Bad At Love
3 Três
Notas iniciais
O sol começava mostrar seus primeiros raios naquele dia em questão, há muito várias pessoas já estavam acordadas, prontas para um novo dia de trabalho, estudo ou qualquer outra coisa que as pessoas fizessem. Em diversos lugares do mundo um café era preparado, aquele acalentador liquido que sabia como acolher nossas almas como as mãos de ente querido. No apartamento de Callie Torres não era diferente, a não ser pelo simples fato de que naquele dia seu despertador estava programado para tocar um tanto mais tarde, devido a sua agenda que estava em constante mudança em vista do trabalho exaustivo. A morena de traços latinos fortes dormia como um anjo em sua cama não tão espaçosa no segundo quarto da casa, a mão esquerda repousava ao lado de seu rosto, com o punho levemente cerrado. A respiração era leve, quase imperceptível naquele horário em si. A paz interior do segundo quarto apenas fora abalada por um barulho que parecia ser feito no... Quarto principal?
Os olhos sonolentos começavam a despertar de forma lenta, se acostumando com a claridade ao seu redor, o quarto se fazia extremamente branco, com alguns poucos itens de decoração em cor preta e cinza. Calliope se apoiou em suas mãos, e então se sentou em sua cama, tentando discernir de onde é que aquele barulho vinha. Seu sono era leve como uma pena, não era como se estivessem quebrando a casa ao meio, mas ainda sim, o pequeno barulho se tornava imenso em uma casa silenciosa pela manhã. As habilidosas mãos prenderam o cabelo que ainda possuía os traços de uma boa noite de sono em um coque, e então ela movimentou seu corpo de forma vagarosa para fora da cama. Os pés descalços tocaram o chão de madeira frio da casa ao passo que ela se cobriu com o pequeno robe preto que descansava em uma cadeira próxima da cama, afinal havia dormido apenas com suas roupas intimas.
Caminhou para fora do quarto a passos lentos devido à preguiça que sentia, não era a hora dela estar acordando, na verdade, ela estava acordando duas horas mais cedo do que o previsto. Um dos punhos cerrados coçava levemente um dos olhos enquanto ela se aproximava do quarto principal, cuja porta estava entreaberta.
Como a casa era sua, e ela, mais do que acostumada, apenas abriu a porta sem cerimonia alguma. Os olhos castanhos se fixaram na figura ali em pé, se contorcendo para calçar seu próprio sapato, que em questão era um coturno marrom escuro com um cadarço fino. Sua sobrancelha esquerda se arqueara consideravelmente enquanto ela observava a mulher que ainda não havia notado sua presença. Torres respirou fundo percebendo que mais uma vez Arizona Robbins perturbava a ordem, de um jeito extremamente encantador, mas perturbava. A loira enfim conseguira calçar seu coturno, e então acabou por catar suas poucas coisas que ali estavam, colocando tudo dentro de uma bolsa lateral também marrom escura, e então se virou de uma vez para sair.
—Calliope! —Ela disparou sem ao menos perceber.
O susto fora inevitável, ao passo que ela se conteve em levar uma das mãos aos lábios, pois um pequeno grito queria sair junto ao nome, não queria acordar Mark tão cedo, ainda mais tendo em vista a grande ressaca que ele poderia sentir. Callie ainda continuava a observa-la, com a expressão inflexível mesmo diante do susto da outra mulher. Robbins piscou algumas vezes e então desviou seu olhar para a janela ao seu lado, visto que ela conseguia enxergar as roupas intimas de sua cunhada pela fenda do robe não amarrado. A loira respirou fundo e então voltou a olha-la, fixando seus olhos no rosto da outra mulher. Não sabia o porquê, mas ficava extremamente intimidada ao vê-la ali, com tão pouca roupa, o que configurava algo curioso em sua mente, para não dizer proibido, era sua cunhada antes de tudo, não deveria olha-la com aqueles olhos. Caminhou a passos lentos até a porta, onde Callie ainda estava parada, e então a olhou mais de perto.
—Posso passar? É que eu estou... —O tom de voz havia ficado menos audível, a frase havia se quebrado ao meio. —...Realmente muito atrasada.
—Você me acordou! —O tom era extremamente normal, a frase saia enquanto ela amarrava seu robe. —Me acordou e não vai me deixar preparar nem um café para você. —A morena dera um passo para o lado, liberando a passagem.
—Me desculpe, eu estou extremamente atrasada para o meu primeiro horário... Tenho um trabalho para apresentar, mas... —Ela desviara o olhar rapidamente, fitando a parede, depois o chão e então voltando ao rosto da outra mulher. —Nos vemos no jantar, tudo bem?
—Tudo bem, Arizona, tenha um bom dia! —Torres sorriu, se virando para a loira, caminhando então para a cozinha.
Arizona a seguiu com o olhar até que a mesma desaparecesse, ao passo que ela coçou a própria cabeça, tentando entender os sentimentos conflitantes que tomavam cada vez mais espaço em seu corpo. Quando voltou a realidade, ela ouvira Calliope cantando na cozinha, alguma música desconhecida para seus ouvidos, porém a mulher tinha uma voz extremamente melodiosa, daquelas que você facilmente ouviria por várias vezes e dormiria plenamente escutando. Robbins se apressou, caminhando para a porta de saída, sua mão tocou a maçaneta e ela então a girou, porém parou antes de dar algum passo para fora, fechou os olhos e escutou um pouco mais da melodia que Callie cantava. Seus lábios formaram um tímido sorriso, e ela então finalmente saiu de casa.
Torres continuava na cozinha, estava preparando panquecas, o prato preferido de Mark Sloan para o café da manhã. O café estava sendo coado, o que fazia com que o cheiro do mesmo fosse para cada pequeno cantinho daquele enorme apartamento. Com toda a conversa, por mais branda que fosse, Mark acabou acordando, com uma dor de cabeça dos diabos. Se levantou um tanto atordoado, mas estava tão acostumado com aquele apartamento que não era seu que apenas vestiu o resto de suas roupas e caminhou para fora do quarto principal, seguindo o cheiro de café. Ao chegar à cozinha, o homem sorriu largamente, amava ouvir a irmã cantar logo pela manhã, aquilo era o mais próximo de presenciar magia nesse mundo, aos seus olhos. Ele encostou-se à bancada e deixou que ela fizesse seu show particular enquanto virava algumas panquecas.
—Eu sei quando estou sendo observada, Mark Sloan. —Ela continuava séria, compenetrada no trabalho de virar panquecas. —Quer fazer o favor de me explicar o porquê de eu ter conhecido sua atual namorada em condições tão ruins?
—Começando do começo... —A voz embargada pelo fato do homem ter acabado de acordar divertia Callie. —Não era para ter sido desastroso daquele jeito, eu não deveria estar bêbado e ela deveria estar vestida... Mas o principal de tudo: você não deveria estar em casa! Nem você e nem sua namorada.
—Regina não é minha namorada! —Ela se virou, segurando um prato com várias panquecas, ao passo que colocou o mesmo em cima da bancada, logo a frente de Mark. —E esse apartamento ainda é meu, logo, tenho o direito de aparecer aqui quando eu bem entender! —Ele espremeu os olhos e franziu o cenho, como quem tentava rebater o argumento, porém aquela era uma batalha perdida.
—Você ao menos gostou dela? Sei que foi tudo muito rápido, mas ela é uma ótima pessoa, Callie. —A morena despejou mel sobre as panquecas e então o olhou, com um pequeno sorriso nos lábios.
—Eu gostei dela... Vamos sair para jantar, inclusive! Parece que você escolheu certo dessa vez, embora ela tenha cara de criança.
—Você diz isso só porque ela ainda está na faculdade... Saiba que Arizona é uma mulher a frente do seu tempo, visionária eu diria, papai adoraria conhece-la!
—Visionária? Tudo bem, Mark, tudo bem, deixe que eu tire minhas próprias conclusões quando nós duas jantarmos juntas, tudo bem?
—Tudo bem, irmãzinha! —Ele sorria enquanto colocava algumas panquecas em seu prato. —Preciso perguntar, pois não estou muito certo do que quero fazer...
—Você nunca está certo do que quer fazer, Mark, grande parte dos problemas na sua vida tem como fator comum isso! —Callie sorriu, comendo um pedaço da panqueca do irmão, ao que recebeu um olhar de reprovação.
—O baile de gala anual...
—Você quer leva-la? Mark, você sabe que é um evento sério e que nossos familiares são... Difíceis.
—Chatos! —Ele disparou logo em seguida. —Ela é minha namorada, e estamos felizes juntos... Não vejo o porquê não leva-la, Callie. —Ele a olhou, e a morena então viu verdade em seus olhos.
—Leve! Mas aguente as consequências em cima disso e tenha certeza de que ela vai se portar bem quando conhecer a parte chata da família, é crucial que ela cause uma boa expressão... Você tem duas semanas para ensinar tudo sobre nossa família para ela!
—Com a sua ajuda... Não é? —Torres o olhou, arqueando a sobrancelha.
—Eu não vou participar disso nem que você me pague, Mark!
—Você diz isso agora. —Ele comeu um pedaço da panqueca e sorriu com os lábios. —Mas sei que vai me ajudar.
Fale com o autor