Bad At Love
6 Seis
Notas iniciais
Os olhos azuis de Arizona ainda estavam curiosos a respeito daquele restaurante ao qual ela nunca havia pisado seus pés. Já os olhos de Callie estavam presos ao cardápio em suas mãos, a mesma estava pensativa quanto ao pedido que iria fazer, como se sua vida dependesse daquilo. A música ambiente tocava no local no volume certo, embalando todo e qualquer momento que aquele lugar pudesse vir a presenciar.
—O que vai comer? —A voz da morena se fez presente, porém seus olhos continuavam a olhar para o mesmo lugar de antes.
—Eu... Eu não olhei o cardápio ainda. —Arizona sorriu, pegando o cardápio a sua frente. —Pode me dar um minuto?
—Quantos minutos você quiser. —Seu rosto se levantara, olhando a mulher a sua frente com um pequeno sorriso nos lábios. —Não estou com pressa, você está? —Os olhos então voltaram a encarar o cardápio.
—Nem um pouco, Calliope.
A voz de Arizona era perigosa em tantos níveis que nem a mesma sabia, era melodiosa, calma e agradável, o tipo de voz que você quer escutar de manhã quando acorda. Callie amava quando seu nome era dito pela loira, pois o mesmo ganhava uma sonoridade completamente nova, inusitada e única, era tão mágico quanto o sorriso que Robbins possuía ao dizer tal nome. Por fim, Callie deixou o cardápio em cima da mesa e então cruzou suas pernas, recostando-se a cadeira. Os olhos castanhos mapeavam cada pequeno pedaço do corpo da loira a sua frente, a mesma estava concentrada em qual pedido faria, nem ao menos havia notado que estava sendo alvo de olhares.
—Já escolheu o que vai comer? —A voz de Arizona se fizera presente enquanto ela ainda tentava escolher.
—Callie eu... Eu estou acostumada a comer coisas mais simples, se estivéssemos na minha casa agora, provavelmente eu pediria uma pizza e cerveja. —Ela sorriu sem jeito.
—Isso seria um ótimo jantar, Robbins... Bom, você pedir o mesmo prato que eu escolhi, não é uma opção ruim. —Ela sorriu, e então colocou sua mão esquerda sobre a mão esquerda da loira. —Garanto que não vai se arrepender.
—Eu... Tudo bem, pode pedir. —O olhar da loira saira do rosto de Callie para as mãos de ambas sobre a mesa.
Aproveitando o garçom que passava perto da mesa naquele momento, Callie o chamou com um acenar de sua mão livre. O homem parou próximo a mesa com um sorriso amigável.
—Dois magret de canard, por favor. —Ela sorriu. —E para acompanhar, um jovem Bordeaux. —A pronuncia de ambos os pedidos era perfeita, o que só fizera com que Arizona ficasse contemplando a mulher a sua frente ainda mais.
O homem anotara os pedidos, recolhera os cardápios e então deu seu melhor sorriso, saindo logo em seguida. Percebendo que sua mão estava sobre a mão de Robbins há tempo demais, Callie a recolheu, trazendo-a para cima de sua coxa.
—Qual é o seu curso? Esse jantar é para nos conhecermos, vamos começar da maneira certa, não é mesmo? —Torres sorriu, fitando a mulher a sua frente.
—Jornalismo. —A loira estava um tanto apreensiva, porém igualmente animada por estar ali conversando com Callie.
—E porque escolheu esse curso? —A latina a analisava de todas as maneiras possíveis naquele momento, porém escondia o fato de estar fazendo isso com um sorriso amistoso.
Arizona abrira um sorriso enorme, o sorriso mágico que só ela possuía, e então disparou a contar sobre como havia chegado à conclusão de que jornalismo era o seu curso dos sonhos. Fato era que a loira havia dominado a conversa no momento em que começara a falar, estava feliz em falar sobre aquilo e Callie estava mais do que feliz em escuta-la. O assunto durara por mais tempo do que ambas esperavam, visto que Torres também havia cursado a faculdade de jornalismo. Os pedidos chegaram, juntamente ao vinho, e ambas continuavam a conversa como se já se conhecessem há tempos.
—E então meu professor brigou muito, nos chamando de crianças porque estávamos passando bilhetes durante a aula... Mas eu penso assim...—Robbins sorria enquanto segurava o garfo. —É melhor que eu converse por bilhetes do que conversar em voz alta, pelo menos eu não atrapalho ninguém além de mim mesma.
—Com essa sua persuasão você vai longe, Arizona, tente explicar para ele da mesma maneira que acabou de explicar para mim, talvez você o convença, com um sorriso desses no final da explicação, duvido que ele não vá concordar. —Torres sorriu, bebericando o vinho que havia pedido.
Arizona a olhou com um meio sorriso. A conversa desde o inicio era cercada por olhares, sorrisos demorados demais e certas palavras eram usadas nos momentos certos, quase como uma cantada camuflada em frases bonitas. Continuaram a conversar sobre ofertas e mercado de trabalho nessa área, e fora ai que Calliope comentara sobre como havia se tornado a chefe de uma revista mundialmente famosa. A morena era conhecida tanto no mundo do jornalismo como no mundo da moda, sempre causando uma ótima impressão com quem tinha o prazer de trabalhar para ou com ela. Porém, seu temperamento não ficava para trás, Callie era dona de um gênio forte e uma falta de paciência impar.
Ambas haviam terminado seus pratos, e ainda tomavam o restante do bom vinho que Torres havia pedido. Arizona já se encontrava um tanto alta pela bebida, afinal, era um vinho mais forte. A loira distribuía mais sorrisos do que o normal e tocava a mão de sua cunhada mais vezes do que ela poderia contar.
—Você tem aula amanhã, Arizona? —A morena descruzara as pernas enquanto pegava sua taça com vinho.
—Infelizmente tenho, e não posso nem dizer que é com um professor bom, porque não é! —Ela sorrira ao final da frase, terminando de beber seu vinho juntamente com a morena a sua frente.
—Receio que esteja na hora de irmos para casa, tenho que acordar cedo e você também. —Calliope então deixara sua taça sobre a mesa e então se levantou, seguida da loira.
—Você já pagou a conta? —Robbins a olhara com a cabeça tombada.
—Faz alguns minutos que eu paguei, e você reclamou porque não deixei que dividíssemos a conta. —Ela sorriu.
A medida em que caminhavam para a porta do restaurante, Calliope poderia ver nitidamente que Arizona já se encontrava em um estado perigoso para dirigir. Segurando a mesma pelo antebraço de forma amigável, a latina sorriu para ela, parando assim que saíram do lugar.
—Vou te levar para casa, amanhã daremos um jeito de você vir até aqui buscar seu carro, tudo bem? —Robbins a olhou com um meio sorriso, acenando com a cabeça.
Enquanto faziam o caminho até o carro de Callie, Arizona deitava seu corpo propositalmente, tentando obter mais contato do que já tinha naquele momento. Chegaram até o Ranger Rover preto e então a loira parou na porta do passageiro, ficando na frente da mesma impedindo que Torres a abrisse.
—Arizona, eu preciso te levar para casa! —Ela sorriu e então tentou alcançar a maçaneta, porém Robbins pegou sua mão antes.
—Porque você não me leva para a sua casa? —Não havia mais nenhum sorriso, apenas uma expressão mais séria e um olhar que fazia com que a pele de Callie queimasse.
—Porque... Arizona você está levemente alterada, vou te levar para casa e chamar Mark para ficar com você, tudo bem? —A morena então trouxe sua mão para perto de seu corpo e deu um passo para trás.
—Não vou deixar você me levar para lugar nenhum! —Ela então dera um meio sorriso.
—Arizona... Por favor, já está tarde, você tem aula logo cedo, vamos! —Calliope tentava soar séria, mas seu corpo pedia para que ela levasse a loira para sua casa, na verdade, era quase como uma ordem. —Por favor? —Arizona cruzara os braços e então a encarou.
Torres então suspirou e segurou ambos os braços de Robbins, tentando retira-la dali, porém, a loira a virou contra a porta, invertendo as posições.
—Me diz se você também não quer me beijar, e se não deseja me tocar tanto quanto eu desejo tocar você! Eu vi seus olhares, Calliope, eu os vi a noite toda e você pode culpar o vinho por isso, mas eu quero beijar você desde ontem. —Os olhos azuis estavam ali, tão próximos, encarando a alma de Torres. —Diga que não quer e eu entro no carro, você me leva para casa e isso que está acontecendo agora nunca terá acontecido!
—Arizona! —O tom imponente estava ali, aquilo era Callie Torres tentando se controlar, porém, seu corpo queria o descontrole, ansiava para que ela se descontrolasse.
Torres a puxara pelo pescoço, beijando os lábios de Arizona em seguida. Suas mãos corriam pelo cabelo loiro em cachos bem feitos que ela tanto queria tocar desde a noite passada. Era um beijo bom, daqueles que ambas iriam guardar em suas mentes, mas ao mesmo tempo era errado e queimava o corpo das duas por ser errado. Robbins, em um movimento mais ousado, mordera o lábio inferior da outra mulher, o puxando suavemente com os dentes para depois solta-lo, terminando o beijando com um selinho demorado.
—Me leve para a sua casa, Calliope! —Ela sorriu com os lábios levemente inchados pelo beijo que havia acabado de ser finalizado por enquanto.
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