Bad Behavior
1 Tirar o Poder de um Homem
Notas iniciais
Dou uma tragada no cigarro que um estranho me oferece e me arrependo logo em seguida, tossindo até os pulmões doerem. O cara ri e deita na grama verdinha, ajeitando o boné na cabeça. Levanto e bato as mãos no jeans pra tirar a sujeira. Chega de adiar meu trabalho.
A batida eletrônica entra em meus ouvidos, vibra meu corpo e meu coração. Parece um chamado para coisas ilícitas, sensuais e imorais. Coisas que costumo fazer.
Meus pés me conduzem para o conhecido, uma casa onde já estive, com luzes coloridas e fumaça de cigarro. As pessoas como numa noite qualquer, me lançam olhares de desprezo, nojo e claro, excitação.
Passo pela porta aberta e a temperatura muda. De um frio com vento cortante para um calor abafado e repleto de cheiros. Álcool, suor, drogas e sexo.
Caminho até a cozinha e sorrio quando encontro o que procurava. Um cooler azul repleto de bebidas e gelo. Pego uma cerveja e a bebo em silêncio, as costas apoiadas no armário de madeira. Ao meu lado, duas garotas se pegam como se não houvesse amanhã. Uma empurra a outra em direção a porta, os lábios das duas colados enquanto se batem contra as paredes. Solto uma risada sem querer.
— Alexia. – Oscar, um idiota que não merece descrição, se aproxima com dois amiguinhos. Eles estão sem camisa e com os cabelos molhados. Provavelmente acabaram de voltar de um mergulho na piscina e agora querem algo quente para esquentar seus corpos gelados. – Que prazer te ver aqui.
Eu e Oscar trocamos alguns beijos no passado. Embaixo da arquibancada da escola, as mãos dele nos meus peitos e o meu olhar no campo de futebol, torcendo pra que o momento terminasse logo, antes de eu precisar enfiar os dentes em sua língua grossa. Para a sorte dele, fomos interrompidos por um grupo de estudantes mais novos pulando sobre as arquibancadas.
— Não posso dizer o mesmo.
— Qual é gata? Vai dizer que não gostou de me ter nessa boquinha linda?
Ergo as sobrancelhas pra ele enquanto seus amigos me encaram com mais interesse, precisamente os meus lábios. Oscar nunca sequer esteve nu na minha frente, mas eu sei que se disser que isso é uma mentira, seus amigos continuarão acreditando em sua palavra. Afinal, o que é mais fácil: Acreditar na vadia da cidade ou no melhor amigo?
Passo pelos três com um sorriso no rosto.
— Sinto muito. Você já teve sua chance.
Abaixo para pegar outra cerveja enquanto sei que encaram meu traseiro. Tão manipuláveis. Ando em direção a pista de dança e solto meus cabelos castanhos, movendo meus quadris no ritmo da batida. Noto Oscar se aproximar e eu me afasto, ficando cada vez mais próxima da mesa do DJ. Oscar continua, com um de seus amigos ao seu lado e eu observo com ódio o seu olhar determinado. Chega de fugir desse merda. É hora do show.
— Posso subir? – Pergunto para o DJ de sorriso brilhante e fones no ouvido. Ele diz algo que não entendo e estica a mão para mim. Subo e Tate se afasta, colocando algo automático para tocar. Suas mãos batem palmas para mim e eu danço sobre o pequeno palco por um longo tempo. Toco a roupa sobre os meus seios fazendo movimentos circulares e trilho o caminho até minhas coxas enquanto desço mais e mais. Um grupo de pessoas se reúne aos pés do DJ e eu sorrio, chamando-os como uma sereia. Viro de costas e rebolo, acariciando minha cintura e quadris, chamando atenção para o formato das minhas curvas.
O DJ alto e forte se aproxima das minhas costas, colando seu peito nelas e pressionando meus quadris contra a mesa. O público parece cada vez mais atento quando ele movimenta o quadril e continua mexendo nos botões a nossa frente. Seu rosto se aproxima do meu e eu sinto sua respiração em meu pescoço. Inclino a cabeça para o lado, dando-lhe mais espaço e ele aproveita, afastando meus cabelos suados e beijando a pela exposta. Abro a boca em um ofego exagerado, recostando ainda mais minhas costas em seu peito duro.
O ar muda, a excitação palpável no ar. Os olhos em nós brilham e algumas pessoas gritam, batem palmas e assobiam.
— Você está bem? – Tate sussurra roucamente em meu ouvido. Sorrio para ele como resposta. Ele sorri de volta e uma de suas mãos segura meu braço direito, erguendo-o e fazendo meu braço enlaçar seu pescoço. Minha blusa sobe alguns centímetros e a mão dele toca meu ventre, os dedos brincando bem próximos de um lugar proibido. Ofego novamente e fecho os olhos, mordendo meus lábios. Seu quadril empurra meu traseiro de novo e dessa vez eu sinto algo duro e pronto contra mim.
— Você está bem?! – Sussurro com ironia e ele se afasta um pouco, mantendo um braço em volta da minha cintura.
— Desculpa. – Ele sorri ao dizer isso, antes de me sentar em uma das caixas de som. O vibrado da música atinge meu ponto de prazer e eu fecho as pernas, cruzando-as. – Quer beber alguma coisa?
— Água.
Tate se abaixa e pega uma garrafinha num isopor ao lado, entregando-me em seguida. Bebo tudo rapidamente e levanto.
— Quer descer e curtir a festa? – Olho para baixo e percebo os olhares famintos em mim. Passo os dedos pelo pescoço, sentindo-me sufocada.
— Não. Quero ir pra casa.
Tate envolve meus ombros com o braços e abre caminho pela multidão. Alguém toca a minha bunda, mas eu ignoro, caminhando firmemente até a saída. Oscar felizmente encontrou outra vítima e gira a língua com uma velocidade anormal na boca de uma garota ruiva.
— Que porra é aquela? – Tate pergunta ao reparar no beijo e eu dou risada da sua expressão enojada. – Leah!
Ele chama a irmã sentada nos degraus da casa, contando os ingressos. Leah fecha a caixa onde guarda os bilhetes e se vira para nos encarar.
— Leve a Lexi em casa.
Acaricio meus braços nus quando um vento gelado toca minha pele.
— Virei motorista também? – questiona rispidamente, jogando os dreads para um dos ombros e erguendo a sobrancelha bem feita. Tate revira os olhos e enfia a mão da caixa, tira cinquenta pratas e me entrega.
— Tem certeza que quer que eu vá embora? – Passo a língua pelos lábios e com o dedo indicador envolvo um passador de cinto de sua calça jeans, trazendo-o para mais perto. Sua ereção antes quase adormecida volta novamente e eu luto para não revirar os olhos. Homens.
Sorrindo, enfio a mão no bolso de Tate e tiro a chave de dentro. Ele tenta pega-la, mas eu a enfio no decote.
— Não precisa se incomodar, Leah. Eu serei a motorista.
Corro até o carro vermelho e fecho a porta com força. Tate surge ao meu lado ofegante e coloca as mãos no vidro.
— Me dê a chave agora, Lexi!
Dou uma ré brusca e ele se afasta de imediato. Levanto o dedo do meio para sua irmã e solto um beijo no ar pra ele.
— Não se preocupe. Te devolvo amanhã!
Ligo o som do carro e Britney Spears invade o ambiente, tocando na rádio. Entro na estrada escura e deixo Tate pra trás com as mãos no cabelo crespo e o olhar perdido.
Dou risada e inclino a poltrona do carro. Eu até bateria palmas se minhas mãos não estivessem no volante.
Afinal, não há nada mais prazeroso do que tirar o poder das mãos de um homem.
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