Back in Black
15 Silent Hill Pt. III. Final
Notas iniciais
POV' Allice;
Depois de ficarmos surpresos o bastante e encerrarmos nossa conversa com o cidadão, voltamos para o hotel. O clima ainda estava tenso entre nós três, principalmente entre eu e Sam.
Eu estava irritada com a maneira que ele falou comigo, mas eu não podia desmerece-lo, ele estava coberto de razão. Por mais que eu odeie admitir.
Seria tudo tão fácil, se Dean não tivesse sido deixado levar pelo egocentrismo. Mais fácil ainda, seria se eu estivesse bem longe daqui, mas eu sabia que não iria conseguir. Eu não sei exatamente o porquê, por Sam? Castiel? Heroísmo? Talvez seja tudo isso.
O pior é que eu não tenho certeza se quero realmente encontrar Lynn, nós iremos encontrar ela. Eu tenho certeza... mas o problema é depois disso. Sam quer de qualquer jeito descobrir o que eu e Castiel estamos escondendo e eu não gosto de mentir para ele, principalmente pelo fato de eu não conseguir nem olhar nos olhos dele, desde o nosso último... acidente.
Eu não sei dizer nada sobre a minha insegurança, mas eu sei que Sam não vai aceitar tão facilmente e eu temo pelo que vai ser a nossa convivência depois disso.
~~//~~
Enfim, estávamos lá. De volta ao quarto de hotel.
– Vocês acham que essa mulher poderia ser alguma bruxa? — Sam perguntou, parecendo intrigado.
Ele não estava mais pensando na nossa discussão. Ótimo.
– Provavelmente não, mas mesmo assim. Deveríamos investigar... — respondi.
Sam concordou com a cabeça silenciosamente.
–... e sobre o ritual... você acha que é o...? — ele perguntou assustado.
– Sim, eu tenho quase certeza de que é o ritual do súcubus. — soei um pouco mais apreensiva do que o normal.
Sam engoliu em seco e Castiel interviu.
– Isso quer dizer que Lynn está na cidade não? — Sam e eu assentimos. — Então acho que deveríamos ir procurá-la, melhor eu ir investigar a delegacia.
– Você ainda está fraco se lembra? Não acha melhor eu ir...? — Eu não ficaria sozinha com Sam, nem se eu quisesse.
– Não, o melhor é eu ir e você e Sam comerem alguma coisa... — eu olhei para Castiel desconfiada, eu sabia o que ele estava tentando fazer, e não iria funcionar. Ele ignorou o meu olhar e continuou. — Nos encontramos as seis horas na frente da fronteira de Centralia. — disse afirmando e saindo.
Castiel estava maluco, ele iria ficar fora por seis horas? Olhei no celular e marcava três e meia.
Nem me dei conta que ficamos três horas procurando pistas. A sorte é que antes de voltar para o hotel, tínhamos tomado um café e comido alguns donuts no caminho. Mesmo assim, ainda estava com um pouco de fome, Sam provavelmente também, Castiel nem tanto, pois segundo ele a comida tinha gosto de moléculas.
Nunca entendi a relação, entre os dois... mas enfim.
Quando me dei conta, estávamos só eu e Sam novamente. Eu estava de costas para ele e percebi seu olhar sobre mim.
Bufei irritada e me virei para pegar a comida em cima do balcão que Sam havia trazido um pouco mais cedo.
Sam continuou me encarando recostado na parede de divisória, da pequena cozinha para o quarto.
Eu peguei outro copo de café e um pacote de salgadinhos e me virei para ir para o quarto, quando me dei conta Sam estava parado na minha frente, nossos corpos apenas alguns centímetros separados. Me assustei com a sua proximidade e acabei derramando café na minha blusa.
Exclamei irritada.
– O que você quer?
Sam continuou com a expressão séria sem se surpreender com o meu tom.
Eu fiz menção de sair, mas Sam bloqueou meu movimento.
– Com licença? — bufei.
– Não. — me surpreendi com sua resposta. — Nós precisamos conversar.
– Sobre o quê? — eu ainda estava incomodada com o fato de ele estar tão próximo de mim e eu ter de olhar para cima pra conversar com ele.
– Você sabe... sobre Dean.
– Tá bom, mas me deixe respirar um pouco.
Ele pareceu relaxar e se afastou mais de mim, me dando espaço para respirar normalmente.
Ele pareceu esperar que eu falasse alguma coisa.
– O que foi?
Essa foi a vez de ele bufar.
– Eu quero que você me conte o que você tanto esconde.
Amaldiçoei Castiel por me botar nessa situação.
– De onde você tirou essa ideia, Sam? — o tom da minha voz foi ficando mais agudo. — Eu não estou te escondendo nada! — mentira. — eu nem sei aonde Dean possa estar!
Ele pareceu pensativo por um tempo, então falou mais firme do que o normal.
– Eu não acredito em você. — ele exclamou desconfiado.
– Problema é seu, estou tentando te ajudar você não vê? — tentei não demonstrar que aquela frase balançou minha auto estima. Falhei.
– Escondendo as coisas de mim? Como isso pode me ajudar?! — Sam parecia furioso agora.
Eu não via mais nenhuma alternativa. Soltei um sorriso sem graça.
– Vamos terminar isso, depois eu... — Sam parecia ter entendido.
Ele concordou com a cabeça, pegou algumas coisas e saiu, batendo a porta com força.
Eu agora estava ligeiramente perdida, eu prometi uma coisa para Sam, que eu realmente não poderia fazer, mas se eu mentisse não seria uma boa ideia.
Então eu coloquei a comida em cima da mesa, peguei meu celular e disquei o número.
Tinha perdido a fome.
POV'S Sam;
Resolvi sair do hotel, Allice estava me deixando maluco. Não da forma que ela sempre me deixa, da forma em que ela me deu nos nervos. Eu não gosto do jeito em que ele faz parecer que eu sou o errado da história, se ela souber alguma coisa, principalmente sobre Dean...
Pelo menos, depois de encontrar Lynn, ela vai me contar o que é. Nem que seja a última coisa que eu faça.
Dei uma volta na cidade, ela não era um lugar que as pessoas, sonham em ir. Não é para menos, particularmente a maioria dos cidadãos daqui são desagradáveis.
Eu andei um pouco pelo centro da cidade, até voltar novamente para o hotel.
Chegando lá, ouvi o barulho do chuveiro e presumi que Allice estivesse ali, então entrei e tranquei a porta.
No quarto tinha três camas, em um canto as mochilas estavam e a minha estava um pouco afastada, me aproximei para pegar o computador e percebi que a mochila de Allice estava aberta, olhei dentro e o celular dela também estava ali. Eu pensei em pegá-lo, mas Allice poderia ver.
Então peguei o laptop dentro da minha mochila e comecei a pesquisar sobre o ritual.
Era como se fosse uma oferenda para o Diabo. Os súcubus (as versões femininas que mantinham relações sexuais com homens) recolhiam o sêmen deles e os íncubus (versão masculina do demônio) injetavam nas mulheres de modo com que logo após, descobrissem que estavam grávidas.
Isso causou diversas confusões em diferentes tempos, como por exemplo uma mulher pura (virgem) iria se casar com um homem ,e logo depois ele descobrisse que ela estava grávida sem ao menos tocar nela. A maioria das mulheres também morriam juntamente com seus filhos na metade do parto, pois as vezes o filho demônio crescia demais e no procedimento a mulher acabava tendo hemorragia interna e morria. De dez procedimentos de fecundação dos súcubus e íncubus com humanos, apenas uma criança conseguia nascer e crescer até um certo período (10 a 12 anos) onde os demônios que haviam feito o procedimento o capturavam e realizavam um ritual (ritual do súcubus e íncubus) com um demônio de maior escala que consumia a criança viva e depois matava os dois demônios sexuais que o criaram.
Normalmente o ritual é feito em um lugar sombrio que obtenha diversos ossos e de preferência seja abandonado. Para que o ritual dê certo, ele precisa ser realizado na última sexta-feira do mês em uma lua cheia á meia-noite. (...)
Um calafrio percorreu pelo meu corpo quando eu li a última frase.
Hoje era sexta-feira, dia 27 de janeiro. Noite de lua cheia.
~~//~~
Eu tentava ligar para Castiel, mas só chamava.
– Vamos, Castiel! Atenta a droga do telefone!
– Você estava tentando ligar para Castiel?
Allice havia acabado de sair do banho, totalmente vestida.
Allice me estendeu o celular, que eu havia deixado cair com a surpresa. Ela ainda não encarava nos olhos, mas eu via seu esforço para conter o nervosismo.
– Sim, eu descobri uma coisa sobre o ritual e eu queria avisá-lo... — eu disse virando o computador para ela assim que ela sentou no outro lado da mesa.
– Céus, esse ritual está planejado para hoje!
– Por isso eu queria avisá-lo, você poderia ligar para ele?
– Mesmo assim, se você tentou ligar e ele não atendeu. Eu acho que não vai ser muito diferente comigo. — Fiz uma expressão confusa e ela me mostrou um celular. — Ele esqueceu o celular aqui.
– Eu nem havia escutado ele tocar.
– Castiel o deixou no modo silencioso. — ela disse observando a tela do celular. — Mesmo assim, já são cinco e quarenta, acho que já devemos ir para a fronteira de Centralia.
Ela disse afirmando e se levantando eu fiz o mesmo.
Nos dirigimos ao carro, evitando a qualquer custo os olhares.
Quando vimos já estávamos na frente da cidade Centralia e nenhum sinal de Castiel, já era mais de seis e meia.
– Cass nunca foi muito pontual, mas isso já é exagero. — Allice exclama irritada olhando o relógio. — Já começou a escurecer.
– Você acha que deveremos mudar de estratégia? Agora que sabemos do ritual?
– Acho que a estratégia se aplica nessa situação também, vamos vasculhar o local. Deixar algumas armadilhas espalhadas e encontrar Lynn.
– ...mas vamos ter de achar o garoto agora também.
Allice pareceu pensativa.
– Sim, vamos tentar. — ela exclamou saindo do carro. — você vem ou não?
– Não íamos esperar Castiel?
– Não, se for para ele aparecer ele dá um jeito. Ele já sabe como o plano funciona, agora nós temos de botar ele em prática.
Concordei saindo do carro, pegando as coisas que precisaríamos para a emboscada, Allice também pegou algumas coisas, fomos andando em direção ao local do antigo acidente que destruiu com a cidade. Ainda havia algumas pessoas morando lá, mas menos do que uma dezena.
As ruínas e o chão marcado pelo tempo me faziam estremecer.
Em um artigo que eu li, a cidade tem uns lugares que não se pode firmar o pé. Pois se corre o risco de abrir uma cratera e o ar quente das minas submergir e queimar quem estiver ali.
Era mesmo uma cidade fantasma, causava arrepio em quem fosse ali. Procuramos o cemitério mais próximo, assim como a cidade o lugar dava arrepios. Ainda mais a noite.
A estátua de uma garotinha me chamou atenção, eu tratei de ir até lá. No caminho percebi que os demônios não haviam chegado ainda. Ótimo.
Eu comecei a vasculhar ela, eu achei estranho que envolta haviam lápides com o mesmo símbolo, havia sido essas pessoas as vítimas do grande incêndio?
Allice foi em direção á uma cabana abandonada que havia ali, pegando alguns equipamentos. Foi quando eu comecei a escutar um choro, no começo eu achei que era coisa da minha cabeça, mas o choro foi ficando mais alto e o que quer, que estava fazendo aquele barulho. Parecia chorar desesperadamente que chegava a soluçar.
Procurei envolta, apenas as lápides e a estátua. Não seria o que eu estou pensando? Eu me aproximei da estátua e de alguma forma percebi que o choro estava vindo lá de dentro.
Pego de surpresa comecei a vasculhar a estátua procurando alguma forma de abri-lá. Foi quando o choro da criança começou a ficar mais intenso, eu deveria achar ela logo, pois daqui a pouco os demônios iriam começar o ritual.
Então impulsionei todo o meu corpo contra a estátua, tentando de alguma forma empurrá-la, eu comecei a perceber que a estátua havia começado a ceder, então a empurrei com mais força ainda, sentindo todos os tendões dos meus músculos se distenderem, há estátua foi para trás dando abertura o suficiente para que eu pudesse entrar em algo que parecia uma pequena sala.
Eu pulei lá dentro e comecei a vasculhar, era muito escuro e eu mal conseguia enxergar.
POV'S Narrador;
Sam já não escutava mais o choro.
Ele sentiu alguma coisa puxando a manga de seu casaco, Sam amaldiçoou o que quer que fosse e continuou imóvel. A criatura o jogou no chão.
Ele pegou a arma e começou a atirar na direção dos grunhidos. O barulho dos tiros pareceu assustar a criatura, Sam aproveitou a chance e correu para onde ele havia empurrado a estátua.
Dois demônios haviam empurrado a estátua no momento em que Sam tentou subir a superfície;
Era uma armadilha.
Sam, tentou empurrar a estátua mais alguma coisa parecia impedir. Assustado olhou envolta, ele pensava que teria de matar a criatura para que pudesse permanecer vivo, mas... como? Se ele nem enxergava a coisa?
Sam escutou grunhidos de dor vindos da criatura, ela parecia extremamente machucada, mas ainda conseguia se locomover com agilidade. Ela também parecia não enxergar muito bem, pois Sam sentiu sua respiração quando passou perto da criatura sem saber.
Allice havia saído da cabana e percebido que havia uns dois demônios empurrando a estátua, ela sabia que teria alguma coisa errada pois não avistava Sam em lugar nenhum.
– Sammy! Sammy, cadê você?! — o lugar abafou os gritos de Allice.
Allice gritou chamando a atenção dos demônios que começaram a vir em sua direção, ela correu e pegou sua besta. Disparou três flechas no primeiro demônio que começou a ir me sua direção e ele caiu no chão. Desacordado devido as flechas banhadas em água benta e em sal.
Allice começou a correr em direção a cabana e o outro demônio foi atrás dela, ela estava do outro lado da cabana, o demônio foi para frente e acabou caindo em uma armadilha que Allice havia preparado. Ela sorriu com desgosto, pronta para disparar mais flechas. Quando escutou o grito de Sam.
– Allice rápido! Estou aqui embaixo! — Ele gritou o mais alto que pôde, chamando a atenção da criatura.
– Aonde? Achei Sam, aguenta estou indo! — Allice gritou de volta, mas se deixou distrair, pisando na tinta da armadilha e a quebrando. O demônio saltou em Allice a prendendo no chão, estendendo uma faca a direcionando em direção ao pescoço de Allice, ela lutou para que a faca não perfurasse sua jugular, ela havia conseguido jogar a faca longe chutando o sujeito.
Ele caiu ao seu lado ela se pôs em cima dele e pegou a besta rapidamente e atirou na testa do homem com tanta precisão que a flecha atravessou seu crânio e se fincou no chão.
Ela correu aonde presumiu que Sam estivesse, pegado uma pá e empurrando com toda força a estátua.
A criatura se recuperou e veio correndo destrambelhadamente em direção á Sam. Ele jogou o corpo para o lado, no momento em que a criatura iria o matar. Ela ainda parecia mais atordoada, Sam pegou sua lanterna e sua pistola. Ele havia a esquecido, quando a luz foi em direção a criatura ela pareceu ficar mais vulnerável e Sam percebeu que era uma criança, ele atirou na criatura, mas ela conseguiu se desviar na maior parte das vezes.
Allice começou a distribuir pancadas fortes com a pá na estátua, ela estava a quebrando pois os demônio haviam conseguido a firmar demais. Ela deu uma última pancada e a estátua se desfez.
Allice não pensou duas vezes e pulou dentro do buraco escuro com a lanterna em mãos. Ela avistou Sam com a lanterna também.
– Sam! Rápido por aqui! — Allice gritou e a criatura a seguiu a derrubando no chão.
Sam atirou na coisa e Allice ainda se rebatia surpresa. Allice aproveitou e se rastejou para longe, Sam pulou para fora do buraco e Allice também. A pequena criatura tinha uma força enorme, e puxou Allice de volta para o buraco, mas Sam segurou sua mão e a puxou com força, conseguindo fazer com que o monstro cedesse.
Com o impulso Allice acabou caindo em cima do moreno.
Eles se encararam por um estante, Allice sorriu sem graça.
– É... valeu. — ela deu um tapinha desajeitado no peito de Sam.
Eles se levantaram, Sam com um segundo de atraso, pego de surpresa logo após pela criatura insistente.
Allice encarou paralisada a criatura que tentava estraçalhar o rosto de Sam.
– Já estou cansado de você! — Sam vociferou e com as duas mãos quebrou o pescoço da criatura de uma só vez.
Ele jogou o corpo falecido da criatura para o lado e Allice o ajudou a se levantar.
Os dois quase não perceberam o golpe que levaram logo após, fazendo com que eles desmaiassem.
~~//~~
– O que? Aonde estou? — Allice ainda atordoada pela pancada começa a recuperar os sentidos.
Ela não enxergava nada e muito menos se lembrava do que havia acontecido, ela sentia suas mãos atadas as costas e sentia muito frio.
– Tirem. — uma voz ecoou obrigando Allice a se concentrar mais agora.
Aquela voz... ela conhecia muito bem.
Allice foi obrigada a fechar seus olhos quando uma luz forte bateu contra sua retina.
Então ela abriu os olhos devagar, sua cabeça continuava a latejar e sua visão ainda se acostumava com a claridade.
Havia uma mulher em pé a sua frente com um sorriso estampado em seu rosto, juntamente com ela, haviam mais três pessoas; duas mulheres. Sem contar com o que segurava Allice.
Uma risada de auto-satisfação ecoou pelo ambiente.
– Allice... nos encontramos novamente não? — sua visão encontrou a dona da voz irritante.
– Lynn... — Allice disse entre dentes.
– Não me parece tão confiante agora, não é mesmo?– Lynn soou sarcástica.
– Me diga você, não chega a ser mulher o bastante para me desamarrar, não é mesmo?– Allice sorriu graciosamente.
– Cuidado com o que fala, você está em uma situação delicada... — ela fez um gesto com sua mão e as duas mulheres saíram.
Logo após, trouxeram duas pessoas em uma situação idêntica a de Allice, estavam amarrados, mas ainda estavam usando os capuzes. Allice reconheceu as roupas.
Seu sorriso morreu.
– Você vai me soltar agora.- seu tom se tornou mais ameaçador. — Ou então, você vai vivenciar a pior sessão de tortura de todos os tempos.
Ela achou graça do tom de Allice.
Os demônios puxaram os capuzes fazendo Allice prender a respiração, quando viu suas verdadeiras identidades.
Sam e Castiel. Seu estado denunciava que eles haviam sido espancados, estavam sangrando e haviam feridas abertas em seus rostos.
O olhar de Sam encontrou o de Allice, ela estava pasma.
– Sammy... — sussurrou.
Ele baixou o olhar dele.
Allice agora fervia de raiva, mas tentava manter o controle.
– Eu avisei a você para não tocar nele! — Allice tentava manter o mesmo tom, mas estava ficando difícil.
– Ah sim... claro, e por que acha que eu te escutaria? — Lynn responde de maneira divertida. Aquela situação a agradava. O que deixou Allice com mais raiva.
– Era esse o seu plano desde o começo não era? — Allice perguntou e Lynn não respondeu. Mantendo a expressão divertida. — Queria vingar aquela vadia da sua mãe.
O sorriso de Lynn morreu. Allice continuou.
– Sim, eu sabia — Allice havia achado o seu ponto fraco. — Sam e Dean mataram aquele demônio de quinta categoria, mas valeu a pena...
– Chega... — Lynn disse desconfortável, começando a ficar irritada.
Allice completou.
– ...assim que ela voltou, eu a torturei! Pois é, o amor dela pelo Lulu era tão cego que ele não fez nada para protegê-lá, quando eu a fiz sangrar...- Allice grunhiu quando Lynn deu um tapa em seu rosto.
Allice retraía a mandíbula, enquanto sua bochecha esquerda ficava vermelha.
Sam e Castiel encaravam surpresos.
– Por falar em Dean... — Lynn começou doce como antes, fingindo que nada havia acontecido. — Como ele está?
Allice sentiu o olhar desconfiado de Sam.
– Eu não sei do que você está falando. — Allice disse confiante.
Lynn percebeu o olhar de Sam que se dividia em Castiel e Allice.
– Ora, o pequeno Sammy não sabe? — Lynn perguntou sorridente.
– Não sei o que? — Sam perguntou irritado.
– Nada. — Allice respondeu rapidamente.
– Allice que feio! Não pode esconder esse tipo de coisa de Sam. — Lynn foi para perto de Allice e puxou seu cabelo, fazendo ela olhar para cima. — Vamos! Eu quero que você diga para ele.
– Vá para o inferno! — Allice vociferou.
Lynn puxou ainda mais o cabelo de Allice para trás. Vendo que a anja não iria ceder, ela começou a falar.
– Sammy, a sua querida anjinha... escondeu aonde o seu irmão mais velho estava todo esse tempo. — Lynn disse inocentemente.
Allice se recusava a olhar para cima, ela não tinha como encarar Sam. Não agora.
– Isso é verdade? — Sam exclamou irritado, Castiel desviou o olhar.
Lynn puxou a cabeça de Allice com força para trás, a forçando a olhar para Sam.
Allice sentiu um desespero, como se ela quisesse gritar e falar que era tudo mentira. Mas não era.
O olhar de Sam demonstrava que ele estava desconfortável, magoado e mais do que tudo... desapontado.
Lynn jogou a cabeça de Allice para frente e se recompôs.
– Agora, eu não aguento mais esse blá, blá, blá. — Lynn exclamou demonstrando irritação. — Matem Castiel e Sam. — ela deu a ordem para as duas mulheres que estavam segurando Sam e Castiel. — ...e você... — ela apontou para Allice. — ...vai presenciar as consequências de seus atos egoístas novamente.
Allice riu. Todos a encararam confusos.
– O fato de você ser tão prepotente e não ter percebido que esse jogo cheio de surpresas... — Allice sorriu optimista. — Eu já ganhei.
Nesse momento uma flecha atravessou o crânio do demônio que estava mantendo Castiel refém o outro que estava mantendo Sam, teve sua garganta cortada e caiu pesadamente no chão.
Revelando que Dean e Anna estavam logo ali.
O demônio perto de Allice tentou fugir, mas Allice foi mais rápida e o derrubou, já se livrando das cordas, sacou uma pistola e atirou em sua cabeça. Era uma arma parecida com o projétil da Colt, ela era mortal para as criaturas igualmente a original.
Lynn pressionou Dean e Anna com força no chão devido aos seus poderes paranormais. Seus olhos ficaram brancos, como os de sua mãe Lilith. Ela tentou matar Dean e Anna, mas Sam torceu suas mãos atrás das costas e Castiel deu uma coronhada em sua cabeça.
Allice pegou a faca de Dean e fez um símbolo no ante-braço de Lynn de modo que ela ficaria trancada no corpo, até aquele ser quebrado.
~~//~~
– Então Lynn, você vai colaborar ou não? — Sam disse com as mãos molhadas. Lynn não respondeu. — Ok, já que você quer assim...
Ele puxou ela novamente para o tanque cheio de água benta, forçando o seu rosto com força enquanto ela se rebatia, Sam olhou no relógio e a puxou de volta.
Seu rosto estava desfigurado, devido ao tempo excessivo que ela havia recebido aquele ritual e mais algumas torturas.
– Isso é o melhor que pode fazer? — Lynn suspirou ignorando a pequena dor.
Ela sentia seus ossos fraquejando, não sabia exatamente a quanto tempo estava ali, mas pareciam horas. Sam não havia pegado "leve" com ela.
Eles haviam a trazido no porta-malas do carro de Allice logo após ela o ter recuperado. Em seguida as sessões de tortura começaram.
– Eu tenho que descontar a minha raiva em alguma coisa, eu diria até que estou pegando leve com você. — Sam pegou algumas ferramentas e começou a observar seus detalhes lentamente. — mas não... não serei eu quem terminarei o serviço.
Lynn arqueou as sobrancelhas, quando Sam largou as ferramentas e saiu em direção a entrada do porão.
Sam sorriu, acendendo a luz.
Allice estava de pernas cruzadas observando Lynn.
Lynn havia percebido que mais alguém estava ali antes, mas não pode deixar de ficar surpresa quando viu que era Allice.
Allice a encarou por alguns instantes. Ela estava estudando a possibilidade de despachar ela novamente para o inferno.
– Vamos! Eu quero ver o que significa tortura para você. — Lynn suspirou cansada, como se estivesse entediada. — Talvez o que fez com seus familiares valha mais a pena...
Não, Allice tinha de matar ela.
– E você tem algum palpite de como eu os matei?
Lynn não respondeu.
– Da mesma forma que eu vou matar você. — Allice sorriu com uma satisfação sombria.
Allice continuou o mesmo trabalho de Sam, um pouco mais árduo do que antes. A carne de Lynn começou a despedaçar.
Allice havia aprendido algumas coisas com a época nada agradável de sua existência, mas Lynn ainda não entregava os pontos,
– Que decepção. — Lynn disse em um tom despreocupado. — Se sua família estivesse viva, estaria desapontada com você...
Allice pegou duas estacas de ferro e as fincou no corpo de Lynn, prendeu os cabos de eletricidade nas estacas e ligou a força.
Lynn agonizava de dor, mesmo assim continuava com uma expressão entediada. O que estava deixando Allice irritada.
Logo após de alguns segundos longos e dolorosos Allice deligou novamente a energia.
Os cortes haviam ficado ainda mais abertos, devido a eletricidade extrema agora o lugar cheirava a sangue e carne queimada. Era horrível.
– Eu avisei que você iria pagar... — Allice disse despreocupadamente passando sal na faca de Dean.
Uma risada sombria ecoou de Lynn e ela puxou um pouco do ar que ainda restava de seus pulmões.
– Eu ainda estou esperando... — ela pausou tentando recuperar o fôlego. — ...até agora, você só me desapontou... você sempre faz isso com as pessoas não é?
– Cale a boca.
Lynn fingiu que Allice não havia dito nada, e prosseguiu.
– É a mais pura verdade! Primeiro seu papai e sua mamãe, depois seu irmãozinho ingênuo, e por último Thomas...
Allice largou a faca em cima da mesa.
– Como você...?
– Como eu sei? — Allice não respondeu. — Ele me contou, enquanto estávamos caçando juntos, depois transamos loucamente e eu o matei... — Lynn solta uma gargalhada que faz as mãos de Allice tremerem.
– Você me da nojo! — Allice faz uma expressão nauseada.
– Não foi só você quem foi para cama com ele... mas querer Sammy agora, não acha que está sendo um pouco gulosa?
Allice respirava com dificuldades, a raiva e as lembranças estavam fazendo ela se retrair em confusão.
– Você realmente amava Thomas não é? — Lynn disse percebendo a situação de Allice. — Ele me disse que você o matou a sangue frio...
– Já chega...
– ...mas eu acho que você devia ter escolhas o suficiente. Thomas, me disse que ele nunca te amou de verdade e que você não passava de uma decepção...
Allice odiava aquela palavra, odiava ainda mais Thomas.
– Você está mentido, você não passa de uma vadia imunda e mentirosa...
Allice se agarrou na mesa cheia de instrumentos mortais. Deixando cair alguns no chão. Ela olhou o relógio com certa dificuldade de manter a concentração, enquanto apertava as unhas na mão de tal maneira que sentia seu próprio sangue escorrer da mesma.
Ela deveria estar bem longe dali. Afinal era lua cheia.
Ela pegou uma garrafa com um líquido vermelho e o bebeu, ela não ousaria se alimentar de um demônio. Normalmente quando era lua cheia, ela sair de perto de quem que fosse antes de seu corpo começar a rejeitar os comandos de sua mente sã e sua outra face vir a tona, como havia acontecido com Sam ( capítulo 10).
Essas coisas acontecem bem raramente, mas Allice não gostava de arriscar, naquele momento. Ela começou a pensar ao contrário.
– ... mas não se preocupe, eu vou tentar ser mais delicada com o pequeno Sammy. — Lynn soou inocente.
Allice virou-se devagar, Lynn viu os seus olhos ficarem vermelhos como o sangue que ainda pingava de seus ferimentos graves.
– Eu estava pensando em deixar você ir... — Allice caminhou despreocupadamente até Lynn. — mas você não é o tipo de serviço que se deixa pela metade.
Allice sorriu e Lynn viu as presas saltarem dos lábios avermelhados de Allice. Em um solavanco ela cruzou a sala e em instantes sua mão atravessou o ventre de Lynn sem muita dificuldade.
Lynn estava paralisada, Allice conseguia ver o pavor pela primeira vez em seu olhar, os olhos azulados demonstravam um brilho desigual, a dor começou a se esvair e Lynn grunhia.
Sua alma estava deixando seu corpo aos poucos.
– Mais uma coisa... — Allice se aproximou de Lynn e ela tentou recuar, com pouco sucesso já que a mão direita de Allice esmagava metade de seus órgãos. — Só eu e o irmão dele, podemos chamar ele de Sammy.
Allice jogou o corpo de Lynn como se fosse um boneco sem vida. E a deixou agonizar de dor até morrer ali.
Allice arrumou as coisas e pegou o corpo falecido de Lynn, acendeu lareira e o jogou lá dentro. As chamas engoliram o restante da carne, causando aquele cheiro horrível novamente.
Allice não tinha pena da mulher que Lynn possuiu. Para um demônio entrar no corpo de alguém, a pessoa tem de dar uma brecha. Desde que ela fqaça coisas ruins até que ela viva em depressão profunda.
~~//~~
Allice voltou novamente para o primeiro andar da casa e percebeu que Dean e Anna estavam lá juntamente com Castiel. Eles conversavam sérios, deveriam estar falando de Sam.
Cada um estava com uma cerveja na mão. Allice estranhou Anna pois ela não estava tão próxima de Dean como da última vez que ela os viu, mas ela ignorou e começou a vasculhar os lugares com os olhos. Sam não estava ali em baixo.
Ele não estava nada contente desde que descobriu que Allice e Castiel escondiam o paradeiro de Dean e Anna esse tempo todo. Ela também não estaria, mas tinha bons motivos.
Allice se aproximou dos três e sentiu seus olhares sobre ela. Especialmente em sua mão cheia de sangue.
Dean a encarou com a sobrancelha erguida. Ela deu de ombros.
– Ela não queria colaborar...- Allice olha para a mão.
– Você a matou com a faca? — Anna perguntou.
– Não.
Os três assentiram e Allice cortou o assunto.
– Onde está Sam?
– Lá em cima. Ele não quer conversar com ninguém. — Dean disse tomando um gole da cerveja. — Acredite eu já tentei.
– Eu vou conversar com ele. — Allice disse fingindo que Dean não havia falado nada.
– Você escutou o que eu falei? — Dean perguntou irritado.
Desde que ele foi "embora", eles não haviam parado de discutir.
– Eu preciso falar com ele há muito tempo... mas primeiro, preciso tomar um banho. — Allice diz olhando o estado da suas roupas cheias de sangue de Lynn.
Allice disse isso e subiu as escadas rapidamente.
Anna pareceu entender, Dean sorriu malicioso.
– Vamos Cass, parece que o meu irmão precisa ter uma conversa com a sua.
Allice passou em seu quarto primeiro, tomou um banho rápido e foi ao quarto de Sam.
– Sam eu sei que você está ai!
Ele não respondeu.
Allice tentava abrir a porta mais ela estava trancada.
– Sam deixa de ser criança! — Allice exclama batendo na porta com mais força.
Sam abriu a porta de repente assustando Allice, ele ainda estava com os ferimentos de antes, mas havia tomado banho e trocado de roupa. Ele a encarava sério.
Allice amaldiçoou Lynn pelos ferimentos que ela havia causado no moreno.
– O que você quer? — ele quebrou o silêncio.
– Eu quero conversar com você.
– Mas eu não quero.- Sam disse frio deixando Allice sem palavras. — Boa noite. — ele disse fechando a porta.
Allice se recuperou e empurrou a porta com força.
– Olha.. eu sinto muito, realmente eu iria te falar.
– Quando? Quando um demônio estava prestes a me matar você não parecia muito disposta a falar.
– Dean me pediu para não te contar nada.
– Mesmo assim. Você sabia como eu estava. Você via a forma que eu fiquei! Você me escondeu aonde meu irmão estava todo esse tempo!
Allice não respondeu.
– Eu esperava isso de todos, menos de você. — Sam disse desapontado.
– O que você quer que eu faça? — Allice gritou.
– Me de um motivo! — Sam avançou. — Uma desculpa válida! Qualquer coisa!
Allice não sabia o que responder, ela não fazia questão. Sam arfou e empurrou Allice contra a parede.
– O que você vai fazer agora? — Allice disse entre dentes. — Me beijar?
Ela não queria demonstrar o quanto aquele contato físico mexia com sua sanidade. Sam por si, deixava Allice louca. Agora ele estava pressionando o corpo com força contra o dela.
– Não.
Ele afrouxou o aperto ficando apenas próximo dela. O coração de Allice estava mais descompassado do que nunca. Ela queria aquilo, ela queria Sam. Mais do que já quis qualquer coisa na vida.
– E- Eu sinto muito Sam. — Allice ainda se recuperava da aproximação extrema. — Por Dean, por tudo. Eu não queria...
Sam balançou a cabeça com raiva. Ele ainda estava vermelho, Allice via o esforço que ele fez pra manter a concentração, mas ela não queria que ele se mantivesse são.
– Por favor, Sammy.
–Eu quero que você me prove, que eu posso confiar em você novamente!
Aquilo era tudo que Allice precisava ouvir.
(...)
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