Back in Black

19 Perfect plan... almosty


Notas iniciais
O capítulo eu tive que dividir, pois o que eu tenho em mente rende um bem trabalhado. E se eu juntasse com esse seria muita coisa para vocês, por isso o capítulo ficou menor comparado aos outros que escrevo. Esse só serviu para matar a curiosidade de vocês. #AlwaysKeepFighting

"Já percebeu? Querendo ou não, a falsidade vem de onde menos se espera!"

– Rafael Silveira

Continuei ali. Imóvel. Anna também continuou, só que dessa vez a agulha não partia em direção ao pescoço de Sam.

– Anna, o que você pensa que está fazendo? — eu disse calmamente fazendo pausa durante algumas palavras.

Ela me olhou e pela primeira vez eu senti que tinha alguma coisa de diferente, não só com ela mas com aquele lugar. Tinha uma energia pesada. Aquela típica energia que quando você vai á um funeral você sente. Eu nunca gostei de ir a esses lugares, em um velório principalmente, o que tem de bom em ver uma pessoa amada enfiada em um caixão, pouco tempo antes de ser fechado, se encher de terra e aquela mesma pessoa entrar em decomposição e ficar sete palmos sob seus pés? Nada de bom não é mesmo?

Era como se eu estivesse na presença da própria morte. O que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem e eu ficar em estado de alerta.
Fiquei mais aflita quando o olhar de Anna se encontrou com o meu. Ele tinha um brilho diferente e aquilo me assustou mais do que o fato de ela estar com uma seringa que continha um líquido venenoso para Sam.

Ela sorriu, mas não era o típico sorriso que se vê normalmente. Aquilo pareceu mais como se ela estivesse mostrando os dentes. Do mesmo modo em que um animal faz pro outro quando se sente ameaçado, a mesma forma intimidadora.

– Você está com medo de mim, irmã? — sua boca se alargou mais ainda — Ou está apenas com medo do que eu possa fazer com seu protegido?

Ignorei a pergunta dela. Aquela não parecia Anna, ou será que sim? Será que era ela o tempo todo e eu não havia percebido a diferença?

Olhei para Sam, seus olhos se mexiam como se estivesse tendo um sonho ruim e tentasse acordar. Dei um passo em direção a ele quase involuntariamente, mas Anna levantou a mão direita em um sinal de impedimento e ameaçou enterrar a outra mão que continha a seringa, em seu pescoço.

Recuei, com o maxilar cerrado e as mãos levantadas em sinal de rendição. Ela diminuía o sorriso e seu rosto tomava um ar mais sério.

– Mais um passo e nunca mais você verá Sam vivo novamente. — engoli em seco. — Entendido?

Balancei a cabeça em sinal de entendimento.

– Por que você está fazendo isso? — minha voz soou quase em um sussurro, mas alto o bastante para Anna entender e tomar fôlego para responder.

Na verdade eu estava pouco me fudendo pra resposta de Anna. Quando ela resolveu dopar Sam com aquela merda não havia mais desculpa, mesmo se ela me falasse que era por que a vida do presidente estava em risco. Agora não existia mais "irmã", nunca existiu.

– Nunca passou isso pela sua cabeça? — ela voltou a sorrir. — O porquê de eu querer voltar, me redimir com Sam e Dean e me tornar companheira deles? — franzi o cenho. — Sério?

Me lembrei da primeira vez em que vimos ela. Ela estava acompanhada de demônios. E eles não andariam com anjos, a menos que...

– Você é ... — não! Ela não podia!

– Demônio... — Anna completou. — Quanta perspicácia!

Anjos tem essa capacidade de perceber quando se tem criaturas desse tipo por perto, mas só então eu percebi que assim que Anna apareceu essa minha capacidade foi diminuída, e agora só me restava saber como.

– Você acha mesmo que quando Miguel me matou ele me exterminou, assim sem mais nem menos? — não respondi e ela continuou. — Você anda se esquecendo demais das coisas Allice, você sabe muito bem que, quando um anjo ou um demônio são feridos gravemente por qualquer criatura que seja, eles são mandados para o céu... — ela apontou o indicador para cima. — ... ou para o inferno. Não sabe?

Isso explicava muita coisa. O fato de ela estar agindo estranhamente, o fato de depois de ela aparecer meus sentidos ficarem muito menos aguçados ou simplesmente o fato de ela ter mudado de corpo, pois o antigo dela havia virado pó a muito tempo atrás. Eu só não entendia o motivo disso tudo.

– Você ainda não me falou a merda do motivo de você estar aqui. — soei mais irritada do que de costume, ela havia me enchido de baboseiras até agora.

– Você não vê? Desde o começo, o meu plano era ficar apenas com Dean. Era acabar com ele e depois voltar e acabar com Sam. Mas você e o seu irmão metidos á besta resolveram aparecer e estragar todo o meu planejamento de meses...

– Sua filha da...

– Ei, ei, ei! Cale a boca! Você esqueceu que eu posso acabar com isso... — ela olhou para Sam e depois pra mim. — ...em apenas um gesto?

Inspirei fundo, mordendo meu lábio inferior. Eu estava tentando ganhar tempo para pensar em como eu afastaria Anna dali, para que pudéssemos conversar em outro lugar e para que a vida de Sam não corresse mais risco algum.

– E drogar Sam foi o seu melhor método? — aquilo era estranho demais... até pra mim!

– É o meu trabalho, assim como o seu. Só que é claro, que ele paga melhor.

– Ele... quem?

– Não é da sua conta.

– Por que você resolveu ir atrás de Sam, agora? — Anna revirou os olhos.

– Porquê, porquê, porquê. Mude de disco, esse está arranhado. — bufou. — Eu já falei que foi por sua causa que todo o meu plano foi por água a baixo, não é? Eu estava esperando o momento certo para acabar com Dean, mas ele estava desconfiando de alguma coisa. Foi quando vocês ligaram e falaram que Sam estava correndo perigo. Ele não pensou duas vezes e correu para ajudar vocês.

As coisas começaram a se encaixar. Tudo o que ela estava falando fazia sentido, mas algumas deixavam de fazer.

– Foi por isso que Sam começou a agir estranho? Por isso que ele desmaiou? Foi por sua causa!

– Acertou novamente. — ela sorria triunfante.

– Eu confiei em você! Dean e Sam também! — ela continuou com o sorriso debochado, o que aumentou mais a minha ira. — Haja o que houver, por Deus do céu eu vou atrás de você! E se eu te encontrar... — eu deixei a frase pendente, sem completá-la, pois eu realmente não sabia o que fazer com ela. A raiva não deixava que eu tomasse consciência da minhas ações e eu também não me responsabilizava por elas.

– ...? — Anna arqueou as sobrancelhas e o sorriso debochado ainda estava estampado em seu rosto. — Você vai fazer o que, Allice?

A vida de Sam estava em risco, novamente. E por minha causa. Eu não podia tentar nada. Mais um passo em vão, e aquela mesma mulher que antes eu considerava ser uma amiga, mataria Sam antes que eu pudesse impedi-la.

Suspirei profundamente, já considerando a derrota. E disse algumas palavras em um sussurro. Inaudível.

– Fala mais alto, vagabunda! — minhas mãos abriram e fecharam em formato de punhos, apertando as unhas contras a carne da palma da mão até que eu sentisse sangue escorrendo delas. Como ela ousa?

Mesmo contra a vontade, repeti as palavras dessa vez mais alto e com a voz um pouco trêmula, de raiva.

– Eu perguntei, por que você está me contando tudo isso?

Anna olhou pra mim e curvou a cabeça para o lado direito, estreitando os olhos e falando em um som doce.

– Bom, antes de você saber realmente... — fez uma pausa pensativa. — ... eu queria dizer que...

Ela parou e observou Sam deitado na cama, no mesmo momento em que seus olhos se abriram. Ele olhou Anna até seus olhos se voltarem a mim e eu encarei ele com aflição.

– Eu sinto muito, Sam.

Demorei meio segundo para entender o que ela queria dizer com isso. Nisso, a agulha da seringa que a mão esquerda de Anna segurava, mergulhou no espaço que ficava entre ela e o pescoço de Sam, fincando-se na carne do moreno. Ele arregalou os olhos em uma expressão confusa e assustada. Então o polegar de Anna forçou o êmbolo do objeto despejando metade do líquido venoso nas artérias do moreno.

O estado de choque havia passado, apenas a adrenalina havia me tomado. Eu saltei em direção á Anna empurrando a mulher. Ela se desequilibrou, cambaleando e batendo a cabeça na cômoda. Nesse meio tempo de atordoação da parte dela, consegui segurar sua mão que se recusava a deixar a agulha. Empurrei ela com tanta força no chão que escutei o barulho dos ossos da mão de Anna se quebrarem, como pequenos galhos secos. Assim, soltando a seringa.

Anna fez uma cara de dor e arregalou os olhos, quando peguei a seringa e finquei em seu braço com tanta força, que o sangue começou a transbordar de seu braço. Ela gritou e começou a se rebater enquanto a minha mão direita forcava seu maxilar para cima. Despejei o restante do líquido em suas veias e me levantei.

Ela ainda estava se mexendo, olhei para Sam. Ele encarava a cena com a expressão assustada congelada em seu rosto. De seu pescoço saía um pequeno filete de sangue, seus olhos pareceram pesar e ele começou a fechar lentamente.

Anna soltou uma risada fraca. E no momento eu perdi a cabeça. Tudo começou a girar e então, eu não me lembrava de mais nada. Foi quando senti alguns braços me puxando pra cima. Eu me rebatia de maneira violenta, até que os braços me tiraram do chão, me puxando pra cima. Só então, tomei consciência do que havia feito.

Olhei para o chão e o sangue de Anna havia se espalhado. Metade dele era do antebraço recém ferrado graças a agulha que eu havia enfiado ali e a outra metade vinha da cara de Anna toda destroçada. Os dois olhos dela estavam inchados, com um tom arroxeado envolvendo-os. A sua boca, sangrava. Vários cortes se espalhavam em seu rosto, mas ela não estava morta ainda. Em poucos segundos se as porradas que eu distribuí em sua cara não à matassem, ela morreria de hemorragia pela veia rompida de seu antebraço.

Olhei para trás e percebi que quem me segurava firmemente, era Castiel. Ele parecia horrorizado. Eu tinha a leve impressão de que não era pelo estrago que eu havia feito em Anna, pois ele encarava a minha boca com os olhos arregalados.

Eu desentrelacei os braços dele da minha cintura. Firmando os pés no chão. Minhas mãos estavam doloridas e cobertas de sangue, mas eu não sabia distinguir se pertenciam à mim, ou à Anna.

– O que foi?! — encarei-o com o cenho franzido.

Castiel não respondeu. Ele fechou a cara e segurou o meu braço com força, me puxando para fora do quarto. Até que entrássemos em outro cômodo e só depois que ele fechou a porta percebi que estávamos no banheiro.

– O que f...

As palavras morreram quando os meus olhos encontraram o espelho a minha frente. Eu havia entendido o porquê Castiel estava encarando o meu rosto e principalmente a minha boca.

Meus cabelos estavam bagunçados e alguns continham sangue. Meu rosto estava molhado de suor, mas eu não precisei tocá-lo para perceber que estava frio como o de um cadáver. Os meus olhos estavam com um tom vermelho ao redor da íris e minha face que antes tinha um tom um pouco moreno, agora estava pálido e um pouco avermelhado.
A minha blusa que antes era um branco translúcido com os dizeres "Rock is life" agora estava colorida de vermelho. O que mais me deixou sem reação foi ver os meus lábios secos e perceber o motivo de eles estarem assim. Uma camada de sangue cercava o meu maxilar. Era como se eu tivesse entrado em uma piscina cheia de geleia de morango até bater no nariz.

Eu sentia o gosto estranho, mas um tanto familiar na minha boca. Senti um formigamento na gengiva e um certo ardor e então abri ela, bem na hora de ver as presas se escondendo e voltando a ser dentes normais, de uma humana normal.

Toquei o meu rosto para ver se eu estava sonhando. Eu não estava, aquilo não era geleia.

Por um instante eu tinha esquecido de Castiel, pois ele estava tão calado que era o mesmo de eu estar sozinha.

– E-Eu posso explicar. — antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa ele levantou a mão para que eu me cala-se e ele pudesse dizer algo.

– Eu sei. Estava escutando atrás da porta...

– ...eu machuquei ela? — apontei para o meu rosto lambrecado de sangue.

– Não. Eu consegui tirar você de lá, antes que acontecesse qualquer coisa de ruim com Anna, embora ela merecesse. — Castiel franziu o cenho, sério (para variar). — Você tomou apenas um pouco de sangue. Acho que você acabou se descontrolando por culpa da raiva.

– Eu não consigo me lembrar de nada... — disse balançando a cabeça.

– Eu acho que esse apagão em sua memória teve haver com o que ela havia feito — ele balançou a cabeça e seu olhar demonstrava que ele sentia pena de mim. Tudo o que eu menos queria era que alguém sentisse pena de mim. — Allice, eu não queria falar isso agora, mas eu acho que todo o seu esforço será em vão, se você acabar se descontrolando... — o interrompi.

– De que adianta o meu esforço? — eu senti meus olhos se embriagarem de lágrimas. Eu sabia que iria chorar, mas não agora e não com Castiel ao meu lado. — Sam agora está morto e é tudo por minha culpa.

Castiel não respondeu. Continuei.

– Dean agora vai me odiar e com razão, isso se ele não quiser me matar... — disse me apoiando no balcão da pia. Se Dean resolvesse isso, eu não protestaria. Até ajudaria ele se quisesse...

– Ele não vai... quanto a Sam, não se sabe se ele está realmente morto...

– Como assim? — levantei minha cabeça rapidamente, encarando Castiel sentindo uma pontada de esperança aparecer aos poucos.

– Eu vi que Anna conseguiu despejar apenas uma pequena quantidade da seringa no pescoço de Sam. Se tivermos sorte, ele apenas ficara desacordado, ela não chegou a romper nenhuma veia que pudesse causar complicações. Já não posso dizer o mesmo de você com ela.

– Anna merecia seis tiros de escopeta em cada olho.

Apesar do sarcasmo — que era a coisa mais comum de se perceber em cada palavra que saísse da minha boca — eu estava falando sério.

– Mesmo assim... — Castiel ignorou o que eu havia dito — ...devemos ligar para Dean e pedir pra que ele venha para cá, imediatamente.

Liguei a torneira e enfiei as mãos embaixo da água gelada. Sentindo ela entrar em contato com as minha pele causando um arrepio, devido meu corpo estar recuperando lentamente a temperatura normal.
Me encurvei em direção a água jogando um pouco no rosto. Olhei para o espelho e a camada "protetora" de sangue já havia se desmanchado aos poucos. Pingando de meu queixo até o ralo da pia, onde se dissipava e descia pelo cano escuro. Eu tinha a leve impressão que havia derramado tinta guache vermelha por toda a minha face.

Castiel me estendeu uma toalha de rosto, que ficava no porta toalha ao seu lado.

Respirei fundo. Levando minhas mãos -ainda úmidas- para o meu bolso traseiro da calça e puxando o pequeno aparelho que ainda estava intacto. Selecionei o número de Dean e ele apareceu no visor do celular. Meu dedo escorregou pela tecla verde reluzente que se destacava entre as outras e quando tive certeza de estar ligando para ele, estendi o celular para Castiel que pegou firmemente o aparelho e o encostou em seu ouvido.

Logo Castiel se endireitou e uma voz familiar ecoou pelo pequeno banheiro.

POV'S Narrador;

Há umas 5 horas de viagem dali, não muito longe e nem muito perto — desde que você esteja disposto em dirigir -. O Winchester mais novo estava recostado em seu carro modelo 67. Ele amava aquele carro. Não apenas por ser uma máquina veloz e um carro estiloso, mas pelas lembranças e pelo grande cara que o havia dirigido anos antes, seu pai. Ele pretendia cuidar daquele carro com todo carinho possível, para que ele fosse passado de geração para geração dos Winchester.

Mas o homem não estava tão preocupado em suas futuras dores de cabeça quanto ao choro de um bebê ou adolescentes rebeldes. Ele estava inquieto. A ruiva, que antes estivera o acompanhando, agora não dava nenhum sinal de vida. Ele puxou a manga do casaco e olhou pelo relógio pela centésima vez. Quinze para as dez, não havia se passado nem 3 minutos desde que olhou a última vez.
Fez aquela expressão entediada e irritada. Com direito ao seu famoso bico, que deixava as mulheres malucas.

Ele cobriu o relógio novamente com a manga e enfiou a mão dentro do bolso interno do casaco, pegou seu celular e olhou o visor. Como se esperasse que alguma ligação do além ocorresse, e ocorreu.

Rock You Like a Hurricane fez um estrondoso barulho, causando uma bagunça na cabeça de Dean e dos andarilhos curiosos que passavam observando o homem. Seus tímpanos arderam e ele tapou o celular tentando abafar o barulho. Fechou os olhos com força esfregando as têmporas quando viu quem estava ligando para ele.

Ótimo. — pensou. — Allice resolveu me encher o saco.

Desbloqueou a tela onde piscava "Anjinha" incessavelmente no visor de seu celular.

– O que você quer, anjinha?

Uma voz diferente e mais máscula surgiu do outro lado da linha.

– Anjinha? — Dean, não podia ver através do celular, mas já imaginava que o anjo estava com o cenho levemente franzido.

– Allice? De repente a sua voz ficou mais feminina... — o lado esquerdo de sua boca se encurvou em um meio sorriso travesso.

– Sem gracinhas Dean. — a voz de Castiel ficou mais séria. — Você conseguiu encontrá-la?

Dean sabia do que Castiel estava se referindo.

– Na verdade não, tenho que admitir que a colecionadora era interessante, se é que me entende... – Dean riu, mas Castiel continuou em silêncio. Dean soltou um pigarro, em uma tentativa de descontração. — Enfim, eu ganhei um endereço...

– Mais um? — pergunta Castiel impaciente.

– Pois é... qual o motivo de você me ligar Cass? — Dean fez uma pausa e depois retomou falando mais baixo. — Aconteceu mais alguma coisa com Sam?

Castiel não respondeu, os sentidos de Dean se aguçaram como se fosse uma presa sentindo a presença do predador.

– O que houve Castiel?

Mais uma pausa.

– Cass? — Dean chamava o anjo, enquanto apertava o celular contra o ouvido com aflição. — Castiel!

– Você precisa sair daí agora, depois conversamos. — Castiel abaixou também o tom da voz.

– Eu não posso ir! Anna ainda não deu as caras, disse que precisava ir ao banheiro e até agora não voltou...

– Dean. — Castiel chamou e Dean calou-se de imediato. — Está tudo sob controle e não se preocupe com Anna. — Dean franziu o cenho. — Ela está aqui.

Os olhos de Dean se arregalaram.

– C-Como assim? Ela estava aqui agora e...

– Venha para cá, e eu te explicarei o que houve.

~~//~~

No outro lado, Castiel encerrou a ligação, antes que Dean enchesse ele com todas as perguntas que se formavam em sua mente.
Ele ficou encarando o celular por um tempo, antes de devolvê-lo para Allice, que o encarava curiosa.

– Acho que eu vou me encontrar com Dean. — Allice fez um gesto rápido guardando o celular no seu bolso e mudando a expressão de sua face para completamente séria.

– Você não tem graça o suficiente. Não seja bobo, Castiel.

– Eu tenho o suficiente para ir até ele, mas eu não consigo trazê-lo de volta.

– E eu Cass? Anna está desmaiada lá no quarto de Sam e ele nem está respirando direito.

– Eu levo Anna comigo. — ele acrescentou quando viu que Allice iria protestar. — Eu acho melhor você pegar aquele resto do veneno. Se ela acordar, eu e Dean tentaremos fazê-la falar de algum jeito, pra saber se era ou não um veneno.

Allice revirou os olhos, ela se lembrava bem do frasco. Se aquilo não fosse um veneno não se sabia o que era.

Ela suspirou e então falou.

– Tudo bem, mas assim que descobrir alguma coisa. Me avise.

Castiel respondeu com um aceno de cabeça e saiu do banheiro. Allice esperou um pouco e depois saiu também, descendo as escadas que levavam até o primeiro andar. Indo em direção á cozinha, pegou alguns panos e procurou um balde que encontrou apenas na lavanderia. Encheu ele de água e pegou alguns produtos de limpeza que continham nomes complicados, mas ela deduziu que aquilo bastava. Depois pôs-se a subir as escadas novamente.

Foi em direção ao quarto de Sam. Nenhum sinal de Castiel e nem sequer do corpo desfalecido de Anna. Ela olhou para Sam em cima da cama. Ele estava na mesma forma em que estivera momentos antes. Parecia que estava morto. Allice não queria acreditar nisso, apesar do quarto ainda estar com aquela mesma energia que causava calafrios em seu corpo.

Ela vislumbrou uma coisa viscosa derramada no chão. O impacto de Anna derrubou o frasco de vidro com o veneno, quebrando-o.
Allice pegou um pano e limpou o que estava espalhado. Depois pegou outro e juntou os cacos de vidro aos poucos, colocando eles no meio do pano esfarrapado. Amarrando de forma que todos os cacos ficassem ali, envolta de uma pequena trouxa.

Depois derramou um produto de limpeza no chão, fazendo com que um cheiro forte invadisse suas narinas causando a irritação constante. Ela deveria ter alergia á uma daquelas diversas químicas que o produto continha, talvez até á todas. Allice tonteou um pouco, coçando o nariz, mas balançou a cabeça recobrando alguns sentidos.

Passou o pano por cima do sangue seco no chão e depois jogou ele no balde cheio de água. Ela olhou para Sam e percebeu que tinha um pouco de sangue perto de seu pescoço. Ela foi ao banheiro e molhou um pouco do último pano que não fora usado. Depois voltou e passou no pescoço de Sam. A fronha do travesseiro -que antes era branca- estava um pouco manchada de vermelho. Allice tocou sua pele e percebeu que ela estava mais fria do que o habitual.

Uma pequena sirene começou a soar na cabeça de Allice, como se alguma coisa estivesse mais errada do que antes. E se Castiel estivesse errado?

Sem perceber Allice começou a checar Sam, que nem uma louca.

– Vamos Sam. — disse Allice enquanto apertava o antebraço de Sam, tentando medir seu pulso. Mas nenhum sinal de que Sam ainda estivesse respirando. — Sammy... por favor.

Ela aproximou seu ouvido esquerdo no peitoral de Sam, mas não conseguia escutar nada. Teve de cobrir seu corpo. Ele não dava nenhum sinal de vida, nada.

Ele não pode – pensou Allice. — Ele não pode morrer, não agora.

Colocou suas duas mãos em cima do peito esquerdo de Sam, forçando para baixo. Ela empurrava com força em uma tentativa falha de salvar Sam. Empurrou seu peito mais cinco vezes consecutivas, tentando fazer com que ele voltasse a respirar, mas já era tarde. Ele já não estava mais ali, se estivesse, talvez Allice não pudesse ajudar.

Ela parou. Ofegante, devido ao esforço em vão. Allice podia desabar ali mesmo, mas não. Ainda não... Ela olhou para o pano cheio daquele líquido mortal e pegou ele. Não sabia se corria algum risco levando ele até o nariz e cheirando, mas se corresse, foda-se. A vida de Sam estava em jogo.

Junto com o cheiro, um pequeno espaço esperançoso começou a surgir do fundo de sua mente. Impedindo que ficasse sem forças. Dando mais e mais lucidez para a sua mente. A iluminação começou a surgir eliminando a escuridão de seus pensamentos e os olhos que já haviam começado a se encher de lágrimas, voltaram ao normal.

Foi quando seu celular tocou. Ainda atordoada, Allice deixou o pano cair. Logo o aparelho já estava em mãos, assim que atendeu viu o número de Dean piscando na tela.

– Preciso comprar um celular para Castiel... — exclamou desbloqueando a tela do celular e colocando ele no ouvido.

– Dean?

– Não. É o Castiel. — Provavelmente.– pensou Allice. — Você conseguiu acordar Sam?

Allice suspirou pesadamente.

– Não. — fez uma pausa. — Ele ainda não deu nenhum sinal e vida....

Castiel pareceu pensar um pouco.

– Anna acordou.

Allice deu um pulo da cama. Com os olhos arregalados.

– Como assim?!

– Você limpou o veneno? — Castiel perguntou.

– Sim, eu limpei. — Allice disse roendo os cantos da unha nervosamente. — Castiel o que você descobriu?

– Você viu o que era? — Allice bufou irritada.

– Você vai me falar o que deu ou não vai?

– Desculpe... descobrimos o porquê de estarmos com tanta pouca graça.

Allice parou por um instante de dar voltas no quarto e falou um pouco mais baixo, como se Sam não pudesse escutar.

– Não era simplesmente, porque nós usamos ela demais?

– Não. — Castiel soou mais sério do que o normal. — Anna havia feito um feitiço que bloqueava o uso de nossos poderes. Ela nos deu a resposta.

– Isso não faz sentido Castiel. — Allice balançou a cabeça, desconfiada. — Até quando saíamos de casa não conseguíamos sequer nos teletransportar.

– Eu nunca disse que não conseguia... — Allice engoliu em seco. — Quando eu saía de casa eu estava fraco é verdade, mas isso foi graças á graça roubada. Mesmo assim... o alvo principal era você, sempre foi.

Allice passou a considerar as possibilidades. Era verdade que com Castiel fraco e Allice ainda com a graça, automaticamente ela se tornava uma ameaça ao "plano" de Anna.

– Ela não podia...

– ...não podia tirar a minha graça à força, pois se não nós a mataríamos e seu plano iria por água abaixo. — Allice terminou a frase de Castiel e sentiu a clareza do assunto, tudo aquilo que Castiel dizia no fundo ela já havia descoberto sozinha. E agora fazia mais sentido do que nunca.

– Sim... — Castiel concordou. — Seu plano era se infiltrar, conseguir nossa confiança e nos matar aos poucos. De modo que os demônios fizessem a festa.

– O que mais me dá medo Cass... — Allice começou. — ... é que ela seja apenas uma parte do plano, e essa era a sua parte de um planejamento ainda maior.

– Dean também acha que há mais alguém por trás disso... mas Anna se recusou a dizer.

– Faça mais perguntas, force ela a dizer mais alguma coisa Castiel. — Allice voltou sua atenção a Sam que permanecia imóvel na cama. — Se necessário, torture-a.

– Isso não é mais possível, Allice.

– Claro que é! Vocês podem muito bem acabar com a raça dessa... — Allice se controlou para não xingar aquela mulher que julgava como amiga todo esse tempo.

– Acalme-se. — Castiel aumentou seu tom de voz, ele estava mais nervoso e Allice podia sentir que estava só ganhando tempo. -Dean queria acabar com ela, mas ela não resistiu devido á hemorragia.

Menos mal – pensou Allice. — Poupada de ter uma morte mais dolorosa.

– E como Dean está?

Allice não dava a miníma, mas havia ficado curiosa por saber que o amor havia se transformado em ódio, em tão pouco tempo.

– Ele não havia acreditado, até eu falar sobre Sam...

Allice iria falar mais alguma coisa, quando escutou um barulho forte vindo do outro lado da linha. Continuou segurando o celular firmemente até a voz de Dean ecoar pelos seus ouvidos.

– Como Sam está?

Ele gritou e Allice ficou meio segundo atordoada pela voz grave de Dean. Depois exclamou irritada:

– Você quer falar mais baixo? — Allice falou entre dentes. — Eu não sou surda, mas se continuar assim... vou ficar.

Allice escutou Dean bufar, mas ele não abaixou o tom de voz.

– Se aconteceu alguma coisa com Sam eu juro que vou...

– Você vai oque? — Allice inspirou fundo e depois disse mais calma. — Normalmente eu não sou contra nossas briguinhas, Dean... mas agora, eu juro que não é o momento certo. Por favor.

Dean pareceu se acalmar um pouco, quando percebeu que ela estava falando sério, mas ainda manteve o tom de voz grave.

Allice pensou que aquela era uma solução mais rápida de concertar as coisas. Ainda mais com Dean.

– Tudo bem... — Dean suspirou pesadamente. — mas depois você vai ter que me explicar direitinho essa história de sangue.

Allice fechou os olhos.

Droga, Castiel...

– Ok. — mais tarde ela teria de dar uma desculpa esfarrapada para ele, melhor começar a pensar nela. — Agora eu quero que você me diga, o que vocês sabem sobre o veneno?

Dean demorou um tempo para responder e depois disse, pensativo:

– Não é exatamente um veneno. Bom, quero dizer se você usar ele sem controle, pode se tornar uma arma vital.

Allice franziu o cenho, lembrando do cheiro familiar que havia sentido.

– Você já ouviu falar da essência de Baiacu? — Claro que lembrava. — É usada para simular morte, consegue enganar até as mentes mais experientes no assunto...

– Sim. — era isso. Allice já havia sentido o cheiro e agora fazia sentido. Ela mesma já havia usado várias vezes para escapar de algumas situações. Porém, se lembrou que o efeito não durava muito tempo. Comparado o estado e o tempo, ao caso de Sam. — mas, o efeito não tem duração de 6 á 8 horas? Sam já está assim há quase um dia e meio!

– Pelo que Castiel entendeu, ela havia misturado com mais algumas ervas medicinais. O que teria prolongado para 24 horas.

– Então por isso ela tinha de voltar e dar mais uma outra dose pra ele?

– Na verdade não, o que antes era uma forma esperta de fugir... pode se tornar em uma das piores formas de morte. — Dean esperou um pouco, era muito difícil de acreditar... — Parece que ela queria aumentar a dose antes de esperar o tempo determinado para inserir outra... o que causaria paralisação instantânea dos músculos respiratórios.

Allice não conseguiu evitar de ficar um pouco surpresa. Era estranho escutar Dean falar essas coisas tão naturalmente, era como se ele estivesse lendo de um site qualquer da web. E estava.

– Ela não conseguiu. Quero dizer... ela conseguiu injetar apenas metade do conteúdo que tinha na seringa. Já é alguma coisa não?

O tom de Allice expressava que ela queria receber boas notícias, queria que Dean ou Castiel á falassem que ainda tinha uma forma de salvá-lo.
Ela escutou Dean cochichar algo, mas não conseguiu interpretar o que era. Talvez nem ele soubesse o que havia acontecido realmente.

Logo a voz de seu irmão voltou.

– Allice, você está sentindo algo estranho?

Allice demorou para entender o que seu irmão queria dizer, além do fato do corpo desfalecido de Sam estar coberto em cima da cama de casal de seu quarto. Ela ainda sentia aquela energia pesada, como se ali o tecido do universo estivesse inexistente ou simplesmente enfraquecido. Aquele mesmo tecido que separava o real do irreal, as pessoas sãs das loucas, a vida e a morte. Ela se sentia mal ali. Se não fosse por Sam, sairia do quarto agora mesmo.

– Sim...

Castiel ficou em silêncio. Allice soube o que ele estava tentando dizer, mesmo sem nenhuma palavra.

– O fato de Anna ter inserido metade do conteúdo da seringa pode ter mudado algo. — Castiel pareceu pensativo. — Mesmo falando com você no celular, eu consigo sentir alguma coisa errada...

Ela não respondeu, mas esperava ansiosamente pelo restante da frase de Castiel.

– Se a seringa não matou Sam, pode ter sido forte o suficiente para deixá-lo em coma.

Allice arregalou os olhos. Talvez ela estivesse testemunhando a vida pós a morte, mas não estava se referindo á zumbis. Estava se referindo á coisas piores. Ela já conheceu pessoas que ficaram nesse estado, entre a vida e a morte. No limite da fronteira que podia levar ao céu, mas também ao inferno. Metade dessas pessoas morreram, e a outra metade, nunca conseguiu voltar e acabaram com o mesmo destino das primeiras.
Sua cabeça deu um giro e seu estômago a acompanhou, parecia querer botar pra fora o restante do café e do energético, ou dar uma agitada como se faz com um refrigerante cheio de gás. Ela começou a hiperventilar. Seu coração doeu só de pensar que Sam estava nesse estado. Mesmo assim conseguiu juntar um restante de lucidez que tirou não se sabe de onde, quando Castiel chamou seu nome.

– Estou... bem, eu acho. — Allice se escorou na parede oposta à cama de Sam. — Mesmo assim, ainda existe alguma possibilidade de salvarmos ele?

– Existe, mas... — A esperança que havia diminuído com a notícia anterior havia voltado. Allice empurrou seu corpo pra frente se desencostando da parede, tão rápido que quase caiu de cara no chão. Mas ela não se importava. Como dizem, a esperança é a última que morre.

– Qual? — Allice estava eufórica e por um momento pensou que iria explodir apenas em pensar que poderia tocar Sam novamente.

– Allice é muito arriscado...

– Dane-se! — ela não se deixou abalar pelo tom de velório de Castiel.- Esse é o meu trabalho como você mesmo disse!

– Você não entende, corre o risco de você acabar como Sam! Ou até pior...

Allice parou e pensou um pouco. Diminuindo um pouco a euforia.

– O que é necessário?

Castiel suspirou. Era como se tentasse convencer uma criancinha de que fadas do dente ou papai noel não existiam.

– Em alguns casos, as pessoas não conseguem aceitar que estão nesse espaço desconhecido. Então elas lutam para tentar voltar, na maior parte das vezes elas gastam suas forças em vão e algumas chegam a até desistir. Outras sentem tanta vontade de voltar, que o seu cérebro acaba se forçando a criar uma realidade paralela. Algo que pareça tão real, fazendo a pessoa achar que realmente está vivendo aquilo. Algumas pessoas não conseguem voltar a tempo, ou perdem as forças e precisam da ajuda de alguns aparelhos para conseguirem continuar insistindo em voltar. Em muitos casos existentes, onde o médico desliga os aparelhos, mas outras pessoas ainda conseguem voltar a tempo.

Allice ouvia atentamente Castiel, quase sem piscar.

– Agora eu quero que você olhe Sam, e me descreva com ele está.

Allice não protestou. Andou em direção á Sam, e parou perto de sua cama.
Ele ainda não havia se mexido. Provavelmente nem iria, mas Allice viu uma gota de suor escorrer pelo canto de sua testa, até sumir no canto de se rosto, Seus olhos se mexeram por meio segundo, como se estivesse observando algo em seu sonho. Depois pararam e ficaram naquela mesma forma.

Ela levou o celular ao pé do ouvido. Impressionada. Nunca pensou que pudesse realmente acontecer, ela queria gritar mas controlou a vontade.

– Sammy mexeu os olhos, Cass! — Allice sentiu a voz ficar um pouco aguda. — O garotão mexeu!

Allice não se envergonhou, nem menos se importou. Apenas demonstrou o que já sabia, Sam não era de desistir! Essa era uma das coisas que ela mais admirava nele.

Castiel franziu o cenho.

– Allice, se ele não voltar sozinho... nós teremos de forçá-lo á voltar. — ela engoliu em seco. Castiel continuou. — Você tem graça o suficiente para isso?

– Eu acho que não... — ela estava enfraquecida devido á algum feitiço que aquela bruxa havia feito nela.

– Dean achou um feitiço que pode inverter isso, é bem antigo e talvez não funcione... você quer mesmo arriscar?

Allice respondeu de prontidão.

– Sim. — respondeu firmemente.

Castiel suspirou pesadamente, ele ainda era contra. E sabia dos riscos assim como Allice, mas parecia estar avaliando todos os pós e contras. Enquanto bastava dizer que ainda havia uma possibilidade de trazer Sam de volta a vida para a morena, que ela já esquecia os riscos.

– Tudo bem. Acho que você tem todos os ingredientes necessários aí. Se não, no bunker pode ter. — acrescentou. — Agora eu quero que você me escute. — pediu Castiel em um tom exigente.

Allice escutou.

~~//~~

A morena podia sentir o poder voltando a correr entre suas veias. Sentia seu coração pulsar mais forte bombeando mais sangue, que circulava mais rápido do que nunca por meio de suas artérias. Ela se sentia mais revigorante, aquele cansaço que antes estava pesando em seus músculos, havia sumido. Aqueles mesmos sentimentos que antes sentira, agora Allice julgava como sentimentos "carnais".

Ela andou em direção a Sam. Mesmo sem sentir muita coisa, ele ainda mexia com ela. Caminhou em passos pequenos e lentos. Depois sentou-se na beirada da cama. Seu corpo emanava um calor muito mais intenso quando tocou a mão fria do corpo meio-cadavérico de Sam. Ela pode vislumbrar seu rosto moreno agora tomando uma nova entonação de um branco cinzento. Seus lábios finos e que costumavam ser rosados, agora estavam meio arroxeados. Allice virou o antebraço do moreno e suas veias saltadas, na pele fina acinzentada.

Inspirou fundo e olhou para o relógio pendurado na parede. Havia passado o dia inteiro arrumando as coisas e agora o ponteiro pequeno do relógio apontava para o onze e o ponteiro maior pendia entre o onze e o doze. Era onze e cinquenta e oito. Castiel havia pedido para ela esperar até meia noite, na esperança que Sam pudesse conseguir sair de seu sonho mortal, mas não havia dado nenhum sinal.

Ela sabia o que tinha que fazer, e não estava nervosa. Aquele era o dever dela, e ela iria trazer Sam de volta. Nem que lhe custasse a própria vida.

Olhou novamente para o relógio. Faltava um minuto. Ela se inclinou e depositou um beijo no rosto de Sam. Quando o barulho das doze badaladas deu no andar de baixo e ela olhou de relance para o relógio da parede. Era meia-noite. Ela segurou firme a mão de Sam e sussurrou.

– Tudo bem, Sammy. — ela se inclinou e deitou-se sobre o peitoral do moreno, enquanto escutava a quarta badalada. - Eu vou entrar.

Dito isso, fechou os olhos e logo o som das badaladas se tornaram mais distantes, até serem extintas de uma vez por todas.

Notas finais
Espero que tenham gostado, esse capítulo foi meio que inspirado em um livro que eu amo de paixão. Pra quem não sabe, o nome é Doctor Sleep ou Doutor Sono. Um dos melhores livros na minha humilde opinião e eu super recomendo ele para vocês. O próximo também vai ter algumas referências, mas menos do que este. Até o próximo capítulo! Beijackles e Padakisses.