Notas iniciais
Yey!!o/ Mais um capítulo!! Este vai falar basicamente do passado do Allen. É uma história bem simples, até porque (quase) todo mundo tem história pra contar nessa fic e para não acabar embaralhando tudo, eu deixei algumas mais simples :3
Era para postar otem, mas minha internet tá mto ruim esses dias...
Agradecendo de coração pela 3º (...*-*...) recomendação!!! Da Kanda Yuki, sua fofa linda, sempre comenta (reviews super divertidos) e ajuda >3<!!
Enfim, boa leitura!

Kanda andou passo por passo, silenciosamente, atrás do garoto de cabelos brancos. Estava dando certo, o albino não parecia saber que estava logo atrás dele, continuava no mesmo ritmo. Tudo que o moreno queria saber era para onde estava indo, mas tão logo começou a segui-lo, percebeu que talvez nem mesmo ele soubesse.

O garoto parou de repente, em um lugar onde a luz falha do poste não alcançava, apenas iluminado pela lua minguante e pelas estrelas. Kanda parou seus passos a metros dele, as botas negras que usava fizeram um estalo na calçada quando bateram.

-O que você quer?- Allen perguntou sem se virar.

-Eu...- Kanda se surpreendeu por Allen saber que estava atrás dele sem nem mesmo olhar- na verdade, a pergunta é o que você quer? Não eu.

-É uma pergunta bem ampla- o garoto riu sem graça- há muitas coisas que eu quero na vida.

-Tem razão.

O moreno deu uma leve tragada no seu cigarro e soltou a fumaça no ar, procurando fazer o máximo de barulho no sopro, para que o albino soubesse que ainda estava lá.

-Na verdade, eu quero saber o que você quer...aqui e agora, nessa caminhada, ou sei lá o que você tá fazendo.- Kanda se encostou na parede ao seu lado, ainda sugando seu cigarro.

-Saber. Coisas que eu não sei. Entender. Porque eu não entendo o porquê disso que você e o Lavi fazem.

-Só isso?

-...não tenho certeza. Mas eu gostaria muito de entender. Porque Lavi é um amigo muito importante pra mim, Alma é uma ótima pessoa e você...também é importante. Mas tem uma pergunta que fica batendo na minha cabeça! E me deixa muito desconfortável, tanto que não consigo perguntar isso e quando perguntei a única coisa que me disseram foi, nada. Não me disseram nada.

Allen recomeçou a andar, ainda seguido por Kanda. O maior problema do moreno foi não conseguir ver nada além de suas costas. E o pior de tudo é que tinha receio de ver o estado de seu rosto no momento, principalmente dos olhos.

-Não precisa me seguir.

-Acho que preciso. Já checou seu histórico de garoto perdido?

O albino não respondeu, parou mais uma vez em um lugar bem mais afastado. Mal conseguia ver o resto do grupo no fim da rua, do qual tinha saído. Allen se virou pela primeira vez para o moreno, o cabelo escurecido pela falta de luz e os olhos tremendo.

-Posso pedir sua companhia, Bakanda?- perguntou enquanto se sentava no chão frio.

O moreno reclamou baixinho, mas mesmo assim escorregou pela parede para sentar no lugar ao lado do albino. Aos olhares de desgosto do pequeno, apagou o cigarro na parede e o jogou longe.

-O que foi, agora?- disse, em tom irritado, mas isso não abalou o pequeno.

-Vocês realmente machucaram as pessoas?- Allen disse sem rodeios.

O garoto pensou claramente que Kanda era sincero e sem educação ou bom senso, portanto poderia responder mais simplesmente que o Lavi ou Alma. O moreno pensou um pouco e com certeza sentia falta de seu cigarro no momento de reflexão.

-Sabe, como os noticiários mostraram...- Allen insistiu.

-Sim- Kanda respondeu- eu machuquei.

Sentiu o corpo do albino ao seu lado encolher em resposta, mas se sentiu na necessidade de dar uma explicação mais completa possível.

-Aquele homem, que acho que tinha uma filha na nossa escola...

-Minha classe...- Allen interrompeu para completa-lo.

-Eu o vi andando na rua. Tava escuro, silencioso, deserto. O resto se animou em fazer. Então fizemos. Alma e Marie foram com certeza contra, então não fizeram nada. Nós cercamos o homem, ele começou a correr desesperadamente, o erro dele foi entrar no beco. Idiota. Os caras começaram a pegar coisas do chão, tacos, canos, galhos, qualquer coisa. Aí, ele chegou ao fim do beco. Não tinha saída. Ele tava apavorado, eu vi no rosto dele, tava chorando. Eu mandei darem espaço, eles me deixaram passar. Eu vi o rosto desesperado, assustado dele. Eu levantei o cano e desci com toda a força. Quebrei o nariz, costelas, o rosto dele estava sangrado bastante e...

-Para.

Allen mexia em sua própria camisa. Proferiu aquelas palavras como súplica, bem baixas,a voz tremida fazia com que fossem mais difíceis de entender. Mas para Kanda soaram como ordens, altas e claras. Então parou.

-Quantas...- Allen relutava em perguntar qualquer coisa, seu medo , na verdade era mais que a resposta, mas o medo de denegrir a imagem da pessoa ao seu lado ao ponto que não poderia ficar por perto-...quantas pessoas você...vocês...?

-Várias- respondeu, mesmo que o albino não completasse a pergunta- não dá para contar quantas. Não é algo que...

Virou a cabeça na direção do albino enquanto falava. Mas perdeu a fala, Os olhos prateados estavam escuros, mas brilhantes, porque estavam molhados, percebeu uma gota escorregar deles, fazendo o trajeto até seu queixo.

-Oe...- disse. Nunca tinha passado por algo assim, quer dizer uma garota chorando!...Ooops, não era uma garota. Balançou a cabeça desse pensamento, enquanto buscava em sua cabeça alguma referência que fosse ajudar. Buscou em sermões de Alma, em programas de TV, conversas com seu tio... O olho derramou uma segunda lágrima para seu maior desespero.

-Oe...- disse pela segunda vez, mas levantou sua mão direita e ,com a luva, tirou a lágrima que residia em seu queixo. Allen se assustou, mas não tanto quanto o moreno ao poder ver seu rosto mais claramente, os olhos brilhantes e chorosos. Sua mão tremia enquanto secava as bochechas do garoto.

-Era só o que me faltava- resmungou- um moyashi chorão. O que foi? Agora tem medo de mim?

Incrivelmente, Allen riu, mas segurou a mão trêmula de Kanda em seu rosto.

-Não. Não tem como. Só fico um pouco chateado.

O moreno estranhou o fato de ele mesmo ter suspirado em alívio. E ainda mais sua mão que estava acariciando de leve as bochechas do garoto, movendo-se sozinhas. Eram macias.

-Por que tá chorando?- Kanda perguntou.

-...tudo.- o garoto riu, mesmo que o moreno soubesse que não era isso que ele queria fazer.

-Tem a ver com aquela foto? Da sua mãe?

O garoto congelou. Kanda entendeu que estava acertando.

-Com essa cicatriz, com seu braço esquerdo?

-Meu braç...?

-Esse braço diferente- pegou a mão esquerda do albino na sua- é vermelho, deformado...

-Tá enojado?- Allen riu, para disfarçar a voz tremida- Eu entendo. Isso vem em parte de uma doença genética e estranha. Minha mãe tinha um problema na perna, ela não conseguia andar direito, uma doença que deixa uma parte ou partes do corpo enfraquecidas. Qualquer probleminha como uma queda pode resultar em algo grave. Várias pessoas da família por parte de mãe morreram por causa disso. Meu problema é bem especial, meu braço foi bem mais afetado por causa de uma coisa no passado, mas, como você pode ver, meu corpo inteiro é mais fraco, agravou o estado por causa do meu albinismo. É por isso que tenho um tutor. Mas eu venho tratando, nem é assim tão grave. Eu entendo que esteja com nojo. Não é algo muito bonito, certo?

Kanda pensou, sob o olhar atento do albino, ia soltar o braço de suas mãos.

“Agora tem medo de mim?”, lembrou-se de sua pergunta, “Não. Não tem como.”

-Não- agarrou a mão vermelha em seus dedos, apertando mais ainda- não tem como.

Allen sorriu.

-Tem- disse- tem tudo a ver. Meu braço a cicatriz...- engoliu em seco- minha mãe... E com o que você faz agora. Olha, eu não gosto de jogar meus problemas para cima dos outros...

-E prefere ficar que nem um idiota, sorrindo quando não deve? Você não tá jogando problemas em mim, até por que eu devo ser o que menos ligar pra você...- mentira- eu to pedindo para que você jogue seus problemas em mim.

-Só se você fizer o mesmo!- Allen se impôs, ao encarar o rapaz com determinação- ao invés de ficar se escondendo e fazendo coisas erradas. De acordo?

O moreno gemeu em desgosto, mas acenou afirmativamente com a cabeça (mesmo que torcesse para que Allen não conseguisse ver esse movimento de concordância no escuro). O albino deu um sorriso pequeno e sem gosto.

-Preparado?- Allen perguntou-bem, há uns 6 anos atrás, não éramos eu e Mana, apenas, éramos, eu, Mana e minha mãe, o nome dela é Cherry. Isso mesmo, cereja. Um nome delicioso... Sabe, eles costumam dizer que me pareço muito mais com ela, de aparência e personalidade... Mas ela não era albina, claro.- riu-Ela era alegre, gentil, sempre tirava sarro do Mana, porque ele é bem atrapalhado, mas eles se amam bastante...Eu gosto bastante dela.

O albino encarava o céu, em silêncio, provavelmente repensando o que fazia e dizia. Mas Kanda se contentava em observa-lo quieto.

-Bem- Allen continuou- mas eu era bem mais respondão naquela época! Era resmungão, mal humorado... Acho que não a tratei tão bem quanto deveria ter. C-Claro que eu não era tão bravo assim, mas eu acho que ela merece a mais pura bondade!! Mas isso não vem bem ao caso!

Allen respirou bem fundo antes de continuar.

-Alegria não dura para sempre... Seis anos atrás, eu...

Flashback- 6 anos atrás

-Mãe.Mãe! MÃE!!

Um garotinho albino corria pelas ruas de um bairro de subúrbio desesperadamente. Os olhos estavam molhados de desespero e as lágrimas eram derramadas aos litros por causa do vento que a corrida provocava.

Um garoto de cabelos brancos, em seus nove anos. Parou em uma esquina, ofegante.

-Mãe...- choramingou ao limpar as poucas lágrimas.

-Allen.Allen! ALLEN!!

Uma voz feminina o chamava não muito longe. Levantou a cabeça, feliz, e encontrou uma mulher de cabelos loiros, ondulados e compridos, os olhos castanhos procuravam por ele em toda a rua.

-Oh!Allen, meu filho!-exclamou, bateu as mãos nas pernas em alívio e correu com u pouco de dificuldade em seus sapatos de salto até o garoto.

-Mãe...-o garoto esfregou o rosto molhado em sua manga da camisa e correu até a mulher que o aguardava de braços abertos, e se afundou em um abraço- não devia correr desse jeito...

Cherry o repreendeu, ainda que sorrisse bastante. Pegou em sua mão, apertando bastante, para garantir que não se perdesse novamente. Ele se perdia constantemente, mas considerando o lugar em que andavam essa tarde, não era uma boa ideia se perder por essas ruas.

-Mamãe- o garoto se agarrou no braço fino da mulher- onde tá o papai?

A mulher esfregou, em grandes sorrisos, a pequena cabeça de Allen e deixou seus cabelos brancos bagunçados.

-Já vamos achar o papai, tá?- comentou, puxava o filho cada vez mais para perto de seu corpo, evitando que as mãos se soltassem entre as trombadas que eram provocadas pela proximidade das pessoas na calçada- ele tá estudando um caso. Só vamos buscá-lo pro aniversário dele, hein.

-Uma surpresa!!- Allen gritou animado para sua mãe.

Flashback Off

Allen esfregou os olhos intensamente, ao ponto de que quando os abriu, via manchas coloridas por toda a parte.

-Meu pai é advogado- explicava- naquele dia, era aniversário dele e nós decidimos busca-lo pra comer algo, fazer algo. Minha mãe até tinha comprado um presente, lindo. Era uma gravata bem cara. Ela disse que era por mais um sucesso de caso! Que ela disse que ele certamente iria conseguir.

Kanda observou os gatos do outro lado da rua revirarem latas de lixo a procura de comida, como se fingisse não ver que os olhos prateados ao seu lado buscavam apoio em alguma coisa.

-Mana preferia ajudar pessoas que não tinham condições- continuou- ele vivia nesses lados da cidade. Eu admiro muito tudo que ele fez. E faz...mas aquele dia...Seria um dia perfeito!Iríamos aparecer de surpresa, na verdade, tínhamos combinado com Cross para que pudéssemos nos encontrar com ele, já que o mestre é um grande amigo e está sempre por perto do meu pai.Iríamos vê-lo, entregar o presente, parabenizá-lo, abraçá-lo, sair, comer bolo, tomar sorvete, depois voltar para casa, nós três, íamos deitar na cama gigante dos dois e dormir comemorando aquele dia. Todos juntos...mas...

Flashback ON

-Hm...Acho que era por aqui...- Cherry puxou o filho virando em uma rua menos movimentada. Suspirou em alívio, podendo finalmente respirar em um lugar vazio.

Acariciou pela décima vez os cabelos do garoto. Mas ele se emburrou.

-Mãe!- gritou- pare de bagunçar meu cabelo, é irritante e vergonhoso...

Ao invés de responder, a mulher olhou para o garoto sorrindo, não demorou muito para começar a rir baixo da reação do pequeno. Allen se irritou mais ainda com a atitude da mãe.

-Acho que já pode soltar minha mão!- o pequeno puxou sua mão, deixando de segurar a de sua mãe- não é necessário.

Cherry riu mais ainda, então Allen começou a ignorar suas risadas, preferindo observar cada pedaço da “paisagem” que deixavam para trás a cada passo que davam.

A rua suja, o cheiro de esgoto, paredes pichadas, destruídas, tanto que ele mesmo se perguntava como os prédios se mantinham em pé. O Sol marcava no céu duas horas da tarde, e brilhava tão intensamente que fez seus olhos doerem quando o encararam. Ficou imaginando se poderiam fazer um piquenique quando saíssem dali com seu pai,com muita comida espalhada pela toalha.

Tão imerso estava em observar a sua volta, trombou com algo a sua frente.

-Ai- esfregou seu rosto, dolorido pela trombada, quando viu que havia batido nas costas de sua mãe, parada no meio da calçada.

Saiu de trás de Cherry, tentando ver o motivo da parada repentina que fez seu nariz ficar dolorido.

No chão, havia um homem coberto em trapos, tão miserável, que Allen inicialmente pensou que fosse apenas um monte de cobertas. Cherry tirou uma nota de seu bolso e entregou ao homem jogado ao seu lado, enquanto seu filho observava tal cena sem exatamente entender. Mas esboçou um sorriso tímido ao ver que os dois, o mendigo e sua mãe, sorriam radiantemente um para o outro.

O mendigo resmungou entre sorrisos largos, benção aos dois e examinou ainda mais feliz a nota em sua mão.

Cherry e Allen se afastaram, e logo a imagem radiante do homem se tornou cada vez menor.

-Por que fez isso, mãe?

-Ué? Não é óbvio, Len?- o garoto resmungou irritado ao ouvir seu apelido- ele precisa muito mais que nós.

-Hm...Tem razão.

-Agora, vamos lá buscar seu pai!

A mulher enroscou seus dedos nos do filho para começar a balançar as suas mãos como um balanço, para frente e para trás.

Allen deu uma última olhada no homem ao longe. Agora mais parecia um pontinho encostado no muro colorido de tão machado.

Ficou imaginando em sua cabeça o que ele faria com aquela nota. Comer? Comprar roupas? Viajar? E como a imaginação de uma criança pode ir longe demais, Allen ficou tão imerso nelas que novamente trombou em algo.

Esfregou novamente o nariz e quando olhou para frente, viu sua mãe parada mais uma vez. Olhou para o chão aos seus lados, mas não encontrou ninguém pedindo esmola. Esgueirou-se pelo corpo de Cherry, tentando observar o que havia logo à frente.

Tinham acabado de virar a esquina, um grupo de homens de vários tamanhos, vestindo jaquetas escuras, tatuagens estranhas de pentagramas espalhadas pelos pedaços de pele visíveis. Andavam em um gingado estranho em sua direção, mas antes que pudesse focar nos rostos, duas mãos agarraram seu ombro.

Sua mãe havia se virado e se agachara ao seu tamanho, com as duas mãos agarrando o ombro de Allen com força. As unhas que se enterravam em sua pele fizeram o garoto soltar um grito baixo, mas quando focou nos olhos castanhos de sua mãe, ficou amedrontado. As orbes que tanto lhe davam segurança olhavam-no como se pedisse para correr. Para ter medo.

Só voltou a se mexer quando sentiu novamente as unhas penetrando sua carne.

-Allen...

Sentiu que devia ouvir sua mãe, mas seus olhos não paravam de focar nos homens que se aproximavam cada vez mais. Sentia um péssimo pressentimento.

-Me ouça, filho...

Eles estavam cada vez mais perto.

-Eu preciso que...

Carregavam armas, facas, pedaços de madeira...

-...você corra, tá?

Eles levantavam os braços. Allen pôde ver seus rostos pela primeira vez. Os piores sorrisos que já viu em sua vida. E pior ainda, sorriam para ele.

Levou um tempo para entender. Mas ao invés de correr, agarrou o braço de sua mãe mais forte ainda.

-Então vamos, mãe!! Vamos!!!

Cherry sorriu.

-Eu não posso, Allen.

O garoto balançou a cabeça sem entender, então a mulher acenou para sua própria perna enfraquecida. Mas o garoto continuou puxando seu braço como se pudesse fazê-la correr.

Os homens estavam logo ao lado. As armas erguidas.

-Mesmo que eu corra, eles podem nos alcançar, estão em maior número. Se salve, filho.

Allen segurou o braço com mais força e mordeu o lábio a ponto de fazê-lo sangrar, quando estavam formando um círculo a sua volta.

-Ora, ora- disse um deles, a voz fina não deixava de ser assustadora- mas que garoto bonitinho veio parar por aqui...

-Cabelo branco? A essa idade já tingindo?

-Um albino?

-Oh, e ele tá com a mamãe, olha só.

Allen evitou olhar para qualquer um, seu principal objetivo era tirar sua mãe dali o mais rápido que pudesse.

-Chega disso- a voz fina tornou a soar logo acima de sua cabeça- o que queremos agora é dinheiro.

-É.

O garoto ouviu-os batendo seus pedaços de madeira em suas próprias mãos, enquanto uivavam em concordância, mas ainda se recusava a olhar para cima, observando sem motivo o chão da calçada.

-Não tenho- a voz tremida de sua mãe respondeu em desgosto.

-Como não?!- outro gritou- vi você dando dinheiro àquele mendigo.

-Digo que não tenho para gente imprestável como vocês.

Allen ouviu uma pancada forte e, sem tirar os olhos da calçada ainda, sentiu a mão de sua mãe afrouxar em seu braço e então observou-a gemer de dor e cair no chão. Ele congelou ao ver que haviam batido em sua cabeça e ela, agora, gemia no chão ao seu lado.

-Mãe!!

Os homens riram.

-Gente imprestável? São vocês que se acham no poder- um homem disse.

-Mãe...

-Allen... Não dê dinheiro a eles. Eles não são do tipo que para quando se faz o que querem.

Allen assentiu desesperadamente.

-Então, corra, filho.

A voz de sua mãe, tremida e gemida, o dizia para fazer algo que estava, no momento, incapaz, de tanto choque.

-Peguem o garoto.

Allen sentiu braços o agarrarem por trás. Debateu-se o quanto pôde, mas eram fortes demais para um garoto muito novo e doente como ele.

-Pra você- indicou Cherry que se desesperava, se remexendo no chão- aprender a deixar de ser esnobe.

Outro rapaz tirou uma pequena faca de seu bolso, a lâmina prateada refletiu a luz do Sol direto no olho do pequeno. Ele congelou. Seus braços, suas pernas, tudo doía.

A faca cortou, em meio a gritos desesperados de Cherry e de dor de Allen, a testa do garoto. Abriu os olhos e percebeu o sangue que escorria do lugar cortado. Ardia. E muito.

-Um pentagrama- a voz fina explicou, pois Cherry não parecia em condições de examinar o desenho na testa do filho e Allen não conseguia ver muita coisa além de sangue, enquanto continuavam cortando a estrela- para você se lembrar da gangue de Akumas.

O homem mostrou em seu braço, o símbolo igual o que estava sendo estampado no rosto do pequeno.

Mas Cherry nem prestou muita atenção, olhou para o filho, que era ainda cortado. Allen não ouviu, mas seus lábios exclamavam tremendo um “Corra”.

E em um súbito ataque, ele obedeceu. Empurrou o homem que desenhava com uma faca em sua testa, o que o fez cortar até abaixo de seu olho com o empurrão. Allen gritou de dor, mas se jogou em cima de sua mãe, agarrando sua mão mais uma vez.

-Vamos, mãe...- choramingou, o olho sangrava como nunca e atrapalhava muito sua visão- vamos, levanta.

-Não posso, vá buscar alguém...

-Não, não, não...

-Len!- sua mãe se esforçou em gritar, apertou o rosto do garoto dos dois lados, para que focasse apenas em seu rosto- me ouça, vá... ajuda...por favor...

Ia negar, ia ficar com sua mãe. Ela estava sorrindo ainda.

-Agarrem o pequeno!- ouviu alguém logo atrás dizendo.

Sentiu a cicatriz arder ainda mais, com a sensação de que viria a sentir mais daquela dor. Ou uma ainda pior.

Foi rápido e instintivo. Em um segundo agarrava a mão de sua mãe com força, em outro, estava correndo sem parar pela rua. Seu corpo doía, não enxergava direito. Mas a cicatriz doeu mais ainda quando começou a chorar.

Ouviu gritos. Deu uma última olhada para trás e viu o grupo batendo em Cherry. Os bastões iam de cima de suas cabeças para o corpo machucado de sua mãe. Sangue, que não sabia distinguir se vinha de seu olho e manchava sua visão, ou se realmente vinham das feridas da mulher. As lágrimas caíram em maior intensidade, então se virou e continuou correndo.

Os pensamentos confusos, assim como a visão ainda mais prejudicada pelas lágrimas. Ás vezes olhava subitamente para trás achando que estivesse sendo seguido e se aliviava em ver nada além da rua deserta.

Precisa encontrar alguém. Mas como se não via nada além de manchas coloridas a sua frente? Precisava de seu pai, de Cross...

-Pai...-choramingou para si mesmo, como se isso pudesse trazê-lo em um piscar de olhos.

As manchas a sua frente se moviam em uma rapidez estranha. Carros. Esfregou os olhos antes de atravessar a rua, e pôde ver com um pouco mais de clareza, que a imagem de Cross Marian andava no outro lado da rua. Lágrimas de alívio escorreram quando ele foi atravessar a rua.

-MESTRE!!- gritou quando correu.

O ruivo olhou para o garoto, mas sua expressão de confusão se transformou em segundos em uma de desespero.

-ALLEN!!! SAÍA DAÍ!

Allen parou sem entender. Mas , então, uma buzina alta soou ao seu lado. E quando virou seu rosto, pôde ver que um carro vermelho e rápido se movia em sua direção, o motorista tentava frear.

E Allen não poderia desviar.

Notas finais
Reviews???:3 espero vcs no prox capítulo!!