Notas iniciais
Olá genti ♥
Esse é o primeiro capítulo da fic, espero que gostem.
Bom, pra mim é difícil escrever por obrigação, geralmente escrevo só quando tenho vontade (e inspiração xD) mas vou tentar postar 1 capítulo por semana. Ainda não defini um dia. Quando definir, eu aviso para vcs, ok?
Aproveitem!

Enquanto caminhava pela calçada, ouvia ruídos de trovões do céu.

Talvez vá chover”, pensou.

Pelo menos carregava um guarda-chuva consigo. Qualquer coisa era só abrir a mochila e pegá-lo.

Como se as nuvens tivessem lido seu pensamento, a garota sentiu pingos de chuva na testa. Com uma incrível rapidez, essas gotas foram caindo mais rápido. Elas aumentaram, até que a pequena garoa se tornou uma chuva forte.

Parou de caminhar. Era maravilhosa a sensação que a chuva lhe trazia. Cada gota escorria pelo seu corpo, fazendo-lhe cócegas... Deixando seu corpo fresco...

Balançou a cabeça. Iria pegar uma gripe se ficasse mais um pouco tomando chuva.

A garota atravessou a rua e ficou embaixo de um toldo de uma loja fechada. Apanhou o guarda-chuva e o abriu, saindo novamente o toldo e seguindo seu caminho. Acelerou o passo, já que a chuva engrossava a cada instante. A mãe dela iria matá-la se ela chegasse atrasada!

Quando atravessou a rua da sua casa, teve impressão de ter visto um garoto de cabelos negros olhando para o céu. Virou-se para olhar novamente, mas não havia ninguém lá.

Que estranho. Será que ela estava vendo coisas? A garota simplesmente deu de ombros e abriu a porta de casa.

– Hinalya, filha, é você? – ouviu a voz da mãe vinda da cozinha.

– Sou eu sim. – gritou de volta.

– Vá trocar a roupa molhada e venha aqui jantar!

– Como sabe que eu estou com a roupa molhada?

– Intuição de mãe.

Fechou o guarda-chuva, deixando-o perto da porta e foi até seu quarto. Secou-se com uma toalha e colocou alguma roupa seca. Olhou para o espelho na parede. Tinha compridos cabelos castanhos e olhos da mesma cor. Era meio baixinha, mas já tinha as curvas do corpo bem definidas. Seu rosto era delicado, e Hinalya nunca viu necessidade de usar muita maquiagem.

Caminhou até a cozinha.

– Como foi na aula hoje, filha? – perguntou a mãe, colocando dois pratos de comida na mesa.

– Hmmm, não teve nada de especial – respondeu a garota, sentando-se e colocando uma colher de comida na boca.

– Nunca tem nada de especial, não é? – comentou, secando um copo com um pano de prato.

– Ah, aqui é muito monótono. Só chove todos os dias...

– Essa cidade é uma cidade com bastante umidade mesmo.

– Eu odeio dias de chuva. Não dá pra fazer nada, é muuuito chato! – reclamou.

Hinalya terminou de comer e foi colocar o prato na pia. Olhou pela janela, e outra vez teve a impressão de ter visto um garoto na rua, tomando chuva. Mas, desta vez, o garoto estava olhando para ela.

A menina franziu o cenho. Saiu da cozinha e correu para a porta de entrada. Abriu a porta e olhou para a rua: o garoto sumiu de novo.

Mas, dessa vez, Hinalya apanhou o guarda-chuva, abriu-o e saiu de casa. Caminhou um pouco, olhou em volta, mas nada do garoto.

Estranho. Ele não poderia ter sumido assim, de repente”, pensou.

Olhou para trás finalmente viu o garoto encostado em um muro, na mesma calçada que Hinalya, a alguns metros dela. Deveria ter uns dezesseis anos (a mesma idade de Hinalya), tinha cabelos escuros e molhados por causa da chuva, sua pele era branca e aparentemente magra. Usava uma calça jeans, um casaco preto e um cachecol, mas não parecia estar se importando com a chuva. Ele estava olhando para Hinalya, mas assim que percebeu que ela havia o visto, desviou o olhar.

– Ei garoto – Hinalya disse, olhando para o jovem – Você está me seguindo?

O garoto olhou novamente para Hinalya. Seus olhos eram tão negros quanto seus cabelos.

– Se percebeu que eu estava te seguindo, por que veio até mim? Não tem medo que eu te ataque ou algo assim? – perguntou o garoto de repente, com uma voz meio rouca.

Hinalya não esperava essa resposta.

– Hmmm, eu, bem...

– Ótimo. Vá embora, por favor. – disse o garoto. Estranhamente, ele falou isso com um tom educado, apesar da dureza nas palavras.

– Ah... Você não está com frio, aí, tomando chuva? É um garoto de rua? –insistiu Hinalya.

– Não sou um garoto de rua. E não estou com frio. – respondeu simplesmente.

– Admita que você estava me seguindo! – sorriu a garota.

– Eu não... – parou bruscamente, corando um pouco.

Hinalya riu

– Então, qual escola você estuda?

– Eu não estudo.

– Então, você é realmente um garoto de rua? – pressionou.

– Não! Eu nem sou um garoto.

– Sério? Quantos anos você tem, então?

– Eu... – ele parou de falar e ficou em silêncio por um tempo, com o olhar perdido, antes de responder – Eu não sei.

– É só dizer que você é um garoto de rua. Eu juro que não vou te mandar para o orfanato, se você não quiser.

– Eu não sou um garoto deu rua, eu já disse. Você... Você não entenderia se eu dissesse.

Hinalya ficou parada ali por mais alguns segundos. O garoto parecia tão... Triste. Bom, não sabia se ele era realmente um garoto abandonado ou não, mas só sabia que deveria fazer alguma coisa. Então caminhou decidida em direção ao garoto e lhe estendeu o guarda-chuva.

– Então, pelo menos, fique com ele.

O garoto corou. Era engraçado como um cara aparentemente frio como ele poderia corar tão facilmente.

– Ah... Não posso aceitar... Obrigado. – disse, afastando o guarda-chuva.

Hinalya já ia se despedir para entrar em casa, mas parou.

– Qual é seu nome? – perguntou Hinalya.

Ele abriu e fechou a boca algumas vezes.

– Niar. Meu nome é Niar.

O jovem falou aquela frase com uma voz tão melancólica que Hinalya sentiu o coração pesar.

– Niar é um belo nome! – sorriu – Meu nome é Hinalya Grey. Muito prazer!

– Hinalya... É um belo nome também – o garoto deu um leve sorriso e colocou a mão nos bolsos da calça.

Até o seu sorriso tinha um semblante triste.

Ficaram ali algum tempo, se olhando. Os olhos negros profundos, os cabelos molhados, a voz rouca, os lábios. Tudo em Niar parecia fazê-lo ficar com uma aparência deprimida.

– A chuva está parando – disse Niar de repente, estendendo a mão para sentir as gotas de chuva. De fato, estavam diminuindo.

– Sim. É verdade – respondeu Hinalya vagamente, ainda olhando para os olhos de Niar.

– Eu tenho que ir – falou o garoto.

– Por quê? O que a chuva tem a ver com isso?

– É... – ele parou e olhou para sua própria mão. Era impressão de Hinalya, ou elas estavam ficando transparentes? Não, o corpo inteiro de Niar estava ficando.

– O que está acontecendo? – perguntou Hinalya, assustada.

– Eu estou indo embora. – respondeu Niar, misterioso.

– Por que sua imagem está sumindo?

– Porque a chuva está sumindo também.

– Dá pra responder algo sem ser em enigmas? – Hinalya bateu o pé.

– Desculpe... Eu preciso ir... – falou, com a voz mais baixa.

Virou-se para correr.

– Espera. Vamos nos encontrar outra vez, não é?

Ele parou por um segundo. De costas para Hinalya, disse, com a voz quase sumindo:

– No próximo dia de chuva.

E a garota observou Niar correr até virar a esquina, com a imagem quase desaparecendo. Seria sua mente pregando-lhe uma peça?

Depois de ele desaparecer ao virar a esquina, Hinalya deixou o guarda-chuva no chão e foi conferir. Ele havia sumido.

E a chuva também.

|||

Passaram dois dias dês de que Hinalya encontrara Niar.

Talvez ele estivesse mesmo falando sério sobre se encontrar no próximo dia de chuva. Mas o que aquele garoto tem com a chuva?

Num sábado, acordou de manhã e olhou pela janela. Estava chovendo.

Talvez agora ele apareça novamente”, pensou consigo mesmo.

Ficou um tempo olhando pela janela. Nada.

Por fim, desistiu. Levantou-se e foi no banheiro. Após escovar os dentes e lavar o rosto, foi para a sala de estar. Nem sua irmã nem sua mãe haviam acordado ainda.

Então, colocou alguma roupa rapidamente e saiu de casa. Olhou em volta. Ninguém por perto. Mesmo assim, sentou-se na varanda e ficou olhando para a esquina de onde ele havia desaparecido.

Pensava sobre os acontecimentos de dois dias atrás. O que acontecera com o garoto, para o seu corpo ficar transparente daquele jeito?

Como... Um espírito?

Esperou vários minutos, ansiosa, até que o garoto apareceu, caminhando lentamente pela calçada.

Os seus cabelos estavam molhados e bagunçados por causa da chuva, claro, mas dessa vez usava uma bermuda e uma camisa preta xadrez. Parou a poucos metros de Hinalya.

– Você estava me esperando? – perguntou Niar.

– Estava! – a garota sorriu – Parece que você falou sério em voltar “no próximo dia de chuva”, hein?

– É... – disse vagamente.

Hinalya pegou um guarda-chuva e pulou o portãozinho da varanda. Parou na frente de Niar, fazendo-o corar com a proximidade, e colocou o guarda-chuva sobre sua cabeça, protegendo ambos da chuva.

– Obrigado – sussurrou Niar.

Estaria Hinalya fazendo certo? Afinal, os dois acabaram de se conhecer, e parece que o garoto tem muitos segredos. Talvez não seja seguro confiar nele...

Hinalya bloqueou esse pensamente. Havia criado uma afeição por Niar. Não suportava vê-lo assim, abalado, mesmo que mal se conhecessem. Ela queria se aproximar dele, conversar com ele, fazê-lo ficar para cima. A todo custo.

– Então, não vai me contar o que foi aquele truque do corpo transparente ontem? – começou Hinalya.

Niar levantou uma sobrancelha.

– Não ficou assustada?

– Não! Não importa qual seja o motivo daquele negócio. Não vou ficar com medo. Vai me contar ou não?

– Bem... Promete que vai acreditar?

– Pro... – parou por um segundo – Prometo.

O garoto virou-se o olhou para o céu nublado. Fechou os olhos e ficou assim por vários minutos. Hinalya esperou. Depois de um tempo, Niar fitou bem no fundo dos olhos da garota. Ela não parou de olhar os olhos negros profundos de Niar.

– Eu sou um espírito. – disse simplesmente.

Hinalya já tinha imaginado isso, mas mesmo assim, ficou surpresa.

Sem pensar muito, a garota cutucou o braço de Niar. E corou e deu um passo para trás.

– Ei! O que foi isso? – retrucou, ainda corado.

– Há, há! É muito fácil te fazer corar! – ela riu – Eu só fui conferir se espíritos podiam ser tocados. Achei que eles não fossem sólidos.

Niar sorriu levemente

– Você... Acreditou que eu sou um espírito? E não ficou com medo?

– Bem, não... Eu sempre acreditei em espíritos. Sempre quis encontrar algum qualquer dia.

Para surpresa de Hinalya, Niar riu – apesar de ter sido um riso baixo e curto, com certeza foi um riso sincero.

– Você é uma idiota mesmo.

– Você que é! – rebateu, rindo mais ainda.

Porém, repentinamente, o rosto de Niar foi tomado por uma expressão triste outra vez. Os seus olhos ficaram desfocados outra vez e ele se perdeu em pensamentos.

– Foi algo que eu disse? – perguntou Hinalya com cuidado.

– Não. Nada. – disse Niar, em voz baixa.

– Então... – falou a garota, tentando distrair Niar – O que todo esse negócio de chuva tem a ver com espíritos?

Ao dizer isso, Niar olhou para o chão, visivelmente mais abalado.

Hinalya imediatamente tentou consertar a situação.

– Desculpe, eu...

– Tudo bem – o garoto cortou, olhando novamente para os olhos de Hinalya – Vou contar para você. Eu sou um espírito que vaga pela terra. Mas eu só apareço para os humanos em dias de chuva. Eu... Nunca soube o motivo disso.

Parecia que ele estava escondendo algo. Mas Hinalya não o pressionou.

– Entendi...

Passaram-se mais alguns minutos. Os dois jovens decidiram sentar-se no degrau da varanda da casa de Hinalya e ficar observando a chuva. Niar mantinha certa distância de HInalya, para evitar contado corporal, mas era claro que ambos estavam aproveitando o momento. O ar de melancolia do garoto diminuiu um pouco. E ficaram lá por muitos minutos... As gotinhas caíam e escorriam para o bueiro... Deixando as ruas molhadas...

Por ser apenas um chuvisco, logo as gotas pararam de cair. Niar ficava cada vez mais transparente.

– No próximo dia de chuva? – perguntou Hinalya.

– No próximo dia de chuva.

E desapareceu completamente.

Notas finais
Bom, por enquanto é isso.
Os capítulos vão ter entre 1.000 e 2.000 palavras.
Não deixem de comentar o que acharam! E, se puderem, apoiem a história no Wattpad também!
Aguardem o próximo cap ♥