
-Alma, e se eu já estiver amando...?
O albino desejou que o vento soprasse de novo no seu rosto, mais do que para esfriar o rosto que ardia em vergonha, mas para escondê-lo do olhar curioso do amigo ao seu lado. Os dois sozinhos no banco, não havia para onde olhar para escapar dos olhos castanhos de Alma que a cada minuto pareciam se aproximar mais e mais, querendo ler a verdade no rosto de Allen.
-Que...tipo de amar?- Alma questionou.
-O tipo que eu não deveria.
Antes que Allen pudesse esconder o rosto em seu braço estranho, Alma agarrou seus dois ombros e o forçou a olhar frente a frente. Os olhos castanhos sorriam de um modo mais brilhante que seu sorriso nunca poderia reproduzir.
-É-é verdade?- Alma sacudiu os ombros de Allen e fez com que o albino bagunçasse suas ideias.
-É- disse, mesmo que sentisse a cabeça girar em meio a sacudidas eufóricas de Alma.
Mesmo o albino se surpreendeu com sua própria revelação. Mais uma vez seus pensamentos saíam sem que ele mesmo os reconhecesse ou aceitasse.
-Mas, Alma. Isso é certo? Um menino gostar de outro é realmente possível...?
-Você não é a prova disso?
Allen sentiu que pudesse desabar em choro. Ele amava Kanda? Kanda o odiava. Muita coisa para sua cabeça.
-Tem razão...Tem toda a razão. Vou arcar com minhas consequências.
Pensou que desviar do olhar ainda mais brilhante de Alma fosse melhorar a sensação de obrigação e desespero que sentia percorrer suas veias. Então o fez.
Meu Deus! Como Mana iria reagir a isso? Lena? Lavi?
Só de pensar em reações negativas, levou as duas mãos a cabeça para afastá-las. Esfregou e balançou a cabeça freneticamente, querendo bagunçar sua ideias.
Iria arcar com consequências de amar.
Quando parou de esfregá-la, parou o olhar perto de um corredor mais a frente, seus cabelos bagunçados tão juntos de suas ideias. E viu um vulto sair a passos fortes.
-Lavi...?- o vulto tinha os cabelos vermelhos de seu amigo, parecia que ainda continuava bravo com alguma coisa que ele nem imaginava.
Alma pareceu ouvi-lo, pois se juntou a observar Lavi se afundar em um grupo aleatório de pessoas e sumir. O garoto levantou e correu em direção ao corredor de onde Lavi saíra mais nervoso que jamais vira o caolho.
Deixou Allen sozinho, sentado naquele banco, observando as flores da árvore ao seu lado começarem a nascer.
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-Mana, você acha certo um garoto amar outro?
O pai, que se ocupava na cozinha com o jantar para os dois, deixou derrubar uma colher dentro da panela que mexia tão atentamente. Ele já havia percebido que seu filho estava aéreo desde que chegara da escola, mexendo em seu próprio copo de água sem tomar nem mesmo um gole. Mas não pôde negar que a pergunta estranha e repentina fora um susto.
-Mas é claro que acho!- respondeu sem rodeios, quando conseguiu capturar a colher que já se escondia no meio do molho que cozinhava-não vejo o menor problema.
-Hm...
-Por que, filho? Você acha errado?
-Não, não. De jeito nenhum. Só um pouco...estranho.
-De fato, acho que muitos garotos como você não se imaginam desse jeito.
-É...pois é.
Allen escorregou o corpo pela mesa, sua cabeça e braços deitados no pano que a cobria, os olhos praticamente cobertos pelo braço. Por isso, viu apenas o prato de Mana ser entregue em cima da mesa por uma mão fantasma sem corpo.
Seu pai já havia colocado os pratos e objetos necessários para a refeição, mas ao invés de se sentar à frente do garoto, puxou uma cadeira logo ao seu lado.
-Preciso adivinhar o motivo da pergunta?- perguntou, perto do ouvido de seu filho.
Allen levantou sua cabeça. Na verdade sabia que seu pai já imaginava o motivo.
-Quer dizer que algum garoto conseguiu capturar o coração do meu menininho?
Nem o molho de tomate à sua frente era tão vermelho ou quente quanto o rosto do albino no momento. Mesmo que soubesse da verdade, admitir e ouvi-la mais de uma vez era muito mais vergonhoso.
— Ora, Allen- Mana usou seu tom paternal ao abraçar o ombro da estátua que era seu filho- não há porque esconder de seu pai. Na verdade, eu suspeitei que você fosse passar pra esse lado. Desde criança você adorava usar tutus de balé e coisas de mulher da sua mãe.
-M-Mas eu era criança!! Não vale! E eu não usei quando cresci!
-Então, conte-me sobre seus problemas, filho.
-Pai- Allen sentiu que as palavras estavam presas na sua garganta. Tinha ensaiado mentalmente como diria, o que diria, que reação esperaria. Da pior a melhor. Mas, pensar é diferente de falar.
-Eu entendo filho- Mana apertou o ombro de Allen, tentando amenizar a tensão que se apoderava de seu corpo- entendo.
-Hã? Entende...?
-Claro, como posso explicar...Chega uma hora, em que a borboleta deve realizar seu ritual de acasalamento...
-Meu Deus, pai! Isso é...
-Mas hoje em dia, mais do que para reprodução, o sex...
-Não diga essa palavra!!!!- o albino se jogou no colo do pai, que parecia querer apressar tudo antes mesmo do próprio garoto.
-Bem, “você-sabe-o-que”, serve também para satisfazer prazeres.
-Sabe, pai, você devia ser professor de educação sexual e parar de falar assim em casa...
-Isso não quer dizer que necessite de uma mulher. Pode ser um homem. Ah, mas isso não quer dizer que não pode fazer sem proteção e também...
-Por favor, pule essa parte!-Allen esfregou as mãos nos olhos fechados- vá direto ao ponto.
-Eu apoio totalmente, quem quer que seja a pessoa por quem você está apaixonado. Homem, mulher, animal... Desde que faça você feliz, do jeito como você deve ser, entendeu?
O pai esfregou a mão nos cabelos esbranquiçados do filho no seu colo. Era aconchegante.
-Mas, enfim, quem é esse, hein?
-Urgh.
-É o ruivinho Lavi?
-...não.
-O garoto de cabelo comprido, então. Kanda, né?
-...
Allen sabia que respondendo ou não, seu pai saberia apenas de sentir a respiração descompassada, à simples menção do nome do moreno. E acertou. O pai arregalou os olhos, surpreso com a resposta silenciosa.
-Meu deus!
-É, eu sei pai eu...
-Meu filho é passivo!
-Ah, meu deus!!! Pai!!!- mais uma vez as atitudes apressadas de Mana levaram Allen a dar-lhe um leve tapa, como se quisesse acordá-lo para a realidade de que mal havia descoberto seus sentimentos.
-Bem, seja o que for- Mana esperou que Allen se levantasse para puxar sua cadeira no lugar em frente ao garoto- agora, vamos comer, sim?
-Sim, pai- Allen agarrou os talheres que acompanhavam seu prato cheio (no mínimo três vezes mais que o de seu pai), e se pôs a abocanhar a garfada de arroz.
A cada mastigada, parecia uma martelada em sua cabeça, as perguntas e respostas iam e voltavam em sua mente. O passado, o futuro. O presente.
Engoliu o arroz fazendo muito barulho e levantou da cadeira em um pulo, antes mesmo de terminar sua refeição.
-Pai! Vou ligar para o Lavi e já volto!
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Kanda abriu a porta decorada de casa violentamente. E fechou com tanta força quanto. Isso certamente chamou atenção de Kevin, seu mordomo, tão jovem, pois ele logo se apressou em abordá-lo quando entrou.
-Kanda-sama- o rapaz disse ao japonês que ainda carregava sua bolsa cheia de materiais- permita-me levar seus pertences ao seu quarto.
-Não preciso da sua ajuda.
-Então, permita-me avisá-lo- o rapaz abordou o moreno, antes que ele chegasse a subir as escadas- seu tio o espera na sala de jantar.
-Diga a ele que não quero.
-Ele disse que é importante que você jante com ele hoje e não vai deixar passar.
Kanda olhou uma vez para onde desejava estar, no topo daquelas escadas, conhecia muito bem seu tio. Se subisse e recusasse o convite, não teria nem um minuto de descanso. Então, bufou em desagrado, para mostrar ao mordomo o quanto estava infeliz com a decisão, mas pulou os poucos degraus que subiu e, pisando forte, se dirigiu até a sala de jantar.
Ultrapassou cômodos e cômodos da mansão. Parou em um lugar que parecia brilhar com seus cristais preciosos espalhados que refletiam a luz do Sol poente.
As paredes brancas tinham pontos cobertos por mínimos arco-íris, causados pela refração da luz solar nos lustres de cristais, presos no teto tão alto que Kanda nunca poderia alcançar. A mesa, coberta por um pano trazia a refeição da noite, duas cadeiras, apenas, dessa vez. Uma para Kanda, outra para o tio.
E lá estava ele. Sentado na ponta da mesa, com seu cabelo castanho claro frisado como uma moita, os óculos marrons contornando os olhos cansados, seu bigode um tanto comprido e sua barba mal-feita. Quem não conhece, não acreditaria no bilhonário que Froi Tiedoll era.
Desenhava alguma coisa em um papel, a paisagem que via lá fora, mas largou rapidamente o papel quando viu o moreno passar pela porta e o encarar de longe do outro lado da mesa.
-Yuuuuuuuuu!!!- gritou, em um salto levantou da cadeira para ir ao encontro do rapaz. Que o rejeitou, claro.
-Não chegue perto de mim- Kanda apontou sua espada (que sempre o acompanhava) para o peito de Tiedoll.
O homem encarou a espada que o impedia de abraçar o sobrinho. Mas não foi o bastante, em um estalo empurrou a espada e fechou seus braços ao redor do garoto.
Kanda havia esquecido o quanto seu tio era acostumado a seus ataques de fúria.
-Deixe de ser idiota. Me diga o que é tão importante.
-Hã?- O tio soltou o garoto- ah, sim, eu disse isso pro Kevin, né? Hm...A emergência é que...faz muito tempo que não jantamos juntos, então...
Kanda sentiu uma veia pulsar de raiva na sua testa. Esquecera também como seu tio era um manteiga mole idiota. Isso só mostrava o quanto tempo que ficaram sem realmente se ver. Artimanhas do moreno para fugir das atitudes estranhamente estranhas de seu tio.
O homem indicou a cadeira perto da dele. Sem ter como escapar, Kanda o seguiu e os dois se sentaram para jantar.
-Viu só?Viu só, Yuu??- o homem indicou a tigela ao lado do rapaz com tanta animação que Kanda sentiu que estouraria outra veia- eu mandei fazerem sobá!!!
-Pelo menos uma coisa boa.
-Soube que você tá indo na escola!
-Nem imagino quem foi o desgraçado que disse...- o moreno olhou furiosamente, mas apenas de esguelha para o mordomo que estava perto da porta da sala. Tão logo Kevin sentiu o olhar de Kanda, tremeu de leve e se retirou do cômodo.
-Isso é ótimo!! Desde que você deixou de ir pra escoa o titio aqui ficou meio preocupado.Senti que era minha culpa.
-Talvez seja...
Kanda tinha a habilidade de dizer o que quer que venha a sua cabeça, muitas vezes transmitia seus sentimentos e falas mais rudes e sem sentido. Pois também tinha a habilidade de se deixar irritar muito facilmente.
Tiedoll suspirou. Não tinha como saber se o que seu sobrinho dizia era verdade ou se dizia apenas pelo simples conforto de fazê-lo sentir-se mal.
-E o Alma, hein? Faz tempo que não o vejo...
-Tá bem. A mesma merda de sempre.
Mais barulhos da prata dos garfos e facas batendo na porcelana dos pratos. Como era difícil manter um assunto com Kanda, cada fala era sucedida por um silêncio assustador e desesperador.
-E Lavi? Daisya? Marie? Aquele garoto que parece um vampiro...qual é o nome? Que fala engraçado, com sotaque...
-Krory.
-Isso! Como eles tão?
-Bem, acho. A vida deles não me interessa.
-E a escola? Muita lição? Matéria?
-Não.
E de que adiantava jantarem juntos se nem mesmo isso mudava o fato de não conversarem tanto?
Cada fala e parecia descer pelos lustres de cristais uma atmosfera negra e constrangedora. Talvez devessem chamar mais gente para jantar junto, pois o fato da sala estar praticamente vazia deixava tudo pior.
-Hm...- o tio engoliu o pouco de comida que tinha, mastigava lentamente até achar algo para perguntar. Precisava da pergunta certa para iniciar um assunto.
Kanda revirou os olhos, notou que o tio fosse começar a falar. Mas tudo que ele queria, era, na verdade, jantar em silêncio sem que alguém continuasse tentando entrar na sua vida.
-Conheceu pessoas novas? Alguém legal?
Ouviu o tilintar do garfo no prato. Kanda derrubou, tanto foi o susto com a pergunta.
O tio sorriu.
Bingo.
Antes que pudesse continuar o assunto, Kevin, o mordomo, abriu a porta em um pequeno rangido e atraiu a atenção dos dois. Kanda quase suspirou em alívio.
-Desculpe-me a intromissão- disse, curvando de leve seu tronco para frente- mas o amigo do Kanda-sama apareceu na porta, e diz que é urgente.
-Que amigo?- Kanda perguntou, a voz rangeu com a menção da existência de algum amigo seu.
Então, pensou.
Será que era Allen?
Seria uma maldita macumba de seu tio. Logo quando fez a pergunta...
-Lavi Bookman, senhor. E ele diz que não vai embora sem falar com o senhor.
O moreno não soube se deveria ficar aliviado ou extremamente enraivecido com a aparição do ruivo. Mas agradeceu por poder sair da sala de jantar sem dar explicações ao seu tio sobre suas aventuras na escola.
Levantou da cadeira e saiu rápido pela porta da sala de jantar. A passos rápidos e apertados,chegou a frente da porta de entrada. Lavi o esperava, olhando no espelho da parede ao lado. Os olhos esmeraldas encontraram os olhos negros no reflexo e ele se virou rapidamente a encarar o moreno logo atrás de si.
-O que foi? Muito atrevimento aparecer na minha casa depois que...
-Yuuuuu!!!- Lavi, ignorando as falas rudes de Kanda, se jogou nos ombros do japonês- temos um problema! Me ajuda!!!!!!
-O que é?
-O Allen me ligou há pouco tempo...
O coração de Kanda deu um pulo.
-...e ele disse que....olha eu tentei, eu tentei convencer o contrário! Eu disse que não, não e não! Mas ele bateu o pé e disse que não importava o que eu dissesse ele não ia voltar atrás, que ele é isso e aquilo, que ele cuida da vida dele, e que ele é capaz, e que ele não tem problema nenhum...
-Fala logo, Baka Usagi!!
-...ele disse que quer entrar pra gangueeeeeeee...
Notas finais
Reviewsss, please??????
Até o próximo!
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