Bad Boy
14 Terraço
Notas iniciais
Eu realmente estive ocupada esses dias, mas eu fiz questão de escrever toda vez que podia, nem que fosse só uma frase... De agora em diante, pode ser que eu demore bastante para trazer capítulos, peço que sejam pacientes e compreensivos...
Obrigada aqueles que comentaram, leitores novos e aqueles que estão lendo agora. Mil desculpaaaaas!!!
Aqui está o capítulo, na verdade, eu não gostei muito desse... haha
Boa leitura!!
Como toda manhã do dia seguinte, Allen sentiu a súbita vontade de acordar de seu sono. Os olhos abriram lentamente, como se estivessem grudados pelo sono. O Sol se espreitava na pequena abertura da janela e iluminava pequenas partes da cama. A cama grande em que estava.
Não sabia que horas eram, mas sabia que estava morrendo de fome. O corpo doía de leve, sentiu a necessidade de esticá-lo, assim as pontas de seus pés alcançaram o fim do cobertor, seu braço direito subiu até bater na cabeceira e seu braço esquerdo bateu em alguma coisa.
Ouviu algo resmungar ao seu lado quando bateu seus dedos em algo macio. Macio demais. Levou um susto e ao virar seu corpo para de onde vinham os resmungos, seu rosto queimou de tanto rubor.
Apenas ao perceber a existência de Kanda ao seu lado, os olhos fechados enquanto dormia. Foi aí que flashbacks da noite de ontem voltaram na sua mente. Estava realmente ali há momentos atrás? Sentindo tudo aquilo? Fazendo tudo aquilo? O rosto automaticamente se escondeu no travesseiro, a fim de esconder sua vergonha do mundo.
Tinha vontade de gritar. Mas não sabia o quê.
Kanda tocou o ombro de Allen, querendo verificar o que o albino fazia, enfiado no meio dos travesseiros daquele jeito. Havia sentido a cama se mover repetidas vezes e mal pôde evitar de acordar com todo o movimento.
O corpo do albino tremeu em resposta ao susto. Como era bom ver que o garoto continuava ao seu lado quando amanhecia, isso dava ainda mais significado à noite de ontem.
Allen ergueu a cabeça para o rapaz ao seu lado, ele o encarava na maior atenção. A luz ofuscava sua visão, mas podia jurar que o moreno estava sorrindo. Com esse pensamento, sentiu a vergonha esvair por alguns momentos, para que pudesse retribuir o sorriso que achava estar estampado no rosto do outro.
Kanda pulou rápido da cama. Se ficasse mais um segundo mais encarando o rosto do garoto ficaria preso naquela cama o dia inteiro. Quando olhou para trás, Allen se erguia da cama, cada mínima curva do peito nu iluminado pela fresta da janela.
Não podia ver o rosto do garoto, mas esperava que estivesse muito vermelho e quente.
-Bom dia, moyashi- disse ao corpo albino que se espreguiçava ao seu lado.
-Bom dia, Kanda- Allen respondeu, o tom de voz calmo de tão sonolento ainda estava.
Kanda sorriu secretamente ao colocar suas roupas, de costas a Allen. Por quê? Simplesmente pois conseguia ver marcas estampadas no pescoço do pequeno, e ainda podia imaginar as que estava escondidas pelas roupas que o albino se apressava em colocar. Considere uma marcação de território muito bem sucedida.
O moreno levantou primeiro, vestido com suas roupas. Nunca pensou tão emocionante ter alguém ao seu lado logo quando se acorda.
Allen, que logo também já estava de pé, nunca pensou que seria tão confortante acordar e ter alguém ao seu lado para dizer bom-dia. Só não conseguia acreditar nos pontos que avançaram na questão de relacionamento ontem à noite. E que noite...sentia o rosto se encher de rubor apenas em pensar nos momentos que passou. Mas tinha que se acostumar, afinal, são coisas normais de se acontecer entre casais, certo?
Casais... Era estranho pensar nele e Kanda juntos como um...casal.
Quando viu, Kanda já saía do banheiro, o cabelo preso em seu típico rabo de cavalo.
Allen saltou da cama, mas o moreno passou direto por ele até seu próprio armário. O albino não sabia se tinha que se decepcionar ou se aliviar com o fato dele não ter lhe dado atenção. Não sabia o que acontecia no dia seguinte.
Realmente, muitas coisas de um relacionamento eram desconhecidas para ele.
Mas... E para Kanda?
Não seria surpresa, mas sim descontentamento, se o moreno já tivesse tido outros relacionamentos antes. Com mulheres, até, afinal, tinha quase certeza de que ele nunca tinha se relacionado com um garoto antes. Se bem que não poderia medir suas experiências através do que fizeram ontem, afinal o garoto não tinha tantas experiências para comparar.
Mal notou seu suspiro alto. Kanda notou. O moreno fechou o armário onde acabava de guardar a roupa com que dormiu e bateu seu punho na cabeça do pequeno. Ninguém mandava estar aéreo.
-Aiii- Allen reclamou, esfregando a parte da cabeça que doía- Kanda por que...
Os lábios de Kanda estavam próximos demais para responder. Os lábios de Allen estavam próximos demais para terminar a pergunta. E como percebeu que o garoto estava deveras assustado demais para fazer, o moreno encostou seus lábios em um beijo matinal. Allen relaxou o corpo na hora que se tocaram. Sentiu-se seguro de novo.
Não sabia qual era o truque de Kanda, mas sabia que funcionava. E muito bem.
O moreno deixou sua mão acariciar a bochecha do garoto, sorriu para si mesmo, pois sentiu o quanto estavam quentes e vermelhas. Isso era um ponto que muito lhe gostava em Allen e cada toque na pele alva do garoto o fazia lembrar-se da noite de ontem.
Colocou seu casaco e, com Allen na sua cola, logo se dirigia ao andar de baixo. Sua primeira manhã acordando ao lado de quem amava.
Allen pulou o último degrau como costumava fazer, seguiu Kanda ( finalmente percebendo efeitos da última noite quando a parte baixa de suas costas começou a doer e dificultar seu andar) até a sala onde o moreno costumava tomar seu café da manhã.
A sala estava tão brilhante como costumava estar. Como o Sol já brilhava lá fora em plenas 10 horas da manhã, o lugar, ocupado de largas janelas, recebia todo o poder solar matinal.
E foi exatamente por isso que o albino teve uma ótima visão de Mana sentado calmamente ao lado de Tiedoll aproveitando-se de uma xícara de café. Os olhos de Allen triplicaram de tamanho.
-M-Mana?!!!- gritou, o seu dedo apontado para o pai- o-o-o que você tá fazendo aqui?? E o tio??
Mana riu despreocupado, discordando seu tom com a face desesperada do filho.
-O Neah, né?- Mana perguntou calmamente- é, parece que ele não me aguentou por muito tempo.
-E você fala como se isso fosse super normal e nem importasse...
-Bem, como meu próprio irmão me expulsou da casa dele, eu pensei em vir ver como meu querido filhinho estava.
Allen mal tinha palavras. Permaneceu boquiaberto na porta da sala, enquanto Kanda nem se importava com a intrusão e foi se sentar em qualquer lugar.
O albino vacilou. Devia ter previsto atos de seu pai, algo bem difícil de se fazer, pois era raro saber exatamente o que se passava na cabeça dele.
Nem ao menos tinha vontade de imaginar o motivo de Neah tê-lo mandado embora, embora tivesse uma pequena ideia, uma vez que concluía que na verdade seu pai deveria ter ido sem o consentimento da parte de seu irmão. Típico.
-E há quanto tempo você está aqui...?
— Hm... Eu diria...umas...duas horas? Sim, acho que duas horas. Mas como você estava dormindo, Tiedoll me convidou pra entrar e esperar. A propósito, esse café é muito bom! De que marca é?
-Ora, ora- Tiedoll riu- não é de marca nenhuma, nós colhemos do nosso quintal.
-Wooow- Mana riu- nós devíamos plantar café em casa também, Allen!
-Não venha com essas ideias, pai...
A pessoa que menos esperava encontrar naquela manhã era Mana. Quer dizer, depois da noite de ontem, não tinha muita coragem de encarar mais ninguém sem pensar no que haviam feito horas atrás. Imaginava se deixava qualquer tipo de pista estampada no rosto, ou se fazia qualquer gesto estranho demais.
O que faria se alguém descobrisse que ele, Allen Walker, havia realmente feito coisas inapropriadas com o amigo. E o pior de tudo era que sabia muito bem que Mana suspeitava.
Rolou os olhos para longe da conversa dos dois adultos.
Allen andou até uma cadeira ao lado da de Kanda, sentou ignorando Tiedoll e Mana do outro lado da mesa como podia. O moreno observou o jeito desconcertado do albino, bufou enquanto enchia o prato do pequeno com o que estava ao seu alcance na mesa.
Allen levantou os olhos, mas tudo que viu foi Kanda comendo e seu prato agora cheio. O garoto sorriu, porque sabia que esse era o jeito de confortá-lo que o moreno encontrou. Dando comida.
Tinha que dizer: foi efetivo. Seu humor realmente melhorou, mesmo que as preocupações do “dia seguinte” (o dia pelo qual nunca havia passado antes...) ainda perseguiam-no.
O que faria ao ver Alma, Lavi e os outros? E quantas vezes fariam isso? E seu corpo? Não teria nenhum tipo de problema? Afinal, o corpo de um garoto não é feito para...fazer aquelas coisas...
Kanda tocou a mão do albino com a sua, por baixo da mesa, aproveitando um momento de gargalhadas e distração dos mais velhos para lhe dar um beijo, rápido e tocante.
Mas, de um jeito ou de outro, suas preocupações pareciam sair momentaneamente de sua cabeça, assim que olhava para a pessoa amada ao lado. Assim que tocava Kanda.
Os pensamentos que vagavam sem rumo na sua mente, de repente, se tornavam puros e doces (mas não tão inocentes assim, vamos deixar bem claro...). O passado parecia mera lembrança de sofrimento.
O que se lembrava da noite passada?
Nada de ruim.
Apenas do quanto se amaram naquele quarto.
-Allen, infelizmente- Mana fez questão de dizer bem marcado o “infelizmente”para o filho- você n]ao pode dormir aqui esta noite mais uma vez. Sei que é meio incômodo, mas eu preciso que você venha comigo daqui a pouco, por isso apareci logo de manhã...
Claro que era decepcionante acabar com tudo que planejava fazer com Kanda naquele dia, mas percebeu o olhar piedoso e culpado de seu pai. Provavelmente este não tinha escolha em ter que levá-lo da casa do moreno às 11h da manhã, deveria ter que passar em algum lugar ou comprar alguma coisa.
Allen concordou com a cabeça, já que sua boca estava ocupada demais em mastigar para falar. Engoliu depressa o que havia de panqueca em sua boca, agradeceu pela refeição e levantou.
Sem antes apertar a mão de Kanda por baixo da mesa.
OoOoOoOoOoOoOoOoO
Naquela manhã de escola, Allen não conseguia se concentrar em prestar atenção nas equações exponenciais que o professor explicava na lousa. Por mais que Lenalee lhe tentasse chamar a atenção, já havia desistido depois de cutucá-lo pela trigésima quarta vez sem sucesso.
Apesar do corpo de Allen Walker estar ali, os olhos encarando a lousa preenchida de números e letras, sua mente vagava na sala do outro lado, onde desejava que houvesse um pseudo-samurai rabugento, rabiscando algo na mesa ao invés de prestar atenção no professor. Provavelmente estaria estalando a língua em “tscs”para ver se o tempo passava mais rápido.
Mas, com certeza o albino queria muito mais que o relógio, por qualquer milagre que fosse, rodasse seus ponteiros até as 10 horas, quando poderia finalmente descer para o intervalo e encontrar Kanda.
Só podia ter total certeza de que ter dormido lá aquela noite só o fez querer muito mais estar perto do moreno.
Ouviu o primeiro milésimo de segundo do tilintar do sino tocar e disparou para a porta, mesmo que o professor gritasse ao fundo para que ele esperasse até ele dizer que a aula havia acabado. Desceu as escadas como um relâmpago, estavam vazias, já que os alunos haviam acabado de ouvir o sinal do intervalo.
Mas quando chegou naquele mesmo banco onde sempre se sentavam, não havia ninguém lá. Confessou para si mesmo que havia se empolgado, afinal saiu correndo da sala antes de todos. E o “todos” incluía Kanda.
Bufou quando flexionava os joelhos para sentar-se no banco, mas sentiu algo bater em sua cabeça.
-Ai- esfregou a parte da nuca que foi atingida, olhou para baixo e viu um giz de lousa que acabara de acertar sua cabeça. Claro que gizes não saiam voando por aí e caíam nas pessoas sozinhos, então rapidamente girou o corpo nos calcanhares para verificar o autor.
Sua expressão indignada e enraivecida sumiu em milésimos de segundo quando avistou Kanda encostado à parede logo atrás dele, segurando outro pedaço de giz na mão. Ao invés de gritar com aquele que o acertou, sorriu de orelha a orelha para ele.
Kanda jogou o pedaço de giz que tinha em mãos no chão, já não havia mais uso para aquilo e queria ocupar seus braços com outra coisa. Ou melhor, pessoa. Chamou o albino em um gesto com os dedos e este o correspondeu, correu até o moreno tão rápido quanto havia descido as escadas.
O japonês quase caiu no chão, quando o peso do corpo de Allen, que pulou em cima dele, somado à velocidade da corrida, caiu sobre si. Mesmo assim, se esforçou em segurá-lo com um abraço.
-Moyashi...será possível que você engordou?...- disse quando sustentava o corpo do albino.
-Kandaaaa!!!- Allen disse, o rosto enfiado no peito do maior- senti saudades...
-Tsc, só você pra dizer coisas embaraçosas em público...
-Não tem ninguém aqui ainda...
-Claro que tem, ou vai me dizer que aquelas pessoas saindo do prédio da escola não existem e eu estou tendo alucinações?
O albino fez um bico. Realmente, agora as pessoas começavam a chegar.
Não é que tivesse vergonha ou qualquer coisa...Na verdade, sim, tinha vergonha. Mas é que o relacionamento entre dois garotos é algo diferente e muito complicado de se revelar para outras pessoas. Tiveram uma sorte tremenda por Mana, Tiedoll (que, na verdade, apenas suspeitava) e Alma serem compreensivos, mas a maioria das pessoas não é assim. Não podiam viver sem serem julgados pelos outros. E o medo disso fazia tudo mais difícil de seu feito.
Rapidamente, Allen pulou para longe de Kanda, mesmo que não quisesse, afinal, tinha ficado todas as primeiras aulas esperando o intervalo para vê-lo. Estava no mínimo decepcionado, baixou os olhos para o chão enquanto virava o corpo para voltar ao banco de madeira.
Mas antes que pudesse dar outro passo em direção ao banco, seu corpo voltou sozinho para trás. Sozinho não. Kanda puxou com toda a força que pôde o garoto para que ele não se fosse. O negócio era que simplesmente não conseguia ignorar Allen quando este fazia uma expressão tão tristonha e chateada.
-Vamos subir- disse para o garoto. Note que ele não perguntou, apenas afirmou e puxou o garoto consigo enquanto iam pelo lado contrário aos outros alunos.
Era muito mais fácil subir quando era puxado e Kanda mal sentia o peso de Allen em seu braço. Os dois trombavam em algumas pessoas durante o caminho, mas apenas Allen resmungava desculpas apressadas e sem jeito.
Kanda chutou a porta quando chegaram ao topo, Allen foi arremessado para frente conseguindo por pouco frear as pernas para que não caísse de cara no concreto do terraço. O mesmo terraço em que tentou bater em Kanda uma vez.
O vento mais forte que uma brisa fez parte de seu casaco aberto chicotear no ar.
Como eles foram daquela relação para...isso que tinham agora? Talvez, o amor não fosse nada mais nada menos que a simples evolução do ódio profundo. Ou talvez para eles o ódio fosse nada mais nada menos que o disfarce do amor que não queriam aceitar.
Kanda bateu a porta com força, o estrondo fez Allen virar sua atenção para o moreno. Sorriu.
Não importava. Só sabia que amava.
-Pronto- Kanda disse, assim que a porta bateu- sozinhos e livres.
Allen encostou as costas na parede que havia por perto, o moreno andou passo por passo até o garoto. Colocou as duas mãos apoiadas na parede, uma de cada lado do albino e pendeu seu corpo para frente, querendo encará-lo nos olhos. Sentir o que ele sentia.
Sem que mais ninguém pudesse impedir.
O rosto de Allen, depois de segundos sendo encarado, começou a esquentar.
-K-Kanda- disse, pois não sabia o que fazer quando o moreno o encarava parecendo tão submerso.
-Shhhh- o moreno mandou-o se calar- você fica melhor quietinho.
E, para garantir que Allen ficasse “quietinho”, Kanda o beijou. Sua cabeça apoiada na dele e a dele na parede. Queria beijá-lo desde que o viu lá embaixo correndo para o banco.
Não, queria beijá-lo desde a última das últimas vezes que o vira. Queria beijá-lo a toda hora, todo minuto possível.
Quando se distanciaram, Allen deixou o corpo escorregar pela parede até sentar-se no chão. Kanda o acompanhou, sentando-se ao seu lado.
O albino suspirou de cansaço. Havia descido e subido escadas demais hoje. Kanda acariciou a cabeça “suspirante” do garoto para colocá-la em seu próprio ombro. Allen fechou os olhos ao sentir-se descansar no moreno.
-Kanda, o que você estava fazendo lá embaixo já? Eu só estava lá tão cedo porque eu saí correndo da sala, mas..
O moreno riu.
-Eu cansei da aula- respondeu- saí na metade da primeira aula e matei o tempo por aí...
-P-primeira aula? Você ficou o que? 20 minutos??
-Bem, eu tinha chegado atrasado, então acho que foi menos do que isso, na verdade.
-Kanda!!! Você deveria pelo menos assistir às aulas!! Senão do que serve vir para a escola?
-A culpa é sua- Kanda disse, tão calmamente que Allen até sentiu uma ponta de raiva- você fica a manhã inteira na escola e a tarde fica falando que tem que fazer lição de casa, trabalho de matemática, geografia ou sei lá que porra mais de aula você faz! Onde é que eu vou te ver?
Allen sentiu o rosto cobrir-se de rubor.
-Maaas- Kanda continuou- se você não quer me ver, então tá. Eu vou embora.
O moreno apoiou o braço na parede quando se levantou. Não passava de uma pegadinha. Óbvio que não iria embora, mas adorava manipular ações de Allen para que ele dissesse e fizesse o que ele queria.
E realmente o albino entrou em pânico.
-Tudo bem, tudo bem- Allen gritou, enquanto pulou para agarrar o braço de Kanda. O moreno sorriu. Fácil demais de enganar.
O japonês virou o corpo para ele, tentando parecer o mais irritado possível, quando na verdade tinha até mesmo vontade de rir ao ver a expressão de Allen, desesperado como estava em tentar impedir Kanda.
-Desculpa- o albino disse- p-pode fazer como quiser, mas eu fiquei esperando até agora pra te ver...então, não dá para ficar comigo agora?
Kanda podia morrer em paz nesse momento de tanta fofura. Agachou na altura que Allen estava sentado e beijou sua testa.
-Eu tava brincando, moyashi idiota- disse, enquanto sua mão esfregava os cabelos brancos. Se divertia em ver como Allen apertava os olhos toda vez que seus dedos bagunçavam os fios.
-Bakanda...- Allen resmungou baixo. Sempre caía nesse tipo de pegadinha imposta por Kanda e isso o deixava um pouco chateado. Mas o fato dele se deixar levar pelas palavras de Kanda simplesmente significava o quanto ele já não conseguia pensar tão bem ao lado dele, o quanto confiava em suas palavras.
Allen fechou os olhos quando Kanda fez cócegas em sua nuca. Ele adorava quando o moreno tocava essa parte do corpo. Por isso, foi surpreendido pelos lábios do maior nos seus, tão de repente, que abriu momentaneamente os olhos.
Deparou-se com os olhos de Kanda a sua frente, os lábios tão ocupados em sugar os seus. Na verdade, viu suas pálpebras, pois o moreno os deixava fechados, aproveitando o momento a sós.
Nunca desde que haviam se conhecido, teria alguma vez pensado que estaria desse jeito com Kanda. Nunca desde que havia se tido como pessoa teria pensado que iria sentir-se assim com um garoto.
Mas estava assim e se sentia assim.
E era muito bom.
Fechou os olhos para se igualar a Kanda durante o beijo.As línguas roçando uma na outra, os lábios conectados, as mãos espalhando carinhos na nuca e na cabeça. Quem visse-os assim, nunca imaginaria que Kanda fosse líder de gangue...por um momento, esquecia-se que era.
Seria um momento longo. Não podemos ter certeza de até onde os dois chegariam naquele terraço. Pois, o sino do sinal que indicava o fim do intervalo soou ecoando pela escola. Kanda desconcectou os lábios em um estalo e só para ter certeza de que aquele momento realmente havia acabado, se esgueirou até a ponta do prédio, para ver os alunos caminhando para dentro da escola. Bufou.
-Vamos, moyashi- ofereceu a mão para levantá-lo e o garoto correspondeu.
-Você também, né? Vai pra aula...
-Tsc- Kanda pensou- só uma aula, então. Se eu me entediar eu saio, viu?
-Tudo bem, tudo bem.
Os corredores agora estavam cheios enquanto desciam para suas próprias salas. Os alunos seguiam subindo as escadas para entrar nas suas.
Allen acenou em despedida para Kanda, quando sumiu pela porta do 1º EM.
Surpreendentemente Kanda correspondeu ao aceno, leve e baixo para que outros não notassem e correu para descer mais uma escada.
Alguém esbarrou em si e segurou seu braço.
-Oeee!!- gritou, quando levantou o punho para socar a tal pessoa- olhe por onde..Alma?
Alma olhava para ele do degrau de cima, as sobrancelhas erguidas como se esperasse que ele terminasse a frase para lhe dar um sermão, mas Kanda apenas fechou a boca para se conter e puxou seu braço com violência.
-O que você quer?- perguntou- fica agarrando o braço das pessoas por aí...
-Não vi você no intervalo.
-Tinha outros assuntos, e não to afim de aguentar pessoas irritantes.
-Mesmo? Allen não estava no intervalo também...
-Hm...
Alma seguiu encarando o japonês. E Kanda entendia muito bem sobre o que ele estava pensando.
-Onde será que ele estaria, hein?- Alma perguntou, tão ironicamente que Kanda teve certeza de que ele sabia a resposta.
-Talvez estivesse cagando- disse, só para não se render ao amigo.
Alma bufou.
-Olha, se você não tem nada pra falar- Kanda disse- eu tenho aula agora, infelizmente, então...
Mas antes que pudesse descer, Alma pulou um degrau para ficar no mesmo que o seu. Olhou para os lados, como se estivesse verificando se alguém estava ouvindo a conversa.
Kanda estava prestes a socar o amigo, mas quando Alma voltou a encará-lo...a expressão havia mudado.
-Yuu- disse- seu tio veio aqui no intervalo.
-E daí?
-Estava te procurando, mas como não te achou eu falei com ele.
-Hm
-Bem, é que...meio que...
Alma respirou profundamente, como se estivesse repensando se deveria falar. Tudo bem, Kanda estava ficando um pouco preocupado agora.
-...Ele falou com ela hoje. Hoje de manhã.
Kanda estava extremamente preocupado agora. Quer dizer que ela... voltou?
-Na verdade, ela contatou seu tio. E acho que ela estava perguntando sobre você. Só fique alerta, porque quem sabe você acabam trombando por aí... Não seria nada bom se você encontrasse ela agora.
E de repente, o medo de tudo aquilo voltou. Trazendo a angústia do passado.
Como queria que o momento no terraço tivesse durado mais que apenas 5 minutos.
Fale com o autor