Notas iniciais
Sou péssima para dar título aos capítulos. MUITO OBRIGADA POR LEREM E PELOS COMENTÁRIOS! Vocês me deixam muito feliz, vocês não tem nem ideia!

Guilherme estava em sua cama. Estava estranhando o fato de ninguém nem ao menos ter comentado algo sobre o atraso do menino mais cedo. Tinha absoluta certeza de que não teria um momento de paz por parte de sua mãe a partir do momento que entrasse em casa, mas não foi isso que aconteceu. Ela apenas sorriu para ele e perguntou se os dois estavam com fome. E foi a partir desse momento que ele começou a desconfiar que tinha algo. Ou que ela queria falar algo.

E ele soube que era exatamente esse algo que ela queria falar quando ouviu uma batida tímida na porta e a figura magra de sua mãe entrou lentamente pela mesma. Os cabelos loiros estavam presos em um coque bagunçado. Um sorriso pequeno apareceu em seus lábios e ela caminhou até a cama do menino. Sentou ao seu lado e esticou a mão para que o menino a segurasse. Guilherme sorriu e apertou a mão pequena da mulher.

— Você está se divertindo na nova escola, Gui?

— Estou sim, mãe. — Guilherme sorriu de canto e viu a mulher suspirar e desviar o olhar para a cama.

— Eu fico feliz em saber que está gostando daqui, querido.

— Mas? — Guilherme sabia exatamente qual era a conversa da mãe. E desconfiava também onde ela queria chegar.

— Você sabe que não pode se apegar muito a ninguém, querido. Você sabe como nós somos.

— Eu sei, mãe. Não me apeguei a ninguém. — Guilherme sorriu de canto para a mulher, mas a mesma apenas se mantinha observando os olhos cor de avelã do filho.

— Você sabe que tudo que eu mais quero é ver você feliz, meu amor. Eu abriria mão de tudo pela sua felicidade.

— Mas ainda é arriscado, eu sei. Mãe, eu não sou idiota.

— Eu sei que não é, Gui, nunca disse que você era. Eu só queria que você não esquecesse. Por mais que eu odeie ter que ficar te lembrando.

— Não se preocupe, mãe. Eu não vou esquecer.

Guilherme sorriu de maneira para a mãe e passou o braço em volta dos seus ombros pequenos, puxando-a contra seu corpo. Abraçaram-se por alguns momentos antes de eles se separarem, a mulher depositou um beijo demorado na testa da mulher antes se levantar e deixar o quarto. Guilherme só pode suspirar quando a mulher saiu. Era doloroso não poder se apegar às pessoas incríveis como Debbie, mas não colocaria tudo por água a baixo. Era arriscado demais e ele sempre soube disso.

Fernando foi acordado com o toque de seu celular. Nem havia dado conta de que tinha pegado no sono até ser acordado. Depois do seu momento com Guilherme na sala de aula, o garoto foi para casa o mais rápido possível, inventando qualquer desculpa para as meninas que o esperavam do lado de fora da escola. A verdade era que sabia que Debbie não deixaria isso passar. Assim como ele não se surpreendeu ao ler o nome da amiga na tela do telefone. Pelo menos havia dado tempo para que ele dormisse um pouco.

— Mas como você demorou para ligar! — foi a primeira coisa que saiu pelos seus lábios assim que atendeu. Surpreendeu-se com a rouquidão de sua voz, mas sabia que Debbie não falaria nada.

— Abre o portão, to aqui na frente.

— Mas como você é mandona? Nem para perguntar como está sendo minha tarde? Ou se eu tirei um bom cochilo até você me ligar?

— Eu pergunto tudo isso quando estiver no seu apartamento. Agora, o portão.

— Certo, apressada. Estou indo.

Fernando desligou a ligação e rumou apenas vestindo uma calça de moletom cinza até a cozinha. Se fosse outra pessoa, provavelmente se preocuparia em vestir uma camiseta, mas Debbie já o conhecia bem demais e provavelmente sabia que ele estava sem camiseta. E muitas vezes sem a própria calça.

Rumou lentamente até o balcão que dividia a sala da cozinha e apertou o botão que abria o portão da frente. Seria bem mais prático se tivesse dado uma chave do portão de fora para Debbie. Mas também, acabaria com qualquer resto de privacidade que ele ainda tinha. Caminhou até o sofá e se jogou no mesmo, esperando quando a amiga abriria a porta de seu loft. Fato que aconteceu pouco tempo depois.

Debbie tinha um sorriso largo no rosto e as mesmas roupas que havia ido para a escola. Assim que fechou a porta, largou sua bolsa em um canto e caminhou até o sofá, jogando-se ao lado de Fernando e apoiando seu corpo ao do amigo. Fernando revirou os olhos e sorriu.

— Você deveria aprender a trancar a porta. — Debbie começou como ele sabia que ela começaria. Era sempre o mesmo sermão, mas ele sabia que ela adorava o fato da porta estar sempre aberta.

— Eu sei que você não veio aqui para falar da porta. — a menina riu e concordou com a cabeça.

— Tem razão. Vim aqui para falar sobre aquele que, surpreendentemente, não veio embora com você. Vai me dizer que você não chegou nem a incentivá-lo a pedir para que você o trouxesse para sua casa?

— Na verdade, eu fiz um bom trabalho tentando, só não contava que ele tivesse uma droga de autocontrole. — Fernando suspirou, fazendo a menina rir novamente.

— Ele falou não para você? Mesmo? Duas vezes, já? Uau, o Gui é realmente um desafio!

— Nem me fale!

— Quando você teve todo esse trabalho para trazer alguém para sua cama?

— Honestamente? Nunca. Eu sou gostoso demais para alguém falar não para mim.

— Bem, parece que o Gui não concorda, né? Eu até diria que você está perdendo o jeito. — Debbie provocou o amigo, cutucando seu braço esquerdo. Fernando fuzilou a amiga com o olhar em resposta.

— Não te como perder isso, querida. Eu já nasci com o dom. — ele piscou um dos olhos para a menina, fazendo com que ela revirasse os olhos em resposta. — Mas eu tenho certeza que ele está pensando no beijo que eu dei nele até agora.

— E o que te faz ter tanta certeza disso?

— O fato de que ele também adorou que eu voltei para busca-lo na sala de aula? Que ele retribuiu com tanta vontade quanto eu? Ele tá só se fazendo de difícil, Debbie, mas logo ele vai estar aqui no meu loft. E quando isso acontecer, bem, é bom que você não apareça porque eu não vou abrir o portão.

— Mas como você é grosso! Não se trata as pessoas desse jeito. — a menina deu um tapa em seu ombro, fazendo com que ele risse. — E eu tenho certeza que você vai ter que batalhar muito para o Gui deixar que você o traga para cá. Ele não é como os seus outros mascotes e você sabe muito bem disso.

— Não, ele não é. Ele é mais difícil e é exatamente por isso que eu o quero. E eu vou tê-lo bem mais rápido que você pensa.

— Mesmo? Porque você embebedou o garoto na festa e ele não parece nem ter chegado perto de ceder e hoje você o atacou e ele deixou você sair de mãos vazias. Não acho que ele venha para cá tão rápido assim, Fer. Não se iluda.

— Isso soa quase como uma aposta, Debbie.

— Entenda como quiser, querido. Mas eu não acho que o Gui seja desses que caem na sua cama só porque você tem lábios maravilhosos e um corpo sexy. — a menina sorriu para o outro. Fernando riu antes de responder.

— Seja como for, eu realmente tenho lábios maravilhosos e um corpo sexy. — o garoto piscou para a outra recebendo outro tapa em troca. — Mas seja como for, eu vou agilizar as coisas com Guilherme só para provar para você que eu realmente posso fazer com que ele se entregue a mim facilmente.

— Eu acho que você vai quebrar a cara tentando, Fer, mas não sou eu quem vou te impedir. — a menina sorriu de canto antes de continuar. — Mas quando isso acontecer, você sabe que eu serei a ótima melhor amiga que eu sou e vou dizer para você que eu te avisei.

— Porque você nunca deixaria isso passar.

— Nunca mesmo.

Notas finais
Obrigada por lerem.