Notas iniciais
EEi! Esse não demorou tanto! Estou conseguindo me dar folgas para escrever e tudo mais. Então vou tentar postar um por semana, se tudo funcionar direito. Muito obrigada por estarem lendo! Esse capítulo ficou grande e espero que gostem. Bem, tem novo personagem também. Enfim, sem spoilers HDIUASHIDUAHD

O carro preto parou na frente da escola e o menino desceu do mesmo. Puxou as características mangas compridas do moletom azul marinho para baixo e ajeitou a mochila antes de caminhar até o portão de entrada. Mal havia passado pelo mesmo quando sentiu um braço envolver seus ombros, atraindo seu olhar espantado para o moreno parado ao seu lado, sorrindo. Os olhos azuis do outro pousaram nos seus cor de avelã e o maior sorriu de maneira larga.

— Bom dia, Gui. — o maior se abaixou e depositou um beijo no canto dos lábios do menor. Guilherme não conseguiu evitar corar, mas sorriu para o outro antes de responder.

— Bom dia. Cadê a Debbie?

— Subiu antes de mim. Decidi ficar te esperando hoje.

— Por quê? Não é como se nós tivéssemos alguma coisa e isso implicasse que você teria que agir como meu namorado. — Guilherme sorriu de canto para o outro enquanto afastava o braço do mesmo dos seus ombros.

— Não implica, mas eu gosto de pensar que sim. — Fernando piscou para o menor que apenas revirou os olhos em resposta. Os dois seguiram escada a cima, Guilherme ia à frente sendo acompanhado pelo maior apenas um degrau a baixo.

— Não se iluda, Fernando. Nós só ficamos duas vezes e não é como se fosse acontecer de novo. — Guilherme olhou para o maior por cima de seus ombros e notou que Fernando mantinha um sorriso convencido nos lábios.

— Não teria tanta certeza se fosse você. Afinal, eu ainda não tive o que eu sempre quis. — Guilherme notou o olhar do outro correr por todo seu corpo e corou novamente. Sua atenção voltou para frente antes que acabasse tropeçando em um degrau.

— E eu acho que você não vai ter isso. — Fernando arqueou as sobrancelhas com o olhar fixo nas costas do menor. Segurou o pulso de Guilherme assim que ambos deixaram a escada e puxou o menor contra seu corpo, virando-o de frente para si. Ele se abaixa até estar com o rosto na altura do rosto do menor. Guilherme manteve seu olhar preso no do maior enquanto dava um passo para trás, a fim de se afastar. Fernando só alargou o sorriso e mordeu de leve o próprio lábio inferior.

— Não acho que você tenha um autocontrole tão bom assim. Ontem você quase cedeu. Eu posso repetir a dose aqui mesmo, se você quiser. — Fernando respondeu, fazendo Guilherme revirar os olhos, mas conseguiu arrancar um sorriso do menor.

— Não duvide de mim, Fernando. Você não tem ideia de quão grande é o meu autocontrole. — Guilherme respondeu e o outro tornou a se aproximar, colando seus corpos.

— Então o que você diria de nós dois matarmos essa aula só para ver se o seu autocontrole é tão bom assim.

— É tentador, mas eu passo. Acontece que eu sou bom aluno, diferente de você. — Guilherme piscou para o outro e sorriu enquanto tornava a se afastar e soltava o pulso do aperto da mão do outro.

— Isso porque você não é um gênio natural como eu. — Fernando sorriu, caminhando ao lado do menor. Notou Debbie parada na porta conversando com as outras meninas, mas seu olhar estava fixo nos dois. Assim que percebeu que Fernando olhava para ela, deixou que um sorriso aparecesse em seu rosto.

— Não acho que você seja um gênio. — Guilherme retrucou enquanto seguia o maior até as meninas. Fernando riu e virou para responder o menino quando uma voz o cortou.

— Então esse é o seu novo mascote, Fernando? — atrás dos dois vinha um garoto alto e musculoso. Seus cabelos eram de um ruivo vivo e os olhos verdes. Pelo rosto, algumas sardas se destacavam e o sorriso com um leve ar de deboche se destacava nos lábios levemente carnudos. Godric era uma das poucas pessoas, junto com Debbie, que Fernando fazia questão de manter sempre por perto.

— Como você demorou para aparecer esse ano! Acho que matar as três primeiras semanas de aula foi o seu recorde até agora. — Fernando respondeu ao garoto com um sorriso largo. Guilherme olhou com curiosidade para o outro que se mantinha ocupado correndo os olhos verdes por todo o corpo do menino. Sentia-se um pouco sem graça quando o secavam da forma como o ruivo estava fazendo, mas não fez nada. Estava começando a se acostumar com isso.

— Voltei de viagem só agora. E por mim, eu não voltava. — Godric levou os olhos para Fernando, alargando o sorriso. O ruivo era um ano mais velho que os outros e era repetente na classe deles. Seus pais eram amigos desde a infância dos dois garotos o que levou Fernando a tomar o mais velho como inspiração para ser como ele era. Debbie caminhou até os três garotos e parou ao lado de Guilherme com um sorriso de canto. Diferente de Fernando, Debbie nunca havia simpatizado verdadeiramente com o mais velho. O outro sorriu para a menina que retribuiu o sorriso por educação, mas não disse nada. Guilherme prendeu sua atenção na garota. — Quem é esse?

— Esse é o Guilherme. Ele estuda com a gente e é novo aqui.

— Eu sei que ele é novo, já teria notado ele antes. — Godric sorriu malicioso para o menor e Guilherme não pode evitar em se sentir estranho. Algo o alertava que o maior poderia ser um problema. — Prazer, meu nome é Godric. — o menor apenas sorriu minimamente em resposta. — Você escolheu um ótimo mascote esse ano, Fer, fico orgulhoso que não tenha precisado da minha ajuda para isso.

— O Gui não é o meu mascote, ainda. Ele insiste em negar a vontade dele de ser meu por um ano. — Fernando respondeu, sorrindo para o maior. O sorriso de Godric apenas se alargou e ele pousou novamente os olhos no menor.

— Não é seu mascote? Que surpresa! Todos cedem tão rápido quando você pede. — Fernando sorriu em concordância e prendeu seu olhar ao do menor. Guilherme olhou para Debbie com o canto dos olhos, estranhando o fato da menina estar em silêncio.

— Ele é diferente do resto. — Fernando deu de ombros enquanto respondia. Godric observava atentamente Guilherme. Incomodado, o menor puxou a manga da camiseta para baixo, chamando a atenção do mais velho para tal ato.

— Manga cumprida? Mas está tão quente! — o menor lançou um olhar incrédulo para o outro enquanto tentava achar algo para dizer. Debbie segurou o braço de Guilherme e forçou um sorriso para o mais velho.

— Vamos para a sala? Daqui a pouco o professor chega.

O menor olhou agradecido para a garota e deixou que ela o puxasse para a sala. Debbie podia não saber nada sobre Guilherme, mas sabia que o garoto não estava suficientemente confortável com eles. Não deixaria que Godric piorasse a situação e afastasse o menino, por mais que ele tivesse razão. Não precisava ser muito inteligente para saber que Guilherme tinha seus segredos e se o menino deixasse tão transparente na presença do outro, ele poderia acabar se arrependendo. Godric não era a melhor pessoa para lidar quando descobria que alguém escondia alguma coisa e Debbie sabia muito bem disso.

A menina ocupou seu lugar de costume e viu Guilherme ocupar o lugar ao seu lado. Fernando sentou atrás do menor e, para a tristeza da menina, Godric se dirigiu ao lugar atrás de dela. Seria um longo dia, ela sabia. No fundo, ela torcia para que o mais velho tivesse simplesmente abandonado tudo como sempre ameaçava fazer, mas ela sabia que ele não faria isso. Era como se ele soubesse que sua presença a irritava e exatamente por isso insistia em estar sempre por perto.

A aula de física corria lentamente para Fernando. Faltavam cinco minutos para terminar, mas ele sentia que estava lá por horas. No lugar ao seu lado, Godric estava dormindo profundamente desde o começo. Na frente do ruivo, Debbie parecia estar com a mente distante pelo olhar fixo em deu rosto desde a primeira aula. Enquanto Guilherme parecia totalmente vidrado na aula, prestando atenção. Fernando suspirou e se debruçou para frente apoiando a testa na mesa. Notou o cheiro do perfume cítrico do menino e sorriu. Ouviu quando Guilherme se jogou para trás apoiando-se totalmente no encosto da cadeira. Foi então que o maior teve uma ideia.

Fernando arrastou-se mais para frente até ficar o mais perto possível da nuca do menor. Desapoiou a testa do tampo da mesa e assoprou a nuca de Guilherme. Viu o menino se encolher e virou o rosto até seu olhar encontrar o rosto do maior que se mantinha sorrindo. Guilherme revirou os olhos cor de avelã, mas não pode evitar sorrir de volta.

— Aula muito chata, não? — o maior disse de maneira baixa.

— Sim, não estou aguentando mais esse professor falando.

— Você poderia ter ido matar aula comigo. Teria sido bem mais divertido. — Fernando levou uma de suas mãos até as costas do menor por baixo da mesa, acarinhando-a levemente. Guilherme só pode aumentar mais o sorriso.

— Você quem desistiu de tentar me convencer assim que viu o seu amigo. — Guilherme murmurou, arrancando um sorriso largo de Fernando.

— Então você teria ido se eu tivesse insistido mais?

— Na verdade, não. Mas é divertido ver você tentando. — o menor olhou nos olhos azuis do outro. O sinal soou alto, avisando o fim da primeira aula, mas nenhum dos dois fez menção de sair da posição que estavam.

— Então acho que não vou ter que insistir tanto quanto eu achei que teria.

— Não. Você vai ter que insistir mais. A não ser que se canse.

— Eu sou do tipo que desiste de algo antes de conseguir. Por mais que eu tenha cansado de tentar. — Fernando sorriu e Guilherme suspirou.

— Eu sei que não é. Mas isso não vai fazer bem a você. — o menor sorriu de canto e Fernando levou um a mão no queixo do outro, puxando seu rosto para mais perto.

— É, mas não tem como você ter certeza. — o maior sorriu de maneira larga para o outro antes de selar seus lábios demoradamente. Assim que se afastou, Guilherme sorriu para o outro. — Sabe, você realmente deveria passar lá em casa esses dias. Você não tem ideia de como me deixa louco, Gui.

— E você tem que dar mais uma de canalha.

— É o meu charme, admita. — Fernando sorriu convencido fazendo o outro rir.

— Você é bem mais bonito calado. — Guilherme retrucou. Sua mão afastou a do outro de seu queixo e foi para trás. Fernando riu e fingiu um olhar ofendido antes de responder em um tom malicioso na voz.

— Então você admite que eu sou bonito.

— Sim, mas quando você abre a boca pra falar, toda sua beleza some. — Debbie riu ao lado dos dois, atraindo o olhar curioso para ela. Guilherme sorriu para a menina que se intrometeu na conversa.

— Eu acho que você deveria prestar mais atenção no que o Gui fala, Fer, pode ter algumas coisas bem úteis e verdadeiras.

— Você está fazendo um péssimo trabalho como melhor amiga, sabia? Você deveria estar me ajudando a convencê-lo ficar comigo e não fica incentivando ele a falar os meus defeitos. Eu deveria te demitir.

Guilherme riu e ficou observando os dois discutindo. Seu olhar caiu rapidamente na figura de Godric. O ruivo continuava com os olhos fechados, mas atento a tudo que os outros falavam. Seria muito se iludir achando que o mais velho nem ao menos se importava com o que acontecia com eles. O jeito que ele havia olhado mais cedo sabia que ele não deixaria nada passar. E só de imaginá-lo investigando sua vida, já fazia com que um arrepio percorresse o corpo de Guilherme. Não importa quantas vezes ele repetisse para si mesmo que não poderia se apegar, ele se via cada vez mais apegado. E poderia se mostrar um grande problema esse ato se Godric botasse tudo a perder. E não podia se iludir achando que ruivo não botaria, se descobrisse a verdade.

Notas finais
Obrigada por lerem!