Bad Boy
27 Extra: Escadas e Quarto 25.5
Notas iniciais
O rosto de Allen estava fervendo. Sentia das orelhas até a nuca esquentando e nem as mãos podiam esfriá-las por mais que tentasse usá-las em contato com a pele. Elas estavam quentes também e suavam. Imaginava sozinho o que Kanda pensava disso, mas se olhasse para trás, alguns degraus abaixo de si, veria que a sua situação não diferia tanto no japonês.
–Tsc- ele resmungou enquanto subiam, sentindo a maldita fervura e o maldito rubor cobrindo várias partes de seu corpo. Suas mãos formigavam e quase avançavam.
Foram tempos de abstinência quase totalmente soltos e largados alguns minutos atrás, em um simples beijo caloroso, que cheirava a maresia e saboreava desejo. O japonês evitava olhar para frente e o albino para trás. Quem visse, poderia pensar que eram inimigos que acabaram por puro azar pisando em uma mesma escada no hotel e agora tinham que suportar a presença um do outro enquanto subiam.
Ué, mas isso não é simplesmente o que acontece com os dois? Metaforicamente falando, é uma boa descrição.
Allen tinha sempre passos apressados. Kanda, passos receosos. E talvez por isso nunca chegavam a estar em um mesmo degrau.
O japonês nem mais contava os andares, mas tão pouco sentia vontade de torcer para que o outro estivesse atento aos números. Quando chegassem lá em cima, poderiam encontrar presenças nada satisfatórias, como Tiedoll, Lavi, Alma e Kevin, o mordomo, e acabariam por ter que aguentar tagarelices e brincadeiras irritantes.
Só foi se repreender, quase com um tapa, quando percebeu que em sua mente ansiava por um momento sozinho de novo com o albino. “Sem pensamentos melosos”, pensava, mas depois de via repreendido de novo, “Bem...pensamentos pervertidos talvez valham”. E depois realmente pensava que devia se tacar da escada e morrer antes que viesse coisa pior.
Olhou de relance, sem mais aguentar se segurar e tudo que viu foi a vermelhidão crescente no rosto do albino. Algo pulsou em algum lugar de si e ele sentiu uma vontade quase impossível de ser contida crescer dentro dele. A temperatura aumentou em seu corpo e ele estava decidido a ignorar.
“Droga”, pensou tentando se segurar para não pular no garoto naquele momento e devorá-lo na escada, “nem sei mais quem está corrompendo quem...”.
Sem perceber, estava apertando o passo e subindo de dois em dois degraus. Eles iriam arrumar as malas e ir embora dali algumas horas depois, mas nem era por isso que estava aumentando a velocidade para subir.
Allen , por sua vez, estava entretido demais em subir degrau por degrau que nem notou o modo como o outro de aproximava. Mas antes do moreno alcançar o albino, as escadas necessárias já haviam terminado e estavam no andar que precisavam. Terreno plano...e sem chances de observar a certa bunda rebolante de alguém alguns degraus acima...
“Droga”, Kanda se estapeava mentalmente, “Pare agora!”.
O pequeno suspirou, sentindo as pernas doerem por causa da subida. O quarto ficava ao fim daquele corredor e ainda haviam quartos desocupados, de portas abertas para mostrar o interior e com um cheiro bom de limpeza invadindo o ar.
A gargalhada de Lavi se derramou no corredor como uma avalanche, assustando os dois, mas frustrando ainda mais o moreno que no fundo ainda possuía a esperança de encontrar o quarto vazio para usar com o menor.
Ele tinha a leve sensação de que deveria concluir esse desejo antes que seus pensamentos o obrigassem a esquecer essas sensações por causa de puro medo.
–Eles estão lá ainda-Kanda disse, somente porque não sabia o que fazer com o garoto parado no meio do corredor. Tentou não transparecer o desapontamento, mas nem soube se tinha tido sucesso.
–É...- o garoto disse, subitamente sentindo o rosto esquentar ainda mais e a voz decair o tom- ainda estão...
O japonês suspirou, pensando nas coisas que ouviria quando entrasse por aquela porta. Tiedoll iria choramingar, Alma iria bater nele com alguma coisa e Lavi...Lavi seria Lavi e ficaria rindo como um retardado. Como sempre, achou que seria melhor acabar logo com aquilo.
–Vamos...- Kanda bateu em seu ombro, enquanto, ainda em passos lentos, o ultrapassou para se dirigir ao quarto.
–Tá...- os passos de Allen soaram atrás dele, bem devagar como nunca eram.
O japonês se virou para ver se tinha algo errado.
Não tinha algo errado. Tinha algo muito certo.
Kanda arregalou os olhos quando viu o rubor ainda maior no rosto de Allen, a relutância em andar clara nas pernas lentas e os olhos que se desviavam para fora daquele lugar como se ele fosse a própria medusa. Tudo aquilo gritava “FOFURA!” e Kanda não podia deixar de atender o chamado.
Não do jeito que ELE se encontrava no momento.
Sem pensar suas vezes, girou nos calcanhares e agarrou o pulso do garoto com força.
–Eh?- Allen se assustou ao sentir os dedos se fecharem em sua pele e puxarem seu corpo para o lado ao contrário ao que iam- Kanda?
–Cala a boca e só anda.
Foi quando o albino percebeu o quão vermelho o japonês estava. Sentiu-se abrindo um sorriso, só de pensar na cena em que passavam.
Kanda estava atento aos lados. Percebeu um quarto vazio enquanto passavam e não hesitou em atender as primeiras duas ideias idiotas que passavam em sua cabeça antes que desistisse.
Puxou-o para dentro do lugar, fechou a porta em um chute e respirou fundo.
Antes mesmo que Allen pudesse perguntar algo ou reclamar de ter sido jogado dentro de um lugar, o japonês estava decido a não se perder em pensamentos e seguir as sensações primárias que surgiam como uma erupção dentro dele. Kanda empurrou o corpo pequeno de encontro à parede e grudou os lábios com uma sede e força que nunca antes tinha usado. Apesar de surpreso e incerto, o albino aceitou em três segundos de insegurança, quando pegou a nuca do maior com a mão para puxar para mais perto os lábios que se pressionavam.
Não demorou muito para escorregarem as línguas. Era macio, era bom, era confortável . As mãos desciam e subiam no corpo alheio, tentando chegar ao máximo de contato que podiam.
Kanda se afastou, ofegante, dos lábios avermelhados, subitamente sentindo vontade de mais uma vez de juntá-los quando viu como era bonito daquele jeito que via, de olhos fechados, boca entreaberta, de cabelos bagunçados, completamente pronto para qualquer coisa que fizesse.
Subiu o joelho para a parte íntima do garoto, vendo como ele se contorceu ao simples toque.
Estava excitado. E Kanda não estava lá muito melhor.
O albino esfregou os dedos nos cabeços negros, fazia tanto tempo que queria fazer e não podia. Os dedos habilmente tiraram a camisa do moreno, passando as unhas pelo peitoral e abdômen com uma saudade transparente. Desceu as mãos para o cós, querendo arrancar a calça naquele momento e engoli-lo. Kanda observava atentamente cada movimento do albino, sentindo crescer sua “animação” lá embaixo.
O japonês beijou seu pescoço com tal ternura que não pensava que sentiria, já que ele estava sempre a agir com certa violência mesmo nesses momentos. Os lábios subiram para as bochechas, roçando-se na pele alva, e lamberam o ouvido. Mordiscou o lóbulo antes de sussurrar roucamente:
–Cama?
Allen respirou fundo, sentindo-o escorregar a língua novamente em seu ouvido. Apertou suas costas e quase afundou as unhas na carne tão cobiçada. Como, em algum momento, poderia recusar coisa do tipo? Queria sentir o moreno de qualquer jeito que fosse, só tinha que ser rápido. Tinha se sentido solitário nos últimos dias, sozinho demais para recusar. Suspirou, soltando um gemido miado, que saiu sem querer, antes de responder o que já era certeza:
–Si-
–E aqui- uma voz distante vinha do corredor e alarmou os dois- temos alguns quartos disponíveis que você pode usar, siga-me...
Os dois se afastaram e se encararam em um plano silencioso.
Rapidamente, Kanda pulou para colocar sua camisa de volta, Allen desamarrotou suas roupas com as mãos e ambos tentaram organizar os cabelos ao mesmo tempo.
Os passos ficavam mais próximos, mas, por sorte, eram lentos o bastante para se organizarem.
Os dois se entreolharam com pena nos olhos, ambos ainda tinham seus desejos e ereções vivas que teriam que ser resolvidas no banheiro e sozinhas. Kanda sentia uma raiva enorme por ter sido interrompido e por pouco não saía e enfiava as unhas nos olhos das pessoas que se aproximavam.
“Pelo menos não estávamos na cama”, Allen pensou, respirando fundo e observando como Kanda tirava o elástico para prender o cabelo de novo,“senão...será que... seríamos capazes de parar no meio do ato?”
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