Backseat Serenade
10 09. Provocações.
Notas iniciais
Fernando estava apoiado no muro da escola. Debbie, Karina e Annabelle estavam a sua frente comentando sobre alguma aula qualquer. Camila havia acabado de ir embora e o garoto estava pensando em fazer o mesmo. E faria se não tivesse se dado conta de uma coisa. Ou melhor, da falta de uma coisa. Ele podia ver o carro preto que Guilherme entrava todo dia antes de ir embora parado do outro lado da rua, mas não tinha visto nem ao menos um sinal do menor desde que deixou a sala de aula com as meninas. Era estranho nem ao menor ter notado que tinha saído sem o garoto. Normalmente, seu olhar estava sempre fixo no garoto. Como pode não perceber que ele não estava lá?
— Cadê o Gui? — Fernando perguntou arqueando a sobrancelha. Debbie riu e revirou os olhos antes de responder.
— Uau, até que demorou para você dar falta. — a menina sorriu para o amigo que apenas lhe questionou através do olhar. — Ele se enrolou para copiar a matéria e arrumar suas coisas então ele ficou para trás. Até que ele está demorando para sair.
— Então eu vou ver se está tudo bem. — um sorriso malicioso surgiu no rosto de Fernando contra a sua vontade o que fez com que Debbie tornasse a revirar os olhos.
— Como se eu não suspeitasse o que você vai realmente fazer.
Fernando apenas sorriu para a amiga e piscou um dos olhos. Seguiu o mais rápido que pode até a sua sala de aula, torcendo para que Guilherme estivesse sozinho lá. Todo o colégio estava praticamente deserto, com exceção de alguns alunos no primeiro andar e de boa parte deles esperando para ir embora na frente da escola. Mas não havia ninguém pelos corredores e muito menos nas escadas. O que era bom, pois assim teria mais privacidade para fazer o que queria com Guilherme.
Na sala do terceiro andar, Guilherme se xingava mentalmente. Não deveria estar demorando tanto para copiar a maldita matéria na lousa, mas não conseguia evitar se perder em pensamentos e esquecer o que estava fazendo. Já havia perdido a conta de quantas vezes teve que riscar o que havia escrito por estar errado ou por ter copiado duas vezes. Sabia que o seu padrasto o esperava na frente da escola e não ficaria nada contente por toda a demora do garoto.
Suspirou enquanto largava a caneta ao lado do caderno. Era isso, ele desistia de copiar tudo. Christian ficaria mais impaciente se ele realmente se forçasse a terminar de passar tudo que estava na lousa para o caderno. E nem era nada tão importante assim. Apenas um dos assuntos mais difíceis em física, que acontecia de ser a matéria que ele ia pior. Mas foda-se. Não seria agora que ele começaria a ser perfeito em física. Estava tão perdido em seus pensamentos irritados tanto consigo mesmo quanto com a física que não ouviu quando entraram na sala. Porém não tardou a sentir a respiração contra a sua nuca.
Em um sobressalto, voltou sua atenção as suas costas, encontrando os olhos azuis de Fernando. O maior mantinha um sorriso de lado nos lábios e piscou para Guilherme quando notou que o outro havia percebido sua presença. Aproximou-se mais do menor, sentando em sua mesa. Guilherme arqueou uma sobrancelha para o maior que apenas alargou o sorriso em resposta.
— Se perdeu enquanto copiava? É um absurdo ter deixado você sozinho nessa sala enorme.
— Não é como se alguma coisa fosse acontecer comigo em uma sala de aula dentro da escola. — Guilherme revirou os olhos e sorriu de canto. — Além do mais, você é a maior ameaça na sala. Logo o perigo estar em você estar aqui sozinho comigo na sala de aula.
— Só é um perigo porque você também estar adorando estar sozinho na sala de aula comigo. — Fernando se debruçou para frente, aproximando seu rosto do menor. Guilherme sorriu de canto, mantendo seus olhos fixos no do garoto a sua frente.
— O que você faz aqui, afinal? Não deveria ter ido embora.
— Eu estava quase indo, na verdade, mas então me disseram que você estava sozinho aqui e eu pensei que seria a oportunidade perfeita para te impedir de esquecer sábado e mostrar que você tem mesmo que aceitar ser meu mascote. Afinal, quem sai no lucro é você. — Guilherme riu e revirou os olhos enquanto voltava sua atenção para as coisas jogadas na mesa.
— Sério? Porque parece que você é quem está louco para que eu aceite ser seu mascote. Por mais que eu ainda insista em dizer não. — o menor piscou para o outro antes de voltar sua atenção para o chão e pegar sua mochila. Fernando esperou até que Guilherme terminasse de guardar suas coisas e levantasse para fazer o mesmo e puxar o garoto contra seu corpo. Sua mão estava firme na cintura do menor que parecia surpreso com a atitude de Fernando. O maior abaixou até que seu rosto estivesse na altura de Guilherme, seus lábios afastados por poucos centímetros.
— Você deveria parar de mentir para si mesmo. Mas não tem problema, assim é mais divertido.
Guilherme abriu a boca para retrucar, mas foi impedido pela língua do maior que invadiu sua boca e foi ao encontro da sua. O menor levou suas mãos para os ombros do maior, a fim de afastá-lo, mas apenas o trouxe para mais perto. Ele estava contradizendo aquilo que seu lado racional mandava que ele fizesse, mas não importava. Porque era bom. E seu inconsciente estava amando tudo aquilo. Não era como se ele fosse se apaixonar ou algo do tipo. Estava apenas se divertindo. Apenas retribuindo o beijo que lhe era dado.
Fernando o levantou do chão e o apoiou em uma das mesas próximas a parede. Guilherme afastou as pernas para que o maior pudesse de posicionar entre elas. Com uma das mãos, Fernando se apoiou na mesa ao lado do corpo de Guilherme enquanto a outra corria pelas costas do menor, pressionando-o contra si. Guilherme passou seus braços em volta do pescoço do outro enquanto suas mãos bagunçavam o cabelo do maior. Fernando deixou que um sorriso tomasse formato em seus lábios contra o do outro. Ele tinha Guilherme exatamente onde ele devia ter estado desde o primeiro dia.
A mão que estava nas costas do menor desceu até estar na coxa do mesmo e Fernando percorreu toda a sua extensão pela parte interna, apertando-a vez ou outra. Notou um gemido escapar por parte de Guilherme contra seus lábios e logo o menor estava mordendo o lábio inferior do outro. Fernando soltou os lábios do menor e levou os seus para o pescoço do garoto, beijando e mordendo qualquer pedaço de pele que encontrava. Guilherme sorriu e desceu suas mãos até parar na base da coluna do maior antes de tornar a subi-las, passando as unhas curtas por cima da camiseta do outro durante todo o trajeto. Suas mãos tornaram a parar nos ombros do maior e ele o afastou.
Os olhos avelã encontraram os azuis e o menor sorriu enquanto saia de cima da mesa. Esticou-se até estar na altura da orelha do outro onde sussurrou.
— Ainda bem que nós dois sabemos jogar esse jogo. Pena que eu não vou ceder tão rápido. Mas acredite, é delicioso ver você tentar com que eu faça.
O menor, então, se afastou e pegou a mochila que estava próxima aos seus pés. Piscou para o maior que continuava apenas observando-o e sorriu antes de deixar a sala. Iria escutar bastante quando chegasse em casa por conta do atraso para sair e sabia que estava se arriscando cada vez mais, mas não se sentia culpado. O olhar de confusão e frustração no rosto de Fernando compensava tudo. E a vontade de rir apenas por lembrar do outro não sumiria tão cedo. Podia dizer que, depois de algum tempo, estava finalmente feliz.
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