Back in Black
14 Silent Hill Pt. II
Notas iniciais
O que fizeram comigo, me criou. É um princípio básico do universo. Que toda ação cria uma reação igual e oposta. – V de Vingança.
Ashland — Pensilvânia
– Eu juro... Eu vi! Por favor acreditem em mim! — a mulher de alguma forma tentava se livrar dos braços dos policiais assim que entraram na delegacia.
– Fique quieta! — O policial que segurava a mulher pelo braço direito, gritou com a mesma, o que segurava o esquerdo, apenas continuou segurando ela firmemente — Após tanta mentira que você contou, pelo menos reconheça a hora de parar!
– Mas eu não contei mentira nenhuma! Eu disse a verdade, vocês deviam acreditar em mim... — ela procurava alguma demonstração de piedade nos olhos dos policiais — ...meu filho vai ser morto por...
– Bruxas? — O policial da esquerda falou contendo o riso — Pare de dizer bobagens, você está apenas alucinando, apenas isso.
A mulher se debatia, até o momento em que os dois policiais jogaram ela na cela, e fecharam a porta cheia de grades. Logo após isso sumiram de vista. Fazendo a mulher entrar em pânico constante e começar a chorar descontroladamente.
– Não me deixem sozinha! — a mulher gritou, mas a porta da delegacia se fechou momentaneamente ... por favor...
Os soluços da mulher ecoavam pelo lugar, assim como a água que pingava da torneira da pia da cela, que provavelmente estava sem reparos havia muito tempo. Escuro e completamente vazio, isso resumia aquele lugar pelo qual a mulher havia sido jogada, sem muita cerimônia e sem explicação, apenas havia sido presa ali.
A mulher então se recostou na parede escorregando por ela com as mãos no rosto, tentando se acalmar, mas estava ficando difícil.
Ela olhou em volta, a cela estava uma imundice, a cama rasgada demonstrando que não era usada fazia tempos, as paredes descascando e o banheiro improvisado ela nem se atrevia a olhar. Aquilo com certeza não servia para uma pessoa e nem mesmo para um animal.
Então, inconformada. Voltou a chorar, mas dessa vez, ela não fez questão de se quer se importar.
–Meu filho...
Em algum lugar da Pensilvânia:
– Ele está acordando... — Castiel sussurrou.
– Deixe-o se recuperar. — Allice disse levantando uma mão do volante, ela havia tomado o controle do carro assim seguindo o destino programado. ela olhou pacientemente pelo retrovisor interno do carro, esperando Sam se ajeitar no banco de trás.
– Eu... estou me sentindo melhor, não tanto quanto antes, mas... — deu uma pausa. — vou ficar bem.
Allice ainda o continuava observando pelo retrovisor e Castiel se dividia entre Allice e Sam.
– Sam, o que houve? — ela disse com o tom " e nem pense em mentir pra mim".
Sam suspirou cansado.
– Era como se, como você mesma apontou Allice, estávamos realmente indo para Silent Hill.
Agora Castiel encarou Sam intrigado.
– Silent Hill é uma cidade fictícia não é? Não que eu saiba muito dessas coisas, muito pelo contrário... — Castiel retomou ao ponto principal, então disse: — mas, você entendeu, não tem como nós estarmos indo para lá, sem mesmo sabermos.
Allice estava surpresa, esse era realmente um dos maiores diálogos que Castiel se impôs a falar com os dois, normalmente ele ficaria olhando janela a fora, como se nem mesmo estivesse ali, enquanto ela e Sam conversavam.
– Sam, você havia lido aquele artigo não é mesmo? — Allice soou um mais calma do que o normal.
Sam assentiu com a cabeça, confuso. Ela viu a expressão dele pelo retrovisor.
– Principalmente aquela parte do ritual?
POV'S Sam;
Arregalei os olhos. Ritual? -pensei comigo mesmo.- Só havia um tipo de ritual que eu conhecia sobre aquela região, mas era praticamente uma lenda.
– O ritual do súcubus? — Allice assentiu — Mas isso é apenas uma lenda, é usado para assustar criancinhas.
Castiel achou graça no meu comentário.
Allice olhou para mim pelo retrovisor mais uma vez, só que dessa vez, parecia que ela tentava ver além de mim, era como se ela tentasse desvendar a minha expressão, ou pior, se ela quisesse fazer com que eu me sentisse de outra forma. Desconfortável.
Sim, era como eu estava me sentindo agora. Assim que vi que Allice iria falar uma coisa, eu percebi que essa era a expressão, que mesmo se eu não quisesse, de uma forma ou de outra eu iria acabar estando desconfortável.
– E o que você acha que ela é? — essas palavras fizeram com que eu ficasse surpreso o bastante para não ter nenhum tipo de argumento, minha mente ficou processando até que eu realmente entendesse.
Lynn era um demônio, mas não bastava ser um demônio qualquer, tinha de ser um súcubus.
– S-Súcubus? — eu nem percebi que havia dito, mas parecia que até Castiel estava mais surpreso do que eu.
Allice ainda continuava com certa naturalidade.
– Desde o começo eu percebi que ela não era realmente um...humano, graças a minha e a força de Castiel estar comprometida devido há... -fez uma pausa. — algumas coisas que tem ocorrido... eu não podia ter certeza, mas demônios carregam uma energia muito mais pesada do que os anjos e humanos, ou qualquer outra criatura, mesmo assim, quando eu peguei aquele livro lá na estante — Allice apontou para o porta luvas com uma das mãos e depois continuou — Notei que ele citava diversas classes de bichos, demônios, palhaços, enfim...
Estremeci quando ela falou em palhaços, mas continuei prestando atenção, assim como Castiel que praticamente nem piscava.
Castiel abriu o porta luvas e lá estava ele, um pouco acabado, era realmente um livro velho... não sabia nem onde tínhamos conseguido ele.
Allice continuou:
– Eu percebi que falava sobre súcubus, eu particularmente não gosto disso e vocês sabem, mas eu me lembrava que quando eu voltei. — Allice deu uma olhada rápida em mim e sorriu. — ela estava com as garras em cima de Sam.
Eu virei o rosto para o lado, instintivamente. Se Dean me visse agora, iria tirar uma com a minha cara. Com certeza.
– Mesmo assim, eu sabia que talvez não fosse aquilo que eu pensava e ontem á noite minhas suspeitas se confirmaram, eu peguei o computador e revistei todas as informações, registros bancários, com quem ela havia falado pelo telefone, procurei pelos lugares que ela havia passado, quando ainda estava com o rastreador, ou seja, não há nada que a vadia fez e eu não saiba, e em todas essas cidades haviam, vítimas, destruição, desorganização. O mais importante era que todas as vítimas eram homens e tinham partes de seu corpo — Allice procurou palavras pra continuar — dígamos que bem importantes para os homens, cortadas.
Allice olhou pro lado e riu.
Olhei pra Castiel e ele estava de queixo caído, me deu vontade de rir, mas quando eu percebi estava com a mesma expressão.
–Que foi? Eu também tenho um lado nerd! — afirmou sorrindo orgulhosa.
– Bom trabalho.- eu quase não me dei conta do que havia falado ou por que, mas só sei que fiquei encarando ela pelo retrovisor com um sorriso bobo na cara.
– Obrigada. — Allice sorriu de volta, mas desviou sua atenção, quando percebi quase não acreditei, ela estava corando...?
Eu pedi para Castiel me passar o livro, ele logo me entregou e eu percebi que um pedaço de papel estava no meio do livro, como se estivesse marcando a página. Eu abri o livro, então vi que — assim como Allice tinha apontado — o capítulo em especial falava sobre súcubus, retratava diversas formas, lendas histórias, ilustrações, etc...
Inccubus (Incubus, Íncubo) e Succubus(Sucubus, Súcubo) são poderosos demônios que costumavam atormentar homens e mulheres. Ambos os nomes, Incubus e Sucubus, têm origem latina. Incubus vem do verbo incubare que significa "deitar-se sobre" e Sucubus vem do verbo succubare que significa "deitar-se em baixo de". Assim sendo, Incubus são demônios machos que visitam mulheres mortais e têm sexo com elas, enquanto Sucubus são as versões femininas e atacam homens.
Existem muitas lendas que relatam acontecimentos ou encontros com estes demônios, cada um influenciado pela sua cultura e contexto sócio-político. Na era medieval acreditava-se que esta terrível criatura sugava a força vital da vitima, o que naqueles tempos representava a alma. Portanto pensava-se que os Sucubus e Incubus roubavam almas. Mas com o passar dos séculos os hábitos destes seres mudaram muito drasticamente. Começaram a assediar e a consumar atos sexuais, sendo considerado um pecado contra Deus.
Estas lendas medievais provavelmente devem vir do antigo mito grego de Empusae, que eram demônios e filhas da obscura deusa Hécate. Podiam transformar-se em cadelas, vacas ou belas donzelas e deitavam-se com os homens de noite, sugando a sua força vital até á morte. Súcubus e Íncubus são relacionados á vampiros, pois as vezes, além de se alimentar de força vital, eles também se alimentam de sangue humano.
Eu iria falar alguma coisa, quando Allice parou o carro bruscamente.
Por um instante eu pensei que ela estaria cansada e que eu deveria seguir dali em diante, mas ela simplesmente continuou ali. Sem se mexer assim como Castiel.
De repente me veio um calafrio, tentando não olhar pra frente, mas a vontade era inevitável, então movi os olhos devagar e vi que uma mulher estava na frente do carro, com a mão estendida.
– Vamos, vamos!
Allice tinha saído do estado de choque, mas ela tentava fazer o carro ligar, virando e desvirando a chave na ignição. O carro dava sinal que ia pegar, mas depois morria novamente.
A mulher começou a vir em nossa direção.
Allice em meio ao pânico girou com força a chave na ignição e o carro pegou.
A mulher havia sumido.
Castiel, eu e Allice, procurávamos de um lado pro outro.
Um barulho no lado de fora, nos fez ficar em alerta, quando Allice virou e viu os olhos vermelhos encarando ela.
– Olá... — a mulher disse, com um sorriso macabro.
E logo após, quebrou o vidro de Allice e começou a apertar o pescoço dela. Allice entrou em pânico apertando com força o acelerador.
Castiel tentou tirar a mão da mulher juntamente comigo, mas não estava dando muito certo, pois agora Allice dirigia descontroladamente, movendo o carro de um lado pro outro. Na esperança de que a mulher a soltasse, mas ela apenas gargalhava enquanto Allice grunhia de dor e o seu rosto tomava um tom diferente.
Me lembrei que no porta luvas a frente, sempre guardávamos água benta e uma pistola com balas de sal. Eu tentei me esticar até lá por meio de Castiel, que ainda tentava soltar a irmã.
A mulher percebendo minha intenção, esticou a mão livre pra tentar me pegar, eu desviei do primeiro golpe que ela havia desferido contra mim, mas do segundo não, fazendo com que ela me desse um arranhão profundo na altura do olho. Allice pisou no freio bruscamente.
Fazendo a mulher ir pra frente e pra trás, como uma boneca de pano, afrouxando um pouco o aperto da garganta de Allice, mas não soltou.
O freio fez com que eu quase voasse pelo para brisas, mas eu consegui me segurar em Castiel quase o arrebatando junto comigo, finalmente havia conseguido alcançar o porta luvas, e peguei o frasco de água benta.
Sem pensar duas vezes, abri o frasco e despejei a água na mulher. Ela se rebatia, com o rosto praticamente desfigurado e queimado. Saindo fumaça do mesmo. Ela soltou de uma vez o pescoço de Allice, aproveitando a deixa, Allice abriu a porta com força e acabou acertando o rosto da mulher. que caiu no chão, inconsciente por alguns segundos.
Allice engatou a ré, ficando com a mulher na mira do carro, enquanto ela recobrava os sentidos retorcida no chão.
– Allice! — eu e Castiel gritamos quase em conjunto. Quando ela acelerou e passou com o carro em cima da mulher, esmagando ela, parecia que tínhamos passado por um monte de areia. O impacto dos pneus contra as costelas dela, me fez imaginar que haviam sido reduzidas á pó.
Nós três saímos do carro e eu não sabia bem oque estávamos vendo, eu não sabia exatamente se eram pedaços de um humano ou até mesmo de um animal, estava irreconhecível e coberto por sangue. O rosto de Allice estava voltando ao seu tom normal, mas eu percebi por uma fração de tempo, que havia traços de um sorriso.
Um calafrio percorreu pelo meu corpo, mas eu ignorei.
~~//~~
Eu perguntei para os irmãos, se eles não preferiam alugar um quarto de hotel, para pelo menos descansarem um pouco. Mas eles disseram que preferiam revezar, pois queriam encontrar Lynn logo e que nós já havíamos perdido tempo demais, com as paradas pra ir no banheiro e pegar alguma coisa para comer em alguma lanchonete na beira da estrada.
Eu havia revezado com Allice, ela estava precisando descansar após o estresse que nós passamos na metade do caminho. Claro. Ela mesmo contrariada, mas acabou cedendo e indo se deitar no banco de trás. Castiel roncava no banco ao meu lado.
Eu ainda me perguntava, o que eles haviam feito pra esgotar a maior parte de seus poderes, mas agora eu tinha preocupações demais.
Eu pensava que o que os dois estavam me escondendo esse tempo todo, era sobre o que Lynn era, ou eles tinham descoberto alguma coisa a respeito da mesma, mas não. Quando Allice disse que tipo de criatura Lynn era, eu comecei a entender a gravidade da situação assim que vi, que Castiel sabia tanto quanto eu a respeito da Súcubus.
Me remexi no banco desconfortável, no momento que Allice grunhiu no banco de trás.
Dei uma olhada rápida para trás e percebi que ela ainda dormia pacificamente.
Eu nem me arriscaria a acordá-la. Embora estivesse mais agitada do que o normal, talvez estivesse tendo algum sonho ruim.
Mas eu continuei naquele silêncio, onde os dois anjos estavam dormindo e eu ainda dirigia em direção ao nosso principal destino. Alguns minutos depois — que mais pareceram horas — eu notei que os primeiros raios de sol, começaram a surgir no horizonte. Logo após, os mesmos começaram a invadir o carro lentamente.
Allice resmungou.
Olhei pra trás e a luz do sol estava bem no meio do seu rosto. Ela parecia irritada, e começava a abrir os olhos lentamente, seus olhos fecharam quase de imediato, quando a luz cegou ela momentaneamente.
Ela sentou no banco irritada, coçando seus olhos verdes.
–Que horas são? — ela exclama com a voz rouca. Quase amoleci com seu tom sexy.
Então me recuperei e verifiquei a tela do meu celular.
– Seis e meia. — falei naturalmente.
Allice murmurou algo parecido com um xingamento, que eu não entendi muito bem.
– Está melhor? — sem me dar conta, já estava puxando assunto. Era impressionante.
Ela passou a mão na garganta, a área ainda estava arroxeada devido a firmeza do aperto do demônio.
– Estou melhor... eu acho.
Olhei ela pelo retrovisor e ela estava olhando pra frente, mas sem realmente enxergar nada que estava ali. A luz do sol ainda estava no seu rosto, mas ela pareceu não se incomodar muito. Eu adorava, a maneira que a luz do sol refletia nos seus olhos, parecia que realçava mais ainda o verde dos mesmos.
– Falta muito até Ashland? — Allice pergunta pensativa, recostada no banco.
– Mais alguns minutos e provavelmente chegaremos. — digo e Allice não diz nada.
E o silêncio desconfortável estava de volta e permaneceu por mais alguns minutos até que Allice o quebrou.
– Sammy...
Olhei pelo espelho e ela parecia estar procurando algumas palavras. Mandei um olhar encorajador pra que ela continuasse.
Ela olhou pra Castiel incomodada, então se aproximou mais de mim.
– Eu queria te agradecer, sabe... por não ter citado o que aconteceu comigo para Castiel... — ela explicou assim que fiz uma expressão confusa. — e me desculpe se pareci, um tanto apreensiva em relação a isso. É que eu realmente não gosto de falar sobre isso. — ela completou a frase, cabisbaixa esperando qualquer resposta da minha parte.
– Deixa eu adivinhar... você não quer falar sobre isso? — sorri quando ela balançou a cabeça, negando. — Você sabe que não precisa me agradecer, eu entrei no seu quarto sem pedir...
Eu não cheguei a terminar a frase, Allice me interrompeu.
– Não. Sam você sabe que não foi bem assim... — ela se jogou no banco irritada. — você bateu na porta, eu não respondi, tinha todo o direito de entrar...
Ela voltou a sussurrar quando Castiel grunhiu no banco ao meu lado.
– Eu não sei o que me deu Sam. — ela disse com uma expressão confusa. — como eu tinha falado, eu estava procurando pistas sobre Lynn foi quando... — ela engoliu em seco e continuou novamente. — eu tinha puxado minha mala e dela caiu uma foto antiga, quando avistei eu...
Ela ficou quieta de repente, deixando as palavras se perderem no vento. Eu compreendi na hora, era tão difícil pra ela falar sobre aquilo, assim como era difícil pra mim conversar sobre meus pais...
Balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos.
O que estava havendo? De repente todos os sentimentos reprimidos estavam vindo á tona. Eu não gostava disso, por tempos tinha tentando empurrá-los para o lugar mais profundo da minha mente. Percebi que Allice também havia feito isso. Pois naquele momento ela estava com a mesma expressão que eu, não estávamos mais confusos. Estávamos machucados, magoados. Por que era exatamente dessa forma, que nos sentíamos quando aquelas memórias voltavam.
– Alguém está tentando, usar as nossas fraquezas á seu favor. — eu disse quase que automaticamente, pois era realmente isso que estava acontecendo.
Allice concordou imediatamente, fazendo com que eu tivesse certeza de que ela estivessepensando o mesmo que eu.
– Talvez Lynn tenha respostas. — concordei.- Sammy, temos de encontrar ela e rápido antes que faça algo pra se perder da nossa vista novamente.
Concordei mais uma vez sorrindo com o apelido.
Então tratei de dirigir rapidamente até a cidade.
~~//~~
Assim que estávamos entrando na cidade, Castiel acordou e assim acertamos os últimos detalhes da estratégia que começamos antes mesmo de sairmos de casa.
– Ok. — Allice diz concordando com tudo o que havíamos falado. — Agora nós vamos fazer algumas investigações se não encontrarmos nada... vamos bancar os agentes de novo? — disse com os olhos brilhando de animação.
– Sim, isso mesmo Allie. — disse achando graça por sua animação.
Castiel parecia confuso.
– Allie? — ele olhou desconfiado pra mim e Allice. Saindo do carro logo em seguida.
Engolimos em seco.
– Ah então eu vou por ali pegar um quarto pra deixarmos as nossas coisas. — Allice disse saindo do carro em passos rápidos.
– E eu vou no posto comprar alguma coisa pra comer e abastecer o carro. — Dei a partida no carro.
Castiel ficou sem saber pra onde ir, no final acabou indo atrás da irmã.
Eu não sabia exatamente aonde se tinha um posto. Foi quando tive a ideia de perguntar pra alguma pessoa que passava na rua.
Eu não havia encontrado ninguém, estava completamente deserta. Eu não sabia ao certo o por que, pois não havia nenhum carro passando na estrada. Estranho.
Finalmente, após alguns minutos procurando. Encontrei um posto de gasolina. Não era um lugar muito convidativo e não havia mais nenhum outro comércio por perto e eu não ia me arriscar a sair procurando, pois a gasolina já estava acabando.
Abasteci o carro e entrei para pegar algumas coisas pra comermos, era estranho de dia não ter quase ninguém.
Um homem velho estava no caixa, emburrado. Ele estava lendo um jornal, pouco importado com o que acontecia a sua volta. Assim que entrei na loja ele não deu muita bola. Nem fez questão de desviar sua atenção do jornal.
Eu peguei as coisas que precisava, não queria demorar muito tempo, mas assim que eu estava a caminho de ir ao caixa pra pagar as coisas, quando dois caras entram discutindo.
– Você ficou sabendo? — Um deles pronuncia alto. Chamando atenção do caixa. — Eu não fico nessa cidade de loucos mais nenhum dia!
O outro balança a cabeça negativamente. Incomodado com a pouca atenção que o amigo chama.
– Mas, me parece que não precisa se preocupar. Afinal, a mulher já morreu e esse negócio de maldição não existe. — o outro diz baixo, quase que num sussurro.
Tive de prestar muita atenção pra conseguir ouvir. Então me aproximei sorrateiramente de uma prateleira perto deles, tentando parecer com quem não estava nem ligando.
– Quem sabe? Os policiais prenderam a bruxa, e nem deram ouvidos quando ela começou a gritar sobre um ritual. — o primeiro homem pronunciou, agora mais baixo.
– Mesmo assim, eu acho que você não deveria deixar a cidade... e também acho que deveríamos conversar em outro lugar. Os cidadãos estão meio estranhos hoje. — assim que ele disse, vi que ele estava encarando o caixa.
Assim que eles saíram, o velho que antes estava ocupado demais com o jornal, agora saiu por uma porta restrita. Deixando o jornal em cima do balcão.
Eu achei sua atitude muito suspeita, quando ameacei ir atrás do homem, eu olhei o jornal em cima da bancada, no pedaço de papel havia uma manchete que falava exatamente o que os dois homens estavam discutindo," A bruxa de Ashford" era o nome da manchete.
Eu olhei em volta procurando o homem, mas nenhum sinal dele. Então usei a porta que dizia "entrada restrita" e acabei vendo que aquela era uma saída do posto.
Logo em seguida vi um rastro de sangue no asfalto. Olhei em volta e não avistei ninguém, então resolvi seguir o rastro, com a arma e a faca em mãos, comecei a procurar o que havia ali.
O rastro levava até uma lixeira que tinha ali perto, assim que abri ela cautelosamente o cheiro de carne putrefata misturado com o de odor do lixo, me fez quase vomitar.
Ali dentro havia um corpo ainda se decompondo, devido ao seu estado, estava ali há uma semana ou mais. Era o corpo de um homem, pro meio dos 30 e poucos anos, de aparência não muito chamativa. Ele tinha cabelos castanhos e olhos azuis.
Me afastei tapando a boca e o nariz pra tentar em vão abafar o cheiro forte.
– Droga! — Lynn havia agido mais rápido do que nós.
Logo escutei o ronco do motor de um carro. Olhei pra trás e vi o homem que minutos antes era apenas um balconista comum, agora estava em um carro que aparentava ser novo. Com o telefone em mãos.
Logo comecei a escutar o barulho das viaturas policiais.
Olhei pra o homem com raiva e ameacei atirar, foi quando seus olhos ficaram completamente vermelhos.
– Filha da mãe!
~~//~~
Após ter saído em disparada do local, antes que a polícia percebesse que havia um caso sério de homicídio e presumisse que era minha culpa, fiquei vagando por entre a cidade tentando localizar a delegacia local.
Não demorei muito para achar, haviam diversas viaturas na frente do prédio. O lugar parecia um caos, provavelmente já haviam recebido a notícia de que um Serial Killer estaria na pequena cidade. Logo, após isso Allice me ligou me avisando a localização do hotel em que eles estariam.
Então eu fui diretamente pra lá.
Assim que cheguei no quarto, avistei Allice deitada na cama com o seu computador em mãos e Castiel sentado na ponta da mesma, com o controle em mãos, mudando de canais sem parar na pequena televisão do quarto.
Assim que percebeu minha presença Allice disse sem tirar os olhos do computador portátil.
– Por que demorou tanto? — soou um tanto interessada.
– Bom... — comecei colocando as coisas que havia "comprado" em cima da mesa, pegando o jornal em mãos. — Nada de mais... a não ser o fato de quase ser preso.
Allice havia finalmente fechado o computador e me encarava com paciência para que eu completasse minha história.
Assim o fiz.
Contei tudo o que havia ocorrido. Castiel havia finalmente parado de mexer no controle e prestava atenção em mim, assim como sua irmã. Assim que terminei fiquei com uma expressão ansiosa, para ver suas expressões.
Castiel voltou a mexer nos canais e Allice continuou pensativa.
– Hum...
– É só isso? "hum"? — falei fazendo a mesma expressão que Allice.
Ela parou e me encarou.
– O que você quer que eu fale Sam? — fiquei com uma expressão incrédula no rosto, como se a resposta fosse mais do que óbvia. — que eu estou surpresa? Estou! Que eu estou preocupada? Estou! Mas nós não podemos fazer nada. — ela disse dando de ombros.
– Como assim?! Pessoas inocentes estão morrendo e nós estamos aqui tentando matar Lynn, mas não saímos se quer do quarto de hotel! — soei incrédulo.
– Sim, Sam... essa é a nossa prioridade. — eu fiquei com uma expressão confusa e ela continuou com uma calma sobrenatural. — Todos os dias caçadores matam essas criaturas! E elas são as nossas menores preocupações agora Sam, sabe por que? — não respondi e ela continuou. — Por que se nós tentássemos salvá-los e perdêssemos tempo com isso deixando com que Lynn escape mais uma vez, ela irá quebrar mais um selo irrecuperável e mais pessoas iram morrer com o apocalipse.
Concordei cabisbaixo, eu me sentia horrível, mas Allice tinha razão as vezes são necessários alguns sacrifícios para se salvar bens maiores. Se Dean estivesse aqui iria bater o pé e sair para tentar salvar as pessoas... Dean.
– Eu me sinto extremamente ruim por estar tendo essa ideia Sam, mas é o necessário.
– Sim. — afirmei novamente. -Vamos terminar isso logo e logo depois a nossa maior prioridade será encontrar Dean.
Castiel desligou a televisão e encarou Allice.
Os dois se levantaram da cama indo em direção da porta, mas eu bloqueei a saída deles.
Ela engoliu em seco.
– Allice? O que houve?
– Não aconteceu nada Sam.- ela respondeu firme, mas eu senti um pouco de abalo na sua voz.
Arqueei uma sobrancelha. Allice gaguejou.
– É- É só que...- recuperou sua pose — você acha mesmo que Dean quer ser encontrado?
Finalmente eu havia me tocado, a ficha naquela hora havia caído e eu me xingava mentalmente por não ter descobrido isso tão cedo.
– Vocês querem me contar alguma coisa? — Allice abriu a boca para discordar então a cortei. — Nem tente! — minha voz foi ficando ainda mais firme. — Vocês acham que eu sou idiota ou o quê?!
Allice recuou quando eu tentei desvendar sua expressão e desviou o olhar do meu quando a encarei, Castiel continuou com a expressão séria.
Eu ameacei falar e Castiel me cortou.
– Você não acha que nós temos coisas mais importantes para discutir do que ficarmos brigando entre nós mesmos. — continuei com a mesma expressão, Allice não se mexeu. Castiel vendo que aquela não era uma resposta da nossa parte realmente convincente. — Não é mesmo? Eu acho que nós deveríamos fazer algumas perguntas para as pessoas.
Concordei disfarçadamente, Allice foi a primeira a sair. Castiel foi logo atrás dela e eu também, logo após de pegar o jornal.
Assim que saímos, resolvemos ir para o centro, o lugar mais movimentado na cidade, principalmente aquele horário de almoço. Me lembrei na metade do caminho que havia esquecido a comida em casa, mas agora não era o momento.
Allice havia permanecido pensativa demais durante todo o trajeto, isso me incomodou de certa forma, mas eu ignorei.
Chegando no lugar onde a maior parte do comércio da cidade era concentrada, estacionei o carro. Saindo dele juntamente com os dois irmãos.
Fizemos algumas perguntas para as pessoas que encontramos no local, mas apenas nos deram informações em que nós já sabíamos.
Quando estávamos a ponto de desistir, fomos entrevistar um homem que aparentava ser simpático de imediato, nós começamos a fazer as perguntas sobre a denominada "bruxa".
Ele pareceu desconfortável, mas logo mudou de expressão. Ele sabia de algo a mais do que os outros.
– Sim, eu conhecia ela. Bom, não muito... ninguém a conhecia na verdade. — o homem disse.
– É realmente importante que você nos diga tudo o que saiba. — tentei soar o mais reconfortante o possível, mas aquela situação não estava ajudando, o homem acabou ficando mais apreensivo.
– Vocês querem essa informação para que mesmo? — disse desconfiado.
– Acontece que, nós somos policiais. Essa informação é realmente sigilosa a esse ponto, seria de uma importância maior do que imagina se você colaborasse. — Allice finalmente havia se pronunciado.
Fiquei quieto apenas observando a expressão fechada do homem que por fim, cedeu.
– Ok... eu não sabia nada da mulher, pois ela havia chagado a pouco tempo aqui na cidade e particularmente não acho que ela seja a verdadeira culpada.
– Culpada pelo quê? — Castiel perguntou interessado. Eles eram realmente bons agentes falsos, quero dizer... quando Castiel não tinha ataques de "identidades viradas" ou "você matou ou não seu marido", mas enfim.
O homem pareceu pensar um pouco.
– Ela, não tinha um trabalho fixo, não saia muito de casa. Raramente você via ela andando nas ruas.
– Ela não tinha nenhum vínculo com ninguém?
– Ela é viúva. Era... acontece que ela tinha um filho de 10 anos e eu era a pessoa "menos estranha" para ela, não conversávamos muito, mas as vezes eu encontrava ela e conversávamos um pouco. Até o dia em que... — ele parou de falar e então olhou para nós, mandei um olhar encorajador e o homem continuou. — Até o dia em que eu a encontrei chorando desesperadamente em um canto qualquer da rua. Eu rapidamente a acolhi, perguntando o que havia acontecido. Então ela começou a me falar coisas sem sentido...
– Sem sentidos como? — Allice perguntou.
Ela me falou sobre um ritual e que umas mulheres vieram e levaram seu filho. O que era impossível já que eu havia visto o menino haviam alguns minutos.
Nós três quase que interligamos as peças naquele momento.
– Aonde você viu o menino? — Castiel perguntou.
– Eu havia visto ele andando na frente da fronteira de Centralia.
– E a mãe dele, aonde ela está? — Perguntei quase que impaciente.
– E-Ela...
– Precisamos saber!
– E-Ela se enforcou na cadeia!
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