Back in Black
18 Secrets
Notas iniciais
Se você quiser em quem confiar, confie em si mesmo.
– Renato Russo
POV'S Allice;
– Bum!
Pulei da cadeira e por pouco não cai dela. O susto foi grande o bastante pra me fazer esquecer o que eu estava fazendo . Estranhei por um momento. Não estava na minha cama, nem se quer estava no meu quarto. Eu estava sentada na mesa do enorme cômodo que se estendia juntamente com as escadas que nos levavam para a superfície.
Sim, eu estava no bunker.
Cocei os olhos tentando melhorar a minha visão ainda sonolenta, me espreguicei sentindo os meus músculos se distenderem junto com pequenos estalos.
Aquele ambiente com o estilo da velha guarda era um tanto apreciativo. Eu gostava quando íamos para o bunker. Permanecíamos juntamente com aquelas paredes com pinturas desbotadas e com o chão de madeira que ainda continha verniz, muito provavelmente Sam ou Dean havia passado um tempo atrás. Aqueles livros e caixas empoeiradas contendo os maiores ou pelo menos alguns dos segredos históricos de antigamente.
Aquilo me lembrava os tempos clássicos, quando era uma época muito mais simples. O gosto da nostalgia me passou pela boca e eu apreciei por um bom tempo. Moças de família andando com seus pares respectivos, com vestidos formais que continham diversas camadas, e o acessório indispensável daquela época: o guarda-sol, que ajudava muito naquele calor quase insuportável dos dias ensolarados de verão. Os moços comportados dentro de ternos com lenços em seus bolsos esquerdos e monóculos elegantes se alojavam em seus rostos jovens e desafiadores.
Ambos os dois abominavam o grande dia de seu casamento. Pois por mais que não parecesse, reprimiam um desejo intenso um pelo outro. O batom recém retocado da bela jovem moça e o nó da gravata borboleta recém dado pertencente ao jovem esbelto. Entregavam tudo aos mais detalhistas e atenciosos senhores que paravam para observá-los, os dois haviam dado belos amassos pouco tempo antes. Mas não era para menos, eles eram jovens apaixonados que tinham o casamento marcado com pessoas distintas, as quais eles não amavam e não sentiam o mínimo afeto.
Naquela época, boas moças e rapazes de família eram obrigados a aceitar o noivado de quem fosse proposto, sem protestar ou opinar sobre tal caso. Já a moça jovem tinha o direito de escolher entre seus pretendentes, pois normalmente esse tipo de escolha era feito por seus pais ou até mesmo parentes distantes, mas ela não tinha nenhum. Não tinha nacionalidade conhecida e ninguém sabia seu verdadeiro nome. Ela era um mistério. Muitos se atreviam a desvendar, mas poucos aguentavam a verdade.
Reservada e tímida, mas sabia muito bem quando ser provocante e conhecia os truques básicos para conseguir o que queria. Mesmo assim ainda sofria por ver seu amado prometido para outra mulher, ela não poderia fazer nada, não poderia ir contra as leis daquela época e por um bom tempo manteve seu desejo reprimido. Então resolveu se casar com uma pessoa que não amava, pois ela não queria ficar sozinha e triste ao ver o seu grande amor ser prometido para outra pessoa.
Eu sabia muito bem do que estava falando, e tinha absoluta certeza disso. Pois aquela jovem moça, era eu.
Sorri com a lembrança, embora aquele pensamento ainda me causava transtorno e as vezes o mesmo me pegava desprevenida e me obrigava a parar para voltar a realidade.
Olhei para o chão e percebi o motivo do barulho que me tirou da minha quase hibernação: um dos livros enormes que eu havia pegado na noite anterior estava estatelado no chão. Provavelmente o barulho surreal deveria ter sido feito pelo peso daquele troço, devido á quantidade excessiva de páginas.
Me levantei tropeçando em algumas folhas que continham uns rabiscos — que eu presumi que fossem anotações — espalhadas ao redor dele e o joguei em cima da mesa, derrubando alguns copos de quantidades absurdas de cafeína. Eu deveria ter tentado ficar acordada o suficiente tomando aquilo, uma tentativa falha.
Respirei fundo quando me lembrei o motivo de estar ali. Pesquisas. Não são pesquisas iguais. Uma envolve livros e a outra envolve a Primeira Espada.
Fizemos grupos para que ficasse mais rápido e bom... eu não suportaria ficar discutindo com Dean o tempo todo assim como ele, os outros integrantes também não. Seis pessoas dariam conta dos dois — extremamente — entediantes trabalhos.
Um era até que aceitável, quero dizer, eu prefiro falar com pessoas do que ficar com a cara enfiada em livros empoeirados, mas infelizmente me deixaram com esse trabalho. Como se não bastasse, quando os grupos foram divididos, adivinha com quem eu fui ficar? Com a Bela Adormecida e com o bebê de sobretudo.
Esse definitivamente é o motivo de eu querer espancar aquele rostinho nenhum pouco adorável de Dean. Só o fato de eu permanecer no mesmo ambiente de Sam já fico incomodada. Castiel também pode perceber algo e eu não queria ter de correr esse risco, apesar de uma hora ou outra eu ter de contar para ele. Só não queria que fosse agora.
Sam teria com certeza ido com Dean e quem sabe seja por ele que eu esteja obrigada a ficar trancada no bunker. Ele só não foi, por que desde ontem não acordou. Eu não deveria estar tão preocupada, mas normalmente quando uma pessoa revira os olhos em um ato inconsciente e sangue começa a escorrer de sua cavidade nasal... essa é a reação mais sã, que alguém pode ficar nesse momento.
Meus pensamentos foram interrompidos por uma voz familiar.
– Encontrou alguma coisa?
Eu me virei para trás lentamente, já sabendo quem eu iria encontrar.
Castiel estava parado perto dos degraus que resultavam no pequeno espaço que era dividido entre o corredor, a escadaria e a enorme sala de estudo a qual eu permanecia. Eu de início não o olhei nos olhos, mas eu percebia que alguma coisa estava errada, ele não estava com aquela expressão neutra de sempre, ele parecia preocupado.
Eu franzi levemente o cenho e só então me dei conta de que ele havia me feito uma pergunta e esperava pacientemente uma resposta.
– Não, eu... eu li alguns livros, mas não obtive nenhuma informação que fosse realmente útil. — soou como eu queria, despreocupado.
Ele assentiu com a cabeça encarando o chão de algum tipo de madeira fria sob seus pés.
– ... e você conseguiu algo?
– Não, alguns noticiários mostram que casos estranhos tem ocorrido... — falou indiferente.
– Hum... quem sabe isso seja útil.
Ele balançou a cabeça.
– Eu não acho que símbolos estranhos em plantações sejam o nosso tipo de caso... — ele franziu o cenho.
– Nosso tipo de... Cass, você está pensando em levar isso a sério? Quero dizer... — acrescentei quando percebi sua expressão confusa — ...você está pensando em se tornar um caçador?
– Acho que assim eu seria menos inútil, sem a minha graça eu valho tanto quanto um... bebê de sobretudo...
Ri pelo nariz.
– Você ainda vai ser um bebê, só que mais perigoso.
Castiel estava sério, mas pareceu achar graça, do jeito dele.
Comecei a vasculhar alguns copos que tinham em cima da mesa. Achando um que ainda continha uma quantidade aceitável de café, eu estava precisando se não dormiria antes de chegar no meu quarto.
– Como ele está? — Castiel me perguntou e eu quase me esqueci como se bebia um café.
– Ele quem? — eu sabia bem "quem".
– Sam. Ele está bem?
– Eu não sei Cass, na verdade eu iria perguntar para você exatamente o mesmo... — não, não ia — Dean o havia colocado em seu quarto, mas eu não cheguei a ver como ele estava — mentira de novo -.
Confesso que eu havia sim checado como Sam estava, e não, não foi Dean quem o colocou em seu quarto, não sei como eu consegui mas eu o coloquei.
Aquilo soou como uma mentira, e não para Castiel, mas para mim. Eu estava me iludindo, fingindo que não me importava, mas no fundo da minha mente eu sabia, eu estava preocupada com Sam e temia qualquer coisa que acontecesse com ele. Ele estava agindo estranho e eu não o culpo. Afinal omitimos, escondendo a verdade sobre o paradeiro de seu irmão, falando que não sabíamos e sequer desconfiávamos sobre ele. E ele confiou em nós.
Confusão. Essa era a palavra para descrever o estado da minha mente, eu não sabia se deveria dar mais atenção a Sam ou ao apocalipse que havia se iniciado por minha culpa.
– Mesmo assim... — soltei um pigarro para limpar a minha garganta. Embora, que com a mesma ação eu não pudesse limpar a confusão da minha mente — ...temos prioridades maiores agora.
– Não deveria falar isso... ele é a sua situação de maior prioridade e você sabe muito bem disso.
Encolhi os ombros e me joguei na cadeira novamente, com um suspiro de desânimo. Confesso que se houvesse uma maneira de me fundir com aquela cadeira, eu já teria feito.
– Acho que nós deveríamos continuar com a nossa pesquisa.
Castiel continuou, ignorando minha última frase.
– Você está diferente Allice, parece que não reconhece mais o seu principal objetivo.
Encarei Castiel me perguntando se ele tinha mesmo falado aquilo. Cerrei os dentes e dei mais um gole no café.
– A segurança de Sam, assim como a da humanidade, é o meu principal objetivo, e no momento é o que mais corre risco de ser comprometida — as palavras saíram da minha boca de forma rápida e limpa, como o homicídio do qual um assassino profissional é contratado para fazer. Um crime com a intenção de parecer acidental.
Castiel me encarou nos olhos profundamente, da pior maneira intimidadora possível. Eu desviei de seu olhar e encarei o café em minhas mãos, de repente aquela substância líquida escura me parecia tão interessante...
– Não foi sobre segurança que eu me referi. Eu não preciso te lembrar que o seu trabalho é ajudar eles e não se envolver, não é mesmo?
Castiel conversava comigo de maneira tão profissional e responsável, que por um momento eu cheguei a pensar que eu seria demitida por ter escondido isso dele. Eu cheguei a duvidar também se aquele era mesmo o meu irmão.
– O que você quer dizer com isso? — minha voz estava um pouco trêmula, mas não por Castiel, eu sabia que ele tinha consciência sobre mim e Sam. Só evitará de ter essa conversa com ele antes.
– Nada, só estou confirmando minhas suspeitas...
Respirei fundo me levantando da cadeira de maneira frustrante.
– Quem te falou isso?
– Eu... na verdade não precisei que ninguém me falasse, foi só notar o seu comportamento estranho e o de Sam.
– Sim... — sorri de maneira mais debochada possível — e essa sua intuição curiosamente tem cabelos castanho escuro, olhos esverdeados e uma personalidade forte e sarcástica? — ele não respondeu.
Amaldiçoei Dean com todas as pragas que eu me lembrava no momento. E mais algumas que eu acabara de inventar.
– Você mente muito mal sabia?
– Isso não é verdade. Eu já enganei os dois irmãos e eles não desconfiaram de nada.
– E eu achando que você era inocente...
Castiel franziu novamente o cenho.
– Você está tentando mudar de assunto? — fiz que não com a cabeça — Você sabe que eu não quero que isso vá longe demais, deve saber que não é certo que vocês...
Revirei os olhos.
– Não se preocupe, nós concordamos em não continuar mais com isso — eu pelo menos concordei — e mesmo assim Cass, não irá acontecer novamente — afirmei.
Castiel pareceu pensativo por um instante.
– O que, que eu to falando de relacionamento com você? — arregalei os olhos — Cass, esqueça, nunca conversamos sobre isso.
Ele pareceu ficar confuso e acabou concordando. Isso é constrangedor.
– Tudo bem, mas você sabe que teremos sérios problemas se mais alguém descobrir, não sabe? Principalmente Metatron, ele usará isso contra você.
– Eu tenho plena consciência disso, mas se concordarmos em não falar nada, ele não tem como saber.
Castiel concordou novamente.
Sorri de lado, tomando mais um gole do café e percebi que ele já estava quase no seu fim.
Eu iria me levantar da cadeira e partir em direção a cozinha que não ficava a muitos passos daquele mesmo cômodo, quando Castiel me chamou, impaciente.
– Allice... — ele soltou um pigarro, como se não soubesse como pretendia iniciar aquela frase — Você, não tem tido mais problemas...?
Arqueei uma sobrancelha.
– Hum?
Continuei com a mesma expressão confusa, me perguntando se eu havia deixado de prestar atenção a alguma coisa que Castiel havia digo anteriormente.
– Sobre... bom, você ainda está caçando?
– Sim, nós estamos... — por um momento pensei que era realmente sobre aquilo que ele havia se referido, quando me dei conta do que realmente era, engoli em seco e fiquei em silêncio. Castiel também, percebendo minha forma inquieta.
Eu estava nervosa. Com a aflição, senti minhas palmas das mãos ficarem úmidas e minhas pernas formigarem.
Além de tudo, ainda tinha esse problema. Eu não havia caçado, mas nem sentia necessidade. Era como se eu estivesse tomando conta de tudo. Talvez Castiel ainda se sentia apreensivo, por eu já ter matado pessoas pra me alimentar, mas a maioria eram pessoas ruins. Era como se eu tentasse me manter sob controle, mas quando eu sentia uma presença ruim, ou simplesmente sentia que aquela pessoa não merecia viver, eu a matava.
Um toque. Bastava um toque para mim saber todos os pecados, coisas ruins ou até mesmo sádicas que as pessoas faziam. Não me considero alguém que tenha muitos problemas com isso, normalmente só basta um olhar profundo e amedrontador para saber até o que a própria pessoa teme, mas eu havia ficado fraca e não tinha mais isso a meu favor. E aí, cabia a mim, decidir se ela vivia ou não.
Era assim a lei da vida, a cadeia alimentar e toda aquela baboseira sobre ciências ou biologia. O mais forte sobrevive, enquanto o mais fraco o alimenta, de preferência com a própriacarne. Sempre foi assim e sempre será.
– Eu não tenho caçado faz uma semana. Eu nem tinha me preocupado com isso. Para falar a verdade, nem me lembrava mais... — fiz uma expressão incômoda. Eu realmente não tinha interesse em continuar aquela conversa.
– Você não acha que existe uma forma melhor? — disse esperançoso — Dean disse que estava disposto a ajudar você.
– Eu não preciso de ajuda. — disse em um tom seco. Mais tarde eu me arrependeria de ter falado assim com Castiel e ser obrigada a encarar sua esperança ser esvaída aos poucos de sua face, graças as minhas palavras. Mas por enquanto, eu não sentia nada. Quando se tratavadeste assunto eu não tinha o que conversar, e não gostava sequer de tocar nele.
– Eu só...
– Não tem nenhuma cura, e você sabe Cass. Eu só não quero que tenha esperanças falsas, só isso. — aos poucos a amargura e a expressão neutra passavam a não existir mais, dando lugar ao arrependimento — Eu tenho isso sob controle, e você já sabe o que fazer caso eu perca ele.
Castiel concordou com a cabeça, ele parecia um pouco contrariado. Eu torci para que ele realmente soubesse o que fazer e não exitasse diante de tal situação. Dessa vez, diferente das outras, eu disse realmente a verdade. Sem omitir, nem nada. Eu tinha a situação a meu favor, e estava no controle das rédeas. Eu só não sabia, até quando...
Dei um sorriso sincero, o melhor que eu pude no momento. Eu gostava quando ele se importava comigo.
Fui na direção dele e o abracei.
– Sabe, Cass... seria bom se você retribuísse o abraço...
Ele pareceu perdido, enquanto começou a distribuir tapinhas desajeitados nas minhas costas.
Eu me afastei e o segurei pelos ombros. Seus olhos azuis claros cintilavam com a pouca iluminação necessária do ambiente. Por fim, exclamei:
– Lembre-se: eu sou a irmã mais velha!
Logo em seguida me sentei na enorme e extensa mesa cheia de mapas que ficava bem no centro daquele aposento. Puxei uma cadeira e me acomodei de forma confortável nela. Abri um livro e comecei a ler, indicando que o assunto havia acabado ali mesmo. Castiel pareceu compreender o meu silêncio, então não forçou nenhuma conversa. Apenas se sentou a minha frente e começou a vasculhar algumas anotações.
POV'S Dean;
Eu e Anna agora estávamos na "baby" a caminho de um endereço que Crowley havia nos passado. Ele não estava conosco, e por mais que eu não quisesse deixá-lo perambular por ai sozinho, ele havia nos prometido que iríamos encontrar a Primeira Espada se seguíssemos o trajeto correto.
Eu tenho de admitir que estava inquieto. Foi necessário muito esforço para Anna me convencer a sair de casa, ainda mais em uma manhã fria como aquela, mas o motivo maior da minha inquietação foi Sam. Eu tenho certeza que ele não está nada bem, eu já passei todo o tipo de experiência ao seu lado para saber que esses desmaios repentinos e sem motivo algum, não é um bom sinal.
Allice e Castiel ficaram de me ligar e me avisar sobre qualquer coisa relacionada a Sam, mas durante a longa hora que estivemos na estrada, não havia recebido nem um sinal de fumaça.
Tateei o painel superior do carro com uma das mãos, enquanto a outra permanecia firmemente no volante, tentando ao máximo não desviar a minha atenção da longa e deserta estrada de terra a minha frente. Eu não sabia se essa era a centésima, quem sabe até a milésima vez que eu olhava o visor do meu celular na esperança de que quem sabe uma nova mensagem na minha caixa de entrada, ou uma ligação perdida. Mas eu não encontrei nada.
Bufei jogando o aparelho novamente em seu devido lugar, pelo menos até eu o pegar novamente.
Ao meu lado, Anna acompanhava todos os meus movimentos com os olhos curiosos, ela estava dividindo entre ler o livro que estava em suas mãos e descobrir sequer metade dos pensamentos que habitavam a minha mente turbulenta.
– Nada ainda? — ela perguntou dessa vez, observando as páginas numerosas daquele livro sem realmente ler uma das palavras diversas que estavam escritas ali.
Sinceramente, o que se espera de um livro que não se tem nenhuma ilustração? Sei lá, na verdade eu nunca fui bom em usar a imaginação e muito menos teria paciência para ler um livro desses.
– Nada...
Eu estava pensando no verdadeiro motivo de estarmos indo atrás da Primeira Espada. Se Sam soubesse que na verdade quem pedirá que estivéssemos indo atrás dela havia sido Crowley, eu não sei o que aconteceria. Sinceramente, eu também não faço a mínima ideia do que me deu na minha cabeça. Quem sabe o fato de antes Crowley ter me ajudado com Gadreel, ou por eu querer simplesmente Abbadon morta.
– Você acha que podemos confiar nele?
A voz de Anna me tirou instantaneamente de meus devaneios. Embora, eu tivesse demorado um pouco para processar o que ela havia dito.
–Se você tiver outra ideia melhor, é só avisar. — olhei de relance para ela, que me fitava com seus olhos castanhos medianos por cima do livro.
– Eu achei que depois do que aconteceu, você não trabalhasse mais com criaturas como ele.
Permaneci em silêncio. Ela não tinha passado tempo o suficiente com a gente para saber como havia terminado a nossa última experiência em confiança, o que resultou o apocalipse, mas com certeza havia descoberto por outras fontes.
– Eu não confio, mas isso não me impede de trabalhar com ele depois de tudo o que ele fez. Assim como continuo dando diversas chances, não só para Castiel, mas pra você também. Além do mais, ainda estou decidindo se vale realmente a pena dar um voto de confiança para Allice.
– Mas você não nos caça...
– A partir de agora eu caço.– falei enquanto me lembrava de Gadreel.
Eu não sabia se era realmente o certo a se fazer, se estar defendendo um demônio acabaria bem. Mas eu não me importava, eu tinha trabalho a fazer e não iria abrir mão dele. No momento, o apocalipse se iniciou. O que significa que nós teremos de arriscar. Afinal, nós já estávamos no fundo do poço, se Crowley não nos ajudasse, nos afundaria ainda mais, mas eu estava pouco me fudendo.
A conversa havia se encerrado, dando lugar ao silêncio no carro enquanto do lado de fora, o vidro era chicoteado pelo ar frio, que ferozmente tentava se alojar em nosso meio. O rádio estava em uma estação qualquer, que devido ao lugar em que estávamos ficava chiando e algumas vezes saia do ar, com aquele barulho insuportável de estática. De qualquer forma, eu não me importava em saber quem diabos era Sia.
Apenas deliguei o rádio e continuei em silêncio. Meu relacionamento com Anna estava monótono, nós nunca tivemos um relacionamento na verdade. Mas agora era como se tudo fosse mais estranho, e isso tudo graças a ela. Quando resolveu falar de Sam comigo...
~~ Flashback On~~
A noite estava escura. Sem nenhuma estrela de penetra no céu para torná-lo mais apreciativo. Em pleno outono as folhas ainda relutavam, presas nos poucos galhos de uma árvore qualquer, mas era apenas uma questão de tempo, até que se desprendessem de seus lugares habituais e o chão frio e úmido as acolhessem. Como os abraços de uma mãe ao receber seu filho para um longo e aconchegante abraço.
A rua estava deserta e coberta por uma fina camada de gelo. Não era muito grossa e nem muito fina, mas era o bastante para uma pessoa desavisada escorregar e cair de bunda no chão. A leve brisa batia em nossos rostos e causava uma leve irritação em nossos narizes.
O vento fazia com que os nossos cabelos recém penteados as pressas, se movimentassem com a mesma graciosidade e cuidado de um bebê recém-nascido com seus movimentos recém-descobertos.
Minha mente estava conturbada e completamente nublada quanto ao céu daquela mesma noite. Em alguns momentos aquele vazio era tão convidativo e ao mesmo tempo assustador, que eu me pegava pensando se não podia simplesmente me perder naquele buraco negro da minha imaginação e nunca mais voltar para essa estranha e complicada realidade.
Eu queria que a minha mente continuasse bloqueando o restante dos meus pensamentos, pelo resto daquela noite. Daquele mês. Daquela vida. Era a única forma de eu não me culpar mais ou sequer pensar sobre meu irmão.
Eu havia o abandonado por um tempo, mas eu tenho certeza de que ele ficaria bem. Como ano passado, quando ele havia desistido -ou nem havia começado- de me procurar. Resolveu adotar um cachorro, enquanto eu estava com aquelas criaturas, lutando para que eu sobrevivesse a mais um dia, para lutar e sobreviver a outro dia e assim era resumido o ano em que eu passei preso em um lugar esquecido pelo próprio Deus. O qual eu ainda tentava me convencer de que ainda existia. E a cada dia que se passava, estava ficando mais difícil me convencer.
Eu estava torcendo para que dessa vez, ele adotasse outro cachorro e pusesse o meu nome nele, para assim ele me substituir pelo menos durante esse período em que eu permaneceria sem dar notícias. Pois eu ainda estava relutante, e foi necessária uma boa dose de auto-controle para que eu não desse meia-volta e mandasse Deus e o mundo se ferrar.
Eu estava me iludindo, achando que agora eu e Sam não seríamos mais a mesma coisa. O que com certeza era uma mentira. Ele era e ainda é o meu irmão, a minha única família e não se abandona uma família. Se Allice ou Castiel me ligassem avisando que aconteceu alguma coisa com ele, eu largava tudo e correria até lá, pois sempre foi assim e sempre vai ser.
Por enquanto eu não podia arriscar, Kevin foi morto por minha culpa e o que me restava seria acabar com Abbadon de uma vez por todas, mas para isso eu precisava deixar Sam longe dos meus planos por um longo período. Sem aviso. Sem notícias. Sem despedidas.
Com uma mochila nas costas e Anna ao meu lado, agora eu estava partindo para um lado escuro e solitário de um caminho sem rumo. Nossos passos estavam espalhados pela trilha inteira e as marcas dos calçados estavam desenhados na neve fraca que cobria toda a calçada. Até o amanhecer outra camada de gelo cobriria os nossos rastros, como se nunca estivéssemos passado por ali e muito menos, existido.
Caminhamos mais um pouco e eu me dei conta de que precisava parar um pouco para recuperar o fôlego. Interrompi a rotina de passos repetitivos e monótonos. A parada brusca de Anna ao meu lado me fez perceber que ela havia cessado sua caminhada também.
Contra a minha vontade, me virei instintivamente para trás apenas para me certificar que a casa e o bunker já estivessem fora do nosso campo de visão. Estava. Agora, já não tinha mais volta.
Virei o meu rosto novamente para frente, agora a figura de Anna me encarava com a devida e necessária atenção e seus olhos castanhos mantinham um olhar cauteloso sobre mim.
Ela se aproximou e pôs a mão sobre o meu ombro, de forma acolhedora.
– Se você quiser voltar eu entendo, Dean.
As palavras dela fizeram com que uma leve irritação brotasse em meu rosto, a qual foi visível para a anja a minha frente.
– Vamos continuar andando.
Me esquivei dos braços esguios que antes me prendiam e continuei o meu caminho, encurtando os passos e passando a usá-los como uma forma de distanciamento. A voz de Anna me tirou de meu estado apreensivo.
– Você está fugindo de alguma coisa?
Era isso o que eu me perguntava o tempo inteiro. Será que eu realmente estava? Eu não conseguiria responder a pergunta de Anna. Pois para isso, eu precisava responder á mim primeiramente. Eu não estaria fugindo de nenhuma criatura, afinal eu já tinha atirado no crânio do próprio Diabo.
Talvez, eu só estivesse precisando ficar sozinho. Isso. Talvez. Mas talvez não era uma resposta convincente, nem para mim e muito menos para Anna.
Me virei para trás assim que parei de caminhar. Anna continuava no mesmo lugar.
– Você vai continuar emburrada ou vai vir logo? — minha voz demonstrava a clara vontade de socar alguém, eu preferia morrer do que falar dos meus próprios sentimentos — Eu não vou esperar mais... — acrescentei quando vi que Anna não mexeu um músculo sequer.
– Você ainda não respondeu a minha pergunta...
Franzi o cenho. Inacreditável.
– Você quer que eu deite minha cabeça no seu ombro e comece a chorar? — disse da forma mais sutil que conseguia — Não, obrigado.
– Não é sobre isso...- ela disse se aproximando — é sobre Sam...
– Não, eu não quero falar sobre isso.
– Dean...
– Já chega Anna, eu estou com a porra da perna doendo e não quero continuar essa conversa.
Ela ficou em silêncio por um instante. Eu nunca tinha falado com ela nesse tom antes, mas eu também nunca tinha tocado nesse assunto com ela antes.
– Sabe o que é que realmente me incomoda?
– Ainda estou tentando descobrir...
– Me incomoda o fato de você estar largando tudo para seguir atrás de uma vingança. -ela continuou ignorando minha última frase.
– Vingança pelo quê? Por Kevin? Ele era um bom garoto e não merecia morrer. — eu sentia raiva e remorso por tocar naquele assunto.
– Você não deveria deixar Sam sozinho...
Eu levantei uma mão em menção de silêncio, Anna se calou e eu finalmente pude me manifestar sobre o que ela havia dito.
– Há um tempo atrás... um bom tempo... você havia tentado matar meu irmão — ela engoliu em seco — Me responda Anna, o que mudou desse tempo para cá? — estreitei meus olhos o suficiente para deixá-la apreensiva, era como se eu estivesse tentando atravessar o enorme muro que bloqueava que eu pudesse observar e desvendar todos os podres de sua alma.
Eu havia superado, e bom, havia me reconciliado com Anna. Mas eu não confiava nela, e alguma coisa me dizia que eu não devia, pelo menos não ainda.
– Você não confia em mim?
A voz dela era manhosa o suficiente, que em qualquer outro dia se eu estivesse correndo atrás de um rabo-de-saia, eu a perdoaria ali mesmo e nos divertiríamos a noite inteira, mas ela havia escolhido uma hora errada e um dia ruim. Afinal...não teria graça se fosse tão fácil.
– Só... vamos pegar um carro e ir pra um hotel. Tô cheio de fome!
Ela assentiu e o restante do nosso caminho continuou em silêncio. Até que encontramos um carro e logo após fazer a ligação direta, já estávamos a caminho do hotel.
Passamos em uma lanchonete na beira da estrada, e a nossa sorte que aquela era uma lanchonete aberta 24 horas. Pois assim que chegamos, já estava perto das 3 da manhã.
Assim que o estoque de tortas foi completamente esvaziado por minha pessoa. Nos dirigimos para o hotel, concordando em pegar um quarto com duas camas.
O clima estava pesado e a tensão pairava sobre o ar. Resolvi de última hora sair um pouco -pra variar- e Anna preferiu ficar no hotel dormindo.
Após sair da recepção peguei o "meu" carro de outra pessoa. Assim que dei a partida e o ronco do motor avisou que o carro estava pronto para andar em lugar nenhum, foi exatamente o que eu fiz.
Dirigi durante 20 minutos na estrada vazia, não tinha nenhuma alma corajosa o bastante para sair em um frio daqueles em uma hora daquelas. Há não ser eu, é claro. Mas sou uma exceção.
Já estava quase desistindo e voltando para o hotel, quando avistei uma luz que se destacava na escuridão da madrugada. Era um estabelecimento de madeira que ainda estava aberto, mantendo os clientes e a boa música em ativa.
Conforme fui chegando mais perto com o carro, notei o enorme letreiro com a palavra "bar" em destaque. Eu não sabia se era uma boa ideia, mas eu não era contra tomar bebidas e no outro dia esquecer até como cheguei ali. Eu estava precisando mesmo de um porre.
Confesso que por um momento, pensei seriamente em largar o carro ali e deixar o álcool me possuir, mas então me lembrei de Anna. Refleti por um momento, e então olhei o visor do celular. Faltava quinze para as quatro. Em uma hora dessas Anna já deveria estar entrando no 4° sono. Eu precisava beber alguma coisa, quem sabe assim eu relaxasse um pouco.
Eu ainda estava em dúvida, quando escutei um barulho forte vindo da entrada do estabelecimento de madeira. Olhei por cima do painel superior do carro e já puxei a pistola calibre 22mm que estava no bolso interno de meu casaco. Alarme falso. Era só um homem completamente bêbado que sorria alegremente enquanto sua esposa tentava o manter em pé, sendo que nem ela mesma se aguentava. Os dois foram indo cambaleantes e sorridentes até um carro ali perto, depois saíram cantando pneu. Naquela hora não tinha perigo, só se um poste resolvesse entrar no campo de visão deles, nem que fosse apenas no periférico, mas eu não me importei.
Quem dera uma mulher assim. No momento eu não me permitia pensar em outra, uma já estava me dando problemas demais. Guardei a arma novamente em meu bolso e sai do carro.
Foda-se o resto. Eu preciso beber.
Entrei no lugar e logo aquele cheiro maravilhoso de sangue, suor e bebida fez as minhas narinas arderem enquanto eu inspirava fundo o odor familiar. Me sentei no primeiro banco que eu vi a minha frente e o meu pedido de duas doses de whisky com gelo, fora atendido com um certo atraso da parte do barman. Mas eu não o culpei, o coitado ficava como um louco atendendo os "pinguças" espalhados por distantes pontos do extenso balcão. Todos diferentes, mas com a mesma intenção que a minha.
Beber até cair.
Foi quando eu encontrei Crowley e ele me falou sobre a Espada.
~~Flashback Off~~
Havíamos finalmente chegado no bendito endereço. Eu estava bem, mas não podia garantir se Anna estava. Ela estava com a expressão fechada desde nosso último diálogo. Resolvi deixar quieto.O lugar que Crowley havia nos enviado era uma residência de tamanha grandiosidade, ela era bonita, uma enorme casa de dois andares. Estacionamos o Impala umas duas ruas a frente, e nos colocamos a postos em frente do portão.
Anna tocou a campainha de forma forte e persistente. Não demorou muito para que uma voz soasse por entre nossos ouvidos.
– Não estou interessada, vá embora.
A voz pertencia a mulher. Ela soava de forma profissional e seca. Como se tivesse repetido a mesma frase muitas outras vezes anteriormente.
– Somos do FBI, você não está interessada em conversar conosco? — Anna disse.
– FBI? — a mulher fez uma pausa, pensativa. — Tudo bem... entrem.
Com a frase final dita, um estalo quase instantâneo surgiu a nossa frente. O portão grande de ferro que continha barras de ferro verticais havia se inclinado para os lados nos dando passagem. Um caminho trilhado por flores e pedras me lembrava um estilo vitoriano, a enorme casa branca com seus detalhes planejados com toda determinação de um arquiteto responsável. Uma pequena fonte ficava no canto esquerdo do jardim, rodeada por alguns bancos e mais árvores que bloqueavam os primeiros raios preguiçosos do sol, dando lugar a uma escura sombra. Mas naquela manhã de um dia qualquer de outono, eu queria ficar longe de sombras, por que na maioria das vezes, elas são frias e solitárias.
Assim que chegamos, um botão ao lado da grande porta de entrada me chamou a atenção, a figura delicada me fez ficar com receio de qualquer pressão que eu fizesse sobre o botão, ele despencaria de tão frágil. Mesmo assim eu o pressionei e a melodia de pequenos sinos ecoavam fazendo um pequeno sorriso brotar em meus lábios, graças a curta melodia harmoniosa que logo fora interrompida com o movimento da porta a nossa frente.
Meu sorriso desapareceu quanto eu tentei recuperar a compostura correta de um agente do FBI. Esperando que eu fosse encontrar um velho ranzinza a minha frente, com uma pequena blusa xadrez parecendo que ele sairá de um comercial de golfe.
Ao invés disso, uma surpresa fez com que o meu sorriso reaparecesse novamente.
Não era um velho ranzinza que estava em minha frente. Pelo contrário. Uma mulher vestida formalmente, com os cabelos escuros sedosos, caindo por seus ombros largos e que ainda davam impressão que continuavam deslizando por até a metade de suas costas. Nos cumprimentou com um pequeno sorriso desafiador e reservado. Quase esqueci que estava acompanhado de Anna, que apenas olhou para mim de relance.
– O que eu posso fazer por vocês agentes? — pronunciou com o sorriso ainda maroto nos lábios — Que eu saiba tenho me comportado bem ultimamente...
– Eu tenho certeza que sim. — exclamei puxando o distintivo — Nós queremos apenas fazer algumas perguntas, a senhora se importaria?
Ela pareceu irritada por um momento.
– Senhorita, por favor. — seu sorriso desapareceu, então seu olhar que antes era dividido entre Anna e eu, se voltou para mim. — Você não tem cara de um agente do FBI, eles não costumam ser tão bonitos...
Arqueei as sobrancelhas surpreso.
Anna soltou um pigarro, interrompendo o olhar direto que a morena estava me mandando.
– Algum problema? — disse para Anna.
– Nós temos trabalho a fazer, você poderia responder as perguntas ou não? — Anna disse ríspida.
A mulher não pareceu se abalar, ela começou a sorrir de um modo cínico para Anna percebendo a leve irritação que surgira no rosto da ruiva.
– Mas é claro, mas não demorem muito tenho muitas coisas a fazer. — ela nos deu espaço para entrar, e uma vez dentro, ela fechou a porta atrás de nós.
A mulher esbelta finalmente havia se afastado um pouco e eu mandei um olhar reprovador para Anna.
– O que foi? — disse ela.
– Se você não quiser colaborar, tudo bem. Mas eu não preciso te lembrar do por que estamos aqui, não é mesmo?
Ela bufou.
– Dean por que você não vai...
Ela parou de falar assim que sentiu o celular vibrar em seu bolso traseiro. Olhou o visor e pareceu ficar mais atenta, como se esperasse alguém com uma arma de qualquer direção, pois a mesma olhava nervosamente para os lados.
– Aonde fica o banheiro? — perguntou.
Arqueei uma sobrancelha.
– Vai me dizer que você não fez o que tinha que fazer antes...
– Sem brincadeirinhas Dean, eu preciso ir em um lugar...
Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, Anna já havia saído pela porta principal feito um jato.
Eu hein, não lembro de ela ter comido nenhuma comida apimentada... — pensei.
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Pov's Allice;
Desliguei a TV, bufando. Não havia nada que prestasse passando mesmo. Esfreguei as têmporas nervosamente. Eu estava com fome, estava preocupada e também estava cansada. Castiel e eu conseguimos achar uma forma de matar um demônio, mas de que adianta, sendo que nem sabemos onde ele está?
Procuramos feitiços de localizações por todos os lados, em todos os livros empoeirados que havia no bunker, mas não achamos nada. O certo seria ligar para Dean e perguntar para ele, afinal já tinha enfrentado outros demônios parecidos com esse, mas o celular dele está sem sinal.
Droga!
Suspirei pesadamente enquanto me jogava no sofá, havíamos voltado a casa. Sam havia ficado tempo demais sozinho e achamos melhor ficar aqui. Eu achei melhor. Mais tarde eu iria subir para o meu quarto e ver se consigo fechar meus olhos, nem que seja por pelo menos alguns minutos.
– Cass, você poderia buscar alguma coisa para a gente comer?
Castiel que estava sentado ao meu lado, percebendo minha inquietação. Concordou com a cabeça, já pegando um dinheiro e saindo.
Eu esperei alguns segundos na mesma posição que eu estava e então, sai a passos largos em direção a escada. Aquilo era só uma desculpa, para que eu pudesse ir ver Sam. Ele ainda não havia acordado e eu precisava vê-lo.
Subi a escada quase voando e em poucos segundos estava em frente a porta do quarto de Sam. Eu abri ela assim que escutei um pequeno barulho. Quase pulando para trás quando vi Anna ali.
Ela estava com uma injeção pronta para injetar algo em Sam. Ele estava com o pescoço meio a mostra e um pouco molhado com um líquido que eu percebi que ela havia passado, para ajudar com a dor.
Anna me encarou em seguida, se virando um pouco e atrás dela, pude ver um frasco de veneno mortal.
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