Back to the Past

5 I have a secret, but it should be kept within my heart


Notas iniciais
Got a secret, Can you keep it?

Quando saí da sala, minha visão se tornou turva e cada passo que dava sentia meu corpo mais e mais pesado, foi então que vi a porta da enfermaria, simplesmente apaguei e caí em frente à mesma.

Me lembro de ouvir alguém me chamar várias vezes, mas não tive condição de abrir meus olhos. Foi como se não controlasse meu próprio corpo.

Depois de alguns minutos, me senti ser deitada em algo macio e depois pude sentir também algo gelado e relaxante em minha cabeça. Possivelmente, desmaiei por causa da febre, não acredito que não percebi isso antes.

É provável que tenham se passado algumas horas, eu realmente não tinha noção do tempo no estado em que eu estava.

Algum tempo depois, alguém entrou e falou comigo; após isso, senti um leve puxão em meu corpo, me senti ser puxada e carregada. Enquanto eu estava sendo carregada, ouvi um estrondo e me assustei com o barulho.

—

— Ei, Haruka, você sabe onde ela mora?

— E a Annie? O que houve com ela?

— Ei, Ritsu, você não vem para a aula? Irá perder a prova... E a propósito o que fez com a aluna nova?

— Cale-se, sensei, eu não tenho tempo para isso agora. Preciso levar ela para casa.

Olhei para ele de forma ameaçadora, será que não percebia a gravidade da situação?

— E então, Haruka, onde ela mora? Me diga logo.

— Ela mora em frente a sua casa.

— Espera um pouco, isso quer que o Sakurai do nome dela é aquele Sakurai?

— Sim, ela é neta do Sensei Sakurai.

— Entendo. Agora, o fato dela não ter medo de mim, faz um pouco de sentido.

— Bom, isso, na verdade.. Melhor eu não dizer nada.

— Ok, vou indo.

—

Abri um pouco meus olhos e pude ver que estava sendo carregada pelo Ritsu, mas eu ainda estava um pouco sonolenta e não consegui pronunciar muitas palavras.

Sério? Ele esta me carregando? Por Deus, isso só pode ser um sonho...! Ou talvez, o início de um pesadelo.

— Ri-chan, você ainda tem as três estrelas cadentes.

Toquei atrás de sua orelha direita com um de meus dedos, logo após, adormeci de novo.

—

Olhei meio confuso para ela... Isto era algo particular, apenas poucas pessoas sabiam, na verdade somente uma, que era a minha mãe.

Mas como ela pode saber disso?

— Espera, como você sabe disso!? Apenas minha mãe sabe.

Ela riu. — Uma hora você vai se lembrar, Ritsu.

— O que você quer dizer com isso, Haruka? Como assim "uma hora vou lembrar"?

— Ritsu, se não vai entrar na aula, então não atrapalhe.

Menina brava... Será que ela sempre é assim?

— Bem, vou indo. Até mais, Haruka. Obrigado.

— Ei, aguente firme, estamos quase chegando à sua casa.

— Ri-chan, quando você vai se lembrar? Porque você se esqueceu da nossa...

— O que esta doida está falando? Me lembrar? Mas do que?

—

Depois de algum tempo, abri meus olhos e vi que já estava em casa. Não sei quanto tempo passou desde o meu desmaio, mas pelo visto foram algumas horas, pois já estava quase anoitecendo. Eu ainda sentia uma dormência enorme por todo meu corpo, acho que isso era um dos efeitos da febre. Só não sei como eu cheguei em casa pois a última coisa que me lembro é de ter saído da sala de aula e ido até a enfermaria.

— Annie querida, já acordou? Posso entrar?

— Oh, sim, vovó. Fique a vontade.

— Então, como está se sentindo?

— Estou um pouco tonta ainda e, meu corpo está todo dormente.

— Entendo, isso deve ser efeito da febre e do remédio que lhe deram no colégio.

— Vovó, como eu cheguei em casa? Lembro-me de ter ido à enfermaria, pois não estava me sentindo bem, mas depois disso, não consigo lembrar o que aconteceu.

— Você não se lembra, entendo... Deve ter sido por causa do desmaio pela febre alta.

— Um colega seu a trouxe até em casa. Ele disse que te viu desmaiar e então a levou até à enfermaria, mas como a professora estava demorando muito, ele lhe deu um remédio para febre e depois decidiu lhe trazer em casa, pois você estava com uma febre muito alta.

— Entendo... Eh?! Espere, você disse "colega"? Que colega?

— Ele não me disse seu nome, mas ele me era familiar.

Naquele instante, eu me levantei da cama num pulo, o que fez minha avó tomar um pequeno susto com minha ação.

— Espere, Annie, o que houve? Você ainda não pode se levantar. Vamos, se acalme. Para quê tanto alvoroço?

Eu estava intrigada para saber quem tinha me trazido em casa.

— Ok, me desculpe, vovó, acho que ainda estou um pouco fora de mim por causa da febre.

— Ah, querida, não precisa se desculpar. Vou deixar você descansar, se precisar de algo, é só me chamar. Fiz uma sopa, logo lhe trago.

Em quanto eu esperava pela sopa, fiquei pensando comigo mesma; quem seria a pessoa misteriosa que tinha me trazido até em casa? Teria que ser alguém que soubesse onde morava. A Haruka? Não, ela não teria força suficiente para me carregar nas costas. Mas, então quem?

Pouco tempo depois minha vó trouxe a sopa, apesar da tontura, eu consegui comer um pouco com a ajuda dela.

— Obrigado, vovó, estava boa. Apesar de que não consegui sentir o gosto perfeitamente...

— Não há de quê, minha querida. Bem, agora seria melhor você tomar um banho para se refrescar, depois ir descansar um pouco. Como amanhã será sábado, não precisa se preocupar com a aula, mas também não quer dizer que possa ficar acordada até tarde. Se estivesse bem, até poderia, mas nesse estado, acho melhor não.

—OK, irei tomar um banho e depois dormir.

— Bom, vou indo. Boa noite, querida.

— Boa noite, vovó.

— Ah, tinha me esquecido.

— Huh?

— Seu amigo disse que virá lhe ver amanhã, pra saber como você está.

— Espera aí, vir me ver?

— Sim, foi o que ele disse. — Minha avó riu estranhamente.

— Você não esta brincando, não é, vovó? Eu conheço essa sua risadinha.

— Claro que não, querida, ele realmente disse que viria lhe ver.

— Então... Está bem.

Logo após isso, minha avó se retirou. Depois de ter tomado um banho como sugeriu minha avó, fui me deitar; estava muito sonolenta e então resolvi dormir. Também, eu não teria muito que fazer e não estava nas melhores condições para passar a madrugada vendo filme, como normalmente faria.

E então, peguei no sono sem perceber.

Tive um sonho ao qual acho que apenas o tive por desejos frustrados, só poderia ser esse o motivo. Por qual motivo mais seria?

Acordei umas 10 da manhã, suando e tendo calafrios.

Possivelmente, minha febre tinha voltado, mas, o que gostaria de saber era: porque raios eu sonhei que estava beijando Ritsu? Sinceramente, Isso chega a ser frustrante, pois minha mente fica me pregando estas peças.

Senti raiva de mim mesma. Por que diabos eu tive que sonhar com ele e, justamente, esse tipo de sonho?!

Me levantei um pouco tonta e coloquei uma roupa, meus avós estavam tomando café da manhã, os cumprimentei, desejando bom dia.

— Bom dia. — responderam os dois em uníssono.

— Sempre em sincronia, não?

— Quase sempre. — os dois riram ao mesmo tempo, eu achava aquilo tão fofo.

— Ah, Annie, seu avô e eu teremos que sair um pouco antes do almoço, você está bem precisa de mim aqui com você?

— Tudo bem, vovó, eu consigo me cuidar sozinha, a senhora pode ir sem problemas.

— Ok, então, deixarei seu almoço pronto, quando quiser comer é só esquentar. E, se houver qualquer coisa, ligue-me que viremos correndo.

— Está bem.

Logo após tomar meu café da manhã, fui para meu quarto novamente. Liguei a tv e fiquei vendo alguns programas de comédia. Nem me dei conta do passar do tempo, apenas me apercebi quando era uma da tarde.

Minha avó, possivelmente, falou algo, mas como não ouvi, ela deve ter pensado que eu estava dormindo.

Desci e esquentei o almoço, pois agora estava com uma fome enorme, nem parecia que eu tinha tomado café da manhã; se bem que, já eram uma da tarde. Era estranho comer sozinha, eu não gostava daquele silêncio, me sentia estranha em relação a isso.

Logo após, subi até meu quarto, liguei a televisão para ver se encontrava um filme ou algo assim para me distrair e nem percebi o tempo passar, novamente.

—

Meu dia já havia começado com problema. As coisas que eu ouvi ela falar ficaram me perturbando por toda a noite, mas não podia pensar naquilo agora. Teria um encontro marcado para as 10 horas com o pessoal e, obviamente, eu teria que sair sem avisar minha mãe, pois tinha algo mais serio a resolver. Antes de sair, havia questionado minha mãe se ela já conhecia ou sabia algo sobre minha nova vizinha. E fui ignorado por ela, como sempre, o que me deixou bastante irritado — para não dizer "extremamente puto".

Resolvi sair antes que ela começasse com algum sermão ao qual eu não estava afim de ouvir; ela até me perguntou aonde eu ia, mas eu não fiz questão de responder.

Encontrei o pessoal, mas, claramente, eu não prestava atenção em nada que eles estavam falando e continuava bem distraído pensando nela; ela me afetava mais que o normal e isso me deixada com muita raiva. Quem era ela, afinal, e como sabia sobre mim?! Eu ainda estava incomodado sobre algumas coisas e se eu deveria ou não ir encontrá-la. Como ela sabia sobre os meus três lunares? O que ela quis dizer sobre eu não me lembrar de algo?

Já eram duas horas e fiquei um tempo perambulando pela rua que encontrei meus amigos, eles estavam indo para o Fliperama. Resolvi me juntar a eles por um instante e me distrai tanto que nem percebi o tempo passar tão rápido, já tinha até me esquecido dela.

Quando vi já eram mais de três horas, então decidi que iria encontrar ela, deixei meus amigos e fui até sua casa tirar minhas duvidas.

No caminho, fiquei lembrando do que ela havia me dito aquele dia. Parei na esquina da rua, pois ainda estava pensando se seria, ou não, uma boa ideia ir à casa de alguém que eu nem ao menos conheço direito; mas pensei comigo mesmo, foda-se, quer saber? Eu vou porque seria hoje que eu descobriria o que ela quis dizer com tudo aquilo. Vou pôr um fim na minha indecisão. Fui em direção a sua casa que era praticamente na frente da minha. E então apertei a campainha umas três vezes.

—

Acordei com o som da campainha, parecia que alguém havia chegado e procurava por mim, a voz era conhecida, mas eu não conseguia distinguir quem seria o dono.

Por conta da febre, ainda estava um pouco tonta, mas levantei, com um pouco de dificuldade. Esforcei-me o máximo para não tropeçar em nada enquanto caminhava em direção à porta.

Enquanto caminhava, tentei descobrir de quem era a voz, era de alguém conhecido, e por um instante pensei que seria meu avô que poderia ter esquecido as chaves.

Enquanto descia as escadas, algumas imagens confusas passavam por minha mente, alguém me levando nas costas, cometas e um rosto que não me recordava de quem era.

Quando cheguei à porta, encontrei-a trancada e logo achei estranho, já que, normalmente, não recebíamos muitas visitas. Fui até a mesinha de centro onde as chaves se encontravam e logo que abri a porta, quase desmaiei novamente, talvez pela febre ou até mesmo pelo susto de quem estava parado lá.

— Olá, Annie.

Ao ouvir aquela voz meu coração bateu mais rápido e meu sangue pareceu ferver em mim, ele estava lá.

— Ri... Ritsu, o que faz aqui!?

— Vim ver como estava. Posso entrar?

Dei passagem para que entrasse, vi ele sentar no sofá e logo fui atrás, tinha a sensação de que não era apenas uma visita com intenção de saber como estava.

— Então, estou bem... Mas um pouco febril ainda.

— Entendo, espero que melhore.

A cada palavra, me perdia mais naquela voz, era algo inevitável.

— Então, Ritsu, o que realmente o traz aqui?

— Apenas uma... duvida. Uma pergunta, para ser exato.

— E qual seria?

— Como sabe sobre os cometas? Apenas eu e minha mãe sabemos sobre isso.

Senti um calafrio na espinha com essa pergunta, não tinha mais como escapar, teria que falar a verdade.