Notas iniciais
Yey! Estou de volta! :3
Mais que primeiramente, vou agradecer pela (*-*) quinta (mais uma vez: quinta!!!) recomendação!!! Da Walker Sophia!!! >3< Vou fazer a história valer sua recomendação, hein.
Enfim, hoje vou postar dois capítulos!
Boa, leituraaaa!!!

-Por quê? Ele é idiota?

-Yuuuuu...-Lavi fazia questão de arrastar o nome do moreno o máximo possível- você é a esperança! O nosso maravilhoso líder que vai chutá-lo para fora do grupo! Né?

Kanda sentiu seu estômago borbulhar em sentimentos contraditórios. Ou seria a fome?

-Vamos lá, agora!- Lavi puxou Kanda pelo colarinho em direção á porta- Até a casa dele pra você dispensá-lo!!

-Urgh...- seu estômago revirou de novo-eu não vou. Deixe-o fazer o que bem entende.

-Mas Yuu! O Allen não é tão forte, o corpo dele é fraco! Ele...

-Então é bom que ele morra na primeira tentativa pra nunca mais ter ideias de jerico na minha frente.

-Hããã? Não. Yuu, você é o único que pode parar o...

-Eu não quero nada a ver com aquele pirralho! Não fale como se eu...eu...

Kanda encarou os olhos assustados de Lavi, pensando se deveria ou não, se teria coragem ou não, em completar a frase. “...pudesse mudar a vida dele”.

-Tsc- estalou entre a língua, quando se virou de costas para o ruivo- se não quer que ele participe, deveria falar com alguém que se importa. Vai falar com o Alma, estou jantando.

De costas, ouviu algum barulho ser resmungado pelo caolho e imaginou se ele queria dizer mais alguma coisa, mas havia desistido. Apesar disso, ouviu os passos se afastarem, o ranger da porta se abrindo e depois o baque dela se fechando. Olhou para trás, receoso, mas se viu sozinho no hall de entrada. O espelho refletia o rosto do moreno. Confuso. Duvidoso.

-Lavi já foi embora?

A voz de seu tio soou atrás de sua cabeça e pode ver o reflexo do zilhonário vindo em sua direção, carregando um pote em sua mão. Mas estava perdido demais no reflexo de seus pensamentos para prestar atenção nos assuntos do homem.

-Até trouxe um doce para ele...

“O Allen me ligou há pouco tempo"

-Pena que ele não ficou pra comer conosco, né Yuu?

“e ele disse que...”

-Yuu? Yuuuu?

“ele disse que quer entrar pra gangue”

Por quê? Por que ele gostaria tanto de estar em algo que não gosta?

E por que aceitou esse comportamento? Por que relutou?

Ele vai se machucar.

Ele não é da minha conta.

Ele tem família para estar junto.

Ele não tem nada a ver comigo.

Ele tem chance de ter uma vida decente.

Ele já tem seu passado.

-Yuuuuuuu!

Sentiu a voz coçar em seu ouvido, quando se viu, uma mão balançava em sua frente para desviar o olhar concentrado no reflexo de seus olhos no espelho.

-O que foi?- a voz tomou um tom mais grave e irritado, os dentes mal se separaram durante a fala. Estava desconcertado por ter sido acordado no meio de seus pensamentos daquela maneira.

-Ah. Desculpe, mas é que você estava com uma cara digna de pena, olhando para o espelho tão pensativo daquele jeito, parecia que ia explodir por causa das ideias. Pensei que deveria acordá-lo. Vamos voltar para o jantar. Que tal?

Olhou de novo seu reflexo. Estaria realmente com uma expressão estranha?

Virou-se para seu tio que indicava a volta à sala de jantar, olhou a porta pela qual Lavi entrara e saíra, passou os olhos pelo seu reflexo no espelho, limpo como os cristais da sala.

Decidiu voltar e ocupar sua mente em outras coisas. Sentou-se de novo na mesa da sala de jantar, e encheu o seu prato em mais uma rodada de sobá, feito pelos seus cozinheiros.

Sem mais pensar em Allen Walker por aquela noite.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

-Alma, é sério, converse com o Allen- Lavi segurou o garoto pelos ombros.

-Eu sei, eu sei...

O garoto parou de andar, chegaram ao destino. Lavi bufou antes de se dirigir à porta da casa de Allen, acompanhado de Alma. No fim, havia acatado a sugestão do Kanda e buscou, tarde da noite o garoto em sua morada.

O ruivo apertou, seguidas vezes, a campainha. Foram tão insistidas suas tentativas de apressar a abertura da porta, que logo ouviu Mana gritar “Já vai, já vai” do outro lado da porta.

Quando o pai abriu a porta, foi surpreendido pelos dois garotos, Alma maravilhado ao lado do desesperado Lavi. Ficou sem palavra, mesmo que por pouco tempo, pois o ruivo falou um “boa noite” apressado e passou correndo pela porta, puxando o amigo pelo braço com força.

Quando Alma se viu, estava sendo arrastado pelas escadas e logo estava em frente a uma porta branca. Pendurado a sua frente, uma placa indicando quem habitava aquele quarto “Allen Walker”, em letras azuis. Lavi não esperou, bateu mais repetidas vezes na porta, fazendo a placa com o nome do garoto balançar em seu prego.

Dessa vez, não houve vozes avisando, apenas passos, então a porta se abriu e Allen ficou mais surpreso do que nunca ao ver os dois à sua frente.

-L-Lavi?- perguntou, mas ao olhar o acompanhante, a surpresa só aumentou- Alma???!! O-O que vocês...? Eu estou de pijama! Estou desarrumado!! D-Deviam ter avis...

-Tudo bem, tudo bem- Lavi entrou no quarto, ainda puxando Alma consigo- você está lindo assim. A gente não se importa.

O ruivo se jogou na cama desarrumada. Mas Alma se recusou a invadir ainda mais o cômodo,se contentando em observar os objetos que Allen guardava em seu espaço pessoal.

O albino fechou a porta, mas não a boca. Estava um tanto confuso. Pensou em todos os motivos que fariam o ruivo amigo invadir sua casa e seu quarto daquele jeito àquela hora da noite, então viu o garoto que o acompanhava e se lembrou, instantaneamente, da conversa por telefone. Parece que o caolho, no final, havia arranjado um plano para impedir que acompanhasse o grupo em suas saídas.

-Você trouxe o Alma?- Allen acusou Lavi.

-Isso mesmo, eu trouxe. Você não vai entrar de jeito nenhum. O Yuu...tá fora de questão, ele não manda nada- mentiu, pois se o albino soubesse que o moreno deixara, teria mais um motivo para bater o pé contra ele- então, aqui está a pessoa que vai recusar, com todas as razões e direitos, sua entrada na...

-Lavi, eu nunca disse que iria recusar.

A voz do caolho travou. E lá ia sua última esperança. Pelo ralo.

-Como é que é???!!!

Lavi ficou tão desconcertado, que pulou da cama, ainda mais irritado pela risada debochada do albino ao seu lado.

-Ué?- Alma se encostou-se à prateleira cheia de livros do albino-foi você que me arrastou. Dizendo isso e aquilo, mas nunca me perguntou minha opinião. Aposto que estava certo de que iria recusá-lo. Eu nunca disse que iria impedi-lo, ou algo do tipo.

O ruivo estava sem fala. Já chegava a hora de desistir de suas tentativas, inúteis até o último momento. Jogou-se deitado na cama macia e cheia de cobertores bagunçados. Como se sua alma tivesse saído por um momento e só fosse voltar quando se recuperasse da derrota.

-Obrigado, Alma- Allen acariciou a cabeça entristecida do ruivo em choque.

-Tenho meus motivos- Lavi não viu, mas Alma piscou para o albino- tem um sobretudo velho do Kanda lá em casa. Você pode usá-lo. Acho que vai ficar um pouco grande no seu corpo, mas acho que serve por enquanto...só pra manter o clima.

-Ah, meu Deus...- o ruivo escondeu seu rosto em uma almofada que encontrou. Gritou, para que fosse abafado por ela. Junto à sua frustração.

-Então, agora, Allen Walker- Alma disse em tom zombador, fazendo com que Lavi apertasse ainda mais os dedos na almofada-eu o declaro membro oficial da gangue dos Exorcistas. Depois te entrego o sobretudo do Yuu. Até amanhã, vou arrast...levar o Lavi, ou o que sobrou dele, de volta. Não se preocupe. Te vejo na escola.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

“Sua culpa”

Minha...culpa?

“Tudo...sua culpa!”

Não, foi...não é minha culpa.

“Você não deveria ter nascido”

Mas eu não fiz nada! Mas eu nasci.

“Você não nasceu para ser amado”

“Você não merece amor”

Você...não me ama...?

“O meu sofrimento é sua culpa!”

O que eu fiz...?

Minhas mãos...sujas de sangue...

“Sua culpa!”

Minha culpa. Sim, minha culpa.

“Você não existe, Yuu”

Eu existo! Eu estou aqui!Na sua frente! Falando, andando, tenho sentimentos borbulhando na minha garganta e no meu peito! Eu estou aqui!Eu existo! Eu... Existo? Existo...?

Não.

“Eu me importo com você, Bakanda”

Quem...é você?

Mas eu não existo!Não estou aqui! Não falo, não tenho sentimentos! Não estou aqui! Não existo!... Existo?

Quem...é você?

-Allen...

-Não, é o Kevin, Kanda-sama.

Quando o moreno abriu os olhos estava em seu quarto, deitado em sua cama, o Sol batendo nos seus olhos. As vozes desapareceram da sua cabeça.

Mas não estava sozinho, seu mordomo e seu tio o olhavam estranhamente do pé da cama. Nem precisa dizer o quanto ele se sentiu exposto e observado.

-Hora de acordar, Kanda-sama. Bom dia, Kanda-sama.

-Tsc.

Kanda recebeu, não de bom-agrado, a bandeja de café da manhã.

-Estava tendo pesadelo, Yuu?

-Não é da sua conta.

-Estava fazendo umas expressões estranhas, Kanda-sama. E uns barulhos também, Kanda-sama. Ficamos preocupados, Kanda-sama.

-Dá pra parar- Kanda gritou- com esse negócio de “kanda-sama blablabla”. Saco.

-Isso me faz lembrar- Tiedoll se sentou ao lado de Kanda na cama- quem é Allen?

-Al...?-antes que pudesse terminar a pergunta, se pegou surpreendido pela possibilidade de falar o nome inteiro do garoto, então deixou a palavra no ar.

-Nós pensávamos que você estivesse acordado e tivesse errado o nome do Kevin- Tiedoll explicou- afinal, você vivia errando o nome dele...mas acho que você estava dormindo, então. Você falou esse nome agora a pouco, várias vezes.

-Acho que você ouviu errado- Kanda disse-devo ter balbuciado alguma coisa e você entendeu um nome.

O tio ergueu uma sobrancelha para o comentário do rapaz.

-Não conheço- apressou-se em explicar- ninguém importante com esse nome. Pelo menos, ninguém bom o bastante para conseguir me lembrar.

Apressou-se como nunca em se arrumar para a escola, desviando do mordomo e de seu tio. Escondeu-se no banheiro, mas ao invés de fazer sua higiene pessoal, sentou-se na borda de sua banheira sem poder acreditar.

Estava tão perdido ao ponto de chamar um nome enquanto dormia?

Não, seu tio devia ter ouvido errado. Foi um resmungo, um gemido como qualquer outro que temos durante um pesadelo.

Tirou a camisa de seu pijama. Estava suado.

Que tipo de sonho teria tido?

Um assustador? Um com muita ação?Um divertido? Um muito maluco?

Um...sensual? Excitante?...Quente?

“Allen...”

Balançou a cabeça. Mas nem pensar que chamaria o nome dele durante um sonho desses.

Quando se viu estava pronto para ir à escola. E saiu de casa tão rápido quanto pôde, antes que seu tio o importunasse e o fizesse lembrar-se de qualquer aspecto do seu sono.

Saiu de casa, sentiu o calor, sentiu a brisa matinal bagunçar seus cabelos. Bagunçando seus pensamentos também. Mas não se importou, quando notou, seus pés já o haviam levado à escola sem que precisasse necessariamente fazer seu caminho.

Evitou reconhecer qualquer pessoa no caminho, ou ser reconhecido. E subiu todas as escadas até a sua classe. Não tinha ninguém ainda, a sala estava vazia. Sentiu um alívio anormal ao constatar que demorariam a chegar, subiu deveras cedo demais. Andou devagar, não havia por que ter pressa, até sua carteira ao fundo. Jogou sua bolsa de qualquer jeito, pendurada na carteira. Sentou-se, em seguida.

Iria aproveitar o momento para voltar os minutos de sono perdidos. Ajeitou seu próprio casaco na carteira e deitou sua cabeça em cima do travesseiro improvisado.

Ia fechar os olhos, voltar para o mundo de sonhos. Porque precisava muito no momento. Mais do que por causa da falta desse momento, mas porque tudo o que menos queria era pensar ou se lembrar do garoto. Ou dos sonhos que teria tido com ele. Provavelmente um bem idiota, combinava com a personalidade do albino.

Viu?

Balançou a cabeça, porque já havia começado novamente a pensar nele. Sem querer, é claro.

Ia dormir. Fim.

Mas antes que fechasse os olhos, percebeu um rabisco estranho num dos cantos de sua carteira. Sentiu-se tentado a tentar decifrá-lo, então, sem mexer a cabeça ou tirá-la de cima de seu casaco, concentrou seu olhar nas letras desenhadas.

“Bakanda”

Riu pelo nariz. Porque não adiantava. Quando menos queria, mais ele surgia na sua mente. Seria isso o estar apaixonado que Lavi tanto explicara?

Ouvia algo em sua cabeça.

Que isso? Estava tão louco que ouvia a voz do garoto ao longe?Em sua cabeça? Ou já estaria dormindo?

Sonhando com ele.

A voz dele.

O fazia tranquilo.

Mais alta.

Mais alta.

Mais alta.

BLAM

A porta bateu na parede, e fez Kanda levantar a cabeça em um pulo, assim como abrir os olhos. Observou Allen entrar na sala com Lavi e Alma, rindo, como sempre. A risada que ouvia ao longe há segundos atrás. Então não vinha da sua cabeça...

-Bakanda!- o albino gritou- eu me assustei, você fica muito assustador aí ao fundo.

-Ah, o traidor!- Lavi gritou, obviamente se referindo ao mmento em que o moreno concordou com a entrada de Allen ao grupo.

-Venha cumprimentar o novo membro da gangue...líder-Alma chamou o moreno, com uma piscada de um olho- eu trouxe sua roupa velha pra dar pra ele.

-Faça o que quiser.

-Hm, na verdade eu não estava pedindo sua permissão, eu só disse que trouxe...

-Rá. Mas duvido que sirva. Eu sou três vezes o tamanho do moyashi.

-Você não é tão alto assim, Bakanda!!

-Mesmo que fique um pouco grande acho que não fica ruim...- Alma examinou o corpo do albino.

-O problema- Allen completou- é que o Bakanda é gordo. Pode ficar largo.

-Oe, quem é o gordo aqui, moyashi? Diga-me, vara de bambu, cadê seus músculos?

-Tudo bem- Lavi interrompeu, logo quando Allen abriu a boca para responder- todos aqui tem um corpão. Fim da história, porque Yuu tem o corpo sarado, Allen tem o corpo fin...magro e esbelto. E eu tenho o corpo mais lindo dessa sala, corpo de deus grego. Fim da história.

-Ei!- Alma bateu no ruivo- você não falou de mim!

-Vamos, Alma- Allen puxou a blusa do garoto para fora da sala-até mais Lavi. E, senhor poste, até mais.

Acenou para os dois e logo saiu da sala de segundo ano. Tanto os olhos esmeraldas quanto os olhos negros em cima de si.

-Eeeiii, Yuuuuuu...- Lavi se virou para o moreno no fundo, e logo este se viu desejando o silêncio de minutos atrás- você quer saber como eu sei que o corpo do Allen é magro e esbelto...?

O ruivo estava provocando, os dois sabiam disso. Mas Lavi agia normalmente, algo que deixava Kanda mais tranquilo porque ele estava sempre focando em suas brincadeiras pervertidas. Mesmo assim, não deixava de fazê-lo sentir-se provocado e estranho.

-Tsc. Eu não quero saber de suas perversões.

-É brincadeira, Yuu- Lavi riu, sentou-se na cadeira a frente do moreno.

-Não me chame pelo nome.

-O que eu ganho se não chamar? Um agradecimento? O Allen?

-Aí eu não te dou o maior soco da sua vida. E seu nariz fica inteiro.Hm, talvez seu rosto também fique.

-Ui- Lavi riu- malvado... Tenho dó do Allen...

-Hm...

-Principalmente agora que ele vai sair com a gente.

-Hm...

-Vai ter que aguentar suas grosserias...

-Hm...

-Yuu, você não tem nada a dizer?! Por sua causa agora ele está exposto aos mesmos problemas que nós!

-Hm...

-Não sei por que ainda tento manter conversa... Mas eu falei sério, aquele dia... Você sabe que você é o motivo de eu estar aqui. Por sua causa e por causa do seu tio. Mas o motivo de eu querer ficar aqui, é o Allen. E é por isso que eu não fui embora. E não gosto muito do fato de você gostar dele desse jeito. Mas, fazer o que, essa é a minha vida, né?

O garoto sorriu, apesar do moreno notar a amargura que transbordava de sua fala sem que ele quisesse.

A porta bateu de novo, agora entravam outros alunos de sua classe. E logo atrás o professor. Apesar de não querer estudar, Kanda agradeceu por terem chego, para que não necessitasse comentar a fala do ruivo.

Tirou seu livro de química. E se viu contornando com o dedo o seu apelido, Bakanda, escrito na mesa.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

-Yuu! Espera um pouco! Espera!

Alma seguia o apressado Kanda a sua frente. Já escurecia, ele já vestia seu sobretudo negro, suas botas e suas luvas. Tão escuras quanto.

-Para que a pressa, Yuu? Estou falando para esperar Allen e os outros.

Conseguiu fazer com que o moreno parasse, ele olhou para Alma, revirando os olhos.

-Então fique e espere. Eu vou para o bar.

-Você não quer ver o Allen usando sua roupa, hein?

-...

-Eu vou ajudar o Allen, pode ir indo. Nos encontramos lá. Até, Yuu.

Alma deu meia volta, deixando Kanda para continuar indo sozinho.

Sem demoras, já estava em frente ao “Midnight Mercy”, sentando no bar e ordenando suas bebidas. Estava ansioso. Estava muito ansioso. Tão logo Tyki trazia o copo cheio, em segundos ele já estava vazio.

-Ora, se não é o Gangster.

Quando se virou, viu os cabelos ruivos e a máscara típicos de Cross Marian. Não podemos deixar de esquecer a expressão sarcástica que sempre o acompanhava, claro.

-Ora, se não é o ladrão e aproveitador...

Bem, Kanda também sabia ser sarcástico. E podia responder qualquer comentário do jeito que bem entendia.

-Não está acompanhado dos seus amiguinhos?- Cross fez questão de sentar ao lado do moreno- e meu pupilo?

-E eu lá me importo com a vida deles? Tyki! Mais uma!

Bateu seu copo no balcão, e logo o teve tomado pelas mãos rápidas do barman. Logo quando ele voltou com mais um copo cheio, Kanda ouviu os passos reconhecíveis na porta do bar.

-E aí vem seus amiguinhos seguidores...- Cross disse, ao perceber a entrada dos garotos.

O moreno largou a bebida. Não sabia se deveria ficar animado ou irritado pela nova companhia. Mas decidiu parar para pelo menos observar seus companheiros entrando no bar.

Alma acenou para ele, com o mesmo sorriso animado. Mas ele apontava animadamente para a pessoa ao seu lado.

E lá estava, Allen Walker. Em sua nova imagem, o cabelo prateado lhe dava um jeito suspeito e misterioso, os olhos cinza pareciam nuvens de chuva a nublar os pensamentos. O sobretudo, que um dia foi seu, cobria quase até os pés do albino, em detalhes avermelhados espalhados,como estava aberto e mostrava a camisa branca que Allen sempre usava, fazia um movimento largo quando o garoto se movimentava. As mãos cobertas por luvas sem dedos, também negras,aumentavam ainda mais o suspense em sua aparência.

Mistério. Suspense. Suspeito. Sexy.

Como o garoto conseguia transpassar essa imagem de uma hora para outra? Ou seriam os olhos do moreno que estavam sendo influenciados pela noite, pelo lugar e pela bebida?

Não tinha tempo para pensar.

-Você colocou meu pupilo na sua turminha?

Kanda não respondeu. Não tinha tempo para responder também, estava muito ocupado tentando observar melhor o ser albino que se movia graciosamente em sua direção.

-Boa noite, Bakanda- mesmo desse jeito, a voz continuava no mesmo tom inocente de sempre.

-Tsc- foi a única coisa que conseguiu dizer no momento.

-Pupilo idiota- Cross soou ao lado. Ué, Kanda havia esquecido que estava acompanhado de outras pessoas- você se juntou aos delinquentes? Mana sabe disso?

-Mestre? Você acha que Mana me deixaria vir aqui?

-Exatamente por isso que estou perguntando.

-Por favor, não conte. Eu estou tentando fazer algo importante... E ainda consigo dinheiro pra você...

-Só não faça nada que faça seu pai ficar mal novamente, entendeu?

-Sim, sim.

-Não se preocupe- Lavi surgiu ao lado- eu protejo o Allen, senhor.

-É- Kanda riu- um retardado cuidando de outro. Com certeza vai dar muito certo...

-Por quê? Você prefere me proteger, então, Bakanda?

-...

-Uau!- Lavi riu em gargalhadas- Allen respondendo pro Kanda! Haha Deixou ele sem palavras...

-Cala a boca, Usagi.

-Wow- Daisya apareceu atrás dos garotos- agora ele vai descontar em você, hein, Lavi. Melhor sair de perto.

Sentaram-se ao lado do moreno. Tanto para desgosto quanto para aumentar sua ansiedade, afinal, Allen sentou na próxima cadeira depois da de Kanda. Tyki veio para atendê-los e foram ordenando seus desejos. -Quero um...whisky.

-Vodca.

-Martini, Tyki.

-Hm...- o albino olhou para os lados e então para o barman- eu...quero o mesmo que o Lavi.

-Vai beber, moyashi?- Kanda tomou seu vigésimo copo da noite.

-Eu tenho motivo para não beber?- Allen respondeu, vendo que o moreno virava a bebida pela garganta sem o menor problema.

-Tem. Por acaso você consegue beber mais que um gole?

-C-Claro que sim, e-eu...

-Allen- dessa vez, a voz grave de Cross Marian cortou a conversa- você nunca bebeu pra valer, certo?

Totalmente certo.

-Aqui está, garoto- Tyki entregou o copo para Allen.

-Ah, obrigado...

Que reação deveria ter? O copo parado a sua frente. Bebia? Deixava? Sabia que Kanda o observava pelo canto do olho sem nem mesmo precisar girar a cabeça. Sem mais delongas, agarrou o copo e virou tudo na boca.

De uma só vez.

-Oe, moyashi!

-Allen- Lavi agarrou o ombro do garoto, ele enrugou o rosto inteiro em desgosto-não vire tudo de uma só vez.Vá com calma.

O albino gemeu com o gosto. Mas mesmo assim pediu outro a Tyki.

Kanda observou, divertido, o garoto pedir uma atrás da outra, claramente tentando competir com sua pessoa. Lavi não sabia o que fazer para pará-lo e Alma não tinha certeza do que fazer. Então, só restou a eles observar o líquido alcoólico vir e ir do balcão para a garganta do albino.

Não demorou. Fosse pela grande quantidade somada à sua não-tolerância alcoólica, Allen ficou bêbado rapidamente. Bastante bêbado, a ponto de arrastar toda palavra que se esforçava em dizer.

Alguns estavam desesperados, outros com medo, mas Kanda estava se divertindo, e muito, com as atrapalhados do albino em sua hora de bebum. No momento, ele havia tropeçado em seu próprio pé.

-Ei, Allen, levanta daí- Lavi ofereceu sua mão para ajudá-lo- quer ajuda?

-NnAão mmeee toquee- o albino disse e em um ato que surpreendeu a todos, bateu na mão de Lavi para afastá-la- ssSeu cabeloo de Fogo vVai me queimar...

-Allen,meu cabelo não é de fogo...vamos, venha.

-Nnão – o garoto continuou dizendo- vVocê éÉ um pervertidooo...Vvocê queer ffazzer coissssas pervertidasss...

-Ah, pode ter certeza de que quero...- o ruivo sussurrou e mesmo que Allen tentasse bater nele para afastá-lo, o puxava para se levantar-...mas agora não é hora. Alma, me ajude aqui.

-Nããooo precissso do Alllma. Sseu bobão...

-Ah, precisa sim, Allen- Alma agarrou um dos braços do garoto e junto de Lavi, pôde levantá-lo- bela noite de estreia, hein.

-Bêbado no primeiro dia- Lavi reclamou- e éramos apenas para nos encontrar aqui, mas parece que vamos ficar aqui um bom tempo...

-E você, Yuu!!- Alma gritou para o moreno sentado em uma das cadeiras, observava de longe a agitação- não vai dizer ou fazer alguma coisa?

-Por quê?- moreno se divertia- ele escolheu. Ele bebeu. Ele caiu.

-Ssseu Bakandaa- Allen apontou para o moreno- eeu nãão ssabia que era vooccê, acchei que fossse uma garotaa...Quee pena...

-Você...- Kanda sacou a katana, quando se levantou para atacar Allen.

-Yuu! Não faça isso! Ele está bêbado!!

O moreno colocou a espada de volta, mesmo que resmungasse em reclamação.

-Vamos, Allen. Você precisa sentar, descansar.

-Nnãão eeu voou jogarrr poker...

Em um movimento, que duvidaram que faria no estado que estava, ele se desvencilhou dos braços de Lavi, se arrastando, tão cambaleante quanto uma barata tonta, até a mesa de jogos de baralho.

-Al...!

-Sssenhoreess- Allen se apoiou na mesa, surpreendeu os homens que jogavam, mas eles não puderam deixar de rir do garoto- é horaa doo duellooo...

-Aqui não é lugar de criança.

-Aqui não é Yu Gi Oh.

As gargalhadas preencheram o recinto, Allen se ofendeu, e como bêbado, foi levado por impulsos. Empurrou um homem de sua cadeira e roubou seu lugar.

Agora, o olhar do bar inteiro focava no garoto albino que pisava no rosto de um rapaz caído no pé da cadeira que antes era seu lugar. Principalmente Kanda. A cada hora o albino lhe parecia mais interessante. O fracote acabara de derrubar um homem adulto se o menor esforço.

-Sseu rossto parecce um tapeeteeee...

Os companheiros do homem riram. Mas todos sabiam que só haviam aceitado o garoto no jogo porque estava bêbado e, afinal, tinha quinze anos, não apresentava ameaça. Parecia divertido e engraçado tê-lo enfrentando-os.

Mas deixe-me dizer, em nome de Lavi, Alma, Kanda, Daisya, Marie e todos os outros que ali estavam, o Allen bêbado não é pior ou mais perigoso que o Dark Allen bêbado. Isso com certeza. O jeito provocante só aumenta a periculosidade de suas trapaças, ameaças e insultos zombeteiros sobre os oponentes. Ah, sim, já mencionei que eles estavam armados?

As palavras arrastadas formando afrontas piores que nunca, seu jeito zombador de tão cambaleante, as risadas que se tornavam tão facilmente altas gargalhadas e o fato de estarem perdendo para um menor bêbado, logo enfureceu os homens da mesa. Gritaram, bateram, mas como não teve nenhum efeito sobre o garoto cheio de si e fora de si, as armas logo foram sacadas para exigir a devolução do dinheiro que conseguira tirar deles.

Chegou a hora dos amigos agirem pra proteger o albino. Taparam a boca fervente de tantas provocações, tentaram acalmar, sem resultados, os adversários. E correram, o mais rápido que conseguiram, para fora do recinto.

Lavi ofegava de tanto desespero, não gostava tanto assim de passar por situações perigosas. Mas Allen ainda gargalhava, jogado no meio da calçada.

-HUASHHUASHUAHUSHUASHHUASH voccêee viu a caara deless?

-Vi, vi- Alma acariciou as mechas brancas- agora fica quietinho, tá?

-Moyashi...-Kanda se agachou ao lado do albino, estava achando divertida a situação-...bom trabalho. Quem diria que bêbado você vale muito mais.

-Vamos para casa- Lavi sugeriu.

-O quê?- Kanda se levantou- Usagi, você...

-Acho que ele tem razão, Kanda- Daisya encostou-se ao ombro do albino- olha só o estado do Allen.

-Tsc- o moreno estalou a língua.

Kanda concordou, mesmo que não quisesse tanto assim. Revirou os olhos quando Lavi e Daisya levantavam pelos braços o garoto. Ele estava menos cambaleante e suas gargalhadas acabaram. Na verdade, agora parecia mais sonolento.

-Hmm...- Allen resmungou em desagrado.

-Allen, você vai para casa- Daisya bateu nas costas do albino.

-Espera- Alma interrompeu- ele vai para casa, desse jeito?

Um olhou para o outro. Não tinha como o garoto chegar a casa, para Mana, totalmente bêbado. Não iria ser uma boa imagem.

-Bem- Lavi disse- ele pode ficar na minha casa...

-Não!- Alma recusou- ele vai ficar na casa do Yuu, porque ele é responsável.

-Eu sou... Eu não tenho nenhuma responsabilidade sobre o moyashi!

-Vai. Levar. O.Garoto. Para.Sua.Casa.- Alma lançou seu incrível olhar de acusação. Um olhar que dizia “não desperdice essa chance, idiota”.

Kanda não respondeu, estava um pouco sem reação. Quando viu, Alma estendia o corpo sonolento e sonhador de Allen para si. Revirou os olhos, mas, sob os olhares do amigo, colocou o albino nas costas para levá-lo, a desgosto, para sua casa. Onde esperava que ele nunca estivesse.

Notas finais
Reviews?? :3 haha, vão logo ler o próximo que já está postado! hehe