Backseat Serenade
14 13.
Notas iniciais
Fernando seguiu para seu prédio a pé com Debbie e Guilherme ao seu lado. Havia convidado Godric para ir junto com eles, mas o ruivo apenas sorriu e disse que tinha coisas mais importantes para fazer. Não que Fernando se importasse pelo amigo não ter vindo. Já era muito ter que aguentar Debbie impedindo que ele e Guilherme fizessem algo, se Godric viesse, Fernando teria que aguentar os dois não só atrapalhando suas investidas, mas também brigando entre si. Em pensar que ele poderia ter sugerido a ida de Guilherme para seu apartamento antes de Debbie. E assim ele não precisaria da menina junto. Mesmo ele sabendo que ela iria insistir. E que Guilherme não aceitaria vir sozinho. Mas fazer o que? Ele gostava de se iludir às vezes.
Seu olhar caiu em Guilherme. O menor sempre parecia concentrado em tudo que Debbie falava com ele, mesmo que não fosse sempre que respondesse. Era como se tudo que Debbie dissesse fosse a coisa mais interessante do mundo, mesmo que a menina estivesse apenas reclamando da comida da cantina da escola. Chegava a ser fofo como garoto era atencioso. Sem que percebesse, um sorriso pequeno surgiu nos lábios de Fernando. Guilherme olhou para o maior e sorriu ao ver o mais velho sorrindo.
Chegaram ao prédio do maior mais rápido que Guilherme achou que fariam. Na sua cabeça, Fernando morava mais longe que isso. Logo, os três estavam no elevador, dessa vez em silêncio. Debbie mantinha um sorriso pequeno no rosto, apesar de estar preocupada. Godric seria um problema. Principalmente se ele trouxesse a tona para todos o que realmente havia acontecido ano passado. Não sabia como Fernando reagiria se soubesse o que aconteceu. Tinha quase certeza de que não seria de um jeito bom e que ele ficaria estranho com ela por um bom tempo. Era melhor que Godric tivesse bom senso e não acabasse com isso.
O elevador parou na cobertura o pequeno prédio e os três entraram no apartamento do maior. Guilherme correu os olhos pela sala sem tanta gente como estava na primeira vez que veio até onde Fernando morava. Agora, os sofás e os móveis estavam em seus devidos lugares apesar de isso não querer dizer que estava arrumado. Na verdade, estava bem bagunçado. Alguns pratos largados na mesa de centro e peças e roupas espalhadas pelo cômodo. Fernando olhou para os dois e sorriu antes de se explicar.
— Não sabia que teria visitas, se não teria arrumado tudo. — Debbie riu em resposta e se aproximou do sofá até poder se jogar nele. Fernando revirou os olhos e Guilherme sorriu para a menina. — Fique a vontade, Gui.
— O que nós vamos almoçar? — Debbie perguntou assim que Fernando terminou de falar, a fim de impedir que o amigo repetisse o quão folgada ela é. Fernando revirou os olhos e se sentou no sofá vazio, sendo seguido por Guilherme.
— Não sei, o que você vai cozinhar para nós? — Fernando respondeu, sorrindo para a outra, enquanto a menina se esticava mais no sofá só para ela.
— Por que eu tenho que cozinhar para nós? — Debbie arqueou as sobrancelhas fazendo Guilherme rir.
— Porque você é mulher. — Fernando deu de ombros mantendo um sorriso de canto nos lábios. Debbie revirou os olhos e bufou.
— Como você é machista! Não é porque eu sou mulher que é meu dever cozinhar.
— Não, mas você é a Debbie. E sendo a Debbie, você tem que cozinhar para mim para compensar toda a folga e os abusos da minha boa vontade de te receber na minha casa. — Fernando sorriu, vendo a amiga revirar os olhos mais uma vez e se levantar do sofá.
— Eu vou fazer macarrão para nós. — Debbie se dirigiu até o balcão que separava a sala da cozinha, fazendo o maior rir mais uma vez. Guilherme apenas sorriu para Fernando enquanto ele se aproximava mais do menor.
— Vê se não vai cuspir no meu, ok? Eu te amo. — Fernando berrou em resposta fazendo a outra rir na cozinha. Então, levou uma mão até a cintura de Guilherme e sorriu para o outro. — Finalmente sozinhos.
— Na verdade, não. Eu ainda posso ver vocês dois daqui. — Debbie falou, atraindo o olhar dos dois para si. Fernando piscou para a amiga antes de roubar um selinho do menor. Guilherme arregalou os olhos fazendo Fernando rir em resposta.
— Você se importa em ter plateia? — o maior perguntou com uma sobrancelha arqueada e sorriso de canto. Guilherme apenas riu e selou os lábios de Fernando antes de se levantar.
— Na verdade, eu vou lá ajudar Debbie com o almoço.
Sorriu mais uma vez para o maior antes de seguir até onde a menina tinha ido. Fernando suspirou e deitou no sofá. Teria que acontecer dos dois ficarem sozinhos, ele sabia disso.
Fernando estava sentado no sofá. Um de seus braços estava em volta dos ombros de Guilherme, apesar de o menor ter tentado impedir que Fernando o fizesse. Os três estavam vendo um filme qualquer, mas Fernando não estava realmente interessado. Depois de almoçarem, Guilherme ligou para o padrasto avisando falando o endereço que estava e o homem disse que passaria lá pelo fim da tarde. Debbie, então, disse que ficaria até o outro ir embora. E Fernando teve vontade de bater na amiga.
Então, os três escolheram um filme qualquer na televisão, o que acabou entretendo tanto Debbie quanto Guilherme, mas não Fernando. O maior estava mais preocupado em como convenceria o menor a ficar sozinho com ele. A sua vontade era de pegar o menor no colo e se trancar no banheiro com ele. E então, abusar daquele corpo pequeno de todas as formas que podia imaginar. Além do mais, Guilherme era realmente pequeno. Seria extremamente fácil leva-lo para onde ele quisesse.
Mas claro, Guilherme iria odiá-lo para sempre se fizesse isso. Além de que Debbie não ficaria quieta se Fernando carregasse o menor para o banheiro. Então, teria que se contentar em manter o corpo do outro próximo até Debbie sair de lá. Nunca havia desejado tanto que alguém ligasse para a amiga e falasse que ela precisava estar em algum lugar urgentemente. Fernando suspirou enquanto se deixava escorregar um pouco no sofá. Guilherme desviou o olhar do filme para o garoto ao seu lado e riu em silêncio da expressão de tédio do maior.
Fernando desviou o olhar para o menor ao seu lado que se esticou na direção do outro e, para a surpresa do maior, selou seus lábios. Fernando sorriu e puxou o menor para mais perto enquanto selava os lábios do outro novamente. Guilherme sentiu a língua do outro percorrer seus lábios e liberou passagem para que ambas pudessem se encontrar. A mão do menor foi para a cintura do maior enquanto o beijo tomava ritmo e intensidade. Debbie desviou o olhar para os dois e se perguntou se deveria interromper, mas decidiu não o fazer. Fernando deixou uma mão sua acariciar o cabelo do menor, mas logo Guilherme afastou seus lábios e sorriu para o maior.
— Só para você não ficar com essa cara de deprimido. — Guilherme falou de modo que só Fernando pudesse ouvir, fazendo com que ambos rissem.
— Se eu ficar deprimido de verdade, eu ganho mais que um beijo?
— Não se iluda achando que eu vou fazer isso sempre.
— Não é ilusão, é a verdade. — Fernando sorriu e piscou para o menor. — Mas foi um ótimo incentivo para adorar ficar triste.
— Não era para ser um incentivo. E outra, se você associar isso com a sua tristeza, eu tenho certeza que você vai ficar bem animado. Seja lá onde for. — Fernando riu e se aproximou do ouvido do menor onde sussurrou.
— E você poderia me ajudar com essa animação também.
— Será que vocês dois podem ficar quietos? Tudo bem se beijarem, mas conversar me atrapalha a ver o filme. E é a minha parte preferida. — Debbie reclamou fazendo os dois rirem.
— Não enche o saco, Debbie.
Após Fernando resmungar um pouco sozinho, voltou a tentar assistir o filme. O problema era que o filme foi escolhido por Debbie então era mais um daqueles filmes confusos e sem sentido nenhum para Fernando. E o pior, sem ninguém morrendo ou algum tipo de guerra. Não tinha nada de absolutamente interessante, nada que prendesse sua atenção, mas infelizmente parecia ser o tipo de filme que prendia a atenção do menor ao seu lado, já que Guilherme havia voltado a se concentrar somente no filme. Fernando bufou mais uma vez e deixou que sua cabeça descansasse no ombro de Guilherme. O menor desviou rapidamente o olhar da televisão para olhar o maior, mas logo voltou sua atenção para o filme. Sabia que independente de quantas vezes tentasse afastar, Fernando voltaria a colocar a cabeça em seu ombro, então deixou que o maior fizesse o que queria fazer.
— Eu preciso ir ao banheiro. — Debbie se pronunciou após algum tempo em silêncio. Fernando sorriu fazendo a menina revirar os olhos. — Eu não vou demorar e quando eu voltar, quero os dois vestidos.
— Certo, mãe. — Fernando respondeu, fazendo a menina rir. Assim que ela entrou no banheiro e fechou a porta, Fernando levou uma mão para a cintura de Guilherme e depositou um beijo demorado em seu pescoço. — Agora sim, enfim sós.
Guilherme abriu a boca para retrucar, mas foi impedido pela língua do maior invadindo seus lábios e explorando cada canto de sua boca. Não pode conter um sorriso pequeno enquanto retribuía o beijo. Suas mãos foram para a nuca de Fernando e ele puxou levemente os fios curtos de seu cabelo. Fernando empurrou de leve o corpo do menor, deixando-o meio deitado no sofá e se debruçou por cima do mesmo. Pressionou seu corpo contra o do menor enquanto deixava que sua mão percorresse toda a lateral do corpo do menor, parando no botão da calça do menor.
Guilherme desceu uma mão pelas costas do maior parando na base de suas costas onde a camiseta do maior havia subido devido a posição que estava. Arranhou levemente a pele clara do maior, vendo-o se arrepiar. Outro sorriso surgiu em seus lábios durante o beijo. Logo, respirar se tornou necessário e Fernando separou seus lábios. O maior mordeu de leve o lábio inferior do menor e desceu os beijos até o pescoço de Guilherme onde beijos e mordidas foram depositadas, fazendo com que o menor suspirasse cada vez que o fazia.
Enquanto Fernando se concentrava no pescoço de Guilherme, sua mão ameaçava abrir a calça do menor. E esse foi o que Guilherme precisava para voltar para a sua realidade, levando sua mão até a do maior, afastando-a de sua calça. Fernando afastou seu rosto do pescoço do menor, olhando-o confuso. Guilherme empurrou o outro de cima de si enquanto tentava colocar seus pensamentos em ordem. Não deveria ter se entregado dessa forma. Era perigoso demais. Além do fato de já estar apegado. Se tivesse ido mais longe com o maior, não saberia o que faria. Não sabe nem se conseguiria negar ao maior o fato de que, na verdade, quer ser o mascote dele. Pelo menos por um ano.
— Você é realmente complicado, sabia? — Fernando resmungou, sentando direito no sofá e sorrindo para o menor. Guilherme deu de ombros e sorriu de canto.
— Então você não deveria insistir tanto. — Guilherme retrucou, olhando nos olhos do outro.
— Como se isso fosse me fazer desistir.
— Eu sei que não. Mas seria o melhor para você. — o menor suspirou e olhou para baixo.
— Não tem como você saber. E outra, não importa o que você diga, você vai acabar transando comigo no final.
— Deveria transar logo para ver se você para de me encher.
— Deveria mesmo, eu iria adorar. — Guilherme riu e revirou os olhos. Antes que pudesse responder, ouviu a porta do banheiro se abrir e Debbie voltou para a sala. A menina sorriu para os dois e se jogou no sofá entre os dois. Guilherme riu e Fernando bufou enquanto empurrava de leve o ombro da amiga.
— Bom ver que estão comportados. Achei que iria encontrar os dois se comendo aqui no sofá. Fiquei até com medo de sair. — Debbie sorriu e se encostou em Guilherme enquanto colocava as pernas no colo de Fernando.
— Você é muito inconveniente, Débora, muito mesmo. — Fernando resmungou, fazendo a menina rir.
— E é exatamente por isso que você me mantém por perto e me ama tanto.
Guilherme ficou observando enquanto os dois entravam em uma pequena discussão com um sorriso no rosto. Estava muito mais feliz do que admitiria. Fernando podia aparentar irritado com a amiga, mas também estava feliz. Sabia que estava quase convencendo Guilherme a ceder e não desistiria agora. Na verdade, não desistiria por nada até ter exatamente o que queria. Independente do tempo que levasse.
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