Bad At Love
4 Quatro
Notas iniciais
O apartamento na parte alta da cidade possibilitava um show de luzes que merecia ser apreciado, qualquer fotografo se mataria para ter aquela luz em seus cliques, e tudo era oferecido pelo sol do lado de fora. A perfeita silhueta se formava um tanto antes do final da enorme cama com lençóis bagunçados. As costas livres de qualquer roupa, a postura de uma perfeita rainha. As pernas estavam dobradas, e seus braços as abraçavam, enquanto ela apoiava seu queixo entre os joelhos. Os olhos castanhos olhavam para frente, encarando o enorme espelho que tomava conta da parede a sua frente, seu olhar se fazia perdido, o que intrigou profundamente a mulher que estava atrás de si, ainda enrolada em seus lençóis. Callie estava perdida em seus pensamentos as dez da manhã daquele inicio de semana, os pelos de seu corpo se eriçavam à medida que a brisa fria entrava pela janela completamente aberta logo acima da cama. A morena estava imersa em pensamentos profundos, divagações interessantes até, em seu ponto de vista.
Regina, a mulher da noite anterior, e de outras noites também, engatinhou até a outra um tanto preguiçosa, seus lábios ainda estavam levemente inchados e com resquício do batom vermelho que havia passado naquela manhã para sair. Torres despertara quando os lábios quentes lhe tocaram os ombros gentilmente, depositando beijos demorados ali entre uma mordida e outra. Pelo espelho, Callie a olhara um tanto descrente, nem ao menos sabia o porquê havia dirigido até a casa da outra mulher tão cedo logo após a conversa que havia tido com Mark, sem avisar, nenhum telefonema havia sido dado, ela apenas apareceu... Como sempre. Ainda estava imóvel, apenas fechava os olhos vez por outra quando Regina atingia os lugares certos com seus lábios carnudos.
—Você está aqui comigo? —A voz embargada da outra mulher soava como música para seus ouvidos.
—Eu... É claro que estou aqui, Regina. —Ela sorriu, e então finalmente a olhou nos olhos.
—Você parece estar em outra dimensão, pensando em qualquer outra coisa que parece ser bem importante para lhe tirar a atenção de algo assim. —A morena olhou para o ambiente enquanto falava, trazendo para a conversa o que elas haviam acabado de fazer ali. —Você bagunça minha cama e me deixa aqui sem saber onde você está após fazer isso?
—Me desculpe, bonita. —O sotaque latino de Callie havia ecoado pelo quarto, fazendo com que Regina sentisse um frio bom em sua espinha. —Toda aquela história com Mark ontem... Eu não tive uma noite de sono muito boa, e também tenho coisas do trabalho para resolver, você o quanto eu fico irritada.
—Sim, eu sei, mas você não precisa trazer seu trabalho para a minha cama. —Ela sorriu, ressaltando ainda mais a pequena cicatriz que tinha no lábio superior. —E a garota... Como é o nome dela? —De repente, Regina havia ganhado toda e qualquer atenção que Callie possivelmente pudesse lhe dar.
—Arizona, Arizona Robbins. —Torres estava um tanto séria porém havia uma sutil animação em sua fala, ao passo que ela apenas a conteve no minuto seguinte, apenas sustentava a troca de olhares que ambas possuíam naquele momento. —O que tem ela?
—Gosta dela? —Com as costas da mão, Mills acariciou o rosto da outra calmamente sem quebrar o olhar. —Não minta para mim!
—É claro que eu gosto, é minha cunhada, me parece ser uma boa pessoa... E o mais importante, faz Mark feliz. —Ela sorriu com a ultima frase.
—E é só isso? —O olhar de Regina era perigoso, se alguém fosse parar para analisa-lo, ele queimava, lhe fazia contar seus segredos mais profundos, te despia o corpo e a alma sem fazer esforço algum.
—O que mais você quer que eu conte? —Callie suspirou.
—O algo a mais que você está escondendo as sete chaves dentro de você desde que chegou aqui! —E então ela se levantou, sem dar aviso algum de seu movimento. —Eu não sou uma transa de reafirmação de sentimentos, Torres, se você está comigo, perfeito, dominaremos o mundo se assim você quiser. —A mulher caminhara, completamente nua, até a porta de seu quarto. —Mas não me use para se sentir segura de seus sentimentos quando alguém chega em sua vida e te balança de uma maneira quase demoníaca para te deixar assim, sem chão algum! Eu sou melhor que isso, e você sabe!
Torres a olhou um tanto assustada, a sobrancelha se arqueara e então Regina apenas fez seu caminho para fora do cômodo. Após alguns minutos digerindo o que havia acabado de escutar, Callie se levantou e começou a procurar por suas roupas no quarto imenso. As palavras de Regina ecoavam por toda sua mente, lhe confundindo até um ponto de quase loucura, o que ela queria dizer com aquilo? Mills estava levando algo simples para uma dimensão difícil, Arizona era só uma pessoa nova... Só isso, não era? Callie parou e então encarou seu reflexo no espelho, olhou cada parte de seu corpo e então o nome lhe voltara à mente. Arizona. Os pelos se eriçaram, o frio na espinha dera o ar da graça, era como se seu corpo lhe desse um aviso de “fique o mais longe possível que você conseguir”. Balançou a cabeça tentando se livrar daqueles pensamentos e então se vestiu o mais rápido possível, precisava sair dali.
Após terminar de se arrumar, Torres fez seu caminho para fora do quarto, procurando Regina pela casa com os olhos. Na verdade, nem ao menos precisava procurar, sabia exatamente onde a mulher estaria. Chegou à sala de estar e então a encontrou no mesmo sofá de sempre, com o mesmo robe preto de cetim de sempre. O cigarro recém-aceso entre os dedos enquanto ela apreciava a vista de sua janela que ia do chão até o topo, tomando o espaço de uma parede. Era de fato uma vista maravilhosa e privilegiada. Aquilo era como um ritual que Regina fazia sempre. Callie a olhou. Era como apreciar uma obra de arte, a mulher era bela e ao mesmo tempo letal, diferentemente de Arizona, que mais parecia um anjo. A latina acabou por se repreender, porque estava pensando em Arizona de novo? E porque diabos havia feito aquela comparação?
—Está tudo bem? —A voz de Torres tomou conta do ambiente em completo silêncio.
—Comigo eu diria que sim, mas sugiro que você se olhe no espelho e cole suas partes que ficaram no chão depois que você conheceu aquela menina. —O olhar da mulher permanecia fixado à vista a sua frente.
Callie andou de forma rápida e então parou logo atrás de Regina. Seu corpo se curvou e então sua boca ficara no nível do ouvido da outra.
—Você não me conhece, você acha que conhece, eu lhe permito achar isso. —A morena sorrira, enquanto tragava seu cigarro. —Não tire conclusões tão precipitadas de mim e não ache que você detém a verdade, porque não detém! Tenha um bom dia! —E então voltou a caminhar para fora do apartamento, batendo a porta ao sair.
—Sim, eu detenho a verdade nesse caso, Calliope! —A morena sorriu e então cruzou suas pernas, suspirando posteriormente.
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