Backseat Serenade
16 15. Fuga
Notas iniciais
Três semanas passaram e Guilherme havia sumido da escola. Fernando estava quase desesperado e não escondia mais isso. Guilherme não era de faltar e esse sumiço dele só podia significar que alguma coisa tinha acontecido e algo o avisava que era ruim. Debbie também estava preocupada. Havia tentado ligar para o menor várias vezes, mas só dava caixa postal. O único que não estava preocupado com o sumiço de Guilherme era Godric. O ruivo acreditava que uma hora Fernando iria cansar de esperar o pequeno voltar e seguiria em frente. E seria muito melhor assim.
Mas para a surpresa de todos, quando Debbie entrou na sala junto com Fernando, Guilherme estava sentado no mesmo lugar que ele sempre ocupava na sala. Fernando arregalou os olhos e sorriu. Já estava quase procurando em algum lugar onde o menor morava para aparecer de surpresa na casa do outro, era bom que não tenha precisado fazê-lo. Debbie também sorriu e caminhou até Guilherme. O menor olhou para a garota e sorriu minimamente. Parecia cansado, como se não dormisse há dias, mas parecia inteiro para Fernando. E tão bonito como ele se lembrava.
— Já estava morrendo de preocupação, Gui! — Debbie exclamou enquanto abraçava o garoto. Guilherme retribuiu o abraço de um jeito quase desconfortável, fazendo com que uma gargalhada escapasse pelos lábios de Fernando. — O que aconteceu para você nos abandonar desse jeito? O Fernando quase morreu de saudades.
— Não exagere as coisas, Debbie. — Fernando respondeu, revirando os olhos. Guilherme sorriu minimamente para o outro antes que o maior continuasse. — Só fiquei preocupado com seu sumiço.
— Eu tive alguns problemas em casa, precisei desse tempo para resolver. — Guilherme desviou o olhar, parecendo incomodado. Fernando sentou em seu lugar, encarando o menor de lado.
— Espero que esteja tudo resolvido, porque se você sumir de novo desse jeito, eu vou quebrar sua cara. — Debbie disse, fazendo o menor rir de leve.
— Boa sorte com isso. — Guilherme respondeu, piscando para a menina. — Mas está resolvido, por enquanto.
— É melhor assim. Você ainda está me devendo uma coisa. — Fernando se pronunciou, sorrindo para o outro. Guilherme olhou confuso para o maior.
— O que eu estou te devendo?
— Você sabe muito bem o que está me devendo. — o entendimento passou pelo rosto do garoto e ele riu brevemente.
— Não me lembro de ter falado que faria isso para estar te devendo.
— Não precisa falar, suas ações já mostram o quanto você quer. — Debbie riu da resposta de Fernando, revirando os olhos.
— Para de rastejar tanto, Fe, está começando a ficar ridículo. — Guilherme riu ao ver o olhar de ódio que Fernando lançou para a amiga. Debbie só mandou um beijo para o maior e piscou um olho para ele.
— Devia desistir de vocês e falar com outras pessoas. Eu tenho potencial demais para perder meu tempo falando com você e tentando ter algo com o Guilherme. — Fernando suspirou antes de sorrir para os dois.
— Eu já disse para você desistir de mim, Fernando. — Guilherme suspirou e sorriu de leve. — Mas a Debbie é a melhor coisa que você achar por ai. Ela que é boa demais para ficar falando com você. — a garota riu abraçando novamente o menor.
— Viu, Fernando? Uma pessoa que sabe o meu valor de verdade.
— Nossa, que bom! Deveriam casar logo já que se amam tanto. — Fernando falou emburrado fazendo os outros dois rirem. Debbie soltou Guilherme, indo até o maior e depositando um beijo na bochecha do mesmo.
— Uma pena que eu amo mais você do que a ele.
— Uma pena mesmo, porque esse amor não é retribuído.
— Mentiroso. — Debbie sorriu para o maior, caminhando até seu lugar, ao lado de Guilherme. Estava feliz com a volta do menor e sabia que Fernando também estava. Podia ver o jeito que os olhos do maior brilhavam quando olhava para o outro.
Debbie caminhava sozinha pelos corredores vazios durante o intervalo. Havia parado para ir ao banheiro enquanto todos os outros estavam esperando por ela na parte externa da escola. Godric estava quieto hoje e isso a preocupava. Sabia que não demoraria muito até o ruivo tomar coragem e começar a ameaçar Guilherme. E ela não podia deixar que isso acontecesse. Não quando o menor fazia tão bem a Fernando.
A pressa de chegar ao lado externo antes que Godric fizesse algo era tão grande que ela não notou que estava sendo seguida. Só percebeu a presença do outro quando seu braço foi puxado e seu corpo empurrado contra a parede mais próxima. Seu coração disparou por causa do susto e seus olhos arregalados encontraram os olhos verdes do outro. O sorriso de canto no rosto bronzeado do garoto não fez com que seu coração se acalmasse e ela teve vontade de se bater por conta do calor que sentia nas maçãs do rosto. Sabia que estava corada e não podia ficar. Não podia dar esse gostinho a ele.
— O que você quer, Ezra? — perguntou rudemente. Os cabelos cacheados caiam bagunçados em volta do rosto do garoto enquanto ele aproximava mais o rosto da menina.
— Eu sinto sua falta, Debbie.
— O problema é seu. — ela respondeu, tentando bolar uma forma de sair de lá. Não poderia se entregar. Não poderia demonstrar fraqueza. E, principalmente, não poderia ficar onde estava. — Foi você quem errou.
— Um erro e você precisa ficar esfregando isso na minha cara todas as vezes. — o outro suspirou e levou uma mão para a cintura fina da garota. A outra mão, estava pousada ao lado de sua cabeça, mantendo-a encurralada. — Como se você não tivesse me traído nenhuma vez durante todo esse tempo.
— E não trai. Eu só tinha olhos para você, mas parece que eu era a única. Afinal, tem tanta garota bonita por ai, não é mesmo?
— Nenhuma delas é você e sabe disso. Afinal, eu sempre voltava no fim, você é melhor que elas e é única. — Debbie revirou os olhos e empurrou o outro pelos ombros, tentando afastá-lo.
— E eu fui uma idiota por deixar você voltar tantas vezes.
— Você acha que eu não sei que você também me traiu, não é? Acha que eu sou idiota como todo mundo e não vi o clima que ficou entre você e aquele cara depois daquela última festa que o Fernando deu perto de nós terminarmos. Você me traiu e eu te perdoei, por que você não faz o mesmo?
— Foi um erro e só uma vez, Ezra, que droga! E você? Você ficava com uma garota diferente praticamente todos os finais de semanas e eu sempre te perdoava. Mas não dessa vez. Já fui idiota demais, mas não sou mais. Me deixa sair daqui porque eu tenho coisa melhor para fazer.
— Como o que? Voltar para ele? Você acha que eu não vejo como vocês andam por aí? Você veio atrás de mim depois dele, porque sabe que eu sou melhor. E vai vir de novo em breve.
— Eu não contaria com isso. — Debbie se assustou quando a voz de Godric se fez presente no corredor. Um sorriso de canto estava em seus lábios enquanto ele caminhava até parar mais perto dos dois. Um suspiro aliviado escapou pelos lábios de Debbie quando Ezra se afastou um pouco. — A Debbie é inteligente demais para cometer o mesmo erro duas vezes.
— Então por que ela ainda mantém você por perto? — Ezra perguntou, fuzilando o outro com o olhar. Godric sorriu de maneira maldosa antes de responder.
— Porque eu não fui um erro. Ela gostou mais da única vez que ficou comigo do que os dois anos que ela namorou com você.
— Se isso tivesse acontecido, ela seria sua e não andaria por ai solteira e morrendo de medo que alguém descobrisse sobre o casinho que vocês dois tiveram. — Debbie não pode evitar corar enquanto se afastava de Ezra. Godric a seguia com o olhar e um sorriso de canto apareceu em seus lábios quando a menina parou ao seu lado. Passou um braço em volta dos ombros da mesma, puxando-a contra seu corpo.
— Não é porque você não nos vê juntos dessa forma que nós não tenhamos nada. Escondido é bem melhor, Ezra. — Debbie precisou perder o riso quando viu o outro ficar vermelho e ele bufar de raiva.
— Não pensem que esse segredinho de vocês vai durar muito. Eu sei que ninguém sabe, mas eu posso muito bem fazer com que chegue até todos. — Ezra disse, com raiva antes de sair, deixando os dois sozinhos no corredor. Debbie sorriu minimamente para Godric antes de se afastar do ruivo.
— Obrigada. Mas você não se preocupa que ele conte para o Fernando?
— Como se o Fernando fosse acreditar no que ele dissesse e não em nós dois. — Godric revirou os olhos antes de selar os lábios da menina. Debbie arregalou os olhos, surpresa, e afastou o outro.
— Eu já falei que não, Godric. Não insista.
— Não estou insistindo, só deu vontade. — Godric deu de ombros e sorriu. — Mas eu preciso falar com você, Debbie.
— Não vai voltar a insistir naquela coisa do Gui, né? Por favor! O Fernando está feliz com ele e você sabe disso. Essa implicância não vai dar em nada.
— Tem algo de errado nele, Debbie! Ninguém some do jeito que ele sumiu e volta como se nada tivesse acontecido.
— Não enche o saco, Godric.
Debbie saiu, deixando o ruivo sozinho no corredor. Godric tinha tudo para ser um namorado perfeito para ela se não fosse pelas coisas que dizia e o jeito de querer ser sempre o centro de tudo. Godric podia ser mais velho, mas o ruivo tinha amadurecer muito antes de ela sequer considerar a ideia de ter algo mais sério com ele.
Guilherme sentia seu celular vibrando em seu bolso, mas estava decidido ignorar. Tinha certeza que teria ido embora se não fosse pelo amor que sua mãe começou a manter pelo seu padrasto. Passara as últimas três semanas trancado em casa, só esperando um sinal da mulher até eles poderem sumir de vez dessa cidade. Mas ela não conseguiu deixar isso para trás, sabia que era o mais seguro, mas ela não queria ter que fugir de novo. E Guilherme também não.
Havia pedido para seu padrasto deixa-lo na escola mesmo com sua mãe insistindo para que ele faltasse mais. Estava cansado de estar sempre preocupado com o que estava acontecendo e deixar sua vida de lado. Sem falar que havia sentido falta de Debbie. E principalmente, não aguentava mais não ver Fernando. E era exatamente por isso que não iria atender o celular.
Iria ter um dai de vida normal. Não iria se preocupar. Não ia pensar como sua mãe estava preocupada por ele ter saído antes dela acordar sem nem ao menos avisar. Tirou o celular do bolso e desligou o aparelho. Fernando observava o menor e sorriu ao vê-lo desligar o celular. O maior passou os braços em volta do ombro do menor, puxando-o para mais perto. Um sorriso de canto apareceu no rosto de Guilherme.
— Sabe, eu realmente senti sua falta esse tempo.
— Como se você não tivesse me substituído com outras pessoas. — Guilherme brincou arrancando um sorriso do maior, Fernando negou com a cabeça antes de responder.
— Se fosse para te substituir, eu teria feito isso antes.
— Você tem que ser muito idiota para ficar insistindo.
— Ou você é gostoso demais para eu poder deixar de lado. — Fernando aproximou o rosto do menor, selando seus lábios. Guilherme sorriu antes de fitar o maior nos olhos.
— Sabe, acho que eu posso compensar você por ter esperado.
— E como você pretende fazer isso?
— O que você acha de eu ir ao seu apartamento depois da aula. Só nós dois dessa vez. — Guilherme sorriu ao ver os olhos do maior se iluminarem e ele concordou com a cabeça antes de completar.
— Você é sempre bem vindo no meu apartamento.
Guilherme sorriu ainda mais para o outro enquanto afastava as preocupações de sua mente. Seria o seu dia de quebrar suas próprias limitações. Um dia não iria mata-lo. Um dia só daria forças para que ele realmente seguisse em frente se precisasse. Sem ficar se culpando por não ter feito algo. Iria seguir suas vontades mesmo que isso fosse machucar outras pessoas. Mas hoje era o dia se pensar só em si e no que seu corpo queria.
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