Backseat Serenade
7 06. Festa (parte um)
Notas iniciais
Debbie havia mandado três mensagens para Guilherme avisando qual era o endereço de Fernando, só para o caso do menino não esquecer. Mas já faz uma hora que a maioria havia chegado e nem sinal do menor. Sabia que Fernando fazia questão da presença do garoto e o próprio Guilherme havia jurado para ela que viria. Mas uma parte dela desejava que o menino ficasse em casa. Talvez porque sabia que hoje seria quando o Fernando faria uma investida maior para cima do pequeno e ainda estava com receio do menino aceitar ser mascote do amigo. Principalmente porque ela havia gostado dele e não queria que ele se machucasse. E sendo mascote, ela sabia que isso viria acontecer em algum momento. Notou Fernando caminhando em sua direção e logo o amigo estava com os braços em volta da cintura da menina.
— Quanto desânimo, grande Debbie. Até parece que uma coisa linda como você não quer se divertir em uma festa. E antes que você diga qualquer coisa a favor disso, eu preciso dizer que sua roupa diz exatamente o contrário. Você está de matar hoje, querida. — Fernando sorriu para a menina que riu em resposta. Certo, era verdade. Usava um vestido curto preto com detalhes dourados. Sapatos de salto combinavam com o preto do vestido. Suas mãos cheias de anéis dourados e uma simples correntinha no pescoço. Mas o que dera mais trabalho fora a maquiagem nem muito simples, mas também não muito pesada. E para finalizar havia deixado seus cachos ainda mais definidos e bonitos. Apesar das horas que levou para dar conta de tudo, estava extremamente contente com o resultado.
— Você não fica muito atrás, né? — A menina sorriu para o amigo. Fernando estava simples. A regata preta colada ao seu corpo definido e uma calça jeans justa de lavagem clara. Nos pés, um par de all star simples da cor da regata e na cabeça um chapéu preto. Ele sorriu para a menina e depositou um beijo em sua testa.
— Eu sei que não fico, meu amor. Mas você realmente está incrível hoje. Se eu fosse você, estaria levando todos aqueles héteros, que estão te secando, a loucura. — Débora sorriu e olhou com um tom de desafio para o amigo.
— E como você faria isso?
— Dançando é um bom começo, querida. — um sorriso afetado se desenhou em seus lábios antes de ele completar o que tinha a dizer. — Mas se você quiser fazer isso de outra forma, o meu quarto está livre ainda.
— Uau, ainda? E por que o caçador aqui não está atrás da sua presa? — Fernando riu e negou com a cabeça.
— Porque eu tenho uma presa em mente e você sabe muito bem disso. — Debbie revirou os olhos, mas ainda se manteve atenta ao que o amigo tinha a dizer. — E por falar nisso, onde está o nosso pequeno e adorável amigo?
— Não sei. Ele disse que vinha, mas já deveria ter chegado aqui faz tempo, eu acho. — Debbie deu de ombros e olhou nos olhos azuis do amigo. — Fer, você não acha que deveria caçar outro cara? Digo, um que demonstre real interesse por você? O Gui me parece tão frágil para ser um mascote.
— Ah, querida, ele não é tão frágil assim, não pelo jeito que ele fala pelo menos. E por que alguém fácil sendo que tem um bonitinho que se faz de difícil? Você sabe que ele me ganhou quando se mostrou um desafio. — Fernando riu e Debbie revirou os olhos mais uma vez.
— Eu só acho o Gui bom demais para ser um mascote e só. Se você quer tanto ele para si, então faça algo sério. Fer, ele é uma pessoa legal e seria ótimo para você.
— Você sabe que eu não sou só de uma pessoa, minha linda. Sou gostoso demais para isso.
— Para com isso, Fernando, eu estou falando sério!
— E eu também, Debbie. Eu não consigo com isso.
— Você nunca tentou para valer.
— E você tentou e viu o que aquele retardado fez com você.
— Mas só porque eu sou uma retardada que não percebeu nada. E ainda me entreguei totalmente a ele.
— Para com isso, Débora, você sabe que não é nada disso.
— Já é tarde para corrigir isso, mas você pode tentar! E outra, o Gui não é o retardado.
— Eu vou ver isso, Debbie, prometo.
A menina sorriu e correu os olhos até a porta. Seu sorriso aumentou quando viu o pequeno menino loiro passar pela porta. Guilherme corria os olhos pelo cômodo um tanto perdido. Não imaginava que estaria tão cheio. Vários adolescentes rindo, conversando, dançando e bebendo. Uma típica festa, ele pensou. Estava com uma roupa simples. Uma camiseta branca lisa com uma jaqueta de couro, uma calça jeans um tanto justa ao seu corpo pequeno, tênis e uma touca preta cobrindo parcialmente seus cabelos loiros.
Seus olhos acabaram pousando em Fernando e se demorando enquanto analisava o maior. O outro não havia notado a sua chegada e talvez Guilherme preferisse desse modo. Sem envolvimentos, repetiu para si mesmo mais uma vez. Mas não podia deixar de admitir para si que o outro estava bonito. Muito bonito, na verdade. Não deveria ser possível alguém ficar tão bem em uma regata preta. O olhar de Debbie estava fixo em si, ao lado do outro. Um sorriso largo surgiu no rosto da menina e ela acenou para Guilherme. O menino acenou de volta e caminhou até os dois.
Assim que os olhos azuis de Fernando encontraram a figura do menor, um sorriso largo apareceu em seu rosto. Debbie se adiantou e cumprimentou o novo amigo com um beijo no rosto. Guilherme sorriu para os dois, ainda um tanto desconfortável.
— Achei que você não viria. — Debbie comentou, animada.
— Minha mãe é um tanto protetora e quase não me deixou sair de casa. — era verdade, porém estava omitindo a parte que ele começou a aceitar realmente ficar em casa. — Mas aqui estou eu.
— E agora a festa começa de verdade! — Fernando comentou com um sorriso no rosto. — Você não acha que a minha Debbie está de matar hoje?
— Cala a boca, Fernando. — Debbie se pronunciou batendo de leve no braço do amigo. — Mas você está lindo! — a menina sorriu para o menino.
— Está mesmo. — Fernando concordou correndo os olhos pelo corpo do menor. Guilherme sentiu um arrepio percorrer seu corpo e teve que conter o impulso de se encolher. — Mas agora que você chegou, está na hora de levar as duas pessoas mais bonitas que eu convidei para se divertir no modo do belo Fernando aqui.
Guilherme não evitou de sorrir pela forma como o outro falava e se deixou ser guiado pelo maior até o balcão que separa a cozinha da sala. E onde estavam as bebidas.
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