Notas iniciais
Oi meus amores, espero que esteja tudo bem com vocês? Obrigada pelos comentários maravilhosos e por terem dado uma chance a essa fanfic, fico muito feliz com isso. Sem mais delongas, boa leitura!

Agora já sentada no confortável e enorme sofá que parecia ser mais caro do que seu apartamento do outro lado de Portland, Arizona se encontrava acanhada, talvez fosse pelo fato de finalmente ter conhecido parte pequena da família de Mark, de um jeito nada planejado e nada indicado, mas havia conhecido e não tinha como mudar aquilo, a primeira impressão talvez pudesse ser mudada, mas... Bom, ela não sabia se conseguiria, o temperamento de Callie não parecia ser dos melhores, por mais que a morena tivesse sido estranhamente gentil em um ponto daquela madrugada. Com duas taças transparentes, uma em cada mão, a senhorita Torres voltou à sala de seu apartamento em cima de belos saltos, quase desfilando, o que era inacreditável, pois ainda eram quatro e alguma coisa da manhã. Sem ao menos perceber, Robbins projetou seu enorme sorriso para a outra mulher, aquele pelo qual seus amigos de Portland a conheciam, o enorme e caloroso sorriso que só ela sabia ter, o sorriso mágico de Arizona Robbins. Torres parou pelo que pareceu segundos, e então a encarou sem cerimonia alguma, aquele sorriso era, sem dúvida alguma, um dos sorrisos mais lindos que ela tivera a possibilidade de receber.

O sorriso era um tanto automático, fazia parte de Robbins sorrir daquela forma, afinal, o sorriso enorme quebrava o gelo em variadas situações, e naquele momento isso viria a ajuda-la de alguma forma. A latina então voltou a andar de forma lenta, parando em frente ao sofá para oferecer uma das taças à outra mulher, que prontamente segurou a mesma e trouxe para perto de si. Callie então se sentou, tomando o cuidado de medir uma distância do corpo da namorada de seu irmão, às vezes ela poderia ser um tanto invasiva, mesmo sem querer ser.

—Então... Arizona... Como o estado? —Fora a vez do sorriso de Torres dar o ar da graça no ambiente.

—Sim, como o estado, era complicado me apresentar na sala de aula quando era criança... Eu dizia meu nome e a professora dizia “não querida, não de onde você veio e sim o seu nome”. —Ela sorrira de forma contida, mas Callie, pelo contrário, dera uma risada sonora.

—Bom, assim como você, posso dizer que meu nome sempre era lembrado na sala de aula. —Ela bebericou o vinho, voltando seu olhar para as próprias pernas, tendo lembranças nostálgicas perpassando sua mente naquele momento. —Calliope Iphegenia Torres! Eu com certeza era lembrada, sempre!

—Calliope! —Arizona dizia aquilo com uma sonoridade tão boa e espontânea que ganhara a atenção de Callie de volta para si. —É um nome bonito para uma mulher bonita!

—A mulher bonita agradece! —Ela então levantou a taça até a altura dos olhos em meio a um sorriso, voltando-a para perto de seu corpo segundos depois. —Como conheceu o traste do meu irmão?

—Longa história... —Ela sorrira e de novo o mundo parecia ganhar cores mais brilhantes e mais bonitas.

—Bom, ainda são quatro cinquenta da manhã... Você tem algum compromisso? —Torres então apoiou seu braço dobrado na parte superior do sofá, tombando seu rosto em um sua mão livre.

—Eu... Bem... Faculdade logo pela manhã e depois trabalho, não é como se eu não ficasse acordada até altas horas, mas... —A voz havia se quebrado no meio da frase enquanto ela bebia longos goles de seu vinho.

Queria sim conhecer sua cunhada que parecia ser mil vezes mais interessante do que Mark Sloan, mas também tinha que descansar.

—Faremos o seguinte, —Um tom um tanto autoritário, nada mal educado, mas daqueles que não te deixam escolha a não ser escutar e aceitar. — você vai descansar afinal eu não quero ninguém dormindo na aula chata da faculdade, depois trabalha e a noite se encontra comigo! Vamos a um restaurante e continuaremos a conversa.

Arizona a olhou com um meio sorriso nos lábios. Até agora, Calliope tinha se mostrado um ser humano um tanto difícil de lidar, mas igualmente curioso. Algo naquela mulher com traços latinos fortes fazia com que Robbins sentisse uma ponta de raiva, ela era mandona até em pequenas coisas, sem contar o modo como ela andava, parecia querer mandar em cada minúsculo pedacinho do piso daquele apartamento. Chegava a ser irritante, e elas não haviam conversado nem dez minutos direito! Ela poderia dizer não... É claro que poderia dizer não, e se ela quisesse escolher o vinho que elas iriam beber naquela noite? E se ela escolhesse o prato principal? E o pior... E se ela escolhesse a sobremesa? Isso seria uma afronta, Arizona sempre escolhia sua sobremesa! Mas se dissesse não... Bom, era sua oportunidade de conhecer pelo menos uma pequena parte da família de Mark, logo agora que o namoro parecia querer deslanchar, era o mais apropriado.

—Arizona? —A voz melodiosa de Callie ecoou pelo apartamento silencioso. —Você está levando tanto tempo assim para aceitar meu convite?

—Oh... —A loira se dera conta que seus pensamentos realmente tinham sido profundos a ponto dela se transportar para a sua zona de conforto e tomar um tempo para se decidir. —Tudo bem, nós podemos fazer isso... Mas eu escolho a sobremesa! —Torres a olhou com uma ponta de dúvida em seus olhos castanho escuro.

—A sobremesa fica por sua conta, Arizona. —A morena então acabou por beber o que havia sobrado de seu vinho e então se levantou. —Você vai dormir com Mark, eu imagino. —A frase tinha um tom obvio velado. —E você já sabe o caminho para o meu quarto, então... Boa noite. —Ela sorriu e então deu meia volta, voltando para a cozinha.

Os olhos azuis a seguiram até que Callie desaparecesse na cozinha, e quando o fez, Arizona voltou seu olhar para a televisão desligada a sua frente. Respirou fundo, sua cabeça estava uma bagunça e suas mãos se encontravam tão geladas quanto à de um cadáver. Acabou se levantando após ver que estava divagando demais de novo, e então fez seu caminho até a cozinha. Ao chegar em tal cômodo seus olhos se depararam com Torres sentada na bancada que se situava no meio da cozinha, a mesma digitava de forma rápida em seu celular e em seu rosto havia uma feição de preocupação. Robbins tombou sua cabeça para o lado, porque Diabos alguém iria estar digitando com tamanha pressa e cara de preocupação as quase cinco da manhã? Por fim, a loira apenas deu mais alguns passos e colocou a taça em cima da pia com bastante cuidado, porém sua ação não passara despercebida.

—Modelos! Eu sinceramente não sei como lidar com tais seres. —Arizona a olhou sem entender muito bem o que aquela frase sem nexo e contexto algum queria dizer. —Trabalho em uma revista, uma conceituada por sinal, e já não basta ser a editora-chefe de uma revista de moda com tamanho impacto, eu ainda tenho que lidar com questões que não são da minha alçada resolver. —A loira a olhou sem entender muito bem de onde aquele desabafo todo havia surgido, e então preferiu ficar em silêncio. —Vá dormir Arizona, seu rostinho precisa de descanso. —Os olhos castanhos ainda estavam fixados na tela do celular.

A loira deu uma ultima e longa olhada para sua cunhada, as roupas e o sapato caro, a maquiagem extremamente bem feita e seus traços... Era uma mulher digna de contemplação! Contemplação? A mulher franziu o cenho com seu próprio pensamento, negou com a cabeça e então fez seu caminho de volta para o quarto. Mark estava enrolado nas cobertas que pertenciam a sua irmã, abraçando um dos vários travesseiros que aquela cama possuía como se sua vida dependesse disso. Arizona sorriu assim que colocou seus olhos em seu namorado, parando por alguns minutos na abertura da porta, acabando por encostar-se ao batente da mesma. Já fora da cozinha, Torres fazia seu caminho para o segundo quarto da casa quando vira a mulher parada na porta de seu quarto. Os olhos passaram por cada curva sinuosa do corpo da loira, o corpo da mulher era iluminado apenas pelas luzes do lado de fora que vinham da janela, aquilo era arte pura. Saindo de seus pensamentos, a morena fez seu caminho para o quarto, mas não sem antes dar mais uma olhada rápida para a namorada de seu irmão.

Robbins piscou algumas vezes sem perder o sorriso em seus lábios bem desenhados e então andou até a cama sem fazer barulho, se deitando de costas, porém próxima a Mark. A cabeça repousou no travesseiro macio e ela então fitou a parede a sua frente, se cobriu tendo em vista que o frio estava visitando o apartamento naquele inicio de manhã, porém a velocidade assustadora que os pensamentos em sua cabeça possuíam não a deixavam pegar no sono facilmente. No quarto ao lado, Callie estava virada para a parede que separava aquele segundo quarto do quarto principal da casa, fitando a mesma como se fosse algum tipo de obra de arte. Se tivéssemos uma visão um tanto privilegiada do topo da casa, veríamos que os olhares se encontravam, mesmo tendo a parede como empecilho. Robbins foi a primeira a fechar os olhos, colocando uma de suas mãos debaixo do travesseiro. Torres fechou seus olhos minutos depois, segurando o travesseiro com uma das mãos. Era possível então ver dois sorrisos, um em cada quarto.

Notas finais
Gostaram? Me deixem saber o que vocês estão achando! Até o próximo capítulo!