Bad Boy
3 Café
Notas iniciais
Obrigada por todos os reviews e aos que favoritaram também !!!Super feliz aqui!!
Agora acho que vou postar mais rápido por causa das férias (nada garantido, que fique claro!).
E o Brasil acordou, minha gente!Vontade de ir nas manifestações... Mas tem que ir sabendo pelo que tá protestando, hein.
E que fique marcado que sou péssima em decidir título...
Enfim, boa leitura!
O silêncio era mortal.
Agora que Allen já havia devorado toda a pilha de comida paga por Lavi (que ainda lamentava ter aceitado dar seu dinheiro), só sobrara um copo de frapuccino. Ao sugar o líquido do copo com o canudo, provocava o único barulho audível no momento.
Estavam todos bem constrangidos. O pequeno café estava cheio de pessoas, maioria pertencente à gangue, então o silêncio parecia anormal.
Lavi, que estava ao seu lado, se dividia entre chorar pelo dinheiro perdido e animar as pessoas ao redor. Alma, logo a diagonal de Allen, esfregava as mãos, tentando distrair-se. Na outra mesa, um rapaz de manchas roxas que desciam pelos olhos, cujo nome, o albino descobriu, era Daisya, brincava distraidamente com um sino redondo. Ao lado deste, um rapaz gigante, Noise Marie, parecia verificar seus fones de ouvidos, necessários para aguçar a audição e compensar a falta de visão. Na outra cadeira, ao lado da janela que dá logo para a rua, um rapaz interessante, tinha aparência pálida, uma franja vista como “emo”, com mechas brancas, esfregava dois dedos e parecia ser o mais envergonhado, mesmo que não tenha feito absolutamente nada, seu nome, era Arystar Krory. As várias outras pessoas, Allen ainda não conhecera direito. Eram muitas e de vários tipos, uma bem estranhas, tanto que o garoto estranhou quando o atendente sorriu cordialmente ao verem o grupo diverso entrando e não se assustou de nenhuma forma.
O povo se desesperou quando o frapuccino estava chegando ao fim. Ouviram-se barulhos de sucção entrecortados e altos, até que o garoto pousou seu último copo vazio na mesa , junto ao seu monte, e olhou para frente. Havia um garoto sentado na cadeira oposta a sua, Kanda, mexia distraidamente com um canudo em um copo sem graça de água, diferente dos outros não parecia ligar de estar ali, contanto que não falassem e fingissem que não estava.
Os outros se entreolhavam. Olharam para um , para outro, e voltaram seu olhar para Alma que parecia ser a salvação para todos os momentos. Este balançou as mãos e a cabeça negativamente e cutucou o ruivo, que fingia não prestar atenção em seus olhares. Discutiram sem verbalizar, esperando que o garoto ao lado não percebesse, mas Lavi cedeu. Em um suspiro se arrumou virado de frente para o albino ao seu lado.
-Er...E aí, Allen?- hesitou- t-tava gostoso??
-Sim...
-Er... e aí...? Você...tá com sono? Cansado?
-Um pouco...
-Ah, tá...
O albino observou o relógio pendurado na parede, ao lado de uma televisão que exibia o programa da noite, marcava 23h. Não era tão tarde como pensava. E pensar que há quase duas horas estava em uma festa com seus amigos, e mal imaginava que nas horas seguintes estaria prestes a quase ser morto por um japonês sanguinário e estaria saindo com uma gangue que acabara de conhecer, da qual seu melhor amigo nunca lhe contara que fazia parte e era exatamente a que sempre aparecia nos noticiários...Tenso.
Ficou imerso em seus pensamentos, enquanto Lavi relutava, pensando em algo para falar e acalmar o clima.
O albino se recostou na cadeira. Ignorando as perguntas desesperadas do amigo ao seu lado, que vinham sem sentido. Sua mente estava em outro lugar, bem longe dali.
Estava imerso no buraco sem fundo daqueles olhos que o encaravam no beco. Estavam a sua frente, mas não conseguia vê-los, pois o garoto mantinha a cabeça abaixada e apoiada em sua mão, encarando apenas o copo a sua frente e se recusava totalmente a olhar para as pessoas a sua volta.
Naquela hora no beco, tinha certeza, seu corpo congelara simplesmente ao encará-lo. Sabe, como dizem, que os olhos são a porta para a alma e, se aquela era a porta, a alma deveria estar totalmente destruída. Ao menos que o Kanda fosse paranormal, pois o fizera congelar, Allen ficava se perguntando se realmente tinha alguma coisa errada com o oriental. Muito errada...ou com o próprio albino.
-...né?
O garoto deu um pulo. O ruivo sacudia uma mão na frente de seu rosto e parecia ter perguntado algo antes. Voltou à realidade.
-Desculpe.- falou para o ruivo- disse alguma coisa?
-Hã?? Você nem tava me ouvindo???- fez um bico. Alma abafava a risada ao fundo.
-Já pedi desculpas...- repetiu- é que eu só estava pensando um pouco- olhou de esguelha para o motivo da sua viagem, que bebia um gole pequeno de água.
-Eu só estava dizendo- falou bem alto, como se quisesse garantir que o albino fosse realmente ouvir dessa vez sem se perder em sua mente- para você parar de secar o Yuu e prestar atenção em mim!
-Eu não estava secando o Kanda!- indignou-se.
“Ou será que estava realmente olhando muito???”, pensou.
-Mas, sério- mudou de assunto- o que você estava falando, Lavi? Eu juro que vou ouvir dessa vez- juntou as palmas das mãos.
-Só queria saber se você está realmente bem... Você tá bem quieto e parece um pouco irritado. Eu sei que foi ruim eu ter escondido, mas...eu não queria que você tivesse uma reação muito ruim, sabe? E além de tudo ainda quase te mataram...
-Pfff
Uma risada abafada chamou a atenção. E qual não foi a surpresa ter vindo do “quase-assassino” da noite.
-Yuu!- Alma repreendeu- não ria disso!
-Rá.- riu um pouco- como não rir de um moyashi fracote?
Allen franziu o cenho. Estava irritado, pois percebeu que sua má experiência serviu para que fizesse o moreno rir, algo que ele não fazia por qualquer coisa. Mas indignou-se mais pelo apelido surpresa que recebera.
-Moyashi?!- perguntou irritado.
-E há apelido que descreva um fracote como você melhor?- respondeu desviando os olhos do copo para encarar o albino a sua frente.
-E o que isso quer dizer?? É japonês??- perguntou.
-É.- Alma respondeu- quer dizer algo como...”broto de feijão”. Acho...
-Broto de feijão...? O que isso tem a ver...?
-Meu deus!- Kanda largou o canudo- não achei que fosse tão idiota...Moyashi.
Allen sentiu algo pulsar em sua testa.
-Ele só está chamando você de fracote, Allen.- Lavi explicou. Ele sorria da confusão do amigo ao seu lado.
-Hunf. Nem se acha você, hein.- retrucou irônico de braços cruzados para o moreno.
-Eu me acho...Agora, você não...- riu, e Allen percebeu que ia falar algo sobre ele- você fica tão perdido que mal se acha.
-Seu...
-Tudo bem- Alma interrompeu- parem a briguinha, por favor! Viemos em paz aqui.
O albino e Kanda observaram Alma balançar uma bandeira branca imaginária, enquanto implicava com o moreno por ser sempre arrogante e se desculpava pela milésima vez para Allen naquela noite.
-Bem, agora que o casal irritadinho acalmou os nervos...- Lavi começou, mas apenas quando Alma o cutucou e o encarou significadamente- queríamos conversar mais, sabe. Socializar e tudo mais...
Os dois observavam o ruivo gesticulando bastante com as mãos a cada fala, como se quisesse garantir que todos entendessem a parte “social” e “conversar”, algum tipo de aviso para as futuras discussões e para o isolamento do moreno. Simplesmente concordaram em silêncio...bem pelo menos foi como Lavi interpretou a falta de pronunciamento deles.
-Então...- continuou- Allen, ainda está assustado?
-Eu to bem! Não ajam como se eu fosse uma criancinha medrosa...
-Tá...- o ruivo encolheu os ombros- a gente só queria mais uma vez pedir desculpas pelo YUU- gritou- que é um irresponsável, idiota! Quase bateu no Allen pra valer!
Allen observou sem reação o ataque de seu amigo. Percebeu que Kanda pulou em sua cadeira, quando Alma bateu com seu cotovelo no estômago do moreno.
-Que foi Alma??- perguntou irritado e esfregando a parte atingida.
O castanho ergueu as sobrancelhas, encarando. Kanda franziu o cenho em resposta.
-Não vou pedir.- disse.
-Vai sim.
-Não.
-Sim.
-Para de querer mandar em mim, caralho! Quem você acha que é? Minha mãe??
-Não. Sou seu amigo. E acho que você devia parar de ser rabugento e começar a ...
-Cala a boca!Fica me seguindo para lá e para cá, falando pra fazer isso, fazer aquilo... Puta que pariu!!
-Yuu!! Olha essa boca!!- apontou para o albino, que olhava perplexo a discussão, obviamente Alma não queria que o moreno se mostrasse mais agressivo na frente de uma pessoa nova. Algo em que com certeza não valia a pena investir no momento.
-Ah, foda-se o moleque também...
O amigo decidiu que não adiantava discutir mais. Só pioraria a situação, então virou-se para o albino e juntou as palmas das mãos para pedir desculpas.
-Não, não- o garoto balançou a cabeça negativamente- não precisa disso!! Fui eu que me intrometi...
-Viu só, Yuu?- virou-se agressivamente- o garoto é todo gentil e você...
Todos acharam que ele fosse recomeçar a gritaria, mas simplesmente bufou e sentou-se novamente.
-Continuando...- Lavi disse novamente- só gostaríamos, Allen, que você não ficasse espalhando coisas, por favor. Não é por nada, mas também não pegaria bem você ficar espalhando que conversou com uma gangue por aí e quase foi morto pelo Kanda em um beco qualquer...
-Ah,sim. Sem problemas. Imaginei que fosse algo assim, mas...
-E...- Lavi interrompeu- qualquer questão, eu respondo outro dia. Já foi muita coisa só pra hoje, não?
Allen se aquietou quando observou o ruivo sorrir mais uma vez. Ele parecia ter lido sua mente, pois realmente ia perguntar mais coisas. Lavi encerrou a conversa batendo as mãos nas pernas e se levantou, acompanhado por todos os outros.
-Bem, já que está tudo bem, acho que já podemos ir, né? Está ficando tarde, não queremos deixar o Mana preocupado. E eu não quero que meu dinheiro acabe...
Lavi piscou para o pequeno, enquanto colocavam as cadeiras no lugar e acenavam para o atendente em agradecimento.
— Não fica preocupado, Allen. Yuu estuda no nosso colégio, sabia?
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
-...e aí...- a garota continuava nervosa- eu virei por um minuto e nem você, nem o Allen estavam lá!!
Lenalee estava muito irritada desde sexta e agora, durante o intervalo na escola, estava jogando tudo no rosto dos dois garotos sentados no banco. Ela reclamava de pé, estava impaciente, os braços cruzados, o cenho totalmente franzido fazia seus olhos reduzirem bastante, enquanto Allen e Lavi se entreolhavam desesperados a toda hora.
-Desculpa! Desculpa! Desculpa!- Allen falava rapidamente- eu não queria te deixar sozinha!! Eu juro! É só que...
O garoto olhou para Lavi. Disse com os olhos, “Por favor, me ajuda!”. E o ruivo correspondeu.
— Lena- Lavi chamou a atenção- o Allen passou mal, sabe? Eu achei ele agonizando em um canto qualquer e levei-o para casa.
-Mana me disse que vocês chegaram depois da meia-noite...- disse desconfiada.
— É que a gente se perdeu...-continuou mentindo- e aí o Allen estava morrendo de fome, sabe como é né, então eu levei ele para descansar e comer em um café lá perto.
-Hm...- a garota sentou ao lado deles- tudo bem. Vou aceitar isso. Só achei que do jeito que você é, Lavi, tinha arrastado o Allen para algum tipo de coisa imprópria.
-Eu tento, mas ele nunca quer ir...
Os garotos sorriram ao ver a amiga rir pela primeira vez na manhã.
Ela não sabia de nada. E isso incomodava o albino, antes mesmo ele havia se perguntado se Lenalee já sabia. Não. Ela não tinha a menor consciência do que o amigo fazia, e o garoto não estava tão afim de contar a ela para verem começar uma discussão.
“Olha, Allen.”, Lavi disse na noite da festa, quando Allen perguntou sobre Lena, “Não, ela não sabe, mas é melhor não contar nada sobre o que você conhece. Não faria muito bem a ela, você sabe. Lena iria ficar muito nervosa! Demais!”
Naquela hora o garoto concordou, mas tinha certeza de que uma hora ela acabaria descobrindo. Como ele descobriu.
Só rezava para que a garota não descobrisse de uma forma tão intensa como aconteceu com ele.
Com Kanda.
Depois que Lavi disse que ele estudava na mesma escola, Allen paralisou. Quer dizer que todo esse tempo ele estava ali? É óbvio que não. O garoto faltava em oito dos sete dias da semana!
De vez em quando, o albino se pegava procurando o moreno pela escola. Verificou listas de alunos para constatar que realmente estudava ali. E era verdade. Totalmente verdade. Estava escrito, “Yuu Kanda, 2ªano A”, a mesma de Lavi. Chegou a invadir a classe do amigo usando a desculpa de vê-lo, para procurar a carteira vazia onde deveria ter um pseudo-samurai rabugento sentado. Era uma carteira abandonada perto da janela ao fundo. Se pegou rindo ao pensar no quão assustador ele deve ficar sentado naquele fundão. Simplesmente ameaçador.
E o que lhe interessava tanto naquele rapaz?
O que seria, hein?
-Mas nunca mais façam isso!- Lenalee bateu em suas cabeças- eu fiquei desesperada!
-Tudo bem, tudo bem...- concordaram.
E o que incomodava mais ainda o albino era o fato de terem que esperar a melhor amiga ir embora para tentar falar sobre a gangue com Lavi. Mas o ruivo parecia bem animado para contar um monte de coisas, o que fez Allen pensar no quanto ele teria se contido para não começar a tagarelar sobre essas coisas enquanto era um segredo absoluto.
-É- Lavi riu, estavam na quieta sala pós-aula- desde pequeno que o Kanda é um rabugento, era muito engraçado vê ruma criança com um rosto franzido que nem o dele.
-É- Allen concordou, rabiscava na carteira de Lavi com seu lápis- para um garoto tão bonito como ele, ficar agressivo não é uma boa atitude.
-Você acha o Yuu bonito, Allen?
-Hm, claro que si... Não. Eu acho, mas não leve para o lado errado Lavi...
-Pode deixar...- riu.
O ruivo percebeu que o garoto estava pensativo. Só esperou para que ele continuasse a conversa.
-Ei- disse- como se fala idiota, ou algo do tipo em japonês?
-Hã??- riu- bem, se não me engano, acho que era “Baka” ou algo do tipo... Por que?
-Ótimo- o albino sorriu- então será...Bakanda! Isso! Perfeito!
-Hã?...Ah, um apelido?
-Sim. Ele me chama de moyashi, então vou chamá-lo de Bakanda!! Huhuhu o que acha?? Perfeito, não???
-Hehehehe o que eu acho?- Lavi sorriu- acho que vocês se dariam muito bem...como amigos.
-Quê? Eu e aquele idiota? Mas nem pensar! Isso é, ele é capaz de ter amigos? Duvido!
-Será...Allen? Será...?
-Pare de ser misterioso, Lavi. Parece que você já sabe o futuro, me assusta desse jeito...
A conversa se encerrou por um soco de leve no ombro do ruivo. Allen apagou seus desenhos com a borracha,mas deixou algo escrito na carteira do fundo, ao lado da janela, da classe de Lavi.
“BAKANDA :P”
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Allen virou no outro corredor do supermercado. Verificou a placa indicadora do que havia nas prateleiras e verificou sua lista de compras dada pelo seu pai.
“Só você, hein, Mana”, pensou,” esquece de fazer compras e diz que vai trabalhar até tarde, sobra pra mim, né?”.
Colocou uma caixa da prateleira em sua cesta. Sorriu para uma moça qualquer que o olhava no fim do corredor, encantada por ver um jovem tão comportado, fazendo simples compras de supermercado.
Virou outro corredor. Verificou novamente a lista, mas parou ao observar uma velha senhora se esticando na ponta dos pés para pega ruma garrafa ao alto da prateleira. Sem sucesso.
Esticou seus braços claros e finos e conseguiu alcançar a garrafa.
-Aqui- entregou a velha senhora- era isso que queria?
-Sim, muito obrigada, rapaz- a senhora sorriu- não há tantos rapazes como você por aí, não? Gentil...
Riu.
-Você fala como se eu fosse especial.
-Mas é, não? Todos somos especiais. Ou será que você já encontrou alguém igualzinho a você?
-Creio que não.
-Viu, só?- riu, colocando a garrafa em seu carrinho- sempre digo aos meus netos, se você quer, você se vê especial, garoto. Ainda mais um menino bom como você...
-Obrigado- riu- boa noite, então.
-Mas às vezes o que te faz especial é a outra pessoa... E vice-versa.
-Outra...?
-Sim, como uma alma gêmea. Muitas vezes as pessoas não se veem bem hoje em dia. Sabe por quê? Porque falta sua metade. Sempre aviso meus netos, um deles arranjou uma mulher incrível, sua noiva, gentil, amável... Se completam totalmente huhuhu e pensar que antes ele não ligava para a vida... Olhe se você se sente estranho, é porque lhe falta um pedaço da alma.
-...
Quieto e sem reação, observou a estranha velha dobrar o corredor em direção ao caixa acenando alegremente.
Mas o que foi isso?
As pessoas estão um pouco videntes hoje, não? Primeiro o misterioso Lavi e depois a senhora...
Riu baixo.
-Tsc. Deu pra ficar maluco agora...Moyashi.
Allen paralisou quando a voz grave e irritante cortou no ambiente. Virou-se lentamente para ver aqueles olhos franzidos o encarando irritados.
-Maluco?
-É claro, tá rindo aí sozinho...Ou vai me dizer que fala com as prateleiras?
-Pelo menos, eu falo com alguém, diferente de um pseudo-samurai anti-social...
-Pseudo-sam...?
-Isso mesmo- cruzou os braços e sorriu divertido- Ba-Kan-Da.
-Quê?
-Bakanda.Seu nome, não é?
-Maldito moyashi...
Por um momento, Allen pensou que Kanda iria realmente bater nele. O garoto levantou o punho e uma veia aleatória ficava pulsando em sua testa. Mas o moreno olhou para os lados, examinando o local em que estava, achou inapropriado com certeza, então abaixou o braço e se contentou em estalar a língua em um “Tsc” nervoso.
O mais estranho de tudo, foi o fato de que Allen não estava com medo. Como se soubesse que não iria machucá-lo, nem ao menos se protegeu do golpe que pensou que viria. Estranho.
“Parece que alguém tem bom senso”, pensou ao ver Kanda se conter para não socá-lo. De acordo com suas análises, isso era um progresso em sua relação com ele.
-Fazendo o que aqui?- Allen tentou começar uma conversa, percebendo que estava mais calmo.
-Fritando bolo, não tá vendo?- o moreno respondeu ironicamente. É, parece que manter uma conversa civilizada seria uma tarefa difícil.
-Hunf- emburrou-se- podia ser menos grosso, hein.
-E você podia ser menos idiota e pensar um pouco.
-Enfim- ignorou-eu estou fazendo compras.
O garoto balançou a lista em sua mão e tornou a andar pelas prateleiras verificando seu conteúdo. O moreno o seguiu, mas não disse nada.
-E suponho que você também esteja fazendo- continuou. Apontou para a cesta quase vazia na mão do japonês- suponho. Pois não sei se isso realmente conta como compra. Não tem nada na sua cesta.
-Ingredientes para sobá- indicou- só o que preciso.
-Hm, mora sozinho então?
-...Não.
-Ah, sim.
Era incrível como sem falar quase nada, o moreno conseguia deixar tudo tão tenso.
-Então...- tentou puxar assunto novamente. Pegou uma garrafa de refrigerante- muitas atividades da gangue?
-...Mais ou menos.
-O quê? Lavi também tá lá?
-Você é curioso, hein. Xereta.
-Sou mesmo- sorriu.
-Hunf- rolou os olhos. O sorriso do albino para tudo o deixava completamente irritado- só andando por aí. Tem um grupo de desgraçados que adoram arrumar briga perto daqui. A gente topa com eles de vez em quando...
-Ah...Vocês não deveriam brigar
-E sua opinião importa?
-Com certeza!
-Só que não, moyashi.
-É Allen, Bakanda.
-É Kanda, moyashi!
Allen verificou o último item da lista gigante e com o carrinho transbordando (havia trocado a cesta, pois já estava pesada) localizou o caixa.
Quando a miséria de comida que Kanda comprou foi paga, os dois saíram para a rua carregando suas compras. Enquanto andavam, o albino continuava as tentativas de manter uma conversa, qualquer que fosse.
-Onde você mora, Kanda? Aqui perto?
-Mais ou menos.
-Hm... Lavi me contou que você estuda na minha escola. Nunca o vi lá. Você falta muito, não?
-É.
Allen emburrou-se.
-Sabe, se você não que minha companhia, não tem porque andar do meu lado.
-Tsc...É só que...eu...
-Hm?
-Alma me mandou...
-...Quê?
-Ele ficou enchendo meu saco todos esses dias, aí eu to aqui pra...pra...
O albino observou o moreno se contorcer estranhamente, como se não fosse capaz de dizer o que queria. Ele fechava o punho como se relutasse. Acho que comunicação definitivamente não era seu forte.
-O quê?
-Prapedirdesculpaspeloqueeufiz.
-Perdão, eu não falo essa língua- sorriu.
-Maldito... É só que, me desculpe por ter quase arrancado sua cabeça com a minha espada, tá?
-Hm... Viu só? Não é difícil. Você poderia dizer mais frases assim, grandes e completas.
-Cala.A.Boca- agarrou as bochechas do albino com força. Não é que eram divertidas de apertar?
-Ai, ai, dói.
-Mas e aí?
-E aí o que?- esfregou as bochecha que já estavam livres e arrumou as sacolas nas mãos.
-Estou perdoado?- disse em tom de brincadeira, como se zombasse de suas idiotices. Queria acabar logo com essa parte.
-hm...Acho que sim. Provavelmente, talvez, possivelmente sim.
-Irritante...- resmungou quando viu o garoto aos risos ao seu lado.
Allen se viu pensando no quanto o moreno podia ser divertido, tirando sua arrogância extrema e sua agressividade, havia horas em que era possível conversar quase civilizadamente.
Estava escurecendo. Allen pensou em como era incrível que esse fundo combinasse tanto com o garoto ao seu lado. Talvez fosse a situação de quando se conheceram, por assim dizer.
A imagem terrível daquele dia vinha à tona na cabeça do albino toda vez que ele se distraía. Por que ele estava daquele jeito? Quantas vezes ele já ficou assim? Quando menos esperava se via desejando mantê-lo perto, para vigiar. Não que achasse que podia ajudar, mas queria.
Não se conheciam tanto assim, vamos deixar isso bem claro.
Depois daquela noite, essa era a segunda vez que se viam e o relacionamento parecia bem melhor. Tanto que se conversavam. Talvez Lavi estivesse certo, talvez pudessem ser amigos.
-Oe, quer ajuda?- o moreno curvou-se para o pequeno que andava ao seu lado.
-Hã??
-As sacolas.- apontou para o amontoado de sacos brancos pendurados nos braços finos do albino. O lugar parecia avermelhado por estar sendo forçado. Provavelmente o japonês pensara que os braços/palitos poderiam se partir ao meio com o peso.
-Ah, sim, obrigado- entregou as que estavam em seu braço direito e rapidamente distribui as do seu braço esquerdo.
Um carro buzinou atrás deles e se viram iluminados pela luz do farol dele. Olharam rapidamente para trás e viram um Mercedes preto freando ao lado deles.
Kanda estranhou, mas Allen parou.
-Pai?- perguntou ao motorista.
O vidro baixou e revelou um homem em seus 30 anos, cabelo castanho, pouco bigode. Ele sorriu para o albino.
-Allen!!- gritou- foi fazer compras?? Me desculpe, filho, mas eu realmente esqueci hehehe estou voltando agora do trabalho, eu não esperava te encontrar no caminho!! É perigoso andar na rua à noite!! Entre, entre!!
-Tudo bem, tudo bem...
O garoto abriu a porta do carro e jogou suas sacolas, aliviando seus braços finos. Ia entrar, mas alguma coisa foi estendida a sua frente. Sacolas.
-Toma, moyashi.- Kanda entregou- eu já vou indo.
-Ora, ora- ouviu uma voz vindo do carro- um amiguinho, Allen??
O moreno custou a acreditar que alguém se referira a ele desse jeito, como amigo. Mas ignorou ao virar-se para o homem e interromper sua “fuga” do local.
-Ah- o albino se lembrou- esse é o Kanda, Mana. Ele...estuda na minha escola.
Não era mentira. Que isso fique marcado.
— Eu o encontrei no mercado e ele me ajudou a carregar as compras.
-Ah, muito obrigado por ajudá-lo, rapaz.
-Nada.- Kanda respondeu sem emoção- eu já vou indo...
-Ora, mas não quer vir conosco?? Pode jantar com a gente! Venha não se acanhe, certo, Allen? Há sempre espaço! Há tempos que somos só eu e o Allen... Poucas vezes vem amigos, só a garota Lee e o ruivo atrevido. Venha, venha.- chamou com a mão para dentro do carro.
-Ah, sim. Sem problemas. Vem Kanda. Pode vir. Só um jantar, vai?
O japonês não sabia o que fazer quando o garoto pulou para o lado, lhe dando um espaço no carro. Sem nada a dizer, agarrou sua sacola e sentou ao seu lado.
-Tudo bem, Kanda- Allen disse- a gente faz um pouco de sobá. Não se preocupe.
Notas finais
E agora, hein? O que acontecerá na casa de Allen??? Será que Kanda aguentará o pirralho? Será que Allen aguentará o samurai? Será que Mana dirige bem?Será que Kanda come sobá de café da manhã? Será que pinguins vestiriam um sombreiro no México? O que falam as bananas suicidas?
Isso e muitas outras coisas nessa fic emocionante!
Não perca as altas confusões dessa gangue da pesada, no próximo capítulo de: Bad Boy, a gangue do ovo, mexeu tá frito!
*péssima em escrever trailers também kkkkk*
De qualquer jeito não percam o próximo capítulo!! :3
Fale com o autor