Bad Boy

11 Still Drunk


Notas iniciais
Yey! Eu de novo kkk, enfim são dois capítulos postados hoje, então se você veio nesse porque era o último e não leu o outro, leia o outro, ok? O capítulo 10 :3
hehe
Boa leitura :3

Abriu a porta o mais silenciosamente possível, O que foi difícil, uma vez que carregava um garoto em suas costas e considerando o tamanho (gigante) da porta, a ranger ao mísero empurrão.

Conseguiu. Subiu o mais silenciosamente e rapidamente possível as escadas e atravessou o corredor. Seu quarto, precisava chegar lá antes que Kevin notasse sua chegada. Ou pior, seu tio.

Abriu a porta em um chute, pois suas mãos estavam ocupadas segurando as coxas do albino em suas costas, as mãos pálidas do garoto laçavam seu pescoço e suas pernas laçavam sua cintura. Sentia-se preso, mas liberto quando estava assim tão próximo de Allen.

Aproximou-se de sua cama e, em um empurro, conseguiu fazer com que o albino soltasse seu corpo e se deixasse cair entre os lençóis brancos. Macios.

Kanda se sentou na borda de sua cama, receoso em se deitar nela, agora que o albino se acomodava entre suas almofadas. Allen devia estar cochilando, os olhos fechados, o rosto descansava no travesseiro do moreno.

A cama era espaçosa, o que permitia que o albino se movesse muito mais durante o sono.

O plano do moreno era jogar o garoto na cama, tomar banho e dormir em um colchão. Mas, agora que podia observar o contraste do corpo albino de Allen com o escuro do quarto, não conseguia sair dali, ou mesmo deixar de observar o garoto. O rosto sereno como nunca havia visto na vida, chamava pelo seu toque. Sua mão se moveu sozinha quando foi se aproximando da pele alva.

Allen gemeu.

Kanda estremeceu ao pensar que estaria acordado, mas o garoto mexeu os braços nos lençóis e novamente ficou imóvel.

O moreno cobriu o corpo encolhido com um cobertor que estava no pé da cama. E decidiu que era hora de acordar para a vida, levantou, tirou as botas e o casaco. Olhou mais uma vez para o garoto imóvel em sua cama king size. Então, entrou no banheiro.

Allen acordou, lentamente, com o som do chuveiro.Ou seria da chuva? Não sabia onde estava. Não tinha nem ideia. Para ele, ainda estava no momento em que bebia copos e copos de bebida. Como poderia saber se isso era ou não a realidade?

Só sabia que estava em um local macio, confortável, quente. Onde estava? Uma cama gigante era onde estava. Meu Deus! Caberiam 10 dele nesse colchão.

Tentou se levantar, mas ainda estava tonto, a cabeça doía. O quarto era gigante, apropriado para uma cama daquelas, paredes brancas clareadas pela luz lunar, prateleiras altas, mas quase vazias, uma televisão de tela grande. Não se lembrava de qualquer lugar assim.

O barulho do chuveiro parou.Ouviu barulhos do banheiro. Um tempo depois, viu passar pela porta de onde ouvia a água cair a pessoa que menos esperava. Kanda enxugava os cabelos longos com uma toalha. Vestindo apenas uma calça, exibia o tórax e abdômen definidos, com uma tatuagem negra estampada no peito.

-Acordou, moyashi?

Allen estava muito surpreso para conseguir falar.

-Você estava bêbado demais para te deixar lá- Kanda falou já que Allen não deixava de encará-lo- fui obrigado a trazê-lo para cá.

-Essa é- Allen falou- a sua casa?

-Meu quarto.

-Ah...

Allen não tinha muitas forças para se levantar, ou mesmo falar. Jogou-se de volta no conforto das almofadas. Sua cabeça doía.

-Ainda não deve ter se recuperado da bebida. É um moyashi, mesmo.

O garoto tinha os olhos quase fechados. Kanda jogou a toalha molhada para longe, para que pudesse sentar na cama ao lado do corpo debruçado nos lençóis.

-Dormiu?

-Não...- Allen gemeu- eu acho...

-Tire a roupa.

-Hã??!- Allen levantou a cabeça subitamente e se arrependeu logo de cara. Ela ainda doía.

Kanda apontou para os sapatos e o sobretudo. O albino acalmou, concordou com a cabeça e se despiu dessas peças. Com dificuldade, pois não queria se mexer, estava sonolento e tonto.

-Oe, se sente mal?

O garoto estava com uma sensação nauseante demais para conseguir responder. Mal ouvia o que o moreno dizia. Apertou o estômago com uma das mãos e a outra apoiava o corpo.

-Eu...Eu...acho...que...vou...

Nem precisou completar, Kanda (para sua surpresa ainda maior) o pegou no colo e correu com o albino nos braços para o banheiro. E lá ele soltou tudo que guardava na privada e as náuseas diminuíram.

-Eu sabia que faltava alguma coisa- Kanda resmungou- vômito de bêbado.

-Desculpa...- Allen resmungou, a sua voz estava um pouco rouca.

Kanda se ocupou em dar a descarga e ajudá-lo a se levantar. Pegou no braço do albino com certa insegurança, o braço fino parecia que se quebraria a qualquer instante.

-Precisa tomar banho?

-Quem sabe...

-Consegue sozinho?

-M-Mas é claro que sim!

O moreno largou o garoto e saiu do banheiro, para que ele pudesse desfrutar de seu banho em privacidade. Duvidou se ele conseguiria ligar a água ou mesmo chegar à banheira ou chuveiro. Mas logo ouviu a água bater no piso.

Abriu suas gavetas à procura de roupas que pudessem servir o garoto, desde roupas de baixo até uma camisa. Separou um conjunto de tamanho considerável para entregá-lo assim que saísse.

E mal podia acreditar que Allen Walker estava em sua casa. Muito menos que estava realmente se importando com esse fato. Era algo inédito para ele.

Tudo o que podia dizer, era que estava ansioso em tê-lo por perto. E muito mais para que ele terminasse logo o banho e voltasse para mais perto.

E essa ansiedade o irritava. Muito.

O barulho de água parou. Kanda levantou e bateu na porta. Ouviu algo batendo lá dentro, Allen levara um susto com a batida.

-Roupa, moyashi!

A porta abriu uma fresta,ele colocou os panos por ela e logo sumiram da sua mão. Ouviu um agradecimento resmungado, sentou-se novamente na cama e, antes que pudesse esperar, Allen saiu do banheiro.

Não podia dizer que as roupas ficaram perfeitas. Quer dizer, não em tamanho. Mas Kanda não podia dizer que se maravilhava em ver o pequeno usando suas roupas.

Desviou o olhar da figura que usava uma camisa pouco maior, por isso com as mangas dobradas, uma calça larga e cujo cabelo molhado deixava gotas de água escorrerem pelas partes visíveis de seu pescoço.

Não soube o que fazer, então deixou o albino se jogar na sua cama de novo.

-Desculpa, Kanda- ele resmungou, o que foi difícil de entender a princípio, pois seu rosto estava afundado no travesseiro- estou até usando sua cama...hehehe

-Tsc.

O moreno foi se levantar, mas algo não deixou. Uma mão puxava seu cabelo.

-É...tãããoo longo...- o albino passava os dedos nas mechas do moreno- eu gosto dele solto...fica tão bonito assim, Kanda. Tá molhadooo...

-O seu também está molhado, moyashi.

O japonês observou sem fazer nada o garoto mexer entre os fios negros. Ele sorria de um jeito tão bobo, mas as carícias o acalmavam tanto.

-Eu vou...descansar um pouco...

Allen se encolheu ainda mais na cama, puxou cobertores, lençóis, e ficou imóvel. Estava mais do que claro para Kanda que ele ainda não tinha saído dos efeitos do álcool. Nada garantia que na verdade ele fosse lembrar de tudo depois, ou que ainda não estivesse agindo pelo impulso alcoólico.

O mais discretamente possível, passou a mão nas mechas brancas que tanto queria tocar enquanto fingia ajeitar uma almofada, o cabelo um pouco molhado deixava manchas escuras no travesseiro. O garoto suspirou durante o cochilo.

Kanda achava a cena fofa. Irresistível. Mas não que fosse alguma vez admitir isso. Por isso, não se importava de ter que dormir no chão, desde que quem estivesse ocupando sua cama, fosse o albino.

Levantou. Tinha que buscar um colchão para si. Saiu pela porta do quarto, querendo buscar o cômodo em que eram guardados. E, claro, voltar o mais rápido possível.

A porta bateu quando foi fechada e os passos de Kanda se afastaram pelo corredor.

Mas ela abriu mais rápido do que esperava. E não era o moreno que passava por ela.

-Yuu?- Tiedoll perguntou enquanto abria a porta o mais devagar que conseguia- você está aí? Eu só vim para dizer boa noite.

Abriu a porta totalmente. Mas o que viu não foi seu sobrinho deitado na cama.

Viu um corpo diferente.

-Hã?Uma garota?

Foi o primeiro pensamento que lhe passou pela cabeça. Sabia como seu sobrinho saía à noite e como ele era popular entre as mulheres. Um galinha, talvez.

O problema era que nunca havia visto uma garota lhe acompanhando, muito menos no seu quarto. Por isso se aproximou. A garota estava dormindo, tinha quase total certeza disso.

Contornou a cama. E viu que não era uma garota. Ou era? O aspecto masculino era escondido pela serenidade feminina de seu rosto adormecido. Observou mais de perto, sentou na borda da cama para isso.

-K-Kanda...?

O garoto falou, Tiedoll recuou um pouco com medo de ser descoberto. Apesar disso, Allen apenas disse aquilo e logo voltou ao estado imóvel de sono.

Tiedoll achou um tanto fofo. Sorriu para o garoto que gostaria de saber quem era.

A porta abriu novamente em um chute e Kanda surgiu com seu colchão em mãos, tentando arrastá-lo para dentro em uma velocidade anormal, pois estava com pressa em não ser descoberto.

-Boa noite, Yuu- Tiedoll disse, mas Kanda não havia percebido sua presença, muito ocupado em forçar seus braços a puxar o lugar onde dormiria a noite, virou o rosto para o tio que sorria sentado em sua cama. Não podia ser boa coisa. Então se lembrou de quem estava deitado ao lado dele- vejo que trouxe companhia, hoje? Quem é ele?

-Um conhecido. Estava passando mal, então Alma me pediu para trazê-lo para cá.

-Hm...

O rosto de Tiedoll, mesmo sorrindo, era indecifrável. Não conseguia saber se tinha realmente acreditado.

-É um garoto muito bonito- o tio continuou dizendo- é da sua escola?

-Sim...

-É da sua classe?

-Não é um ano mais novo...

O moreno se sentia em um interrogatório.

-Nome?

-Hã?- de fato Kanda nunca havia dito o nome dele em voz alta- A-Allen. Allen Walker.

O corpo se mexeu, talvez à simples menção do nome.

-Ele deve estar mal mesmo- Tiedoll examinou o rosto do garoto- nem acordou... Ele está usando suas roupas.

-Ele tomou banho e não tinha outra pra usar. Olha aqui, você vai ficar me interrogando a noite inteira? Espere até amanhã quando o idiota acordar e pergunta pra ele!

-Desculpa, só vim para dizer boa-noite. Boa noite, Yuu.

-Tá, só vai embora logo.

Kanda empurrou o homem pelas costas, até que ele estivesse no corredor. Tiedoll só ouviu a porta bater atrás de si.

-É um amigo, Kevin- Tiedoll disse para o rapaz que esperava no corredor- um garoto. E ele nem quer que eu chegue perto...

-Um amigo, senhor?

-Isso mesmo. Não é emocionante? O Yuu quase nunca traz amigos, quer dizer, por vontade própria.

Kevin, entregou o casaco que carregava em suas mãos para seu patrão. Estava fria aquela noite, mas Tiedoll estava deveras muito animado para notar como suas canelas tremiam.

-Creio que sim, senhor.

-Allen Walker...- o homem repetiu o nome dele no ar, como que para não esquecê-lo- onde já ouvi esse nome?

-Kanda-sama resmungou de manhã enquanto dormia. Allen.

Tiedoll abriu um sorriso largo.

-Ah, é mesmo. Deve ser um garoto muito interessante. Vamos conhecê-lo amanhã, creio eu.

-Se Kanda-sama permitir...

-Então- Tiedoll chamou o mordomo para segui-lo até seus devidos quartos no corredor- você entendeu, não é, Kevin? Vamos recebê-lo com a nossa melhor mordomia, hein.

Kevin curvou-se para o homem, quando ele foi adentrar em seu próprio quarto.

-Como quiser, Tiedoll-sama. Vou fazer o possível.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

-Moyashi, moyashi.

Assim que Kanda conseguiu tirar seu tio de perto, chegou o mais perto que permitia a si mesmo de Allen, para checar se ele estava de algum modo acordado. Mas o garoto mal se mexeu.

-Tsc.

O moreno agarrou o colchão que largou à porta. Afinal, precisava dele para poder dormir em algo mais confortável do que o chão. Agarrou a borda mais perto e levantou do chão, puxando até chegar ao outro lado da cama. Largou, em alívio, o colchão, que fez um barulho abafado quando bateu no tapete.

-Hm...- ouviu Allen gemer mais uma vez durante o sono, e toda vez que isso acontecia, Kanda parava na hora o que estava fazendo, até mesmo de respirar, como se qualquer barulho pudesse acordá-lo.

Voltou a socar algumas almofadas e cobertores em cima do colchão. Mas toda vez que jogava algo, Allen voltava a se mexer e balbuciar sonhos. Chego uma hora, em que Kanda já não aguentava mais parar de respirar a cada segundo.

-Oe- jogou um travesseiro com raiva no colchão, Allen se mexeu mais uma vez, então ele pulou em sua própria cama- moyashi!

O garoto se mexeu.

-Moyashi!

O garoto virou de barriga para cima. Kanda teve uma perfeita visão dos olhos prateados e sonolentos se abrindo. O albino se espreguiçou, coçou os olhos, como se estivesse em sua própria casa, em sua própria cama. Só quando viu o moreno encarando seu rosto com certa irritação que percebeu que não estava.

-Bakanda...?

-Moyashi. Será que...!

-Estava...tãããoo...quentinhoo...

Kanda estava prestes a gritar com o garoto, mas, assim que viu o albino se enrolar em seus cobertores daquela maneira, perdeu a coragem de se enfurecer com aqueles olhos cobertos de sono.

-Tá, tá- foi o que o moreno conseguiu dizer- só durma quietinho, tá?

Kanda levantou. Sentiu que se ficasse por mais um momento encarando o albino, teria sérios problemas.

-Hm...- Allen resmungou- boa noite, Bakanda...

O moreno viu que o garoto havia virado em sua direção. O obsevava sentar no colchão onde dormiria.

-Hãã?- Allen resmungou mais uma vez- você vai dormir no chão, Kanda?

-Não, idiota, tem um colchão.

-Pode dormir na sua cama. Vamos trocar de lugar.

-Mas nem pensar. Você tá mal.

-Mas é a sua cama...

-Exatamente. Eu digo quem vai dormir nela.

Kanda deitou no colchão duro, ajeitou os travesseiros do melhor jeito que pôde e deitou sua cabeça ali. Imaginou que Allen já teria dormido, pois não ouviu mais nada vindo da cama.

-Kanda, você não pode ficar mais um pouco comigo?

O moreno se revirou para que seu rosto ficasse virado na direção do garoto, mesmo que não conseguisse vê-lo deitado, pois a cama era mais alta.

-Como assim?

-Até...eu dormir...

Kanda se levantou, ainda que resmungasse o fato de ter que mais uma vez ficar de pé. Sentou na borda da cama, e percebeu que o garoto estava virado de costas para ele.

O moreno sabia. Tinha certeza. Que o fato de Allen estar desse jeito era impulsionado pelo mal estar e a quantidade de bebida. Mesmo, assim...mesmo assim...

-Eu fui vê-la ontem.

Allen falou e apesar de não ter mencionado, Kanda sabia que falava da mãe. E se sentiu um pouco receoso em deixa-lo continuar a falar.

-No hospital.

-E?

-Só isso- Allen deu uma risada tão fraca e leve que Kanda não saberia dizer se era real- nada de novo. Quando nós conversamos aquela vez na rua, eu me senti na obrigação de ir, mas não há nada novo. Mesmas chances dela acordar. Mesmas chances dela nunca mais acordar... É como se ela estivesse presa no tempo de seis anos atrás...

Kanda sabia que Allen estava virado de propósito para que não pudesse ver seu rosto.

-Eu fiquei pensando...- Allen continuou- seis anos, Kanda. Seis anos. E ela não acordou. Nada diz que ela alguma hora vá acordar. Nada. E eu a vejo lá, deitada, imóvel naquela cama, encarando o teto de olhos fechados... Que, talvez, fosse melhor...desligar os aparelhos, para sempre...Libertá-la do fardo de viver sem realmente viver... Viver desse jeito tão perto da morte...Eu não sei se eu gostaria disso se fosse comigo...eu...

Kanda ouviu um gemido choroso, diferente dos resmungos que fazia quando estava dormindo.

-Mas...Mana...e o Mana, como ele fica? Ele...ele não...

Os gemidos de choro aumentaram a intensidade. Agora, o moreno tinha certeza de que o garoto estava chorando.

-Não sei se ele aguentaria... Não sei se eu aguentaria. Então eu saí de lá e, na verdade, eu me senti na obrigação ainda maior de entrar nesse negócio de gangue, sabe. Beber todas. Fazer tudo que nunca faria. Porque...eu não tenho coragem nem de ajudar minha própria mãe. Nem seis anos atrás, nem agora.

-Oe, moyashi...isso é um pouco...

-Você tinha razão, Kanda- Allen fungou- eu sou uma inutilidade. Um covarde. Um franzino. Um fracote. Um moyashi.

Kanda se apressou em virá-lo para si, quando percebeu que uma mão subia até o rosto para enxugar as lágrimas.

-Kanda- ele disse, e derramou mais lágrimas quando viu que não havia mais por que escondê-las- eu quero ser forte. Eu quero ser útil. Não quero que eu continue desse jeito, sem poder fazer nada, nem ao menos para proteger meu pai da tristeza. Ou libertar minha mãe do sofrimento. Eu...

-Eu tinha razão?

-Hã?

-Eu tinha razão? Porque, até agora, eu sei que tinha razão em dizer que você é um idiota.

-Mas...

-Olha- Kanda se ajeitou, encostado na cabeceira da cama- você não é desse jeito. O seu jeito de manter coragem, não é usando seu físico, sabia? Até porque você nem é forte desse jeito, acho que todo mundo já percebeu. Mas, só observando aquela vez que eu jantei com vocês, deu para perceber que sua maior arma é esse seu sorriso bobão.

-Bobã...

-É, sorriso idiota. Toda vez que você mostra pra ele que está tudo bem, que você está lá pra ele, acho que ele fica mais tranquilo.

-Kanda...

-Q-Quer dizer, são só suposições... E sobre a coragem, eu diria que também não pode ser seu forte, mas acredito que quando precisa você tem. Para que serve, então o Dark Allen que vimos nos jogos de poker?

-Mas minha mãe...

-Quem não ficaria preocupado em desligar aparelhos? É compreensível. Controlar uma vida não deve ser fácil. Quando chegar a hora, você consegue. Só isso.

Seguiu o silêncio. O moreno chegou a pensar que tinha falado coisas sem sentido e muito embaraçosas para que o garoto pudesse comentar. Mas, então, lembrou que ele ainda deveria estar sob náuseas da bebida.

Ia voltar para seu colchão. Mas sentiu dois braços passarem pelo seu pescoço, uma respiração de choro, fungada, bater em seu pescoço e um rosto molhado tocá-lo.

-Moyashi...? O que você...

-Você não ia ficar até que eu dormisse?

Kanda bufou,mesmo que não fosse um incômodo e sentou perto do albino. Allen estava sentado na cama, olhava de olhos chorosos, mas o típico sorriso que descreveu momentos atrás. Os lábios se moveram, formando a palavra “Obrigado”, já que não conseguia dizer.

E foi nesse momento. Kanda viu os olhos se fecharem, de um modo lindo e feliz, e deixaram escorrer uma lágrima solitária pelo rosto, que brilhava na luz da lua que entrava pela janela. Hora de aproveitar o fato da confusão causada pelo álcool.

Seus braços envolveram o corpo frágil, tremendo. Para sua surpresa, sentiu os braços do garoto corresponderem, agarraram suas costas. Tendo-o assim, envolvido pelo seus braços, correspondendo calor por calor, como gostaria que pudesse ser para sempre. Não queria vê-lo chorar, não queria vê-lo triste, desesperado, descrente de suas capacidades. Pois ele era mais importante do que achava. Porque ele o fazia sentir algo que ninguém jamais foi capaz, algo que ele não gostava, não queria. Mas algo que, ao mesmo tempo, adorava, que necessitava.

Apertou ainda mais, acariciou os cabelos brancos afundados em seu peito.

-Allen...

O garoto ficou surpreso por chamar seu nome, mas não largou o corpo do moreno. Não queria.

-Allen, Allen, Allen,Allen- Kanda choramingou no ouvido do garoto.

Afastou-se, queria ver o rosto quando chamava pelo seu nome. Allen estava surpreso, de um jeito tão feliz, que fez Kanda ter vontade de chamar seu nome de novo. E de novo. E de novo.

Mas não o fez.

Tinha outra necessidade. Mais urgente ainda.

Puxou o rosto para si, até que os lábios se tocassem. Fechou os olhos, mas sentiu uma lágrima escorrer pela bochecha do garoto.

Mexeu a boca, mantendo o ritmo sincronizado com Allen. Nunca havia querido tanto assim tocar os lábios de alguém, beijar alguém, de um jeito que pudesse transmitir seus pensamentos. Uma telepatia romântica. Lambeu os lábios de Allen, queria mais, queria poder explorar a boca do garoto. Ele permitiu e logo as línguas se tocavam também.

Kanda acariciou a nuca do albino, queria que ele se sentisse mais do que feliz. Mais do que bem. Queria que ele se sentisse amado.

Porque ele mesmo nunca poderia ser.

Os lábios de Allen se afastaram. Só assim, Kanda percebeu que estava chorando. De novo. Mas agora ria e sorria.

Tocou o rosto molhado, acariciou seus cabelos, seu pescoço. E Allen fez o mesmo.

-Ter você assim, chamando meu nome, me beijando e me amando- Allen disse- como me deixa feliz. Muito feliz. Eu gostaria disso. De verdade. Um sonho. Um sonho muito bom, Kanda. Tão bom, que eu não quero acordar, nunca mais.

Então, o moreno lembrou. O garoto pensava que esta não era a realidade, que não estava lá, que era apenas fruto de sua imaginação. Um sonho. Que não aconteceu. Que só podia imaginar.

Ao invés de desmentir, deixou assim. E deitou ao lado do garoto, para acompanhá-lo no sonho dele.

-Como eu queria-Allen resmungou, quando fechava os olhos para mais um sono- que isso fosse verdade.

E como Kanda queria que isso pudesse ser uma verdade na manhã seguinte.

Notas finais
Quem achou que ia ter lemon aí? o/ haha eu tbm achei, mas decidi ser muito muito má kkkk