Bad Boy

8 Can you feel?


Notas iniciais
Yey!! Mais um capítulo!!! o/
*voz de narrador* no episódio de hoje, veremos Kanda tentando enfrentar sentimentos!! O moreno será o primeiro da dupla dinâmica a enfrentar seu destino!!
*tá, parei...*
Não tem muito a dizer. O próximo deverá ser dos sentimentos do Allen (SPOILER! só que nãokkkk)
Boa leitura!!:3

-Eu fui atropelado.

Allen coçou os olhos com bastante força, enquanto terminava de contar sua história para Kanda.

-Apaguei, só acordei algumas horas depois, mas meu braço ficou bem ruim, fiquei no hospital por dias para tentar curá-lo, mas o máximo que conseguimos foi isso aqui.

O albino ergueu o braço esquerdo, vermelho, deformado. Resultado daquele dia de caos, pelo qual ele passou. Mas Kanda não se abalou em vê-lo. Estava preocupado com alguma outra coisa.

-Sua mãe...? Ela tinha que aparência...?

Allen arregalou os olhos de leve, essa era a pergunta que menos esperava.

-Bem, ela era loira, cabelos lisos com poucas ondulações, olhos castanhos, altura mediana, o rosto fino...sei lá. Você lembra dela, você viu ela na foto, lembra?

-...Verdade...- Kanda engoliu em seco.

-Por que a pergunta?

-...nada...só...confirmando uma coisa- o moreno bufou- pentagramas, né? Você disse...

-hm...é...

-Certo...

O albino notou que o amigo mexia em suas luvas sem objetivo.

-E o motorista?- Kanda perguntou- ele não...

-Cross e ele me ajudaram. Meu pai chegou depois, desesperado, já no hospital. Eu não culpo o motorista... eu entrei de repente na rua, coberto de sangue, qualquer um se desesperaria...

-Sua mãe...- Kanda perguntou com receio de ver novas lágrimas se formando em seus olhos-...ela...mor...

-Não, não- Allen balançou a cabeça negativamente- ela tá em coma desde, então. Foi um milagre ela ter sobrevivido, pelo menos- o garoto riu- se não fosse aquele mendigo a quem ela deu esmola, ele a salvou.

Kanda, então, lembrou-se do garoto quando entregava um pouco de dinheiro a um morador de rua também. Talvez ele pensasse ser justo compensar aqueles em que confiasse.

-O pior de tudo- Allen balançou a cabeça- é que talvez não fosse apenas o fato de que eu não pudesse desviar do carro...

Kanda ergueu uma sobrancelha, confuso com a fala do garoto.

-Eu acho que queria... realmente que...pudesse me machucar...

O moreno engoliu em seco, fechando o punho com força.

-Quando vi o carro. Eu me lembro. Eu paralisei, não me movi, eu olhei o carro vindo e pensei: “hey, aí tá a punição...a solução”.

Kanda serrou os dentes.

-Eu não devia ter soltado a mão dela- as lágrimas voltaram a tona- Nunca! Eu deveria ter ficado lá, ter...

-Morrido?

A voz calma de Kanda cortou a raiva de Allen de surpresa.

-Hã?

-Se você ficasse lá, os dois estariam no hospital em coma. Talvez até tivesse morrido. O que um garoto como você é capaz de fazer? Berrar? Chorar? Fazer manha? Jogar meleca radioativa neles? Usar seu poder de encher as fraldas contra eles? Sua idiotice contagiosa?

Allen tentava absorver cada palavra, para enxugar suas lágrimas, que por um momento pareceram inúteis. Então, em um movimento digno de ninja, Kanda pulou em seu colo, cada joelho em um lado de seu corpo.

O moreno bateu as duas mãos em um soco na parede, cuja potência fez pedaços do cimento cair em suas cabeças e um barulho ecoar por toda a rua deserta, espantando gatos e cachorros por perto.

O albino recuou a cabeça o máximo que pôde, chegando a batê-la na parede. Não só porque se assustou, mas porque seus rosto mantinham menos de um palmo de distância. Sentia a respiração furiosa de Kanda em seu rosto e o moreno sentia seu desespero, as sobrancelhas franzidas, ele definitivamente estava se contendo para não espancá-lo.

-Não fique se achando- Kanda disse, sem mudar a distância entre seus narizes- pensando que poderia salvá-la. Você só é um estorvo nessas horas. E não fique se culpando por algo que você nunca seria capaz de fazer. Se tem algo para ficar se culpando, é por não ter corrido quando ela mandou.

Levantou das coxas de Allen (cujo rosto estava completamente fervendo de vergonha), ainda nervoso. E tinha uma razão para isso: seu passado, cuja semelhança com o de Allen era apenas em suas ideias, talvez. Mas parecia muito mais semelhante em outro ângulo de vista...

Bateu de novo na parede e se levantou a frente do albino.

-Vem.

O albino ainda estava um pouco confuso, quando Kanda ofereceu uma mão para ajudá-lo a levantar, mas ele aceitou. Esticou sua mão para que alcançasse a luva negra do moreno.

Foi estranho. No momento em que se tocaram, Allen sentiu seu coração dar um pulo. Ignorou, estava muito ocupado tentando esconder o rosto corado de perto de Kanda, que o puxava para ficar de pé ao seu lado e sair do chão frio e sujo.

-Vamos voltar- o moreno o chamou- o Usagi vai ficar irritado. E quem aguenta uma bicha franga nervosa?

Allen riu mais alto que outras vezes. Porque estava muito mais confortável, não se preocupava com o cheiro do lugar, com a falta de luz, com a falta de pessoas, com a destruição das paredes, o aspecto ameaçador dos becos. Muito menos com seu passado. Porque quando se focava na silhueta escura de Kanda a se mover a sua frente, com seu sobretudo balançando em meio a brisa gelada, o cabelo grande e negro dando chicoteadas no ar, e o melhor, sua mão segurando a sua, Kanda parecia se tornar o centro de tudo.

Então o seguiu de volta à sua turma.

Sem olhar para trás. Apenas para aquele que o guiava em meio à noite.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

-Lavi, você tá quieto demais...

Allen comentou, vendo que o ruivo que andava ao seu lado não falava nada desde que foi buscá-lo em sua casa para irem juntos à escola. Era sua quinta tentativa de conversa desde que o cumprimentou, mas nada acontecia. Apenas mantinha uma expressão um pouco emburrada.

-Influência do Kanda?- perguntou, notando a semelhança em seus rostos, mesmo que soubesse que não receberia respostas, como todas as outras perguntas que fez desde que se encontraram naquela manhã. Mas ao tentar observar algum tipo de mudança de humor, viu que o rosto do caolho se contorceu.

-...por que sempre tem a ver com ele?...- Lavi resmungou baixinho, para que o albino ao seu lado não pudesse entender.

-Você tá bravo comigo?- Allen acusou, já estava ficando impaciente com essa atitude. Nunca, em todos os dias de amizade, Lavi deixara de respondê-lo ou fazer questão de sorrir e brincar com o garoto.

E pela primeira vez, ao ouvir o comentário de Allen, sorriu. Mesmo que tenha sido um pouco torto. Coçou a cabeça do garoto e negou com a cabeça.

O albino bufou, já desistindo de suas tentativas. Arrumou a sua mala em seu ombro, se concentrando agora no caminho que deveria percorrer para chegar a sua escola e esperar um pouco de paz. Quem sabe Lavi se sentiria melhor quando estivesse cercado de seus colegas e amigos.

Virou no portão de seu colégio, ainda acompanhado pela estátua desanimada e ambulante que era seu amigo. Havia chego bem em cima da hora, o sinal tocaria em poucos minutos ou talvez segundos. Mas antes que pudesse correr para a sala, algo pulou em suas costas.

Sentiu o peso em cima de seu corpo e viu Lavi surpreso ao seu lado, encarando o ser que abraçava o seu pescoço.

-Alleeeeen!- ouviu uma voz em seu ouvido. Logo reconheceu, surpresamente, que quem estava em suas costas era...

-Alma??

O garoto desceu alegre de suas costas, Lavi continuava sem fala ao seu lado. Allen o olhou de cima a baixo.

-Uniforme...? V-Você...

-Ah, não- Alma negou- eu peguei isso de um aluno, sabe. Meu pai não me pagaria uma escola como essa... Mas eu fiquei com vontade, quer dizer...

-É bom te ver, Alma- Allen bateu em suas costas.

Alma puxou os dois para entrarem no prédio, como se os culpasse por estar atrasado. Subiram as escadas correndo, até se encotrarem no andar certo dos lugares onde deveriam estar.

-Eu vim ver como estavam. O Yuu veio hoje. Mas ele se emburrou por minha causa e entrou mais cedo.

-Ah, sim...- Allen riu- TPM, certo?

-É...- Lavi resmungou, quando abriu com força a porta de sua sala, um chute que fez parte da classe olhar assustada para a entrada do ruivo- TPM...

Alma e Allen observaram Lavi praticamente jogar seus materiais na mesa, junto com seu próprio corpo.

-Não vai entrar?- O albino perguntou para o outro- vocês tem a mesma idade.

-Ah, não. Vou com você. Yuu iria me matar se eu ficasse na classe dele. Eu dou uma disfarçada na sua classe e ninguém percebe.

Allen empurrou a porta em sua calmaria, rindo para Alma. Lenalee veio em seu encontro, bateu na cabeça do albino com seu livro de física (um bem grosso, para que fique claro suas intenções).

-Idiota!- acusou- não dá notícias! Você e Lavi!! Não fizeram nada inapropriado, né???!! Porque eu conheço muito bem sua inocência e o jeito do Lavi. E ainda quase chegou atrasado hoje!! O que...- a garota parou de gritar por um tempo, para o alívio dos ouvidos de Allen-...quem é esse?

Allen olhou para Alma, que observava ao seu lado contente a sala de aula cheia de alunos, conversando, escrevendo. Coisas banais, para sermos verdadeiros.

-Hm...Alma Karma- responder, cutucando o garoto ao seu lado- primo. Meu primo.

Alma concordou desesperadamente com a cabeça, mesmo que soubesse ser mentira. Era uma necessária.

-Lenalee Lee- a garota estendeu sua mão e o garoto logo a apertou.

Alma voltou a contemplar a classe, como se nunca tivesse visto algo igual. Algo tão bom. Melhorou ainda mais quando um professor entrou na classe. Allen viu, aos risos, o garoto indo como um foguete se apresentar ao homem.

O garoto ficou a aula inteira, ao lado de Lena e Allen, sorrindo a cada palavra que o professor dizia ou escrevia. O albino podia sentir que o garoto estava se segurando para não conversar com ele, tentando prestar o máximo de atenção à aula, pois ele se virava animado muitas vezes para Allen, mas logo voltava a anotar coisas em seu caderno.

Ele liberou toda sua animação durante o intervalo. Mal o sinal bateu e liberou a classe de Allen e Lenalee, Alma grudou em seus pescoços.

-Aonde vocês vão durante o intervalo?- perguntava, seguindo rapidamente os dois, descendo as escadas até saírem do prédio escolar.

Correram até o banco de madeira, que sempre os esperava embaixo da mesma árvore. Mas dessa vez não esperava sozinho. Kanda estava sentado nele, apoiando seu cotovelo em uma das pernas, mesmo com a distância, Allen percebeu que uma monótona veia saltava constantemente de sua testa. Não sabia se ficava feliz ou com medo da situação, mas sorriu junto ao olhar de Alma quando viu o moreno ali, esperando suas presenças junto à árvore.

-Hey, Bakanda- o albino alcançou o lugar.

-Hm- Kanda acenou de qualquer jeito com a cabeça, tirou o cotovelo de seu joelho, para poder levantar sua cabeça e olhar os seres à sua frente. A garota que nem ao menos decorou o nome, Alma e...seus olhos pararam ao encontrarem os de Allen.

-Moyashi...- resmungou, ao se mover para o lado e dar espaço aos companheiros. Mesmo que lançasse um olhar repreensivo à Alma.

Allen jogou seu corpo ao lado do japonês.

-Não achei que fosse vir à escola.

-Eu to aqui, não estou?

-Ainda bem- disse, com seu típico sorriso tranquilizador estampado- que está aqui.

Kanda escondeu o rosto nas mãos por um tempo, até que considerasse seguro levantá-lo, ou seja, quando o albino parasse de sorrir para ele. Respirou fundo, esperando que seu rosto esfriasse da quentura anormal, antes de olhar de volta para o seu lado.

E Allen conversava atentamente com a amiga à sua frente. Mas Alma, sorria de um jeito um tanto suspeito para o moreno.

-Vai se foder...- resmungou baixo para o garoto, de um jeito que ele pudesse ler seus lábios, mas não teve nenhum efeito sobre a expressão dele. Não que Alma deixasse Kanda influenciá-lo em ameaças em qualquer momento. Já estava bem acostumado com o temperamento do japonês.

Desviou o olhar para o outro lado do terreno. E ele estava lá. Com seu cabelo ruivo, sua bandana e seu tapa-olho, típicos, mas lhe faltava o comum sorriso idiota que sempre fazia questão de ter. Observando, encostado no muro do prédio, as pessoas que acompanhavam Kanda.

Por fim, lançou um olhar significativo ao moreno, antes de bufar e virar-se. Kanda observou um pouco curioso as costas do ruivo se afastarem. Olhou para a distração de Alma, Allen e Lenalee ao seu lado e, rapidamente, se levantou, andando na direção de Lavi, cujo corpo podia ser visto sumindo ao virar dentro de um corredor qualquer.

Kanda conferiu que os três continuavam conversando distraidamente no banco, antes de apressar-se pelo pátio e chegar aquele corredor. Para sua maior surpresa, Lavi o esperava entre as duas paredes estreitas do lugar, as salas de aulas vazias, pois seus alunos estavam comendo e conversando no intervalo.

-Usagi?- perguntou, antes que Lavi o esmagasse apenas com o olhar- o que tem de errado? Quer dizer, você não é a pessoa mais sã daqui, mas ficar agindo como um psicopata não é bem a sua cara. Muito menos ficar de fora das coisas.

Lavi riu.

-E não é nada sua cara ficar correndo atrás dos outros pra saber o que incomoda.

-Só vim, porque achei que fosse importante. Mas acho que me enganei, nada em você vale a pena ir atrás...

O moreno girou em seus calcanhares, ia voltar para aquele banco, onde achava que valia muito mais a pena estar do que nesse corredor vazio com outro mal humorado.

-Mas o Allen vale, né?

O ruivo gritou, antes que Kanda virasse no corredor, uma boa isca, pois o moreno logo girou de volta em seus calcanhares, tão logo as palavras ecoaram no corredor vazio e o fizeram impedir de deixá-lo sem ter certeza do que ouvira.

-Como é?

-Eu disse: Mas o Allen vale, né?

-E por que você acha isso?- respondeu, ainda que risse de leve- aquele lá não vale merda nenhuma.

-Aaah..certo, certo- Lavi concordou com a cabeça, rindo ao mesmo tom que o moreno. E aquilo que Kanda detectou...sarcasmo?- então, por algo que não vale mais que merda você foi atrás, conversou, fica todo atento. Até veio pra escola.

-Eu vim por que quis

-Correção: você quis porque o Allen queria.

-O moyashi...

-E pare de chamá-lo de moyashi!- Kanda se assustou com o súbito estresse do rapaz- qual é o problema em dizer o seu nome?

O moreno travou. Simplesmente porque não tinha uma resposta para a pergunta. Lavi estava certo, qual era o problema em dizer o nome? O problema era que não conseguia dizê-lo, porque...

-O-O que o nome tem a ver com isso tudo??- o moreno estava confuso. O tom de voz, a expressão, era como se Lavi o estivesse acusando. Mas do quê?

Lavi se encostou na parede do corredor, visivelmente impaciente com toda a conversa. Dava pequenos ataques de risadas baixas, mas eram do tipo que expressava a mais pura irritação ao invés de tranquilizar o clima.

-Naquela noite...- disse- você foi atrás do Allen. Alma me impediu de ir junto. Vocês não voltaram por uma hora. E, pelo que sei, você odeia companhia. Olha, eu não vou perdoar se você acabar por envolvê-lo nessa briga também!

Kanda engoliu todas as palavras em seco. De repente, não sabia que reação deveria ter durante a conversa com o ruivo. Por acaso ele sabia do passado do Allen?

-Por que o Allen?...- Lavi resmungou.

-Por que o moyashi o quê?!

-Porque justo o Allen...- Lavi hesitava em dizer- tinha que ser a pessoa que você tem que amar.

O moreno ficou confuso. Amar? Tipo...amar? Mas como? Por que? Isso...não tem explicação...

-Tá na cara- Lavi continuou- acho que Alma não esperava algo do tipo, tenho certeza de que ele só achou que seriam amigos, mas... Saiu dos planos. Você parece um tigre domado perto do Allen. Age de um jeito totalmente diferente. Uma pessoa diferente.

-Isso é impossível!!- Kanda gritou. Tinha razões, estava descrente dessa possibilidade. Não podia. Não podia.

-Você ser uma boa pessoa, toda comportada ou...- bufou- gostar do Allen?

-Eu...

-Por que não?

-Ele é um garoto, ele...

-Algum problema??! Algum problema em ser garoto?? Saiba que tem coisas que você não pode controlar! Mesmo que tente...

Kanda encostou, ainda confuso, na parede em frente a Lavi. Os olhos fixos em um ponto sem importância. Estava tentando se lembrar. Quando? Desde...Desde quando? Se ele realmente está apaixonado (ele sentiu seu corpo tremer ao pensar nessa palavra)...desde quando...?

“Eu sou Allen Walker, eu só...eu só estava perdido, por favor...”

-É o que nós chamamos de amor, sabia?...- o ruivo continuava, pois nada o pedia para deter sua conversa.

“Broto de feijão...? O que isso tem a ver...?”

-Acontece de repente, sem aviso...

“Bakanda.Seu nome, não é?”

- E de repente, você fica preso àquela pessoa...

“É Allen, Bakanda.”

-Ela está lá toda vez que fecha os olhos...

“Hm... Viu só? Não é difícil. Você poderia dizer mais frases assim, grandes e completas.”

-Toda vez que dá um mísero sorriso, é como se fosse por ela...

“Ainda bem. Eu fiz o sobá, viu?”

-quando todos os defeitos parecem qualidades...

“obrigado por vir Kanda. Pode aparecer outras vezes!”

-E quando ela está triste, o mundo desaba junto...

“Eu vi você ferido aquela noite. Não parece que seja algo sensato continuar vivendo desse jeito.”

-Pode acontecer com qualquer um...

“Eu sou seu amigo, Kanda...”

-Você também não escapa, Kanda...

“Você deveria ao menos ir à escola”

-Mesmo que tente, não tem como escapar...

“Pare de desprezar aqueles que se importam com você...”

-Não tem problema em amor proibido...

“Mas eu vim pra te ver, Bakanda.”

-Porque “proibido” não existe, nenhuma forma de amor é...

“Não estou te stalkeando...”

-Na verdade, eu diria que é proibido impedir que alguém se apaixone por quem quer que seja...

“Por isso mesmo. Eu quero conhecer.”

-Então o mais puro sentimento de ser um garoto amando um garoto...

“Fique e veja, Yuu Kanda.”

-Vale, enquanto for verdadeiro, tanto quanto um garoto e uma garota ...

“mas qual delas você prefere? Digo, personalidade.”

-Então, considere-se sortudo em poder amar alguém...

"Eu me importo com você, Bakanda”

-E assuma logo o que sente! Pelo menos para você e para mim. Na verdade, eu não quero realmente que o Allen saiba...

Lavi esperou a resposta, o comentário, a reação que fosse!! Mas o moreno continuou encarando o ponto fixo ao seu lado. Riu, porque não lhe agradava dar as respostas de bandeja para ele.

-Pense bem, o que te faz ficar tão comportado ao lado dele?- não respondeu- é porque você não quer parecer o marginal que é ao lado da pessoa que gosta, quer causar boa impressão. Admita, o garoto traz o melhor de você à tona, mais uma vez. Kanda, vamos lá, encare os fatos e pare de ser uma mula!

O moreno estava tão imersos em seus pensamentos, que mal estranhou o ruivo deixar de usar seu primeiro nome.

Então era isso? Algo tão banal? Inaceitável.

Por essa não esperava.

No fim, Allen era realmente um trapaceiro.

Armou a ele uma armadilha, certo?

A pior que ele poderia esperar de alguém.

E,o pior de tudo, foi pego. Ou se deixou pegar?

Não sabia se ria ou se chorava da artimanha do garoto.

Nunca devia ter se deixado levar.

-Só para seu conhecimento, Kanda- Lavi continuou falando, assim que o moreno se demonstrou apto a ouvi-lo novamente- você sabe que você foi o motivo de eu ter vindo para cá, pra essa cidade. Mas o Allen foi a razão de eu ter ficado.

Desta vez, Lavi parecia em seu limite, girou seus calcanhares e deixou o moreno, ainda imóvel no corredor, para trás. Mas Kanda não ligou para isso, ainda estava travando sua própria batalha emocional, ainda que soubesse que não tinha jeito de escapar ou negar. Porque, ainda que fosse lá no fundo, sabia que era apenas a verdade que estava sendo cuspida na sua cara pelo caolho.

Então , todas aquelas vezes em que se sentiu a ponto de explodir... todas as vezes que se deixava levar pela fala dele... Os sorrisos de Alma...A escola...

Não. Continua inaceitável.

Afundou as unhas na parede atrás de seu corpo. Caíram pedaços de tinta seca no chão brilhante.

Mas por que sentia que era inaceitável?

Por que eram garotos?

Por que ele não lhe agradava?

Por que...

“Você não pode ser amado, Yuu”

Ah, é.

Como pôde se esquecer?

“Você não existe, Yuu.”

-Porque...- resmungou para si, as unhas agora se afundavam na pele de sua própria palma da mão, e sangravam. O sangue pingou junto a pedaços de tinta da parede no piso- quem não deveria existir, não pode...

Porque tudo é uma mentira.

OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo

-Yuu! Você tá aqui?

Mesmo que ouvisse a voz de Alma o chamando no fim do corredor, não respondeu. Estava mais uma vez sentado no chão, sujo de tinta seca que caíra da parede e não sentia a menor vontade de se dar ao trabalho de olhar no rosto de seu amigo de longa data que se aproximava de seu corpo imóvel.

Não viu, mas teve certeza de que Alma se agachava ao seu lado.

-Eu vi Lavi saindo daqui- falou- ele não me parecia muito bem, nem ao menos conversei com ele hoje. Aconteceu alguma coisa?

Alma estava acostumado a não receber respostas do moreno, porque era algo bem frequente.

-É sério, Yuu.

Nada. Nem mesmo se mexeu. Alma já achava o suficiente, precisava saber o que acontecia, mas se ele não falasse, não tinha como saber.

O problema era que não queria falar. De jeito nenhum. Não queria admitir que aquilo realmente aconteceu. Ou que aquela conversa e seus fatos discutidos eram verdadeiros.

E para que se tornassem reais, achava que precisava admitir em voz alta. Para si e para qualquer um.

Enquanto pudesse, não o faria.

-Por que quer saber, Alma? Isso não é da sua conta.

-Por que não?

-Porque...

-Porque você não quer me contar? Ou porque você nem entende?

-Porque não é da sua conta. Simples- o garoto apoiou sua mão levemente machucada na parede, tentando se levantar o mais rápido possível, cobriu tinta com pequenas manchas de sangue- Agora se vai deixar de ser idiota e me deixar cuidar da minha vida eu...

-Esse é o problema, Yuu!!

Antes que Kanda pudesse sair dali ou mesmo se levantar por completo, Alma já estava de pé em um pulo.

-Às vezes, você não consegue cuidar da sua vida.

A voz calma de Alma, os olhos castanhos que pareciam perfurar sua casca e adentrar o seu interior na maior facilidade. Eram aspectos do amigo que Kanda parecia não suportar.

Parecia uma arma feita contra sua pessoa.

-Mesmo que você não me conte- continuou- eu vou falar com o Lavi. Ou eu posso descobrir agora mesmo, com meu poder de dedução.

Kanda bufou. Era só o que lhe faltava: um vidente de araque.

-Bem, sentindo as vibrações do interior... Com a observação de meu terceiro olho... Hm... Tem a ver com um albino, de cabelos brancos, cicatriz vermelha em formato de estrela nos olhos, um braço esquerdo diferente, que adora te seguir pra onde você for.

O moreno engoliu em seco. Acertou em cheio.

-Você é vidente por acaso?

-Não. Só que você é muito fácil de ler, sabia Yuu? Só você acha que não.

Chorar ou rir? Eis a questão.

-Por isso, se tentar esconder coisas de mim de novo, você vai se ver comigo. Eu vou descobrir todos os seus segredos e fazer uma página no face para expor todos eles. E vai se chamar “Kanda on Crack”, a verdade do último samurai.

-Olha- o moreno riu- você pode tentar o quanto quiser, mas não consegue ser ameaçador.

-Hm, você acha? Então eu vou continuar minha leitura.

-Oe, espera aí...

-Bem- Alma se afastou, andando em círculos na frente de Kanda- você está muito confuso. Lavi te contou a verdade de que você não odeia o Allen. Você gosta dele. E muuuito. Hm, saiba que eu estou muito feliz por você.

-Oe... Você não se importa?

-Com o que?

-Allen é um...

-Garoto? Ah, sim. Eu não me importo. Você, desde pequeno, nunca demonstrou gostar de alguém nesse sentido. Por isso, não importa quem seja, eu aprecio o fato de você realmente demonstrar esse tipo de sentimento. Eu cheguei a pensar que você não conseguia. Nem que seja a única vez na vida, é uma boa coisa. E, se você não se importa, eu quero continuar minha leitura.

-Oe!Oe!

-Enfim, onde estávamos? Ah, sim. Kanda a garotinha apaixonada.

-Você tá se divertindo muito com isso, não é?- o moreno se contentava em serrar seus dentes para descontar sua raiva.

-E como!- Alma riu, de fato, ter o moreno desse jeito confuso era muito divertido para o garoto. O rapaz que se fazia de forte e insensível, agindo de outros modos- bem, o problema é que além de estar confuso por ser um garoto, tem fantasmas do passado que assombram a relação. Hm... E pior ainda!! Tem um rival!

Kanda arregalou os olhos de surpresa, mais do que por ver que Alma conseguia fazer um belo estrago em suas tentativas de esconder fatos, mas por finalmente entender as falar e raivas do ruivo com que conversara mais cedo.

-Ohohohoho- Alma riu, vendo que deixou o moreno em pior estado- isso vai dar uma boa briga, hein.

-Cala a boca.

-Olha, Yuu. Eu já sabia de algo assim, antes mesmo de você mesmo saber. Mas acho que você tem outra coisa para se preocupar, além disso tudo. De passado e de homossexualismo.

-Hã?- mais por não entender, do que pelas palavras estranhas do Alma a trazer a tona todos os seus problemas, estava confuso. Mais confusão?- o quê?

-E o Allen? Como ele te vê?

Notas finais
Eu e minhas tentativas fail de suspense sobre o passado do Kanda...
Reviews?????????????:3 Please!! Onegai!!Putak hamnida (isso tá certo, era pra ser coreano, tá? kkkkk)!!S'il vous plait!! Por favor? :3 hehe