Backseat Serenade

4 03. Mudanças de planos


Notas iniciais
Primeiro, obrigada a quem está lendo. E obrigado dobrado a quem comenta. Esse capítulo é pequeno, eu sei, mas eu vou viajar amanhã e volto só segunda ou terça e eu não queria deixar sem nada. Obrigada de novo.

A primeira aula já estava perto de acabar e Fernando não poderia estar mais entediado. Levou uma mão aos cabelos de Debbie que estava sentada no lugar a sua frente e passou a acaricia-los. Debbie sorriu e virou o rosto para o olhar para o amigo. Apesar de ser o primeiro dia de aula, o professor de física não parava de tagarelar sobre alguma matéria que haviam tido no primeiro ano e que era de suma importância para quem queria fazer alguma faculdade. A menina deu um sorriso para o amigo antes de voltar e arrancar um pedaço de papel de seu caderno. Fernando observou a amiga pegar uma das suas várias canetas coloridas e escrever em rosa. Assim que terminou, o papel foi passado para trás.

“Parece que seu plano de usar o Guilherme como seu mascote foi para os ares.” Um sorriso pequeno apareceu no rosto de Fernando antes de ele escrever a resposta e passar para a amiga.

“Por que teria ido para os ares?”

“Porque o Guilherme não está no primeiro ano. Velho demais para mascote.”

“Mas ainda é novato, minha linda. E eu não ligo para a idade.”

“Que eu me lembre, os seus mascotes são sempre do primeiro ano.”

“Ele vai ser uma exceção. Você viu como ele é fofo! Não importa se não está no primeiro ano, a cara dele mostra o contrário e isso é o suficiente para ele ser mascote, Debs.”

“Não sei, Fe, ele me parece fofo demais. Ele nunca aceitaria ser mascote.”

“E algum deles aceitou de primeira ser meu mascote? Mas todos adoraram, eu te garanto.” Debbie olhou para Fernando que tinha um sorriso malicioso nos lábios. Débora não controlou a risada baixa antes de escrever a resposta.

“É bom você deixar isso bem claro. As meninas estão secando ele.”

“Elas que se atrevam. Mesmo que ele seja hétero, bem, ele vai ver que eu sou bem melhor do que qualquer outra que ele já teve. Isso eu te garanto.”

“Achei ele meio delicado demais para ser hétero.”

Fernando riu da resposta da amiga e se esticou para frente, voltando a brincar com o cabelo da menina. Correu seus olhos pela sala. Estava sentado no último lugar ao canto da sala. Ao seu lado estava Annabelle e na frente dela estava o seu novo mascote. Guilherme parecia entretido com o que o professor falava, anotando alguma informação vez ou outra. Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios. Não saberia dizer o que tinha de tão encantador no jeito dele.

Seu olhar então foi para Annabelle. A menina estava entretida observando o garoto novo. Os olhos castanhos brilhavam por algum motivo e Fernando já imaginava qual era. Pena que Debbie estava certa, Guilherme era um pouco delicado demais para isso. Mas ele podia ver que não era apenas Annabelle quem estava entretida observando o menino novo. Várias garotas e alguns garotos o olhavam com o mesmo desejo. E um sorriso cresceu em seu rosto ao ver que a inocência do menino era tão grande a ponto de nem ao menos notar os olhares.

O sinal finalmente soou arrancando um suspiro de alívio do garoto. Ele virou de lado e observou enquanto Camila levantava e sentava na mesa de Annabelle. Um sorriso largo estava em seus lábios quando ela olhou para Fernando. Levou uma mão aos seus cabelos ruivos e passou a brincar com a ponta assim que começou a falar.

— E aí, Fe, já achou seu mascote?

— Não sei, querida. — Guilherme olhou para eles curioso. Seu olhar mostrava interesse, mas Fernando podia adivinhar que o menino não perguntaria do que se tratava. Talvez fosse tímido demais para isso.

— Aposto que tem vários novatos fofos que dariam tudo para ser seu mascote. — Annabelle falou com um sorriso malicioso nos lábios. Camila concordou com a amiga antes de completar o que ela havia dito.

— Ou até mesmo garotas. A do ano passado era realmente uma graça. — Camila sorriu de canto antes de dar de ombros. — Pena que era só uma mascote.

— Eu ainda acho que esse ano vai ser diferente. — Debbie se pronunciou, sorrindo para as duas. — Certeza que o Fe quer um garoto esse ano. — um sorriso afetado surgiu nos lábios do garoto e ele fixou seus olhos azuis em Guilherme. Levou uma mão até sua orelha brincando com o grande alargador que tinha antes de falar.

— E o que você acha, Guilherme? — o garoto pareceu surpreso ao ouvir seu nome e ele pode notar alguns olhares se voltarem para o pequeno menino.

— Como assim o que eu acho?

— Que esse ano eu tenho que ter um mascote ou uma mascote. — Fernando mantinha um sorriso afetado enquanto observa om cuidado cada reação do garoto. Os grandes olhos avelãs pareciam demonstrar tudo o que passava na mente do garoto. E isso só aumentou o sorriso de Fernando.

— Eu nem ao menos sei o que é isso. — Guilherme disse dando de ombros. Debbie riu e lançou um olhar de pena para o garoto. Não pelo fato de ele não saber a verdade, mas por conhecer o joguinho de Fernando. Sabia que não demoraria muito até ele cair nas verdadeiras garras do seu melhor amigo.

— Mascote é um novato na escola, sempre mais novo, e que o Fe escolhe para “educar”, digamos assim. — Annabelle respondeu, dando um sorriso malicioso para o garoto novo. Guilherme se sentiu desconfortável tanto pelo assunto quanto pelo olhar que recebia dos outros. Fernando fixou seus bonitos olhos azuis nos avelã do menos antes de perguntar.

— Esse ano eu estava pensando em escolher um mascote que só seja novo na escola. Um da nossa sala. O que você acha disso? — ele teve que conter o sorriso ao ver o tom avermelhado tomar conta do pequeno garoto. O jeito fofo do pequeno garoto só dava mais vontade de apertá-lo e leva-lo para seu apartamento e sabia que faria isso.

— E-Eu não sei... Se a pessoa concordar então não importa o sexo que você escolher. — Guilherme fingiu que não havia entendido a indireta, mesmo achando ter falhado ao ter se deixado gaguejar ao começar a resposta. Fernando teve que contar a gargalhada antes de falar.

— O que você faria se eu o escolhesse como mascote? — o olhar de Fernando tinha um ar de desafio voltado para Guilherme e mais uma vez Debbie não conseguiu conter a pena do menino. Sabia que agora que Fernando havia começado, não tinha para onde ele fugir. O amigo não era conhecido por ter tudo que queria atoa. Ele realmente não media esforços para ter tudo que queria. Nem que para isso ele tenha que insistir todos os dias que restam da sua vida.

— Eu agradeceria, mas diria que tenho mais coisa para fazer. — Guilherme respondeu após um tempo em silêncio. Fernando sorriu e Debbie reconheceu o erro do garoto pequeno. Não tinha nada mais que adorasse do que um desafio.

— Então eu vou ter que me esforçar para mostrar para você que essa é a melhor opção que você tem. — Fernando respondeu dando de ombros. Guilherme arqueou as sobrancelhas antes de responder o outro.

— E o que te garante que eu sou gay para querer ter alguma coisa com você? — Debbie estava surpresa pelo outro ter respondido e não ao menos corado e desviado o olhar como achava que faria. Pelo jeito o menino era realmente diferente do que ela achou que fosse.

— Não precisa ser, gay, querido. Eu sou bonito demais para qualquer um me negar. — Debbie olhou para o amigo e revirou os olhos. Fernando se assustou ao ver o menino fazer o mesmo. Débora era a única pessoa que ele conhecia que revirava os olhos para ele. Um sorriso surgiu no canto de seus lábios enquanto ele tentava ler a expressão do menino.

— Bem, sempre tem uma primeira vez.

Guilherme deu de ombros e sorriu de canto, deixando os outros paralisados pela surpresa. O professor havia acabado de entrar na sala o que obrigou Camila a voltar para o seu lugar. Os outros viraram para frente com exceção de Debbie. A menina estava entretida demais sorrindo para o amigo. Era um sorriso quase debochado que estava começando a irritar o amigo. Fernando apenas arqueou as sobrancelhas e esperou que a amiga se pronunciasse.

— Sabe, mesmo se ele não for seu mascote, eu adorei esse garoto. — ela deu de ombros antes de se voltar para frente. Fernando sorriu para as costas da amiga antes de responder.

—Eu também.

E havia mesmo. Seria tão mais divertido para ele conquistar a vontade do menino. Mais do que um rostinho bonito, Guilherme havia se mostrado um desafio. E muito diferente do que Fernando esperava, o menino não hesitara ao desafia-lo. Um desafio que ele estava mais do que feliz em aceitar. E era bem melhor do que se ele tivesse dado sinal de que queria ser seu mascote.

Fernando ia conquistar o menino e faria dele o melhor mascote de todos.

Notas finais
Obrigada de novo!