Bad Boy
6 Cigarro
Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo haha. Eu provavelmente vou postar dois esse semana, afinal eu provavelmente vou viajar semana que vem...
Agradeço mais uma vez pela recomendação!!!o/ Que agora são duas *-* !!!!! Da Nyarou Maneko!! Obrigada!!! Sério.
Enfim, as coisas já estão se movendo na fic. Pelo menos é o que eu acho. Não vai demorar para as coisas realmente esquentarem.
Boa leitura!!!
-Royal Straight Flush...Otários!
Kanda encarava pasmo o Allen, que de deliciava em gargalhadas sobre a (milésima) derrota de seus oponentes. Os homens, que já sentiam falta de suas roupas usada como apostas perdidas contra o albino, jogaram suas cartas medíocres para o alto, uivando em frustração, principalmente por estarem apenas com suas cuecas em seus corpos.
-Ei, usagi- o moreno chamou Lavi, que sentava o mais perto possível de Allen- o que aconteceu com o moyashi...?
-Bem...- o ruivo deu de ombros- ele disse que era um trapaceiro, mas...
-E ele não mentiu- Cross fumou seu vigésimo cigarro da noite, estava com várias garotas jogadas aos seus lados do sofá onde sentava.
-Você ensinou Allen a trapacear?- o ruivo se espantou, jogou seu corpo para frente tentando ter certeza de que ouviria a resposta.
-Bem, não exatamente. Eu dei a opção, ele que se enfiou em bares de apostas para descobrir os truques.
-Moyashi...- Kanda sussurrou, observando o albino colocando suas melhores cartas na mesa mais uma vez- interessante...
Alma se jogou com uma cadeira ao lado de Kanda.
-Achou o Allen interessante, Yuu?- disse.
-Não. Achei a habilidade interessante.
-Hm...mas ele parece um pouco com o Krory nesse aspecto, não acha?- o garoto olhou para o homem pálido com aparência vampiresca que se encolhia em um canto- quer dizer, ele era de um jeito mais comportado e agora tá mais...malvado, dark...
-Sexy.
Kanda olhou indignado para Lavi que deu o comentário. O ruivo não desviava o olhar do pequeno, em sua milionésima vitória. O moreno voltou a analisar o albino, pensando no comentário do caolho.
Allen recolhia seus ganhos na mesa, aos protestos dos homens ao redor. Estava virado de costas para Kanda, mas mesmo assim, quando pegava as moedas e objetos colocados à sua frente, o moreno tinha uma visão mais que perfeita do seu perfil.
Um sorriso diferente delineava sua boca, puxando seus lábios apenas em um canto e fazendo suas maçãs do rosto apertarem um de seus olhos. Poderia achar fofo, mas aquele olhar que encontrou nas íris prateadas era tão sádico e anormal para o albino que fascinava o japonês...mais do que se deixaria permitir.
O tom das risadas eram graves e diabólicas, tanto que Kanda não saberia que reação deveria ter ao ouvi-las saindo daquelas bocas rosadas. Então, incrivelmente, sorriu quando seus olhos encontraram os dele.
-Olá, Bakanda- o albino disse, enquanto suas mãos embaralhavam magicamente as cartas, jogando de uma mão a outra- não quer jogar também?
-Não- respondeu divertido- não quero falir.
O albino apenas sorriu, para voltar sua atenção à distribuição das cartas.
-Vamos continuar?- falou para os homens na mesa, que tentavam esquentar os corpos com as mãos, já que quase todas suas peças de roupas foram entregues como apostas ao garoto.
-Pensei que fosse um garotinho idiota- um deles cochichou para o outro.
-Eu também!- o outro respondeu- parecia um menininho ingênuo.
-Nós nos enganamos- disse um terceiro- acontece que ele é um profissional!
— Pior- outro disse- ele está cobrindo as dívidas de Cross Marian!
-Quê? Aquele Cross Marian? O vagabundo que pega todas as mulheres e todo nosso dinheiro?
-E ainda anda com Yuu Kanda- sussurrou.
-Aquele cara que parece assassino?
-Não me surpreende que talvez seja... é um delinquente briguento e forte. O garoto tava com aquele bando de vagabundos que o seguem .
Allen bateu a mão com força na mesa.
-Vão ficar fofocando aí ou podemos voltar a jogar?- disse- não me agrada que fiquem cochichando sobre meus amigos durante o jogo.
-Não sou seu amigo...- Kanda sussurrou para si mesmo.
Os homens se entreolharam desesperados, sob o olhar maléfico e sem emoção de Allen. Kanda ainda se perguntava se aquela era a mesma pessoa que veio implicar com ele sobre a bebida uma hora atrás.
Um homem suava frio quando balançou a cabeça.
-Não temos mais o que apostar...- disse
-Ah, não?- Allen fingiu uma preocupação um tanto irônica- ora, ora, então parece que o “menininho ingênuo” ganhou.
Allen sorriu ao ver o maior homem da mesa tremer de frustração e raiva.
-Ah, não- Cross tirou as garotas de cima com as mãos e estava se levantando desesperadamente do sofá, sob o olhar confuso e atento de Kanda, Alma e Lavi.
-Bem...- Allen encarou sorridente o grandalhão- se quiserem podemos continuar. Ainda tem órgãos para apostar, eu aceito. Vamos começar com os rins, pode ser?
O homem bateu os dois punhos na mesa, que quase quebrou ao meio com a força do impacto dos braços musculosos.
-Não vamos apostar nada!- gritou, mesmo que Allen não se surpreendesse. O garoto continuou com a mesma expressão.
-Hm...- o albino resmungou, antes de começar com as gargalhadas.
-Devolva nossas coisas!
-Foi uma aposta- o garoto explicou- vocês perderam, eu ganhei. Tenho o direito de ficar com elas.
-Você trapaceou!
O albino riu mais uma vez. Cross estava de pé, mais ao fundo, ouvindo e observando atentamente cada pedaço de suas falas.
-Como se vocês também não tivessem trapaceado- o garoto acusou- mas que sujo, hein, trapacear contra uma criança tãããão inocente...
Foi o limite para o homem. Ele bateu mais uma vez na mesa com as veias saltando de seu rosto e de seus braços, o rosto contorcido e vermelho de raiva, como se estivesse prestes a explodir. Cross afastou um pedaço de seu casaco gigante, para agarrar algo que estava preso em seu quadril.
O homem derrubou mesa , sacou uma arma debaixo da cadeira onde sentava e apontou rapidamente para o garoto, que, com o mesmo rosto inexpressivo, jogou o tronco de leve para trás em um leve susto.
Tão logo o brutamontes fez isso, foi impedido de completar a ação. Cross havia retirado um revólver que estava preso em seu quadril e apontava para seu corpo, algo que seria bem perigoso considerando que com um corpo tão grande como o dele a chance do tutor errar a mira era mínima. Mas não era isso que ameaçava o homem, e sim a katana apontada para o seu pescoço.
-Eu pensaria duas vezes antes de apertar o gatilho- Kanda segurava a katana com força, girou um pouco a ponto de cortar de leve o queixo do homem e fazer escorrer um filete de sangue pela lâmina brilhante.
-Você foi rápido, Yuu Kanda- Cross disse enquanto escondia seu revólver novamente.
-Acho que você que foi devagar demais- respondeu.
Kanda sentiu o seu sobretudo sendo puxado. Sem tirar a mão firme da espada, virou a cabeça e se deparou com o Allen. Não o “Dark Allen” que viu há pouco. Seus olhos voltaram a ficar grandes, claros e brilhantes como sempre.
-Kanda!- disse desesperado- tá tudo bem! Vamos embora! Acho que ele entendeu o recado.
O moreno olhou estranho para o garoto. Mas antes de tirar a katana do pescoço do grandalhão, deu um último olhar de aviso, que o fez tremer de medo e se afastar, ainda encarando o albino, seu tutor e o moreno.
-Então vamos- Kanda avisou os outros companheiros com um aceno, que estavam espalhados em cadeiras, e empurrou o albino para frente, em direção à porta, longe dos olhares admiradores e ameaçadores que outros rapazes lançavam a ele.
-Ah, mestre!- Allen chamou, mesmo que o moreno o empurrasse rapidamente pelos ombros para a porta- o que eu ganhei tá naquela bolsa perto da cadeira. S-Se não quiser as roupas deles pode devolver...
-Não- Cross respondeu pegando a bolsa em mãos- vamos ficar com as roupas. Eles merecem ficar pelados por aí, por causa do grandalhão. Bom trabalho, Allen.
O albino sorriu, enquanto Kanda jogava uma nota no balcão para Tyki.
Lavi alcançou os dois, que já estavam fora do bar, acompanhado do resto da turma.
-Allen!!- choramingou quando se jogou no garoto- pensei que você fosse se machucar!!
-Não se preocupe, Lavi. Isso acontece bastante. Acho que as pessoas não ficam muito felizes em me ver extorquindo dinheiro delas... Mas acho que meu “lado negro” sempre tem tudo sob controle.
-Lado negro...?- Kanda perguntou- então você é que nem aquele outro idiota ali- apontou para Krory.- duas personalidades.
-Por que “apontar” para “eu”?- Krory perguntou assustado com seu típico sotaque e palavras erradas- você “ser” como eu?
-Acho que é algo parecido- Allen respondeu- mas qual delas você prefere? Digo, personalidade.
Kanda olhou sem resposta para o garoto antes de olhar espantado para Lavi, também. O ruivo estranhava a pergunta e deu de ombros.
-A do poker é bem mais divertida e menos irritante do que essa.
O moreno respondeu, completando com apertos fortes na orelha do albino, puxava o garoto para começarem a andar em direção à rua e logo saírem do beco onde estavam.
Allen abaixou a cabeça tão logo observou a rua novamente. Isso lhe dava uma má sensação, toda vez que olhava ao seu redor e seu via naquele lugar.
A rua estava bem mais cheia que algumas horas atrás, quando corria ao lado de Lavi desesperadamente para chegar ao bar. E agora que tinha toda a calma para observar o lugar, se sentiu desesperado.
As poucas luzes que iluminavam, davam um aspecto fúnebre e triste, alguns postes de luz não funcionavam ou apenas piscavam de vez em quando. O que fazia Allen ficar mais receoso em sua caminhada. E se encolhia mais a cada olhar estranho que recebia, talvez por sua aparência exótica ou pelas roupas comportadas que usava.
Tão receoso estava que trombou com um senhor, que fedia a coisas que ele não conseguia distinguir e que ele desejava não sentir nunca mais. Trombou com mais pessoas em farrapos e achou que estava prestes a morrer, pelo jeito que o encaravam a toda hora, ou desmaiar, pelo cheiro horrível que invadia seu corpo e o fazia sentir pontadas em sua cabeça. Lavi, Daisya, Krory, Marie estavam mais a frente e não conseguia vê-los no meio da multidão que passava no momento.
Algo o puxou pelo colarinho.
-Oe- Allen viu a luva escura de Yuu Kanda segurá-lo por sua roupa e guiá-lo ao seu lado- se você se perder nunca mais vamos te achar. Ainda mais um baixinho de um moyashi como você. Então, ao invés de ficar andando por aí que nem um maldito peru maluco perdido eu sugiro se apressar.
-Tá, tá. Não precisa me puxar.
Em um empurrão, Kanda deixou de puxa-lo. Allen massageou o pescoço, tentando ao máximo andar ao lado do moreno.
A multidão foi diminuindo, e logo estavam em uma rua com apenas algumas poucas pessoas, além de seus companheiros que estavam mais a frente.
-Yuu!! Allen!!- Lavi acenou- achei que tinha perdido vocês dois... De repente eu olho pra frente e o Yuu tinha sumido.
-Fui buscar o moyashi- apontou para o albino ao seu lado- o idiota tinha se perdido de novo.
-Se o Allen não se perder, não é o Allen- Lavi resmungou.
Allen respirou profundamente, aliviado por ter conseguido sair dali vivo (algo que, por um momento, achou que seria impossível). Estar em um lugar mais vazio, ainda que a rua fosse tão igualmente suja e escura, o fazia sentir capaz de sentir ar puro. Mesmo que isso não parecesse existir por aqueles lados. Então quando teve a chance puxou bastante ar em um suspiro demorado e frio.
Kanda começou a andar, seguido pelos outros. O albino foi acompanhar, mas ao dar um passo, tropeçou em algo que o fez pender para frente. Olhou para baixo e percebeu que havia pisado em um monte panos. Ouviu ao seu lado o tilintar metálico, virou seu rosto rapidamente e se deparou com um velho senhor, de barba mal feita e cabelos bagunçados. Seus olhos estavam caídos, mas Allen percebeu que lhe faltavam cor, indicando a cegueira, e ele mal se mexia, apenas para balançar a lata com duas ou três moedas.
-Moyashi!!- Kanda voltou correndo ao perceber a falta do albino.
Chegou a tempo de ver o pequeno retirando dinheiro de sua carteira desesperadamente e despejar uma nota e algumas moedas na lata do senhor. O senhor percebeu o barulho que as moedas jogadas fizeram ao bater no fundo quase vazio e sorriu ao resmungar com dificuldade um agradecimento ao albino. O pequeno devolveu seu mais brilhante sorriso, mesmo sabendo que ele não poderia vê-lo.
-O que está fazendo?- Kanda resmungou ao se aproximar.
-Dando dinheiro- colocava rapidamente sua carteira de volta em seu bolso.
-Por quê?
-Ele precisa mais do que eu.
-Não te ensinaram que devia pensar duas vezes antes de dar dinheiro para alguém que pede esmola? Nunca se sabe o que pode comprar com ele.
-Eu confio nele- o albino sorriu, ao puxar Kanda na direção onde Lavi e os outros esperavam.
-E mal o conhece...-resmungou- depois vai fazer pose de adulto... Por que você tenta ajudar todo mundo?
-Por que eu não deveria? Por que você não ajuda ninguém, então?
-A pergunta, é por que você se acha no direito de julgar o que deve ser feito e ajudado? Por que você acha que precise ser consertado.
Allen sentiu a brisa noturna bagunçar seus cabelos brancos enquanto andava. Foi colocar as mechas em seus lugares, mas automaticamente levou as mãos à sua cicatriz em seu olho. E esfregou, como se esperasse que saísse dali. Como sujeira que tiramos no banho com uma esponja. O problema era que não poderia sair. Mesmo que queira.
Olhou para o homem cego uma última vez, antes de suspirar e voltar seu olhar ao fim da rua.
-Cadê os outros?- perguntou, para manter algum assunto.
-Mais para frente.- Kanda resmungou, pelo seu tom e expressão, não queria manter qualquer conversa- me obrigaram a vir buscar o garoto perdido. Como você consegue me dar tanto trabalho?
-Desculpe...- sorriu sem graça-...mas eu senti que precisava.
-Você é movido por sexto sentido?
-Hã??
-Você fica falando “ai, senti que devia vir para cá”, “senti que devia ver sei-lá-quem”. Parece retardado.
-É espontâneo- explicou- simplesmente acontece- riu.
-Mas não devia seguir seu sexto sentido.
-Como assim?
-Só vai te fazer mal pelo que estou vendo.Te traz para esses lados, te faz dar dinheiro a desconhecidos e o pior de tudo...- o garoto engoliu em seco, o que fez demorar a completar a frase.Ouviram os passos de Lavi que vinham em sua direção desesperados como sempre-...te trouxe até mim.
-Mas o q...?
-Allen!! Yuu!!- Lavi acenou mais uma vez- já é a vigésima vez que tenho que vir correndo desse jeito até vocês porque o Allen se perde, só essa noite!
-O maldito idiota resolveu pagar de bonzinho hoje e fazer caridade.
-Eu só dei dinheiro a um homem que pedia esmola, Lavi.
-E me fez voltar dois quarteirões- Kanda resmungou irritado, ainda mais quando Allen fez uma careta para ele- fiquei cansado.
Kanda encostou-se àquele muro de irregular do prédio e escorregou de costas até encostar sentado no chão da calçada acidentada. Era uma rua um tanto sombria, considerando que o único poste emitia uma luz fraca, prestes a apagar, que piscava de tempos em tempos.
Os outros, também exaustos, se sentaram ou se se encostaram a algo. Allen permaneceu no mesmo lugar.
-Quanto nós andamos desde que saímos do bar?- perguntou naquele silêncio que o perturbava.
-Sei lá, alguns muitos quarteirões- Lavi respondeu um pouco incerto.
-Hm...
O albino observou ao redor. Rua deserta, o poste piscando, a luz falhando. Mordeu um de seus dedos, nervoso.
-Assustador aqui, não?- comentou- deserto...
Kanda riu.
-O que foi?- disse zombando do pequeno- tá com medo de novo? Fantasmas?
Allen o encarou por pouco tempo, voltando seu olhar para o chão.
-É só que...essa paisagem não me trás boas lembranças...- sussurrou mais para si que para os outros, mas pelo silêncio que o local proporcionava, todos puderam ouvir.
-Boas lembranças?- Kanda disse- aposto como esse lugar nunca trará boas lembranças a ninguém, moyashi. Não olhou ao redor?
O pequeno mexia em seus dedos para distrair-se dos comentários de Kanda.
-Não é isso- o albino disse- é algo mais pessoal. Esqueçam o que eu disse.
Allen sentou ao lado do moreno, que estava mais próximo, voltou a encara-lo a tempo de ver Kanda retirando algo de seu bolso e colocando na boca.
-Você fuma também, Kanda?!- Allen pulou de seu lugar, tanto foi sua surpresa.
Kanda não respondeu, ignorou em um giro de seus olhos o garoto que abria sua boca em um “O” indignado. Retirou um isqueiro, o que fez Allen olhá-lo de um jeito pior ainda, e acendeu o cigarro em um toque.
Inspirou a fumaça, encarando firme o garoto ao seu lado. O albino abriu a boca para falar algo, mas o moreno se aproximou o bastante para quase tocar nariz em nariz e soltou a fumaça que guardava em sua boca. Ela saiu de encontro aos lábios do albino, subiu até os olhos (que se fecharam para evitar irritação), desceu pelo queixo e também chegou às orelhas.
Allen tossiu e prendeu a respiração, tentando afastar a fumaça e o cheiro como se espanta mosquitos, balançava as mãos no ar. Kanda ria da ação, junto com o resto.
-Sim, eu fumo- respondeu, dando mais uma longa tragada. Mas Alma balançava negativamente a cabeça ao seu lado- eu já sei. Vai vir com aquele papo ridículo de que eu não tenho idade e isso faz mal e tudo que você tem de inútil para dizer. Então já vou avisando- ele soprou mais uma vez a fumaça no albino- eu não ligo a mínima para o que você diz.
Allen se contentou em encostar suas costas de volta na parede, enquanto Daisya e mais alguns riam do comentário de Kanda. Mas ao invés de permanecer ao lado dele, levantou-se emburrado e correu para Lavi.
-Hey, Allen- o garoto percebeu que o amigo vinha, abriu os braços e lhe deu espaço ao seu lado.
O albino se acomodou e o ruivo passou seu braço pelo seu ombro.
-Como tá indo?
-Até agora?- o albino se acomodou- um pouco meio péssimo...
-Eu disse pra você. Eu avisei.
Allen riu sem vontade, mas Lavi encarava os olhos prateados e conseguiu perceber a diferença no brilho que emanavam naquela rua. O albino evitava encarar as paredes a sua frente e se contentava a olhar para o chão, o prateado claro e brilhante de suas íris agora se assemelhava a um cinza de um céu nublado. Não demorou muito para encolher-se e abraçar suas pernas.
O ruivo encarou ainda sem fala o garoto que escondia o rosto em seu joelho. Ele só subia o rosto para olhar de canto o moreno fumando ao lado e então voltar a esconder em frustração.
Lavi enfiou a mão entre os cabelos brancos do garoto, mas o albino não levantou a cabeça de imediato.
-Lavi...- Allen levantou um pouco o rosto e fez o ruivo parar de acariciar sua cabeça- é algo que eu gostaria muito de perguntar. O problema é que eu não...É uma pergunta meio...
Alma se aproximou de leve e escondido ao lado, tentando ouvir a conversa entre os dois.
-Mas...- Allen continuou, a cabeça já encostada nos tijolos, a encarar o poste de luz-...vocês realmente...machucaram... aquelas pessoas?
Lavi tirou os braços que estavam em volta do albino. Alma olhou direto para Kanda, que ainda fumava ao seu lado. Mas Allen apertou seu próprio joelho ao proferir as palavras que tanto bagunçavam sua cabeça.
O ruivo pegou um cigarro de Daisya e acendeu com seu isqueiro, surpreendeu-se, mas não reclamou do fato de Allen não ter reclamado de tal ato. O ruivo percebeu que Alma ouvia a conversa e sem esperar suplicou silenciosamente por ajuda para o garoto, que se ocupava em ainda tentar disfarçar o fato de esticar seu pescoço na direção dos dois e dar olhadas rápidas na direção em que estavam.
-Quer saber?- Allen riu- não precisa dizer. Já sei a resposta. Mais parecia uma pergunta retórica, não?
Antes que Lavi pudesse falar algo para contestar, o albino levantou em um pulo.
-Vou dar uma volta-enfiou as mãos nos bolsos das calças e mexeu suas pernas lentamente em direção ao fim da rua- cheiro de cigarro não me agrada.
O ruivo se desesperou ao ver o garoto indo pela rua em meio às piscadas de luz que dava o poste e faziam seu corpo meio cambaleante e sem rumo aparecer e sumir alternadamente no escuro e frio. Apagou o cigarro de qualquer jeito no chão e se apoiou na parede para se levantar.
Mas uma mão o puxou para baixo. Alma segurava seu ombro contra o chão.
-Mas q...?- disse, antes que outra mão o calasse.
Alma resmungou um som de silêncio e apontou com o polegar para o moreno ao seu lado.
Kanda segurava o cigarro entre os dedos de uma mão, mas não se movia. Nem suas mãos, nem seus olhos, apenas a fumaça da queima produzia qualquer movimento ao subir em espiral. O garoto havia parado de traga-lo e de implicar ou conversar com os companheiros ao lado.
O que fez Lavi engolir em seco foi ver que a direção dos olhos negros (vidrados)encontravam diretamente o corpo cambaleante do albino que desaparecia em meio a falta de luminosidade da rua. Olhou estranho de Kanda para Alma.
Antes que pudesse pensar em algo, o moreno já se levantava e andava ajeitando seu sobre tudo até sumir junto ao albino (algo que ele mesmo estava prestes a fazer antes que Alma o interrompesse).
Ia junto, mas quando fez menção de levantar, seus olhos esmeraldas encontraram os castanhos de Alma, que o avisavam ameaçadoramente para não se mexer. Sem opções, sentou-se de volta no cimento frio e acendeu outro cigarro ao lado de Marie.
E se contentou em observar, receoso, o moreno sumir ao tentar alcançar o albino em sua caminhada.
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