Backseat Serenade
22 21. Começo do fim
Notas iniciais
Fernando tamborilava os dedos contra o tampo de madeira da mesa. O lugar de Guilherme estava vago, mas o mais velho não se preocupava.com onde ele estaria. Porque sabia que seu novo mascote não iria fugir para sempre. Eles ainda precisavam acabar com uma coisa. E então Guilherme viveria em paz. Os olhos azuis pousaram na figura de Debbie. A menina mantinha um pequeno sorriso nos lábios, que Fernando só havia reparado, pois conhecia muito bem a amiga, enquanto discutia fervorosamente com Godric sobre algo que Fernando deixou passar.
Não que ele realmente se importasse. Os dois estavam sempre discutindo e não tinha mais lógica tentar acompanhar o raciocínio dos dois. Debbie passou a mão pelos seus cabelos enquanto revirava os olhos, distraída demais com Godric para notar o olhar fixo de Fernando sobre si. Fernando respirou fundo antes de se levantar e seguir até os dois. A discussão parou e a menina sorriu para o amigo, dando espaço para que ele sentasse.
— Acho que já está na hora, não? — um sorriso nervoso era visível em seus lábios e Debbie não podia culpa-lo. Estava desconfortável com a situação também.
— Você não acha que deveríamos deixar para outro dia? — a menina sugeriu, mordendo seu lábio inferior. — Digo, o Gui não está nem aqui.
— O Gui não precisa estar aqui para nós fazermos algo. — Godric deu de ombros, pegando o celular do bolso. — Sem falar que temos que começar a agir independente da presença dele.
— Independente? Isso o envolve, Godric! Nós não devemos fazer nada desse tipo pelas costas do menino. Você é mesmo muito idiota
— Você que é sentimental demais, Debbie! Ele já sabe o que vamos fazer, não vai ser nada pelas costas dele. — Godric rebateu e olhou para Fernando. — O que acha?
— Eu acho que o Godric está certo, Debbie. Eu também não gosto, mas nós temos que começar a agir.
— Ele vai ficar bravo com todos nós, eu estou avisando.
— Mas ele vai perdoar quando ele estiver livre. — Godric deu de ombros e sorriu de canto.
— Faça o que você quiser. — a garota empurrou Fernando para que pudesse se levantar. Assim que o amigo cedeu espaço e ela já estava de pé, lançou um olhar fuzilante aos dois. — Mas eu não vou ficar aqui pra ver isso.
Godric observou a menina abandonar a sala e sorriu de canto para Fernando. Estendeu o celular para o amigo, mas o outro apenas negou com a cabeça. Ele entendeu. Ele quem teria que agir se algo fosse para acontecer. Suspirou e pegou um papel que tinha no bolso. Correu os olhos pelos números que a mãe de Guilherme havia cedido a eles e começou a discar. Sabia que era algo difícil de acontecer. Provavelmente o outro nem ao menos teria acesso a esse número, mas não custava tentar.
Quando começou a chamar, Godric sentiu seu celular acelerar. A vontade era de simplesmente desligar. Sabia que era baixo fazer isso. Não deveria ter dado a ideia do plano. Mas ele não era conhecido por voltar atrás. Por isso, deixou chamar até cair na caixa postar.
— Senhor Stubb? — Godric começou, inseguro. — Eu tenho uma informação para o senhor. Não sabia onde encontra-lo, esse foi o único número que eu consegui. Mas eu precisava falar. Eu sei onde seu filho está. Ele está estudando na minha sala. Eu... Eu o ouvi contando a história dele para uns amigos meus e achei que era idiota da parte dele ficar fugindo desse jeito. Bem, eu espero que escute essa mensagem, pois vou deixar o endereço da escola.
Godric suspirou uma última vez depois de falar o nome e a rua da escola. Falou também o nome que o garoto usava e então desligou. Um sorriso pequeno apareceu nos lábios de Godric e deu de ombros para Fernando.
— Acho que agora só temos que esperar.
— Então iremos esperar. — Fernando suspirou. — Eu queria que tivesse outro jeito.
— É o melhor que temos. E vai dar tudo certo.
— Espero. Se esse plano falhar, tudo só vai piorar
Fernando concordou com a cabeça e procurou se acalmar. Tinha que dar tudo certo.
Guilherme observava a mãe cozinhando. Hazel parecia descontar sua raiva no pedaço de carne que batia com o martelo o que arrancava um pequeno sorriso do menino. O menor caminhou até a mulher, envolvendo-a por trás em um abraço apertado. Sabia que ele estava descontente e ele só queria que ela se livrasse de todo o mal que a afligia podendo enfim ser feliz.
— Não precisa ficar tão preocupada. — sussurrou próximo ao ouvido dela antes que ela se virasse e retribuísse o abraço.
— Não sei se é uma boa ideia, Gui.
— Nós não podemos fugir para sempre, mãe. Eu já cansei disso e sei que você também não aguenta mais.
— Não queria que você tivesse que passar por uma situação dessa. Queria que você nunca mais tivesse que olhar na cara dele.
— Se der tudo certo, essa vai ser a última vez. — o garoto depositou um beijo na testa da mãe e sorriu para ela. — Só não se preocupe.
— É inútil pedir isso, Guilherme, quando você sabe que eu nem ao menos consigo dormir. — a mulher suspira antes de se afastar do abraço. — Se eu tivesse me divorciado dele antes...
— Ele ia estar a mais tempo correndo atrás da gente. — o menino voltou ao banco que estava sentado antes enquanto Hazel voltava para a carne. — Não se culpe tanto, não é sua culpa.
— Queria que todos nós pensássemos como você, Gui. — deixou que um suspiro abandonasse seus lábios e escondeu a lágrima solitária que escorria pelo seu rosto. Nunca soube lidar direito com a culpa de transformar a vida do filho em um desastre. Mesmo que no fundo soubesse que não era exatamente sua culpa.
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