Notas iniciais
yey!! Olá, gente! Demorei? Espero que não! :) Esse capítulo não tem nenhuma função senão divertir :) hahaha Talvez eu demore mais para escrever esses dias por causa da aulas e porque estou escrevendo outra fic de DGM, leiam se quiserem e me contem o que acharem se chama Pure Imagination, é uma yullen e está longe de terminar!! Link nas notas finais haha (fazendo propaganda...) Eu coloquei esse título para esse capítulo porque eu notei que a palavra maldito (a) (s) (as) apareceu várias vezes hahaha enfim, boa leitura :) capítulo não revisado, então...

–Você tem certeza disso?

–Certeza absoluta.

–A gente vai ouvir MUITO depois disso...

–Só faça logo, tsc. Para de enrolar.

–Tá, tá. Já vou fazer. Calma. Pega o balde. Tá atrás dessa cadeira vermelha. Isso. Esse aí, obrigado. Caraca, é pesado!

–Você que é fraco, moyashi.

–O que tão fazendo, meninos? Estão aprontando?

–Hm...observe, Lena. Só observe. Com calma. Não façam barulho, senão vai dar errado e a gente se ferra antes de acontecer. Argh, o balde tá pesado!

–Vai logo!

–1.2.3 e...

SPLASH!

Lavi acordou em um pulo. Água salgada tinha entrado pelas suas narinas e pela sua boca. Tinha um gosto horrível e seu nariz começou a arder em contato com o sal. Os óculos escuros estavam, agora, tortos em seu rosto, pendendo para o lado e confundindo sua vista. Seu corpo, encharcado.

Tudo que viu foi Allen segurando um balde pingando gotas de água, que agora estava vazio. Alma, Lenalee e (surpreendentemente) Kanda estavam logo atrás dele, rindo sem se preocupar em segurar o riso.

Quer saber o que aconteceu? Acabaram de acabar com a sua soneca.

–Acordou, dorminhoco?- Alma perguntou- finalmente.

–Seus...- Lavi disse, limpando o rosto e fazendo o tom mais ameaçador que conseguia, mas sua boca estava com um gosto ruim-... vocês vão ver só!!

Um pulo e a cadeira estava jogada na areia, o balde logo ao lado dela e o ruivo corria como um guepardo segurando uma sacola vazia como arma. Quer dizer, ele queria correr que nem um guepardo, mas na areia é meio difícil. Parecia uma gazela esfomeada correndo atrás do Allen e do Alma.

Kanda suspirou.

–Idiotas.

Lenalee (que Kanda não sabia estar ali ainda) riu do comentário.

–Com certeza eles são- ela sorria- mas é isso que é legal. As idiotices que todo mundo faz junto, né?

O moreno não teve uma resposta boa.

–Acho que sim...

Ele desviou o olhar para os três correndo e atrapalhando as outras pessoas no caminho. Lavi e Allen tropeçaram em castelos de areia de um grupo de crianças aleatórias e caíram de cara no chão de areia dura. Alma riu muito, mas levou um chute de areia na barriga e logo caiu de cara na água.

Mesmo sem olhar, ele sabia que Lenalee sorria para ele. Isso irritava um pouco, mas ele sabia o porquê. Ela sabia que ele gostava daquele clima. Ele odiava ser lido.

Gostava de ser aquele que ninguém entende. Mas estava perdendo essa pose.

“Hm...foda-se”, pensou.

Kanda deu as costas aos três patetas que agora tropeçavam em um carrinho de milho. Allen parou para comprar um pratinho, mesmo que tenha quase engolido areia no tombo e Lavi esteja no seu encalço.

O moreno ajeitou o guarda-sol e sentou em uma das cadeiras.

Ele odiava sol, odiava o mar, odiava a areia. Odiava ficar no sol coberto de areia e água salgada.

Suspirou. Porque ele só podia pensar que estava decaindo em seus próprios conceitos. Ele estava até gostando do passeio.

O negócio é que ele não ia à praia sem tantas preocupações desde... muito tempo. Ele não ia com “amigos” desde nunca.

Tinha vontade de vomitar só de pensar desse jeito.

Argh. Nojento.

Não tinha amigos, essa era a verdade. Porque ele não queria ter. Só... pessoas que o seguiam para lá e para cá fazendo bagunça ao seu redor.

Kanda agarrou os óculos de sol caídos na areia de Lavi e limpou a sujeira em uma toalha. Antes de colocá-los, seus olhos se prenderam nos reflexos da luz do sol na água do mar, os pontos pareciam cintilar como estrelas no oceano, enquanto Lavi, Alma e Allen jogavam água um no outro, já esquecendo da briga que deveriam estar tendo.

Colocou os óculos e olhou para cima. O sol estava mais brilhante do que nunca vira. Até mais do que quando...fora com seu pai para aqueles subúrbios pela primeira vez. Até mais do que o sol dos domingos de piquenique em família.

Odiava o sol e odiava o calor.

–Tsc-resmungou, estava prestes a estourar sua cota de praia, porque já havia sentido demais dos malditos raios solares e das malditas ondas do mar.

Era por isso que não queria vir à maldita praia. Maldito moyashi idiota... Isso aqui que estava vivendo no exato momento, esse ambiente, era tudo que ele menos apreciava, menos gostava e menos aguentava.

Foi só essa hora que percebeu que seu cabelo endurecia enquanto secava cheio do sal da água do mar, onde havia sido praticamente obrigado a entrar. E, ainda por cima, estavam soltos por culpa da nova dupla animadora de festinhas: Allen&Alma. Os malditos hamsters hiperativos.

Pensando bem, Alma vive fazendo essas duplas e alianças do mal que só queriam ferrar com a sua vida...

Viu, é por isso que ele não gosta de chamar de “amigos”.

No limite do seu “gosto por praia”, pensou que talvez fosse hora de imitar o ruivo e dormir. Se ficasse mais um segundo observando os vendedores perguntarem se ele queria um maldito picolé, sairia por aí cortando tudo com a katana. E, sim. Ele trouxe a maldita espada para dar uma volta na praia.

Ajeitou-se na cadeira e arrumou os óculos para que nenhum mísero e maldito raio de sol o atingisse. Não era idiota como o Lavi, portanto não precisava se preocupar. Se alguém chegasse perto com intenções ruins ele, ou melhor, a mugen, tomaria providências rápidas. E dolorosas.

Sim, ele conseguiria acordar com uma aproximação mal intencionada.

Por isso, quando Lenalee se sentou na cadeira ao lado, ele nem se preocupou em virar o rosto. Ela era inofensiva...pelo menos imaginava isso.

–Vai dormir também, agora?- ela perguntou.

Kanda odiava quando alguém o atrapalhava ou se esforçava para puxar assunto. Apesar da garota estar totalmente despreocupada.

–Não, vou fechar os olhos e morrer, mesmo.

Ela riu.

–Não acredito que vocês vem a praia para cochilar...

Ela suspirou profundamente, mas Kanda nem ao menos abriu os olhos.

–Você é exatamente como Allen contava.

Kanda tentou demonstrar o mínimo de interesse possível por baixo dos óculos escuros.

–Hm, ah, é?

–Eu nunca tinha realmente conversado com você. Mas ele vivia dizendo que era um babaca, delinquente e rabugento que agia como um pseudo-samurai nas horas vagas, namorava com a própria espada e respondia tudo com meias respostas, estalos de língua ou falas malcriadas.

Kanda sentiu uma veia solitária saltar da sua testa.

–Hm... bem crítico. Tsc.

–É.

Kanda imaginou, já que seus olhos permaneceram fechados, que ela talvez tivesse ido embora. O silêncio permaneceu por longos minutos...não que Kanda ligasse. Por ele, aquela quietude não precisava ser interrompida. Mas como isso depende da garota...

–Eu sei que você e ele tem um caso.

Agora seria uma boa hora para fingir estar dormindo. Respire pausadamente e fundo... não se mexa...

–Eu sei que você não tá dormindo.

Droga, o que ela era? Vidente? Era pior que o Alma e o Lavi.

–Eu só sou perita nesse tipo de coisa. Sou uma garota que se interessa pela vida amorosa alheia. Não sou vidente.

Ignorou o fato dela falar como se FOSSE uma vidente e como se tivesse lido seus pensamentos.

–É uma fofoqueira, então?

Lena riu. Acho que isso era um sim. Ele não entendia porque ela ria daquilo...na verdade, ela ria de tudo!

Kanda suspirou e rolou os olhos.

Ele não gostava de garotas que via por aí, usando tanta maquiagem que parecia uma visão do photoshop em vida real, andando de minissaia...ou melhor, cinto-saia, shorts minúsculos... não, calcinha jeans, na verdade. Daquelas que conversam por mensagens quando estão a 1 metro de distância, que se jogavam para cima dele com aquelas malditas nuvens terríveis de perfumes doces em quantidades totalmente desnecessárias, vozes esganiçadas, risadas estranhas, conversas vazias, cores demais nas roupas e a maquiagem (segunda pele) grudando na roupa dele enquanto elas teimavam em se agarrar.

Odiava garotas tão...fúteis. E ele sempre atraía esse tipo de garota.

(cá entre nós, Kanda atrai TODO tipo de garota )

Fofoqueiras então... ele não entendia as malditas.

Mas Lenalee exalava um ar diferente. Ela era garota, mas não era tão terrível assim. Apesar de parecer ainda mais perigosa.

Talvez ele se sentisse assim porque ela era amiga do moyashi...

O que nos traz ao assunto principal...

–Como assim eu e ele temos um caso?- Kanda percebeu.

Ela riu. Essa maldita risada já estava irritando.

–Não sei- respondeu- você que tem que me dizer.

–E por que você acha isso?- ele riu- que besteira. Além de ser um moleque ainda é feio de chato. Vocês teimam em ver coisa que não existe, tsc. Tudo que eu fiz foi tentar matá-lo várias vezes.

–Eu já disse. Eu me interesso por isso- ela agarrou uma latinha de refrigerante e tomou um gole longo- e, como uma especialista, eu noto alguns sinais discretos...

Ela bebeu outro gole. E Kanda pensava em malditos “sinais discretos”.

–...e eu ouvi a conversa de vocês dois no parquinho.

Kanda quase engasgou com a saliva. Ainda bem que não estava tomando refrigerante.

–E o Allen não é feio- ela completou sorrindo.

Ele não pôde fazer nada que não fosse imaginar-se cortando a cabeça dela com a katana. Por isso, só fechou a cara e tirou os óculos.

–Tsc. Não temos nada, idiota.

–É, eu ouvi isso da conversa de vocês. Imagino o que você fez para o Allen ficar assim. Ai,ai, ai naqueles dias ele estava bem mal, mesmo.

Os olhos dela se fixaram nos três garotos que agora pegavam um jacaré numa onda para voltar para a areia. Allen perdeu o tempo e rolou na espuma, desaparecendo na água enquanto Lavi bancava o salva vidas desesperado.

–Pelo menos agora ele está melhor.

–E...qual é o objetivo dessa conversa estúpida?

–Conserte o que você fez, Kanda. Sério.

–Eu já tentei- e ele quase se surpreendeu por estar realmente conversando e não tentando matar.

–Então já contou para ele tudo que ele precisa saber?

Ele engoliu em seco.

–Eu vou dizer isso como amiga dele. Ele tende a não confiar tremendamente nas pessoas. Ele não tem auto-confiança. Você mente para ele e ele fica mais magoado do que deveria ficar. É da natureza dele. Eu já vi ele tentar estourar a cara de pessoas que foram falsas comigo ou com o Lavi, mas ele ficou depressivo quando você simplesmente virou as costas. Aah, mas eu acho que vocês ficam até que..bem juntos. Nada contra, pela minha parte.

–Como voc...?

–Lavi é o amigo que ajuda a levantar o astral. Eu sou a conselheira- riu- eu sou aquela para quem ele conta as coisas. Apesar de ter omitido a parte do seu caso com ele. E ter omitido várias coisas, na verdade.

–Pare de falar “caso”. É idiotice e é nojento.

–...mesmo assim- ignorou- se você magoar ele mais uma vez, seja lá o que você tenha feito, vai sofrer as consequências, okay?

Kanda revirou os olhos, ainda tentando buscar o sentido da conversa. Ela não disse nada que ele não soubesse e falava tudo com o maldito sorriso frio e feliz.

É por isso que ele odiava amigos...

Eles xeretam para tudo quanto é lado. Que saco.

E depois ainda veio ameaçá-lo.

Ele estava mais assustado com outro pensamento : Quer dizer que TODO mundo já sabia??

–Ah- ela resmungou- toma, um elástico.

O círculo vermelho voou da mão da garota para a sua. Sem recusar o objeto, mexeu nos cabelos e prendeu-os para ajeitá-los de volta.

Ia voltar a dormir, para finalmente descansar daquele ambiente. Mas os três patetas haviam voltado, encharcados e cheios de arranhões.

–Voltamos!- Lavi disse, arrancando a toalha que estava presa entre a cadeira e as costas de Kanda.

–Deviam ter ficado lá- o moreno resmungou quando a água do corpo do ruivo respingo no seu rosto.

É, acho que ele não iria dormir. Ia aguentar aqueles malditos.

–A água está bem mais quente agora, né?- Allen disse.

Lavi esfregou os cabelos com a toalha, os fios ruivos que antes estavam organizados pela ação da água, rebelaram-se para todas as direções. O caolho jogou a toalha na cabeça do pequeno e esfregou seus cabelos também.

–Pronto, sequinho- disse quando os cabelos do pequeno desorganizaram-se.

–Lavi, não precisava disso.

–Ah, mas eu queria secar... como namorados fazem depois de tomarem banho juntos!

Kanda odiava sentir ciúmes. Mas era quase impossível não sentir a desgraça.

Queria ele ser tão descarado quanto o Lavi para ficar se colocando em cima do Allen.

Mas ele tinha um jeito diferente de se aproximar.

Ia pegar uma garrafa de água, apenas para distrair do trio parada dura. Quando virou-se na outra direção seus olhos encontraram o sorriso sugestivo de Lenalee. Ela sabia o que Lavi estava fazendo e sabia que estava dando certo.

Okay, odiava aquela maldita garota.

Ela era pior que as malditas lambisgoias patricinhas.

Devolveu um olhar raivoso e pegou a maldita garrafa de água refrescante.

–Querem algo para beber, meninos?- ela perguntou, na maior normalidade.

Lavi e Alma concordaram e foram rapidamente enfiar suas mãos na caixa repleta de refris e garrafas de água em meio a pedaços enormes de gelo. Eles gemeram em alívio ao sentir o frio do gelo em contato com a pele quente.

–Para quem tava com medo de entrar na água, você até que aguentou bastante- Kanda disse, recolocando os óculos escuros.

Ele viu a imagem escurecida do pequeno sorrir para ele, os cabelos totalmente bagunçados. Ele não tinha ido buscar ume bebida, simplesmente permaneceu parado. O albino mostrou a língua ainda sorrindo.

–E, para alguém que não queria vir, você até que está aguentando bem. Não saiu cortando ninguém, nem nada do tipo.

Ah, se ele soubesse que o moreno estava para cortar pessoas momentos atrás...

Ele preferiu omitir essa parte da história. Pelo bem dele próprio.

Kanda pegou a cadeira mais próxima com um dos braços e a ajeitou ao lado da sua, na sombra.

–Senta, vai ficar vermelho igual um pimentão se continuar no sol, moyashi.

Allen observou-o com as bochechas queimando como se fossem entrar em combustão espontânea naquele momento. Agradeceu pelos óculos deixarem os olhos de Kanda com dificuldade em definir cores, senão ele estaria vendo o homem tomate a sua frente. Ele nunca resistia aos atos de bondade que o moreno dirigia para si, quase tão inconscientemente e sinceros, fazia criar esperanças. Isso era muito ruim.

–Já sento, só preciso tomar uma ducha...tirar o sal do corpo. Fiquei tempo demais no mar.

O moreno olhou para o lado, onde Alma, Lenalee e Lavi se distraiam conversando e tomando refrigerante, alheios ao que os dois faziam ou falavam.

–Eu vou junto- Kanda disse quase sem pensar e quase se repreendeu por isso- preciso...hã...tirar o sal também...

–Ah...ok...

O moreno levantou e seguiu o menor sem saber que Allen se remoia por dentro, mais a frente de si.

Allen estava inquieto, de seu próprio jeito.

Era difícil ficar longe quando ele próprio o seguia desse jeito. Por. Vontade. Própria. E isso deixava o albino cada vez mais nervoso.

Tá. A verdade se escondia debaixo do rosto despreocupado que se divertia com os amigos na praia.

Praia. Sol. Diversão. Amigos reunidos.

Ele poderia estar enganado, mas ele tinha certeza de que esse tipo de ambiente só levava as pessoas para um lugar: romance.

O garoto balançou a cabeça. Precisava tirar tudo aquilo da cabeça. Já era difícil demais ter que encará-lo e dormir no mesmo quarto, mas se também tivesse que pensar nele o tempo todo...estaria perdido sem mais volta.

Se tudo aquilo que ele tivesse dito aquele dia, quando conversaram perto do balanço, era a verdade...Allen não tinha a menor ideia do que fazer. Estava perdido nas próprias palavras.

Foi quando quase trombou com um homem carregando várias sacolas que ele voltou para ao mundo concreto...e percebeu que, com seu péssimo senso de direção e pensamentos avoados, não tinha a menor ideia de onde ficava a tal ducha maldita.

Ele suspirou e esfregou as mãos no rosto inteiro, o que fez seus olhos, bochechas e boca esticarem para baixo e depois voltarem ao normal. Ele conseguia ser um idiota lerdo às vezes. Ele podia reconhecer isso.

–Talvez Kanda saiba- pensou, virou-se par trás querendo encontrar o moreno- KAN...da...?!

Seu ânimo desabou até o centro da Terra. Sua expressão foi de “estou perdido, mas animado” para “estou perdido e indignado”.

O moreno estava dando em cima das garotas, logo atrás dele.

Quer dizer, era assim que Allen via a cena.

Uma loira claramente falsa de cabelos compridos e lisos chegou sorrindo com todos os dentes para o moreno. Ele devia ter falado alguma coisa muito hilária (o que Allen achou muito estranho), pois ela desabou em uma gargalhada esganiçada como se fosse um pato tendo ataque cardíaco, batendo as mãos na perna. As duas outras amigas, morenas de mechas desbotadas, repetiam as risadas, enquanto mexiam os cabelos ondulados de um lado para outro, repetidas vezes. Tinham a pele tanto branca quanto morena (provavelmente a pele estava curtida pelo sol) e, mesmo na praia, usavam maquiagem no rosto inteiro. O que não fazia sentido para ele.

E elas faziam questão de falar com a voz fina e apertar os seios (nem tão volumosos) na frente do moreno, enquanto usavam qualquer desculpa para tocá-lo, como se apoiar para dar risada. Elas podiam achar que eram discretas, mas Alle percebia o maldito fingimento e as malditas jogadas.

Kanda estava virado de costas para si, por isso não via sua reação. Mas esperava que ele não estivesse... gostando...

Seu conceito dele cairia dez andares se esse fosse o caso.

“Epa, epa...”, pensou, “a vida dele não tem nada a ver comigo. Não sou daquelas garotinhas que fica com ciúmes por aí... não sou”. Mas era irritante que ele precisasse do moreno para indicar o caminho da maldita ducha para tirar o maldito sal do corpo, quando ele estava se divertindo com garotas estranhas de cílios falsos.

Ficou debatendo silenciosamente se devia ou não puxar ele e obrigá-lo a mostrar o caminho. E se ele acabasse atrapalhando a “diversão” dele? Só de pensar nisso, algo no seu estômago revirava.

Foi quando ia dar a volta e procurar sozinho que a loira riu mais escandalosamente ainda (algo que ele achava ser impossível, mas foi concretizado), fazendo questão de passar os dedos pelo abdômen dele. As outras se seguravam nos bíceps dele, as mãos apertando os músculos do rapaz e ele tinha certeza de que não era porque estavam perdendo o equilíbrio.

Ele mal podia acreditar que Yuu Kanda, pseudo-samurai anti-social de prontidão, estava realmente fazendo aquilo em plena luz do dia!

Aquilo irritava. Demais.

E elas continuavam a descer os dedos finos e unhas postiças gigantes e coloridas de neon pelo corpo do moreno.

E ele precisava de uma ducha logo. A maldita ducha!!!

Pisou forte, mais porque a areia era muita mais densa e envolvia seus pés com mais facilidade do que por raiva. Foi andando com dificuldade e escorregando nos grãos que ele se aproximava.

As garotas riam.

Uma das morenas parou e o encarou se aproximando com um rosto um pouco estranho. O albino quase deu um soco nela quando viu que ela apertava o braço do japonês com tanta...intimidade (lê-se: passando os peitos espremidos).

Allen bateu no ombro de Kanda com a palma da mão e o moreno se virou.

O rosto dele estava difícil de ler por causa dos óculos escuros que ele havia colocado. O albino arrancou aquilo dele com a intenção de decifrar se ele iria ser morto ou agradecido.

Pelo menos sua expressão não dizia “Porra, moyashi, deixe eu me divertir com essas garotas!”, mas sim algo como “Faça algo com essas criaturas antes que a mugen faça e eu vá para a cadeia”.

Allen ficou mais aliviado.

–Ah, Kanda!- disse, como se fosse algo casual- eu estava te procurando...er... para saber onde fica a ducha! Eu me perdi...

O albino sorriu bastante e Kanda percebeu que tinha uma saída.

Mas queria que ele tivesse ficado com ciúmes...

E se ele...tivesse?

Seria um pagamento por tudo que Lavi havia feito.

–A ducha, certo?- respondeu- Temos que ir para a ducha. Vamos para a ducha.

Allen assentiu, ainda sorrindo. Fez questão de puxar o braço do moreno para que parassem de passar a mão. Elas quase ficaram ofendidas. Mesmo assim continuaram a tentar segurá-lo.

–A gente também vai para a ducha- a morena da direita riu- vamos juntos nos...banhar.

–E quem é esse?- a loira perguntou, a voz dela era mais estranha do que Allen imaginava.

Estava mais do que claro que elas gostavam de insistir, pois mudaram o ar de “quem é o intrometido?” para “mais um para dar em cima”.

–Ele é bonitinho.

–Muito fofo.

–Fofo demais. Olha só a pele lisa e branquinha dele!

Elas riram e agarraram de novo o braço do moreno. Agora eram dois em apuros, Allen olhou desconcertado para a cena em que se metera sem saber o que fazer. Ele tinha ido para ajudar, mas tudo que conseguiu foi se embolar no resgate e aumentar os reféns. Kanda suspirou, repirando fundo como se contasse até três. Já era um progresso que ele tentasse manter o controle, pelo menos.

Até que ele teve a sacada genial.

–Ele...hm...- apertou o ombro do pequeno com força- é meu namorado.

TLIM

Elas pararam na hora, perplexas. Mas Allen também estava.

Decidiu entrar no teatro ( e essa palavra fazia seu estômago remexer de novo).

Passou o braço na cintura do moreno e beijou seu ombro. Kanda correspondeu abraçando os ombros dele.

–Amor- disse, a voz mais doce que conseguia- temos que ir para a ducha. A gente não pode ficar os dois com o corpo todo salgado.

–Claro, se bem que você fica muito melhor com um toque de sal.

–Ai, amor... Aqui não...por favor...- riu.

–Tudo bem, eu espero até chegarmos ao hotel...

Os dois riam por dentro enquanto as três se afastavam lentamente ao ver os dois esfregando os corpos. Estavam em um misto de perplexidade e mágoa.

Saíram de fininho dizendo “adeus”, “hm...tchau” e “por que os melhores são sempre gays??”.

Allen e Kanda abraçavam um ao outro, passando as mãos nos ombros e nas costas várias vezes, fazendo questão de usar a voz melosa e sorrir mais do que realmente queriam.

Eles esperaram até elas se afastarem. Suspiraram em alívio quando o perigo sumia em meio ao mar de guarda-sóis coloridos.

Só então perceberam que ainda estavam abraçados.

Allen foi o primeiro a se afastar, o rosto queimando de vergonha. Kanda só ficou decepcionado, mas aliviado em ter se livrado das lambisgoias que teimavam em se achar sensuais para cima dele.

Só tinha uma pessoa para quem ele olhava desse jeito, apesar de ser vergonhoso admitir.

Era um albino franzino e irritante que parecia um moyashi baixinho. Por mais idiota que isso deva soar...era ele.

E a pessoa acabava de soltar o seu corpo nesse momento.

–Hm...- Allen disse, já andando na frente para evitar olhar o rapaz nos olhos- ducha, né? Sabe onde fica?

–Siga-me- Kanda passou na sua frente e apontou para um quiosque mais a frente, cheio de clientes e com teto de palha- é pra lá que a gente vai...amor.

Allen devolveu uma resposta em forma de soco no ombro do rapaz. ”Idiota” , resmungou, mas ainda assim estava sorrindo bastante.

Talvez Kanda não fosse uma pessoa tão ruim quanto temia.

–x-

As estrelas cintilavam acima de suas cabeças. Era a mais bela noite que já presenciara em toda sua vida. A lua brilhante encoberta por nuvens macabras, as estrelas, cada uma delas, tão destacadas por brilharem intensamente, o vento soprava frio e refrescava-o do clima abafado que tanto odiava, as árvores faziam sombras na floresta e dançavam com a brisa fria,fazia-o imaginar que tipo de coisas se escondiam por entre as folhas e galhos . E o céu estava escuro e negro ampliando sua visão de belo.

Claro que toda a beleza não seria a mesma se não estivesse ao lado dele.

–Kanda- ele disse, chamando sua atenção, mas não precisava, o moreno já tinha os olhos no seu perfil iluminado- a noite tá linda, né? Não é algo que se veja na cidade...

–É.

Ele sorriu, olhando para o céu.

–Como você achou esse lugar incrível? É tão...isolado.

–Eu- Kanda respondia- só segui pela floresta. Você encontra coisas incríveis quando entra nelas. Acredite.

Allen se virou, tirou a atenção do céu e a voltou para o moreno. Parecia impressionado demais para falar alguma coisa, mas disse:

–Você é incrível. Sério. Você é demais.

Enquanto tudo que queria falar passava pela sua cabeça, Kanda ajeitou sua posição na grama.

–Melhor que o Lavi?- perguntou.

Allen riu em reposta. O sorriso dele ficava ainda mais encantador quando era banhado pela luz fria da lua cheia.

–Lavi? Aquele cara não tem nenhuuuuma chance contra você- riu mais- ele é um babaca pervertido que se acha demais. Não gosto dele. Odeio ele. Parece uma minhoca pegando fogo.

Kanda não entendeu a relação entre “minhoca” e a frase, mas sorriu mais ainda enquanto o albino despejava mais insultos sobre o ruivo, rindo toda vez que encontrava mais um animal e um adjetivo para comparar.

–Ele nuunca poderia ter alguma coisa comigo- completou, depois de uma série de xingamentos- mas você, Kanda... você seria perfeito.

O moreno sorriu.

–Por quê?

Allen corou, mas ainda sorria.

–Ora, você é encantador, a pessoa mais legal e bonita que conheci. Simpático, engraçado- e foi se aproximando -bonito, tentador- aproximando...-forte, musculoso- aproximando- lindo, incrível, inteligente, habilidoso...sexy...

Com as testas coladas uma na outra, Allen soltou um último sorriso e um último sussurro de elogios, antes que sua boca estivesse ocupada em beijar o moreno.

Começou devagar, começou apenas com o roçar dos lábios e o toque das bocas. Eles ansiavam por isso. Ambos os lados ansiavam e faziam questão de mostrar isso pelo contato. Logo, se aprofundaram em um beijo mais longo e bonito, os olhos fechados e as mãos passando dos cabelos para os pescoços e dele para os quadris e cinturas. As línguas se encontrando sem se separarem e trocavam carícias românticas.

Allen se afastou de repente, deixando um último toque estalado. Kanda ficou decepcionado, mas o albino tocou novamente as testas, ofegante.

–Eu te amo, Kanda- disse- você é a pessoa que eu mais amo nesse mundo.

–Mais que o Lavi?

Ele riu.

–Mais que o Lavi.

Trocaram mais um selinho...que logo se estendeu a um beijo de verdade, caloroso, quente e sentido. Interrompido novamente pelo albino, como se ele quisesse relutar contra aquilo.

–Mas eu não posso...- Allen choramingou contra a sua boca.

–O q...?

–Eu não posso, Kanda. Não posso.

–Claro que pode, por que você não pode?- ele soou mais indignado do que queria.

Allen o encarou, a luz branca da lua fazia sombras no seu rosto. Os olhos lacrimejavam, querendo chorar.

–Eu não posso...- resmungou baixo, soltando uma lágrima- não posso ficar com você...

–O quê? Por que não?

A lua e as estrelas pareceram escurecer, o vento diminuiu a força e as folhas nem balançavam tanto para fazer barulho. Ficou um silêncio constrangedor e o escuro banhou o rosto cabisbaixo do pequeno. Ele parecia estar chorando, Kanda queria tocá-lo. Queria apenas...tocá-lo.Estendeu a mão, querendo esfregá-la nos fios incolores, como sempre fazia. O tempo que ele levou para se aproximar pareceu uma eternidade. Estava a centímetros do cabelo.

Mas a mão do albino rebateu a sua.

–Moyas...?

–Não posso...

Ele ainda estava cabisbaixo. Kanda estava preparado para ouvir. Sabia que havia magoado o pequeno, sem voltas e sem desculpas. E iria pagar por aquilo.

–Não posso Kanda...porque...

O moreno respirou fundo, iria ouvir tudo aquilo do menor. E ouviria AGORA.

–...eu- ele continuou, choramingando e soluçando- o mundo...o mundo precisa de mim.

Kanda sentiu tudo desabar........QUÊ?

Allen levantou o rosto antes olhando para a grama. Estava determinado e heroico, como ele nunca teria esperado. As lágrimas haviam secado, não havia vestígios de tristeza alguma. O albino levantou em um pulo, com as mãos na cintura, algo pareceu brilhar ao redor dele. Purpurina, talvez?

–O mundo precisa de mim!- repetiu com entusiasmo.

Kanda encarou aquilo, mais confuso do que poderia estar.

–Eu não posso ficar com você Kanda! O mundo precisa de mim!

Com a frase dita pela terceira vez, ele rasgou a camisa branca e deixou transparecer um tecido azul com detalhes vermelhos, um símbolo de “M” contornado por um trapézio e uma capa vermelha saía de seu pescoço, tremulando, mesmo que a brisa tivesse parado. Era um uniforme de super herói suspreendente.

–O Super-Moyashi deve salvar o mundo dos duendes, antes que a águia careca o domine, Kanda!

Ele disse, como se fosse super óbvio.

De repente as estrelas caíram do céu e um arco íris surgiu, brilhando e despejando cores por todos os lados vindo do fundo da floresta. Parou logo as pés de Kanda.

Algo como um pônei com chifres surgiu rindo e galopando pela ponte colorida, carregando um homem pequenino em suas costas que distribuía flores brancas por onde passava. Ele podia jurar que era um Smurf.

–Eu tenho que ir, Kanda. Salvar o mundo!!

Então ele jogou o gnomo para o meio da floresta, que explodiu em pó dourado, subiu o unicórnio cor de rosa e tirou uma espada de brinquedo do bolso e a apontou para cima, gritou “Pelos elásticos!”. Então, sem sair da pose, galopou em slow-motion na direção do pôr-do-sol... um medley da trilha de superman e de spice girls tocando ao fundo.

Uma paçoca falante ofereceu milho verde com menta no palito para Kanda enquanto ele observava, perplexo, os Backstreet Boys dançarem ragatanga com saias havainas de cor de burro quando foge , então a cena se dissolveu em pozinho mágico azul.

Foi aí que Kanda acordou do pesadelo.

E entrou em outro.

Notas finais
E aí? Gostaram? Comentem ;) Alguém foi trollado pelo sonho? Acho que não haha. Pure Imagination, fic trágica: http://fanfiction.com.br/historia/464859/Pure_Imagination/ deem uma olhada ;), por favor. E, se gostarem, deixem review e acompanhem haha Vejo vocês no próximooo!!!