Notas iniciais
Yey! Aqui estou eu! :3 Primeiramente, esse capítulo contêm a praia (pra quem não leu o título haha). Clima leve que pode dar uma inclinada no próximo capítulo (talvez, hm...). Anyway, foi divertido escrever haha mesmo que tivesse sido um pouco difícil. Acho que agora será mais difícil escrever... aulas vão recomeçar e a criatividade para Bad Boy sumiu (aquela história de "sei o que tenho que escrever, mas não como vou escrever" :( é uma história triste). Para melhorar essa condição eu resolvi extravasar em outra fic. E até que me saiu bem. em algum tempinho eu já tinha escrito um capítulo e meio dela e as ideias continuavam vindo! Só então eu escrevi essa capítulo :) eu resolvi que vou escrever uns três, quatro, talvez cinco capítulos da outra fic e quem sabe depois postá-la, só pra não atrapalhar Bad Boy e nem terminar antes dessa fic, porque...hm... tem...outra coisa também huhu. É UA e é em primeira pessoa (algo que eu nunca tinha escrito, sempre escrevo em terceira pessoa), mas eu gostei bastante. Desabafei aqui haha Boa leitura o/ (não revisei nem nada, outro mal hábito meu...)

Se pelo menos eu fosse corajoso o bastante para enfrentar a mim mesmo e te amar por completo, você me deixaria?

Mesmo que eu te diga que não. Mesmo que eu te magoe. Mesmo que eu te fira.

Você me deixaria te amar? Mesmo se eu prometesse meu coração inteiro?

Mesmo se você realmente me conhecesse?

Mesmo que eu fosse aquele que te destruiria?

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–Sooooooooooooool!!!!

Alma gritou para os céus. Mas os únicos que o ouviram foram os grupos de turistas surpresos à frente que se banhavam na luz solar.

–É, eu não imaginei que teria sol hoje- Lenalee se espreguiçou.

– E eu não imaginei que seu irmão fosse realmente deixar você vir...- Allen retrucou, um pouco incrédulo ainda.

–Ele não exatamente deixou... mas aqui estou eu!

–Ah...claro...sei...

O albino ignorou a falta de informações. Às vezes era bom evitar saber demais. Estava impressionado demais com a imensidão da praia em que estavam. Manhã de sol, as ondas azuis batiam em um estrondo ao fundo e carregavam-se até a areia rasa, branquinha e macia.

O vento soprou forte e carregou sacolas dos turistas acomodados metros à sua frente, que se foram até os coqueiros mais atrás parando em uma ciclovia.

Allen fechou os olhos para sentir a brisa forte. Era confortável.

Só os abriu quando sentiu a mão de Lavi tocar seu ombro.

–Bonito, não é Allen?

O albino encarou o olho verde do amigo.

–Com certeza.

O ruivo sorriu. O albino sorriu de volta, a luz do sol subia aos céus iluminando apenas parte de seu rosto.

–Ainda bem que você veio. Só pra poder contemplar tudo isso aqui.

Passou o braço pelos ombros do pequeno. E o apertou para mais perto de si.

–Lavi...

–Allen...

–Moyashi!

Allen levantou uma sobrancelha. Lavi deu de ombros. Rapidamente, uma mão segurou o braço do ruivo com força, fazendo-o gemer de dor, e tirou-o de cima do pequeno.

Kanda estava parado ao lado deles, segurando três malas gigantes. Ou melhor, equilibrando, porque havia coisas ocupando suas mãos e costas. Então, ele empurrava malas com os pés.

Uma típica veia saltava do meio de sua testa, as sobrancelhas franzidas quase se uniam entre os olhos.

–Não vá achando que vou carregar suas coisas!- gritou- pega essa merda de mala e deixa de ser folgado!

Ele podia estar gritando para o menor, mas jogou a mala para o ruivo ao lado, querendo deixar suas mãos ocupadas e impedi-las de tocar qualquer outra parte do garoto.

–Vai, usagi!!!- gritou, depois de um tempo em que os dois se encaravam sem motivos aparentes.

O ruivo gaguejou alguma coisa e, com a mala nas duas mãos, correu em direção ao hotel que ficava encostado à praia, junto do resto da turma.

Allen ficou com medo de dirigir a palavra e levar bronca também.

Kanda estava assustador com a franja cobrindo seus olhos e o seu nariz, logo depois de ter chegado gritando lá do fundo.

Liso como era, bastou a brisa soar um pouco mais forte em seu corpo para que seu cabelo virasse para trás, deixando seu rosto (não mais raivoso como o albino achava que estaria) transparecer iluminado pelo sol.

Allen ainda se via admirado de tempos em tempos com a beleza do rapaz.

Mas não podia se deixar intimidar tão fácil.

–Hm... quer que eu carregue? É isso?- Allen chamou a atenção e apontou para sua mala na frente de Kanda.

–É. Pegue.

O albino esticou o braço e agarrou a mala pela alça, puxou e, em um clique, ela se esticou. Facilitou muito a sua vida.

–Então, vamos entrar?

Kanda não esperou dois segundos, ajeitou as coisas nos braços e nas costas e seguiu o albino até o hotel em que estavam registrados.

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Alma, Lenalee e Lavi os esperavam sentados na recepção. O ruivo mostrava para o moreno entusiasmado as fotos das aventuras de antigos hóspedes, que estavam penduradas em um mural. Lenalee tamborilava os dedos na mesinha de centro repleta de revistas de duzentos anos atrás, esperando que alguém aparecesse no balcão para atendê-la.

Era um prédio mais largo do que alto. Tinha quadro andares cheios de portas e janelas, paredes branquíssimas que terminavam em um telhado negro e se estendiam por vários metros. Essa era só a fachada em frente ao mar. Ao lado havia uma piscina decorada de coqueiros, de uma água azul tão cristalina quanto a água do mar em frente, que desenhava uma forma geométrica no chão e tinha centralizado uma ilha artificial com um bar para aqueles que queriam usufruir de uma bebida enquanto se refrescava no nado. Várias cadeiras, espreguiçadeiras e mesas com guarda-sóis se distribuíam ao redor.

Esse lugar estava de frente para o sol da manhã, o que era bem animador.

Lenalee resmungou um “graças a deus” e Alma e Lavi tiraram a atenção do mapa gigante que estavam analisando para verem os dois subindo as escadas com várias malas penduradas (Kanda havia cedido algumas para Allen carregar ou ele não conseguiria chegar sem atolar na areia e afundar até a morte).

Na mesma hora, um atendente, nem jovem, nem velho, chegou e pigarreou alegremente para que Lenalee pudesse lhe dizer o que queria.

–Hm...- ela pensou- estamos em cinco pessoas. Mas eu gostaria de ficar em um quarto separado, sozinha.

–Vou ver as opções- ele disse sorrindo para todos nós, usava uma camisa do hotel e uma bermuda florida, o bronzeado, que deduziam ser de tanto ir á praia, marcava um pouco seu rosto- esperem um pouco.

Ele virou-se para conferir um computador.

Allen pensou em um quarto sozinho para cada ou um quarto para quatro pessoas, com quatro camas separadas.

Mas tudo que Lavi e Kanda pensavam era “Cama de casal. Cama de casal. Cama de casal”.

Ele deslizou de volta para frente da Lenalee e sorriu.

–Temos um quarto de uma só cama para a senhorita. Nossos quartos de quatro camas de solteiro estão ocupados, mas temos...

...”Cama de casal. Uma cama de casal só!!! Para mim e pro Allen...Os outros ficam em outro quarto...!”, torciam os dois.

–...um quarto com duas camas de casal.

–YES!- os dois gritaram juntos, depois pararam por um momento absorvendo as outras palavras da frase que não eram “Cama de casal” e...

–Espera aí! Duas?- Lavi perguntou, desolado.

–Argh...- Kanda resmungou.

–Perdoem-me, vocês reservaram muito tarde. Estamos em temporada, nosso hotel é muito procurado nessa época.

Kanda e Lavi suspiraram em frustração.

–Olha- o atendente continuou, claramente preocupado com a expressão- eu posso providenciar colchões separados caso não queiram dividir a cama...

O japonês ia responder, mas Alma foi mais rápido.

–Não precisa!- colocou a mão no balcão- sabemos dividir, né gente?

O olhar dele de censura não permitiu nenhuma resposta que não fosse : ”Sim senhor, capitão”.

–Entregue as chaves- pediu.

O homem sorriu, mexeu as mãos debaixo do balcão e tirou duas chaves: 205 e 208. Números próximos.

–205 é o de vocês e 208 é o dela.

Deslizou as duas chaves com chaveiros de conchas estampando os números.

–Tenham uma boa estadia no hotel. O café da manhã é às 7h30, o almoço começa ao meio dia e o jantar é às 20hrs. Há muitos restaurantes bons aqui por perto caso prefiram e há o quiosque de praia do hotel. Qualquer coisa que precisarem... estarei aqui.

–Obrigado- respondemos juntos (apesar de Kanda só ter resmungado algo que não era um agradecimento).

Achamos as escadas e o elevador que levavam até os quartos acima.

No tanto de portas alinhadas, reconhecemos os números ao fim do corredor. Os cômodos estavam a três quartos de distância.

Com o peso diminuído em suas costas e mãos (já que obrigou os outros a carregarem suas próprias coisas), Kanda agarrou a chave da mão de Alma (que estava tendo dificuldades para abrir a porta) e finalmente conseguiram entrar.

O quarto era espaçoso. Paredes de cor creme e bem limpas, duas camas arrumadas em lençóis de mesma cor e quatro travesseiros cada um com um chocolate com menta em cima. Janelas davam vista para o mar à frente e o próprio sol iluminava o lugar, cortinas escuras estavam amarradas em um laço. Uma poltrona perto de um frigobar preenchido de coisas e logo ao lado um espelho grande refletindo a parte da janela, ao lado da TV e do guarda roupa com roupa de cama extra.

Kanda não esperou duas vezes antes de se jogar em uma das camas, as costas doendo e as mãos latejando de tanto carregar as coisas. Ele suspirou, o rosto enterrado a centímetros do travesseiro, no lençol. Virou apenas a cabeça para observar os companheiros entrando e explorando cada pedaço do quarto.

Virou o rosto de volta para o lençol, deixando o nariz ser esmagado pelo seu próprio peso. Não demorou muito para sentir as molas da cama balançarem seu corpo para cima e para baixo. Alguém havia sentado ao seu lado. Ou melhor, se jogado.

–Cansado, Kanda?

Mesmo sem ver nada, sabia que a voz era do pequeno.

–É.

–Nunca achei que fosse te ver assim. Quero dizer, jogado na cama desse jeito.

Virou o rosto só um pouquinho, para a direção da voz. Conseguiu vislumbrar metade do rosto do pequeno, centímetros de si. A outra metade estava afundada no lençol.

–Você diz isso depois da gente ter ido para a cama juntos? Eu tenho certeza que eu e você estávamos bem jogados lá...

Ele claramente se referia à noite em que pôde possuir o pequeno, tempos atrás (que pareciam tão mais distantes do que realmente eram). Era para ser mais um resmungo para si mesmo, mas acabou afetando o menor.

Allen corou imensamente, das bochechas até as orelhas. Pegou o travesseiro (com chocolate e tudo) e tacou com força na direção do maior.

Kanda foi rápido e, enquanto escondia o sorriso, esquivou do ataque sentando rapidamente. O travesseiro passou reto, fazendo os cabelos de seu lado direito esvoaçarem e caiu perto da outra cama fazendo um barulho abafado. Mas o chocolate bateu bem no meio da sua testa e quebrou ao meio.

–Ai!

–Meu doce!- Allen choramingou, enquanto catava os dois pedaços que antes estavam unidos- olha o que você fez, Bakanda!

–A culpa- Kanda esfregou o ponto vermelho na sua testa, a ponta do chocolate havia deixado uma marca- é sua, moyashi.

–Meu chocolate...- ele ignorou.

Kanda encarou por um bom tempo enquanto o albino cutucava uma metade na outra, como se fossem magicamente se juntar. Mas tudo que estava conseguindo eram manchas marrons nas mãos e no lençol.

O moreno suspirou.

–Tem um monte desses.

Ele continuou choramingando.

–Olha aqui. Tem nos outros travesseiros. Olha só.

Nada.

Kanda bufou e revirou os olhos. Irritante.

Pegou um chocolate do travesseiro mais perto e enfiou na boca do pequeno. Um pouco grosseiro, mas foi o mais gentil que conseguiu.

–Pronto, aqui tá a porra do seu chocolate. Agora, cala a boca e come.

Allen, atônito, nem se mexeu. O chocolate dividido ainda estava na sua mão, derretendo. Só depois de um tempo encarando o rosto de Kanda, que mantinha os dedos segurando o doce na sua boca, mordeu...os dedos dele, também.

–Ai! Moyashi!

–Não ponha o dedo na minha boca- Allen resmungou, entre uma mordida e outra no doce que ele havia colocado em sua boca.

Kanda revirou os olhos. Verificou, apenas rodando a cabeça, o que Alma e Lavi faziam, o primeiro verificava o frigobar e o outro se divertia com os sabonetes em forma de tartaruga e peixe no banheiro.

Quando girou a cabeça de volta, algo veio parar em sua boca. Algo...doce?

Allen olhou divertidamente para ele, um chocolate ainda não mordido pendia da sua boca. Seus dedos empurravam outro chocolate na boca do moreno.

Kanda encarou-o por um tempo e, sem desviar os olhos, finalmente mordeu, sentindo o doce se dissolver pouco a pouco na língua. O albino sorriu de volta e foi arrumar as coisas da sua mala rapidamente.

O moreno odiava coisas doces. Mas podia fazer uma exceção. Há coisas que não podem ser recusadas. Por mais que ele odeie doces, a situação faz toda a diferença. O gosto parecia ser o melhor de todos.

Ele não gostava de doces. Preferia..hm...moyashis.

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Sem esperar o almoço, se arrastaram até a praia a frente. Allen e Alma obrigaram todos a se trocarem o mais rápido possível para descerem e se divertirem,, por mais que Kanda, Lavi e Lenalee estivessem querendo descansar um pouco antes de...se mexerem.

O lugar estava mais cheio do que quando haviam chegado.

O mar estava pontilhado com adultos e crianças que surgiam e sumiam nas ondas cada vez mais fortes. Vários guarda-sóis de várias cores se espalhavam pela areia.

Tiveram que tapar os olhos para que não se cegassem com o sol forte que agora estava bem acima de suas cabeças.

Pediram um lugar para se sentar e espalharam as bolsas com o necessário para passarem a tarde.

–Ufaaa...- Lavi suspirou, se jogando em uma cadeira de plástico.

–Ah, Lavi!- Allen resmungou- vai sentar? Acabamos de chegar!

–O titio Lavi tá velho e cansado...- o ruivo respondeu, colocando um óculos escuros- leva o titio Yuu com você.

–Não me chame desse jeito, baka usagi velho- ele jogou uma sacola preta no chão e a areia fez um barulho abafado- eu esfregou sua cara naquelas pedras.

–Titio Yuu, não pode dar mau exemplo assim- Alma retrucou.

–É, titio Yuu, seja pacífico- Lavi disse, não conseguiam saber para onde estava olhando por causa dos óculos tapando seus olhos.

–Tsc. Façam como quiser...

Kanda tirou a areia que estava no banco e se sentou.

–Ah, nada disso!- Allen falou- o titio Yuu e o titio Lavi tão muito preguiçosos hoje!

–Eu concordo- Lenalee riu- porque não entram na água um pouco?

–Exatamente!- o albino disse- vamos lá! Tirem a roupa!

–Ai, Allen- Lavi debochou- seu pervertido! Ainda não, ainda é dia.

–Tsc.

O albino bufou. Largou sua sacola em uma cadeira vazia e tirou a camiseta branca que usava.

–Eu já tirei. Vamos lá.

Kanda aproveitou que o pequeno tinha dificuldades em olhar por causa do sol e, da sombra, se concentrou em olhar cada detalhe da pele exposta. Cara, ele era muito branco.

–Você é muito branco- o moreno pensou alto.

Parece que ele pisou num calo do pequeno, porque ele enrugou a testa.

–Eu sei! Eu sei! Então porque vocês não vem e vamos juntos tomar sol, hein?

–Tsc. Você vai ficar vermelho.

–Eu passei protetor.

–Só se for fator mil...

–Já entendi, Já entendi. Vamos??

Alma se juntou á ele, indo para o seu lado, também sem camisa. Lenalee foi a próxima ( e Allen pensou que Komui não iria gostar de saber que ela estava de biquíni). Ele não sabia se era impressão, mas Lavi parecia estar babando e roncando.

–Vamos, Kandaaa...

–Não.

–...com medo de se queimar, ou com medo do mar, hein?

–Não é nada disso é só que...

–Uuh, você tem medo do mar, né? Ou medo de mostrar a barriga saliente? Hein, hein??

Kanda apertou tão forte que o braço da cadeira quebrou.

–Tsc.

Em um pulo ele já exibia seu abdômen definido e os bíceps fortes. A camisa jogada ao lado de sua sacola, na cadeira.

Lavi continuava roncando, com a cabeça jogada para trás.Saliva escorria pelo seu queixo e pingava na areia. Estava meio alheio aos acontecimentos.

–Então vamos lá, moyashi. É você que vai ficar com medinho de entrar no mar.

O moreno passou na frente, mas o garoto tinha enrubescido depois da visão e permaneceu parado encarando a areia. Tanto tempo longe do rapaz e havia esquecido o quanto ele era bonito. Sentiu-se até um pouco mal e constrangido por apresentar seu corpo magrelo e pálido. Lembranças nem um pouco inocentes invadiam sua cabeça pouco a pouco toda vez que seus olhos colocavam na pele desnuda do moreno. Balançou a cabeça. Afastou tudo isso e se concentrou na beleza da água do mar.

Chegou até quase na água, caminhou em passos lentos até que os pés estavam se molhando com o vai e vem das ondas que quebravam mais a frente e espalhavam espuma. Estava um pouco fria, mas não o bastante para se recusar a entrar.

Foi quando ia continuar a andar que um pensamento passou pela sua cabeça. Imagens de vídeos da internet, da TV e palavras de pessoas. Um tremor percorreu seu corpo quando ele olhou para a imagem de seus pés que tremeluzia debaixo d’água.

–Ei, gente...

Alma e Lenalee que brincavam com a água quase nos joelhos mais a frente viraram o corpo para o garoto. A água estava tão azul e transparente que dava para ver perfeitamente os dedos dos dois afundando na areia.

–Hm...sabe...é... por acaso não tem nada de...hã...mau aí, né?

Alma e Lenalee se entreolharam.

–Mau?

–É, tipo...hã... caranguejos... seu lá...baratas...ou...tubarões assassinos.

Silêncio mórbido.

Ninguém respondeu, então Allen entrou em pânico.

–Tem, não tem??!- gritou- eu sabia. Eu sabia.

A reação estava mais engraçada do que ele imaginava estar.

Ele se virou, prestes a ir embora, mas trombou em um tronco forte.

Era Kanda.

–B-Bakanda?

–Tsc- ele sorriu- mariquinha.

–Quê?

–Você me obriga a entrar e depois vai embora? Mal educado.

–Hm, então pode me acompanhar de volta se quiser.

–Que foi? Andou vendo Tubarão esses dias? O filme é de mentira, babaca.

–E-eu sei. É só que...hm... eu não to mentalmente preparado. Nunca entrei aí. O oceano tem partes inexploradas e..e... tem todo tipo de coisa estranha.

–Cadê o moleque animado de agora há pouco?

–Hm, ele tá...com fome. Vamos comer, vamos.

–Idiota.

Allen achou que ele fosse deixá-lo passar, pois ele conseguiu passar sem problemas. Mas não conseguiu dar nem mais um passo.

Quando viu, o mundo a sua volta girou e seu corpo estava observando o guarda-sol e o Lavi dorminhoco se afastarem cada vez mais. Sem que ele mexesse as pernas.

Ele havia sido pego e jogado pelo ombro de Kanda. E agora eles estavam indo em direção ao desconhecido mar.

–Kyah! Bakanda! Solta!

–Eu não. Molhei os pés e agora você tem que pagar- deu uma pausa dramática- com a sua vida.

Allen, ainda jogado por cima do ombro, encolheu as pernas e braços para evitar que encostassem na água. Sentia um pouco de medo sabendo que seria jogado logo no fundo e não poderia se acostumar indo do raso até lá.

–Me solt...

TCHIBUM

De olhos fechados, sentiu o gelado cobrir seu corpo, a respiração falhar e os membros se moverem lentamente. Estava dentro d’água. Em pânico, abriu os olhos.

Tinha um pequeno peixe o encarando, que logo fugiu apressado, contornando as outras pessoas. Ele observou algumas pernas próximas que se mexiam como se estivessem em câmera lenta, imagens um pouco azuladas pela cor da água. Então seus olhos arderam.

–Fwaaah!- respirou fundo quando tirou a cabeça da água- meu olho!!!

–Você abriu?- Kanda perguntou ao lado, Allen sentiu uma vontade de bater nele- que idiota!

O albino ia rebater, mas o moreno gargalhou sobre o estado dele. Olhos vermelhos e assustados, encharcado, com uma alga marinha alheia à situação presa entre seus fios. Sentiu vontade de rir também.

–É salgado mesmo- comentou, sobre a água na sua boca- não achei que realmente fosse...

–Quase 16 anos e nunca foi à praia...

Mas o garoto já não prestava atenção nas palavras, estava concentrado demais na sensação da areia sob seus pés. Aquilo quase fez Kanda sorrir. Quase.

–Yuu!- Alma colocou as mãos molhadas e geladas em seus ombros e fez a pele dele arrepiar com o choque térmico.

–Alma! Será que...dá pra parar com isso?

–Hm...talvez dê para parar, talvez não dê...

Ele riu e Kanda não entendeu. Foi só quando ele viu os olhos do moreno se conectarem com os do albino que ele sentiu aquilo...perigo.

–Ah, não!- ele disse, recuando, mesmo que seus olhos quisessem parecer ameaçadores- se você fizer isso eu vou arrancar as suas tripas e...

Sem mais palavras. Alma o empurrou com força e Allen puxou com força. Kanda caiu no mar, espirrando água salgada nos dois garotos e em Lenalee.

–O que disse, titio Yuu?- Allen riu.

Apesar de ter perdido o elástico que prendia suas mechas negras, ele até achou...divertido.

E essa é uma palavra que ele não usava com frequência. Na verdade, depois que seu passado o corrompeu, ele nunca havia definido uma situação com essa palavra.

E quando surgiu de volta da água com raiva, os cabelos soltos e colados no corpo, percebeu que estava até...feliz. Sentia o formigamento estranho no rosto que quase o obrigava a sorrir e a vontade dos momentos se perpetuarem desse jeito calmo.

Claro que ele nunca iria externar tudo isso. Não ficava feliz nem em saber que algo assim podia existir nele.

Mas tudo mudava quando Allen estava sorrindo para ele.

Então ele se contentou em jogar o garoto como um saco de batatas o mais longe no mar que ele conseguia. E em dar um belo empurrão em Alma.

E nem sabia que coisas que podiam surgir no futuro.

Notas finais
E aí? Saibam que as coisas na viagem continuam no próximo capítulo! eu sei que não aconteceu muita coisa nessa, mas... continua no próximo. Será que Komui deixou Lenalee ir, mesmo? Será que Kanda vai achar seu elástico? Será que Alma sabe nadar? Será que vão continuar a chamar o Kanda de "titio Yuu"? Quem vai dormir com quem nas camas de casal? Será que o Lavi vai parar de babar e vai acordar? Que coisas guardam o futuro? Perguntas aleatórias, mas enfim... Mereço reviews?? :3 Eu fiquei super chateada porque não tenho recebido muitos reviews esses últimos capítulos (Por quê? POR QUÊ??? *chora*) e eu agradeço do fundo do meu coração a todos que sempre comentam!!! Vocês fazem o meu dia!! eu até pensei em fazer dessa uma daquelas fics movidas a reviews (do tipo "só posto o próximo capítulo se receber 10 reviews"), mas acho que isso seria difícil haha Anyway, obrigada por ler e nos vemos no próximo o/