Bad At Love
5 Cinco
Notas iniciais
A voz um tanto melodiosa demais continuava a ecoar pela sala de aula cheia naquele começo de noite, se mesclava ao barulho provindo do relógio que ficava logo acima do quadro branco, o mesmo possuía a moldura preta e redonda, dando um toque especial na sala monocromática. O professor, que possuía um óculos redondo e marrom dando um charme ao seu rosto, continuava a falar, andando de um lado para o outro, olhando vez por outra para a enorme quantidade de alunos ali presente, algo de se assustar devido ao horário, não era comum aquela quantidade de alunos comparecerem em peso as aulas. A sala era grande, com as cadeira formando um semicírculo, com cadeiras crescentes à medida que a altura da sala aumentava. Arizona estava na penúltima fila, contando de cima para baixo, possuía uma bela visão do professor na parte baixa da sala, porém, sua mente viaja em outra dimensão. O lápis tilintava levemente sob a pequena mesa de madeira, a mulher estava com o olhar estático, sem expressão alguma.
Antes que seus pensamentos pudessem seguir adiante, Robbins sentia um leve cutucão em seu braço, trazendo-a para a realidade. Era Meredith Grey, sua amiga desde o inicio de sua idade adulta. As duas sempre poderiam ser vistas juntas, é claro, com a presença de Cristina e April com elas. Eram quatro personalidades completamente diferentes, porém era isso que as fazia serem únicas como um grupo, e individualmente também, por mais clichê que isso possa soar. Meredith a olhou com seu típico sorriso pequeno, aquele que ela dava apenas com parte de seus lábios, quase imperceptível para quem não a conhecia há bastante tempo. Arizona franziu o cenho, como quem repreendia a amiga por um mero sorriso. Bom, não era um mero sorriso, aquele sorriso dizia muito, dizia que Grey sabia que Robbins estava em outra dimensão, e que estava pensando em algo ou muito sério ou muito pervertido. Logo, Meredith se pôs a escrever com sua caneta vermelha em uma parte de sua folha, passando a mesma para o lado enquanto olhava para o professor.
“O que é tão importante assim que está te fazendo viajar tão profundamente? Não minta para mim!”
A loira a olhou, com sua sobrancelha esquerda levemente arqueada. Sabia que não adiantava tentar contornar aquela situação, na verdade só levantaria mais suspeitas, o que faria Meredith se juntar a Cristina e April, e aquilo tomaria proporções gigantescas. Colocou seu lápis sobre o papel e começou a responder de forma rápida a pergunta.
“Conheci a irmã do Mark... Vamos jantar daqui a pouco. É só isso!”
O papel voltara a ser de posse de Grey enquanto a aula sobre algum assunto aleatório a elas continuava. A faculdade de jornalismo poderia ser extremamente interessante, mas assim como qualquer outro curso, poderia ser igualmente desinteressante. Os olhos de Meredith Grey se voltaram para Arizona segundos após ler o que havia sido escrito em sua folha, o sorriso havia aumentado e Robbins não sabia dizer o porquê, na verdade ela nem imaginava o porquê.
“De novo Arizona? Você está brincando com fogo de novo? Porque não sai do armário logo e para com essa história de usar seus namorados para poder ficar de amassos com as irmãs deles?”
Ao terminar de escrever, Meredith deixara escapar uma pequena risadinha, igualmente conhecida em seu meio de amizade, não se deixe enganar, era uma risada fofa, porém letal. O papel voltara para a mesa de Arizona, e a loira então voltou sua atenção ao mesmo. Robbins a olhara segundos após terminar de ler, porém, antes que pudesse escrever algo em sua defesa, o sinal havia soado, era hora de correr para o banheiro da faculdade e tentar se arrumar da melhor maneira possível. Passado alguns minutos, ambas ainda esperavam que a maioria das pessoas ali saíssem da sala para que a saída ficasse menos congestionada. Meredith a encarava como quem queria fazer a verdade vir à tona como uma erupção na belíssima pele que Arizona possuía. A loira evitava fazer contato visual, pois sabia que ou esganaria a amiga ou cairia na risada, ou ainda talvez fosse a mistura das duas reações.
Assim que saída da sala ficara um tanto mais acessível, Robbins e Grey se levantaram quase que em sincronia, e então saíram, com Arizona alguns passos a frente, visto que ela ainda teria que tentar dar um jeito em sua aparência. A porta do banheiro fora aberta as pressas, e então a bolsa que antes estava pendurada em seu ombro fora parar em cima da enorme pia. Enquanto a loira retirava alguns itens de maquiagem de dentro da mesma, Grey adentrou o banheiro e parou ao lado da outra, sorrindo para seu próprio reflexo no espelho.
—A irmã do Mark ein? Ela é tão bonita quanto ele?
—Eu não tive tempo para ficar reparando isso... Sabe, eu posso ser fiel! —Robbins a olhou sorrindo enquanto começava a preparar sua pele com uma base. —Nós fomos para um apartamento ontem, Mark havia dito que o apartamento era dele... Mas...
—Mas o quê Arizona? Eu quero saber, me conte logo.
—Mas na verdade era da irmã dele, Callie. —Ela sorriu para a amiga e então voltou a pegar outros itens de maquiagem para fazer o contorno de seu rosto. —O melhor foi como eu a encontrei. —Meredith a fitava com um pequeno sorriso em seus lábios. —Eu e Mark havíamos bebido muito, e ele acabou dormindo primeiro que depois que transamos... Resolvi ir ver como era o apartamento, procurar algo para beber e foi ai que eu escutei um barulho.
—Tá... E o que era? —Grey tilintava os dedos sob a pia.
—Andei até a sala, estava tudo tão escuro, mas deu para ver que eram duas pessoas... Depois eu fui descobrir que era Callie, a irmã do Mark, e uma outra mulher, o que me deixou um tanto pasma... Ele nunca mencionou isso!
—Porque ele mencionaria isso, Arizona? “Ah, oi”... —Meredith agora fazia uma imitação da voz de Mark Sloan. —“Sou o Mark, minha irmã é gay!”... Ninguém diz isso do nada, a não ser que o assunto venha a surgir.
—Ela é latina, Grey, e canta tão bem... Eu a ouvi cantando antes de sair para a faculdade hoje. —Após finalizar o contorno de seu rosto, a loira focou em seus olhos com máscara de cílios e um leve esfumaçado marrom no canto dos olhos. —Mas algo me deixava irritada... Ela é mandona, do tipo que toma a frente e quer decidir tudo, eu não funciono com gente assim!
—Ainda bem que ela é só sua cunhada, e não sua namorada, né Arizona, seria uma pena. —Meredith a fitou, dessa vez séria. —Não estrague as coisas dessa vez, tudo bem?
—Eu não vou estragar nada, fiquei intimidada por ela, não sei se conseguiria fazer algo nem se tivesse a chance... Além do mais, ela e Mark parecem serem duas partes de um só ser. —Ela acabara a frase finalizando o batom vermelho sangue em seus lábios bem desenhados. —É só um jantar, Grey, e falando em jantar... Como vai as coisas com Derek?
Meredith arqueara a sobrancelha quase que instantaneamente, franzindo o cenho logo em seguida. O assunto Derek era uma terra de ninguém, que ninguém pisava ou ousava falar sobre. E Arizona sabendo disso, usava esse fator para provocar a outra.
—Não vamos falar sobre Derek que está em uma viagem romântica com sua esposa agora!
—Me deseje sorte no jantar! Eu te amo. —Arizona a abraçou e então saira do banheiro.
A loira fizera seu caminho até o carro parado no estacionamento da faculdade, dando uma pequena corrida quando chegara mais perto. Adentrou ao veiculo e então se certificou de trancar as portas. Os olhos azuis deram uma boa visualizada no pacato estacionamento, não havia ninguém ali. E fora então que ela começara a tirar as roupas que estava usando para então dar inicio a uma luta para vestir o vestido vermelho que havia pegado em casa as pressas mais cedo naquele dia. Ao terminar de vestir o mesmo, ela fechou o zíper lateral e então ligou o carro, enquanto arrumava seu cabelo vendo seu reflexo no espelho. Logo o carro estava nas ruas, andando um pouco acima da velocidade desejável para que ela não se atrase para o encontro, jantar... Jantar era apenas um jantar.
Seguindo a mensagem que Mark havia lhe mandado, indicando qual era o restaurante escolhido, Arizona ligou o GPS de seu celular, sendo levada pelo mesmo até seu destino. Ao chegar e estacionar o carro, Robbins respirou fundo tentando acalmar seus nervos, sabia como ficava na presença de Torres e isso era mal para a sua imagem. Abriu sua bolsa e de lá retirou um pequeno frasco de perfume, borrifou o mesmo duas vezes em seu pescoço e uma vez em um de seus pulsos, esfregando o mesmo ao outro pulso. Após guardar o frasco de perfume, a loira abrira a porta do carro e então finalmente calçara seus saltos, os louboutins que ela guardava para ocasiões especiais. Caminhou de forma apressada até a entrada do restaurante e então informou ao homem que recebia as pessoas na porta o seu nome, entrando minutos depois.
Um outro homem a levara até a mesa onde Callie estava. Enquanto faziam o caminho em silêncio, os olhos azuis mapeavam todo o lugar, olhando cada centímetro possível. Os passos cessaram e então Robbins a viu, sentada do outro lado da mesa, com uma expressão misteriosa que fazia com que fogos de artificio fossem disparados dentro de si. A mulher se levantou, mostrando seu vestido preto completamente colado a seu corpo bem desenhado, o mesmo possuía uma fenda em sua perna direita. O homem então puxou a cadeira para que Robbins se sentasse, e Callie acabou por voltar a se sentar.
—Demorei demais? —Arizona sorriu um tanto contida, contemplando a mulher a sua frente.
—Não faz nem cinco minutos que eu cheguei. —Torres dera um sorriso aberto, quase predatório. —Você está muito bonita para quem acabou de sair do trabalho.
—Faculdade... Houve uma mudança de planos, tive aula até agora a noite. —Ela então entrelaçou os dedos de suas mãos, e então as colocou sob a mesa. —Você está bem?
—Eu não posso precisar o quão bem eu estou, Arizona!
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