Notas iniciais
Yey! E aí, pessoas?? o/ tudo bem?? Esse capítulo está menor que os outros, bem pequeno e bem simples hahaha Mesmo assim espero que gostem :3 E por que eu fiz um capítulo menor? Bem, 1º por bloqueio criativo (na verdade eu tinha a história, mas não conseguia passar em palavras :/), 2º tortura (só que não hahaha, como posso dizer... eu queria deixar o resto para outro capítulo para deixar o clima só nesse, algo do tipo haha). 3º fiquei distraída... eu comecei a ler várias fics de repente ( e fazia tempo que eu não fazia uma "maratona de fics") e quando vi... hehehe O calor me deixa com um bloqueio legal aqui... não estou conseguindo escrever como gostaria :/ argh. Bem, boa leitura! :))))

Camões já dizia: “Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente, é contentamento descontente, é dor que desatina sem doer”.

Mas doeu. Se você quer saber, Kanda. Doeu. Doeu muito. Mais do que poderia imaginar em uma vida inteira.

Por sua causa minha vida virou uma antítese, um paradoxo universal e irritante. Porque a dor maléfica que eu senti é a mesma que me faz feliz em sentir que há uma parte de mim em você. E de você em mim.

Porque sou eu, e não outro alguém, que conhece o seu ódio irracional...

E o seu amor incondicional.

–x-

Era como andar no escuro. Eu tentava me agarrar a todas as coisas pela frente desesperadamente. Tudo que minha mão conseguia alcançar. Mas como nenhuma me levava à saída, todas escapuliam por entre meus dedos, desisti de me apoiar. Fiquei vagando sem sentido por aí, deixando a escuridão me envolver. Mas quando eu te vi, eu percebi a luz da melhora brilhando à sua volta. A saída que eu tanto procurava. Agarrei-me com todas as forças...mas com o medo dessa última esperança me deixar.

E de voltar a vagar sem rumo sabendo que havia uma saída.

Eu tinha medo das falsas esperanças que você me daria, moyashi.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO

Kanda estava andando rápido demais para Allen. Ele podia ver o rapaz, em suas roupas quase totalmente pretas, andar metros à sua frente. Ele tentava apressar o passo, mas sempre era superado.

–E-Ei...Kanda- tentava chamar atenção.

O moreno finalmente parou.

–Tsc- virou-se para esperar o garoto que se apressou em pulos pequenos- você sempre é lerdo. Quando a gente saía voc...

E ele notou o que estava prestes a falar. Calou-se. Allen só tossiu para evitar um silêncio constrangedor, mas já era tarde demais.

Voltaram a andar sem dizer nada. Kanda na frente. Allen seguindo.

Enquanto o nervosismo percorria as pernas de Allen, subindo pelo pescoço até os ouvidos, Kanda tinha o dobro de nervosismo concentrado na cabeça.

O que falar, o que fazer... o moreno não tinha a menor ideia. Queria simplesmente deixar fluir, falar o que der na telha...mas se deixasse, as palavras nunca viriam. Estavam fugindo.

Enquanto isso, Allen imaginava que Kanda estaria levando ele para um local deserto para espancá-lo... Afinal, o rosto dele não tinha uma das melhores expressões no momento.

Okay. Muita calma nessa hora.

Kanda inspirou forte, uma, duas vezes. Allen ouviu e estranhou. E estranhou mais ainda quando o moreno subitamente parou e girou os calcanhares.

Estava de frente para ele.

Olhando olhos nos olhos.

Ficaram por um bom tempo assim, se encarando profundamente sem nenhum significado aparente. As pessoas passando por eles normalmente e entrando na loja de roupas ao lado.

Allen não aguentou e começou:

–Er...Kanda? Eu... tenho que voltar pra lá... se você não se importa...

Mas ele não desviou o olhar. Pelo contrário, as sobrancelhas se contraíram. Ele intensificou o olhar.

–Ok...- Allen disse, com um pouco de medo- então... vou indo. Tchau.

Querendo sair dali o mais rápido possível, Allen acenou rapidamente e girou rápido o corpo, na direção oposta a qual estavam indo. Pensou que tinha se safado quando correu os primeiros passos, mas as mãos de Kanda puxaram-no pela camiseta de volta para o lugar onde estavam.

–Ai- gritou- quase me enforcou, Bakanda!

Só depois percebeu o que disse. Tinha gritado com ele e ainda por cima usado o apelido detestável. Allen pensou que estaria morto em uma questão de segundos.

Enquanto se despedia mentalmente de seu pai, conhecidos e amigos, Kanda soltou seu pulso.

E quando Allen olhou novamente, as sobrancelhas não estavam franzidas. O rosto não estava bravo. Estava triste. Culpado. Desesperado.

Isso simplesmente prendeu os pés de Allen no chão.

–Eu... preciso falar com você.

–C-Comigo...?

Kanda olhou bem para o garoto, o que estava evitando fazer até agora. A aparência, caso vista tão sentida quanto o moreno observava, estava pobre. Precária. As olheiras, que deveriam estar bem mais marcadas antes, estavam sumindo agora, e os olhos estavam brilhando como se quisessem derramar-se em lágrimas naquele momento.

“Merda”, pensou.

–Olha... eu...

Ele começou a dizer. Mas estavam em um lugar cheio demais para ele começar a soltar suas mágoas. Bufou em desagrado.

–Vem comigo- disse, agarrando o pulso do pequeno novamente.

E dessa vez ele não resistiu, não tentou puxar-se de volta enquanto era arrastado para longe. Kanda se perguntava se ele tinha ser rendido por medo ou por piedade. Talvez curiosidade...

Foram parar em um parquinho. Naquele fim de tarde, estava deserto. Os balanços coloridos sustentados por correntes pouco enferrujadas balançavam solitariamente com o vento, as gangorras de cores vivas e desbotadas jaziam quietas no chão de areia.

Allen sentiu Kanda soltar seu pulso, então andou calmamente até sentar no balanço. Sentia-se mais confortável com o corpo movendo para cima e para baixo, para frente e para trás, pelo menos assim o rangido do brinquedo deixava o silêncio menos constrangedor.

–Queria falar comigo?- disse, depois de reunir toda a coragem possível.

Kanda, que até então encarava a paisagem do pôr-do-sol com tanta atenção, virou-se surpreso com a iniciativa.

–Sim...

–Hm...

Mais silêncio.

–Como está o seu quadril?

–Hã?? Ah, bem. Quer dizer, ainda dói um pouco, mas tá bem melhor que de noite- riu.

Kanda sentiu uma pontada forte.

–Eu vou matar o Lavi- murmurou.

–Quê?

–Nada, não.

Silêncio. Kanda gemeu em frustração. Odiava o fato de nunca conseguir reunir forças o suficiente para falar. Não sabia como falar. Com o que começar. Havia brigado com ele tão de repente. E havia decidido voltar atrás tão de repente quanto. Créditos ao Alma, claro.

E isso o lembrou que Alma estava pronto para acabar com ele se não resolvesse o problema.

–Vou ser simples e direto- Kanda disse, um tanto agressivamente- eu peço desculpas pelo que eu disse. Eu não quis dizer aquilo tudo. Eu quero voltar a ficar com você.

Allen olhou surpreso e sem palavras. Até Kanda se surpreendeu, ficou o tempo inteiro escolhendo as palavras que diria, um discurso de pelo menos dez minutos para explicar. E ele resumiu em quatro frases... Allen ainda não conseguia dizer nada. Sorriu brilhantemente com a insinuação. E Kanda sentiu o coração esquentar com isso.

–Topa?

E Allen sorriu novamente.

–É claro que...- esticou ainda mais a boca em um sorriso de canto a canto- NÃO.

E Kanda quase se deixou cair de rosto no chão. Só o rangido do balanço como som de fundo na cena constrangedoramente inesperada. Pelo menos pelo Kanda.

–Como??- o moreno perguntou, confuso.

–Eu disse que não.

Tá, agora o moreno tinha total certeza de que havia ferrado a situação. Tinha estragado toda a relação.

Perdeu para Lavi.

–Kanda...- Allen continuou, como se fosse necessário.

O moreno esfregou os nós dos dedos nos olhos. Estava querendo não explodir ali, naquele momento. Quer dizer, ele poderia tanto sair por aí destruindo as coisas quanto chorar desesperadamente. E ele estava com muito medo de acabar na segunda opção...

–Kanda...você é do mal.

E ele continuou esfregando os olhos.

–Você usa as pessoas. Você mente descaradamente para depois jogar a mais pura verdade com toda a agressividade na nossa cara. Você é impulsivo, violento, grosso, rabugento. Você me dispensou. Você me odeia. Você disse coisas que eu nunca gostaria de ouvir...Mas eu sinto que isso também não passa de egoísmo meu, afinal, você teve coragem de admitir coisas sobre mim que eu mesmo não queria. E eu me magoei. Muito. Muito mesmo. Doeu muito. Ainda dói, toda vez que penso no que você disse, no que você fez. No quanto fui feito de brinquedo, enquanto você ria pelas minhas costas. Ria da minha felicidade. Estava me desprezando. Você disse palavras doces. Tão doces... E eu acreditei. Como um idiota. Eu não perdoo nenhum de nós dois por isso. Você...você realmente conseguiu fingir que sentia algo. Conseguiu fingir que estava feliz. Mas eu estava. De verdade verdadeira. Meu coração se espalhou em mil pedacinhos miseráveis e ridículos depois daquilo, eu não suporto o fato de ser o único pensando que era importante a relação. Eu não suporto o fato de que tudo aquilo não passou de uma farsa. Eu te odeio. E te odiei tanto... tanto...

Ele começou a soluçar. Mas Kanda ainda absorvia cada palavra como se fosse um soco. Vários, na verdade. O moreno sentiu que o pequeno realmente não tinha palavras que descrevessem o ódio. Elas se perdiam em meio ao choro contido.

–E agora você vem com uma coisa dessas? Voltar? Para ser feito de brinquedo? Para se sentir sozinho? O que foi? Precisa de mais sentimentos alheios para poder rir? É isso? Eu não suporto mais. Não suporto. Eu me senti morrer, enganado. E se isso acontecer de novo...eu quebro. Em mil pedaços irrecuperáveis. Eu me perco. E você perde um brinquedo novinho.

O garoto engoliu choro.

–Eu não gosto de ser o único a sair ferido. Mas eu também não queria que você se ferisse. Argh, eu odeio isso. Odeio. Odeio.

Ele suspirou, olhando para o céu escurecendo para que as lágrimas não caíssem.

–Odeio amar alguém assim.

Kanda sentiu um tremor invadir seu corpo. “Amar”. Ele conhecia esse sentimento. Foi o que sentiu ao lado do pequeno, em cada momento, cada sorriso, cada palavra que ele sentia dele, o coração dele pulsava gritando amor.

–E quando eu finalmente me senti confortável... quando Lavi conseguiu juntar alguns cacos...você aparece assim. Eu devo ser um condenado... Eu... gostaria de viver em paz sem ter que sentir esse tipo de coisa.

Kanda odiava perder. Odiava demais ter que entregar algo que era dele.

Mas, naquele momento, enquanto sentia o garoto choramingar a sua frente, pensou no sofrimento que ele passara. Será que ele poderia curá-lo? Será que ele não faria acontecer de novo? Talvez fosse melhor deixar ir. Libertar alguém do incômodo que ele era...

...só que não...

O sensação de possessão fez muito mais sentido no momento, quando ajoelhou-se em frente ao pequeno e abraçou sua cintura. Allen enxugou as lágrimas que embaçavam a sua visão para ter certeza do que acontecia a sua frente, só conseguiu visualizar os cabelos negros afundados em seus joelhos dobrados.

–Kanda...?- disse, ainda soluçando- você caiu?

E ele não respondeu. Allen tinha uma vontade quase irresistível de massagear os cabelos macios do maior. Conteve os dedos antes que se afundassem na cabeleira e se entregassem ao momento.

–Sabe... Você tá apertando forte demais... meu quadril tá doendo... meu quadril ainda tá um pouco roxo dos lados.

Dos lados?

Os olhos confusos de Kanda voltaram-se para os prateados acima de si. O albino levou um susto quando se encontraram. Mas o clima que estava depressivo deu uma pequena trégua.

–Você virou masoquista?- Kanda perguntou indignado.

–M-Maso... Como assim???

–O Lavi te bateu enquanto transavam ou algo do tipo?? Eu achei que você não gostasse desse tipo de coisa, moyashi.

Allen ficou vermelho estilo tomate maduro. Não sabia se era pela insinuação ou por ter ouvido seu apelido...Pelos dois motivos, talvez.

–Quê?? Eu não fiz esse tipo de coisa com o Lavi! O maldito me empurrou da cama!

Kanda parecia mais confuso que nunca.

–Cama?

–É a gente estava pulando na cama e...BAM, o maldito me empurrou e eu bati no chão com tudo... Meu quadril e meu braço ficaram roxos, olha.

Ele puxou a manga da camiseta exibindo, irritado, a marca roxa, vermelha e amarela perto do cotovelo.

Kanda se sentiu extremamente idiota.

Queria bater em si mesmo até perder a consciência e se jogar em um buraco fundo.

Mas queria bater muito mais no Lavi. Ah, ele ia ver só amanhã...

Quem recebeu o soco foi o Allen. De leve, no ombro. E o albino, que há tempos já esperava levar uma surra, quase se jogou no chão, antes de perceber que não doeu quase nada. Estranhou.

Kanda encarou o chão, incrédulo, os joelhos já doendo de tanto ficar ajoelhado na areia dura.

A culpa era de Alma. Tinha certeza. O moreno caiu direitinho na armadilha. Ele, que havia há tempos, jurado e acreditado que nunca mais seria manipulado pelo amigo. A raiva e o alívio crescendo no seu peito a ponto de quase estourar.

Mas ele riu pelo nariz, assustando ainda mais o albino.

Bem, agora que a situação já havia caído até o fim do poço e a situação estava vantajosa para ele... por que voltar atrás no plano de Alma, certo?

Sentiu que Allen ia levantar, então apertou ainda mais os braços na cintura dele. Agora, não ia escapar.

Kanda agarrou algo que viu próximo ao brinquedo. Quando levantou o braço bem alto, Allen pensou que levaria outro soco. Fechou os olhos esperando, mas só sentiu a mão tocar sua bochecha úmida e secá-la, calmamente, de um jeito tão bom... ele quase voltou a chorar de novo. Foi então que as palavras abafadas vieram à tona, Kanda disse:

–Desculpa.

O albino perdeu a vontade de sair dali. Pensou que só poderia ser uma peça pregada pelo seu cérebro... Kanda pedindo desculpas?

–Hã??

Kanda verificava uma lista em sua mente. De joelhos. Check. Se desculpando. Check.

Alma podia ficar feliz, havia pedido desculpas de joelhos.

Mas ele mesmo ainda não estava feliz o bastante.

–Eu disse: desculpa- confirmou, olhando direto nos olhos do pequeno.

–Isso é...?

–É sincero. Eu juro.

Ele suspirou. Tinha que falar tudo.

–Eu menti. Tudo aquilo que eu disse. Eu não sentia aquilo que eu disse. Eu não...te odeio... bem, talvez um pouco... mas isso não vem ao caso. E eu não te acho um covarde. Você é corajoso, você aguentou tudo aquilo e ainda está aqui. Vivo e sorrindo. Eu não fui capaz disso tudo. Eu me tranquei pra vida e fiquei esperando morrer. É só que...

Kanda sentiu o gosto amargo das palavras na garganta. Ele odiava falar assim, mas se sentia mal por sempre usar um tom monótono na fala como estava fazendo. Fazia parecer que estava indiferente, mas ele estava longe disso.

–Kanda, você quase matou pessoas.

–É um mau hábito. Muito mau. Eu sei disso, mas... eu senti que era eles ou eu mesmo. Eu não consigo controlar isso. Eu encontrei ela e...

Allen estava surpreso por ver o rapaz falando normalmente, sem xingar ou se irritar. Estava se abrindo. Talvez fosse a segurança do rosto escondido entre seus joelhos. Ou a força do momento que o impulsionava.

Mal pensava que era ele mesmo quem o impulsionava a falar.

–Eu peço desculpas... mil e uma desculpas... Eu me senti muito mal. Eu pensei que você e o maldito usagi estavam transando. Eu achei que não tinha mais volta. Eu sei que não tem como voltar, mas...

Ele ficou em silêncio, mas Allen não se incomodou. Para alguém que nunca se abre, não esperava que de repente fosse soltar todas as palavras pra cima dele. Isso, sim, seria assustador.

Kanda suspirava a cada frase, como se estranhasse o fato de falar assim. Não era do seu feitio pedir desculpas ou coisas do tipo.

–Você não é meu brinquedo. Não era e nunca vai ser.

Allen se sentiu um pouco magoado, mas aguentou. O moreno esperou até juntar a certeza e coragem necessárias para falar.

–Você era meu namorado- Kanda completou, quase trincando os dentes por ter que falar algo vergonhoso assim- e eu esperava que continuasse sendo.

Ele sabia que era um pedido egoísta. Não conseguia dizer em voz alta o que pensava, mas sabia que era egoísmo um pedido desse tipo. Pedir que ele continuasse do seu lado, apesar de saber que vai acontecer de novo. Vão se machucar. Allen iria sair ferido, porque isso, sim, é do feitio dele. Machucar os outros e dar no pé. E se, da próxima vez for irreparável?

Vai fazê-lo chorar de novo. Se sentir como lixo. Sem volta. A segunda chance é a última.

E falou, apesar de saber que era incapaz de dizer as três palavras mais importantes.

Seu orgulho falava mais alto que a necessidade de mantê-lo ao seu lado. Odiava ser orgulho egoísta e ciumento que não deixava nada tomar lugar dele em palavras felizes e calorosas.

Ele estava disposto a tentar, pouco a pouco, fazer seu orgulho ser engolido e dar lugar a uma vontade melhor.

Só precisava da confirmação.

Um sim.

Mas tudo que recebeu foi um talvez.

E ele entendeu.

–Não posso de repente ficar com você, Kanda.

E o moreno engoliu em seco.

–Ainda dói. Mas...- suspirou- vou pensar, vou experimentar. Quem sabe eu logo possa estar com você.

Os olhos de Kanda, que ele fez questão de esconder, estavam brilhando intensamente. Pareciam pérolas negras iluminadas pela lua, irradiando felicidade de uma segunda chance garantida. Apesar de não poder, ainda, estar oficialmente com ele, estaria ao seu lado, dando o melhor.

Podia levar o tempo que quiser. Ia tentar o máximo e espantar o orgulho bobo que carregava, para ser capaz de demonstrar.

O quanto o ama...a...amav... tá, ainda não conseguia dizer isso, nem em pensamento. Ele sentia calafrios. Palavras melosas...Argh... Impossível.

Allen levantou, os braços de Kanda caíram ao lado de seu corpo, os dedos sentiram a areia em suas pontas e deslizaram pelo chão. E ele levantou. Tanto tempo ajoelhado o fizera esquecer que era maior que o pequeno.

Mas se sentia capaz de ajoelhar novamente e pedir desculpas, só para ganhar pontos com o garoto.

–Um dia- Allen disse- você me conta os seus problemas, ok?

–Tsc.

–Vish, voltou ao normal...- resmungou.

Kanda até pensou em responder de modo grosseiro. Mas se segurou para não o fazer.

–Okay, okay- resmungou baixo para si mesmo.

Esfregou os dedos nos cabelos platinados do menor, como queria tanto fazer desde que o encontrou. Não, desde que ele fugiu de si naquele dia.

E, sem que o menor lhe desse permissão alguma, encostou seus lábios nos dele em um selinho nem tão forte e nem tão rápido. Contentou-se sentindo o corpo de Allen ficar tenso perto dele quando tomou essa ação.

Afastou-se com um sorriso satisfeito esboçado, mas escondido, que aumentou ainda mais com o rubor perfeito nas bochechas do pequeno.

–Então...- disse, se virando para esconder o sorriso- vamos embora.

–Argh, Bakanda!- ouviu-o gritar atrás de si, enquanto se afastava rapidamente em direção ao café- ninguém de deu permissão!!

–Eu sei...- sussurrou para si, enquanto o céu escurecia mais e mais.

“Agora é guerra, usagi. Eu também estou no jogo.”

Notas finais
Gostaram? Não gostaram? Me digam por review! :3 Percebam que o Kanda vai ter que trabalhar pra conquistar U-U e que nem tudo foi resolvido. Eles ainda não estão totalmente em bons termos! Tem muito a conversar ainda hehehe Até o próximo o/ :3