Bad Behavior

2 quem sabe na próxima?


Notas iniciais
hello doçuras. os caps estão curtinhos e essa é minha intenção com essa história: caps diretos, curtos e frequentes. boa leitura!

Paro o carro em frente a cabana onde moro e minha vizinha do lado, Louise, abandona a churrasqueira e a mesa de madeira com seus filhos estúpidos e preguiçosos para encarar o carro em que cheguei.

— Belo carro, Alexia. – Ela grita e eu ignoro, checando se as cinquenta pratas estão o meu bolso antes de subir a pequena escada.

— Ela ganhou fazendo isso. – O filho mais velho dela faz sons e gestos obscenos numa tentativa patética e nojenta de imitar sexo oral. Eu apenas ignoro, cansada demais até pra tentar entender o que há de errado com essas pessoas para resolverem fazer um churrasco até tão tarde. Eu não duvidaria nada de que viram sair há algumas horas atrás e então inventaram alguma atividade para continuarem me bisbilhotando. Fofoqueiros de merda.

Abro a porta e encontro a sala escura, exceto por um feixe de luz que vem da cozinha. Minha mãe dorme no tapete com uma garrafa de tequila pela metade nas mãos. Vou até meu quarto e encontro meu irmão dormindo sob uma manta grossa. Caminho até ele e checo sua temperatura com as costas da mão. Essa porcaria de cabana sempre fica especialmente fria durante a noite. Depois de checar Tyler, pego minha toalha pendurada numa cadeira no canto e vou até o banheiro. Tiro a roupa com pressa e entro na água gelada. Meus dentes batem enquanto dou pulinhos sob o chuveiro, numa tentativa vã de não congelar. Enrolo-me na toalha e visto uma roupa quentinha.

O relógio marca 03:17. Volto ao banheiro e tiro o dinheiro do bolso da minha jeans. Abro minha cômoda e pego uma girafinha de pelúcia da parte onde guardo meu perfume, desodorante e mais um amontoado de coisas.

Pego minha caixinha de costura e começo a descosturar as costas da girafa. Alguns pontos abertos depois, consigo enfiar a nota ali dentro. Depois disso costuro novamente e guardo todos os itens, sentindo-me mais leve quando termino.

Deito na cama ainda tremendo de frio e encaro o teto.

Mais um dia de cão me aguarda.

***

— Eu quero cereal de chocolate! – Tyler grita com um sorriso enorme no rosto, correndo e me encontrando na cozinha.

— Sinto muito, campeão. Nós só temos ovos hoje.

Os ombros dele murcham enquanto caminha até a mesa de quatro lugares. Seu olhar nem sequer se detém na progenitora estendida no tapete da sala com uma garrafa em mãos. A cena tornou-se comum demais para atrair sua atenção. Respiro fundo para controlar a raiva. Eu a acordei há trinta minutos e tentei ajuda-la a chegar até o quarto, mas Sue apenas soltou uma enxurrada de palavrões e voltou a se aconchegar no chão. Eu absolutamente odeio que Tyler seja obrigado a ver a mãe nessa situação.

Coloco um prato na sua frente e o sirvo com uma porção de ovos mexidos e um copo de suco de laranja.

— Você vai comprar cereal hoje?

Sorrio para ele, num dos meus momentos de felicidade artificial. Apesar dos dentes a mostra, meu estômago gela com que vou dizer.

— Nós vamos passear hoje. Vou te levar para o parque de Greenwood.

Ty afasta o garfo da boca e dá um grito de vitória como um pequeno viking.

— Que demais!

Tento comer um pouco, mas não consigo. Nossa viagem para Greenwood não é apenas a passeio. Tenho negócios a resolver lá. Negócios que envolvem diretamente meu irmão de sete anos.

Deixo-o irmão comer e termino de me arrumar. Ajeito meu cabelo castanho e passo batom vermelho. Coloco brincos grandes de aro e fecho a calça jeans apertada. Dez mensagens de Tate brilham na tela do meu celular, mas eu ignoro. Resolvo isso depois.

Ajudo Ty a escovar os dentes e pego sua mochila no sofá. Ele me segue falando sem parar e eu o incentivo a continuar contando cada detalhe do dia anterior na escola. Adoro que Tyler me conte as coisas. A culpa dele ser tão falante é com certeza minha. Quero que Ty saiba que pode confiar e me contar qualquer coisa.

— Que carro é esse? – Pergunta, parando nos degraus e encarando o luxuoso carro vermelho como uma preciosidade.

— É de um amigo. –Tranco a cabana antes de segurar sua mão – Ele me emprestou por hoje.

— A gente vai pra escola de carro?! – O sorriso de Ty se ilumina e meu coração se acalma um pouco. Abro a porta de trás e me inclino para ajuda-lo com o cinto. Quando me ergo, encontro Débi (apelido para o filho mais velho de Louise) encarando meu traseiro. Levanto os dois dedos do meio pra ele e o idiota movimenta os quadris pra frente e pra trás, fazendo meu corpo se arrepiar de nojo. Entro no carro e ajeito o retrovisor.

Dou uma ré com força e ele grita quando eu paro a centímetros do seu corpo, fazendo com que caia na grama decrépita. Um palavrão soa e eu vejo Louise sair do trailer para acudi-lo, xingando-me em seguida.

— O que foi isso? – Tyler pergunta, tirando a atenção dos botões de sua mochila.

— Nada.

Acelero e vou embora triste por não tê-lo acertado com mais força. Quem sabe na próxima.

Notas finais
Vizinhos legais, han?