Backseat Serenade
13 12.
Notas iniciais
Godric mantinha seus olhos verdes fixos nas figuras distantes de Fernando com Guilherme. As aulas haviam acabado fazia pouco tempo e o grupo estava esperando para ir embora em frente a escola. Ao seu lado, Debbie ria e conversava com as outras meninas, que o ruivo não fazia questão de lembrar o nome. Além do mais, estava mais interessado em observar o menor de todos. Fernando não desgrudava do garoto e ele podia ver que o mesmo adorava isso. Por algum motivo, isso mexia com seu interior. Assim que havia colocado os olhos no menor, teve vontade de toma-lo para si, nem que fosse apenas por uma noite.
E realmente tinha em mente fazer isso. Não era como se o que Fernando queria ou deixava de querer importasse para o ruivo. Godric era bem egoísta e sabia disso. Até se vangloriava por isso, não era como aqueles que deixavam que os outros passassem por cima dele só para agradar. Mas ver como o menor não saia do lado de Fernando, ele viu que seria difícil. E diferente do amigo, não era muito paciente para as coisas que não eram fáceis, independente do quanto desejasse. Mas não podia negar que tinha algo que o prendia naquele menino.
Talvez os olhos cor de avelã e a beleza um tanto diferente do menino, ele não tinha certeza. Só sabia que tinha. E ele sentia que tinha um ar de mistério que Guilherme emanava, algo que ele escondia. Este fato era bem mais interessante do que tentar ter algo com o menor. Vez ou outra, Godric sentia o olhar de Debbie cair sobre si. Sabia que a garota o detestava desde o último aniversário dela, mas não tinha nada que pudesse fazer. Era como se a menina o desejasse o mais longe possível. Bem, problema dela. Ele não iria a lugar nenhum por um tempo.
Fernando mantinha Guilherme contra o muro da escola e o seu corpo. Seus rostos estavam próximos, mas nenhum dos dois fazia nada para aproximar mais. Guilherme poderia muito bem sair quando quisesse, não era como se estivesse contra a sua vontade. E o maior sabia que, na verdade, Guilherme estava adorando estar ali. O maior sorriu para o menor antes de falar.
— Sabe, acho que seu pai vai demorar para te buscar. — Fernando falou de forma que só Guilherme pudesse vir.
— Não é porque você quer que ele demore, não quer dizer que vai ser isso que vai acontecer. — Guilherme sorriu para o maior, fazendo com que Fernando retribuísse o sorriso.
— Não é que eu quero e sim que ele sempre está aqui quando nós saímos e hoje ele não está. — Guilherme assentiu com a cabeça ainda sorrindo.
— Não faz nem dez minutos que as aulas acabaram. Ele pode muito bem se atrasar um pouco. — Fernando riu e se aproximou mais do corpo do menor.
— Não disse em momento algum que eu queria que ele se atrasasse.
— Você não precisa dizer. Está escrito na sua testa! — Guilherme piscou para o maior que aproximou ainda mais seus lábios.
— O que seu pai diria se te visse tão perto assim de mim? — Fernando murmurou contra os lábios do menor. Guilherme deixou que um suspiro escapasse pelos seus lábios e ele sorriu para o outro.
— Ele ficaria bem inquieto, no mínimo. — Fernando sorriu de volta, mantendo seus olhos presos nos do menor.
— Então, vamos torcer que ele demore bastante para que ele não veja e desconte em você. — Fernando selou os lábios do menor assim que terminou de falar, fazendo o outro rir. Guilherme empurrou os ombros do maior, dando espaço para que ele pudesse sair e sorriu para o maior.
— Se não é para ele ver, então, vamos com o resto do pessoal. Assim ele não desconfia.
Fernando observou o outro caminhar até o grupo maior com um sorriso de lado no rosto. Sem ter outra opção, Fernando seguiu Guilherme. Debbie observou enquanto os dois garotos se aproximavam e sorriu assim que Guilherme parou ao seu lado. Godric também se mantinha atento aos dois. Um sorriso de canto surgiu nos lábios do ruivo antes de ele se pronunciar.
— Você não é um daqueles caras depressivos que se corta, não é? — Godric mantinha o olhar fixo em Guilherme. O menor enrubesceu com o tom de desafio do olhar do outro. Fernando apenas olhou para o ruivo em dúvida. — Sabe, para ficar com esse moletom o dia inteiro, você só pode estar escondendo algo.
— Eu não me corto. — Guilherme deu de ombros e sorriu de canto. Na verdade, ele estava sem jeito. Só queria pode desviar o assunto. — Eu só acho confortável usar o moletom.
— Mas ninguém usa moletom nesse calor. — Godric retrucou, fazendo Debbie revirar os olhos.
— Você deveria deixar o Gui em paz. Não é como se você não tivesse nenhuma coisa estranha em você. —Debbie retrucou, recebendo um sorriso irônico em resposta por parte de Godric.
— Não ouvi ninguém dizendo seu nome, Débora.
— Você não acha que é muita arrogância de sua parte chegar aqui e já ficar atacando o Gui desse jeito?
— Não o ataquei de jeito nenhum, eu só fiz uma pergunta. — o ruivo deu de ombros e Gui sorriu de canto para a menina.
— Está tudo bem, Debbie. — a menina abriu a boca para retrucar, mas foi impedida pelo toque do celular do menor. Guilherme arqueou a sobrancelha e pegou o celular do bolso externo da mochila. A confusão dominou seu rosto antes de atender a chamada de seu padrasto. Então, ele se afastou do grupo para atender a chamada. Godric desviou o olhar do menor e voltou para Debbie.
— Você anda muito mal-humorada, sabia? O que aconteceu com a Debbie divertida de antes?
— Cansou de ser feita de trouxa por você. — a menina deu de ombros, arrancando um sorriso largo do ruivo.
— E o que aconteceu enquanto eu estava fora? Você foi atrás do seu ex?
— Por que eu iria? Ele era só mais um idiota.
— Não era o que você dizia um tempo atrás. — Fernando se mantinha calado, apenas observando Guilherme de longe. Estava com a cabeça distante das discussões dos amigos.
— Ainda bem que eu amadureci. — a menina bufou e encostou-se ao muro as suas costas.
— Não é como se eu não tivesse falado para você o que ele era desde o começo.
— Uau, Godric! Que incrível! Você quer um prêmio agora? Uma medalha para o grande e genial Godric? — Debbie se exaltou, chamando a atenção de Fernando. O garoto apenas arqueou as sobrancelhas e levou seu olhar para os dois amigos.
— O que está acontecendo?
— Nada, a Debbie é que se estressa com pouco. — Godric falou, dando de ombros. Debbie apenas bufou e virou o rosto, disposta a ignorar o ruivo como havia feito a manhã inteira. — Mas e você? Está realmente apaixonadinho por esse Guilherme, não?
— Como se eu me apaixonasse, não é? — Fernando devolveu com um sorriso de canto.
— Você não me parece exatamente desapegado como você deveria estar. — Godric deu de ombros e Fernando desviou o olhar para o chão.
— Eu nem ao menos tive algo mesmo com ele, como poderia ter me apegado? — Fernando respondeu voltando a olhar para o ruivo. Godric abriu a boca para responder quando Guilherme voltou. Fernando pousou os olhos no menino que parou ao seu lado com uma expressão preocupada. — O que foi?
— Meu padrasto não vai poder me buscar agora.
— E como você vai embora? — Debbie perguntou, olhando para o menor dos garotos.
— Eu não sei. — o menor mordeu o lábio inferior, ainda pensativo. Ele poderia ficar enrolado ao redor do colégio até que o padrasto pudesse sair da empresa para busca-lo, mas sua mãe não ficaria exatamente feliz por isso. Esse era um dos problemas de morar afastado da cidade. — Acho que vou achar algum lugar para ficar até ele conseguir me buscar.
— Então vamos para a casa do Fer! — Debbie sugeriu, recebendo um olhar surpreso tanto de Guilherme como de Fernando.
— Uau, incrível como você convida as pessoas para a minha casa como se fosse a sua mesmo. — Fernando falou, com ar risonho na voz.
— Como se você fosse nos impedir de entrar. — Debbie retrucou, sorrindo.
— Na verdade, eu não vou. Porque eu acho uma ótima ideia. Você pode passar esse tempo lá em casa enquanto seu pai não pode vir te buscar. — Fernando falou, sorrindo para o menor.
— Não sei se é uma boa ideia...
— Fica tranquilo, a Debbie vai estar lá. Ela com certeza vai atrapalhar qualquer coisa que comece e passe do seu limite. — Fernando falou, recebendo um tapa leve da amiga.
— Ainda assim, eu não sei se devo.
— Sim, você deve. Agora liga para o seu padrasto antes que eu o faça. — Debbie ameaçou fazendo o outro rir. Guilherme voltou a se afastar enquanto discava o número do homem mais velho. Podia parecer terrivelmente errado ir a casa de Fernando, mas não conseguia negar isso. Porque no fundo era o que ele queria. E ele havia dito a si mesmo que essa seria uma das únicas vezes que ele poderia realmente arriscar e fazer o que queria. Sem se importar realmente com as consequências.
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