Back in Black

20 Alternative Reality Part.1


Notas iniciais
Depois de tanto tempo, estou de volta. Sempre uma demora e sempre uma desculpa... peço perdão mas não posso falar que essa será a última vez, pois eu não sei se outro imprevisto surgirá e estragará novamente a minha rotina. Só posso dizer que esse capítulo já estava pronto, e eu pretendia postá-lo umas duas semanas atrás, mas não sei o que aconteceu com o meu computador que ele apagou o arquivo. Justamente o que continha o capítulo inteiro. Por isso tive de refazer ele e deixar de molho, porque essa última semana tava corrida. Mas pra compensar eu aproveitei e escrevi dois no meu tempo livre. E hoje pretendo postá-lo, paciência e.e Sobre a fic, bom, não há mais nada há falar dela. Quero dizer, ela está um pouquinho longe de acabar, eu havia calculado errado e se continuar nesse ritmo eu acabarei de terminar apenas no capítulo 40 ou 50. Se eu tiver mais ideias e conseguir encaixá-las em BiB vai até 70 '-' Enfim, não pretendo acabar com a fanfiction, mas se vocês comentassem mais eu agradeceria. Assim como queria agradecer pelos 29 favoritos. Gente, é sério vocês são fodas!

Leia as notas iniciais. Obrigado :)

Se está realidade não lhe agrada, feche os olhos e faça uma você mesmo. ?

POV'S Allice;

Em poucos segundos as badaladas do relógio incessantes se tornaram mais distantes, mais distantes, até finalmente cessarem. Me remexi inquieta. Mas não conseguia distinguir se eu já havia adentrado a mente de Sam ou havia pegado no sono. Abri meus olhos levemente e foi o mesmo que tê-los fechados. Um breu total me fez ter a repentina vontade de acender a luz. Mas não havia luz. Não havia nada. Nada além da escuridão. Pisquei os olhos raivosamente achando que eles estavam fechados, mas não.

Quando finalmente meus olhos acostumaram-se com a escuridão, uma lâmpada florescente pareceu se acender iluminando o ambiente desconhecido. A luz excessiva irritou meus olhos e por um segundo desejei que a escuridão assombrosa retornasse. Olhei em minha volta tentando achar qualquer lugar que a luz não alcançasse para que eu pudesse me refugiar e dar descanso aos meus olhos. Mas o lugar era deserto e parecia não haver mais nada, como se tudo a minha volta estivesse invisível. Quando percebi que o único jeito era fechar meus olhos, tentei. Mas apenas tentei.

Provavelmente eu deveria ter cogitado a ideia que agora, meus olhos estavam fora das órbitas e de qualquer rosto físico. No lugar, jaziam dois temidos globos oculares flutuando desordenados em uma forma que poderia até ser considerada um corpo, se não fosse por sua pele extra fina. De fato, essa era eu agora. Obviamente, assim que decidi entrar nos pensamentos de Sam teria de adotar outra forma. A forma de um espírito ou quase isso. Mesmo assim me sentia desconfortável sem o aperto familiar que a carne exercia presa a minha pele. Era... estranho conseguir ver as minhas veias e meus órgãos através de uma fina e reluzente camada transparente.

De repente a bola de luz que estava na minha frente começou a emitir um grasnido estranho e começou a aumentar ligeiramente de tamanho. O único pensamento que me veio a cabeça em meio a surpresa e ao pânico era correr. Sem sentir o chão sob meus pés tentei me afastar o mais rápido possível da grande bola de fogo branco que começou a arder e distribuir feixes cortantes de luz branca. Quanto mais eu tentava me afastar, mais a grande luz começou a aumentar. Ela parecia me puxar devido alguma força eletromagnética, que por sinal era forte demais. Aos poucos eu comecei à diminuir a minha resistência, mas quando senti a luz envolver-me e queimar os meus órgãos eu soltei um grito, mas percebi que a voz já não participava de uma de minhas virtudes.

Então, deixei queimar.

~~//~~

Acordei com um estalo que pareceu vir de fora. Tentei me mexer, mas meus músculos se retesaram me obrigando a ficar imóvel e minha mente pareceu doer com o esforço repentino. Os meus olhos arderam mais uma vez. Fechei-os rapidamente. Depois me recompus respirando com certa dificuldade. Estendi meus braços que estalaram, parecendo reclamar de dor com o esforço. E mais uma vez, me senti bem por estar de volta á forma física.

Respirei lentamente sentindo meus pulmões se encherem de ar e o meu peito estufar. Dei algumas piscadelas preguiçosamente lentas e dei-me a entender que havia pegado num sono profundo. Pelo menos era o que parecia. Um odor agradável envolveu-me e inspirei mais profundamente. Não sabia distinguir se era cítrico ou amadeirado, ou os dois. Mas era bom.

Um calafrio percorreu pelo meu corpo e por reflexo, envolvi-me com os braços, mas eles também estavam gelados. A influência do contato gélido com a minha pele desnuda, fez-me despertar. Acordei de meus devaneios e — como se por instinto — encarei a janela mais próxima.
Uma cortina avermelhada, vistosa e extravagante parecia mal se mexer pelo excesso de tecido. O tempo não parecia estar ruim. Apesar de ser de fora que estava vindo o ar frígido, ainda conseguia escutar os irritantes passarinhos cantarolando. Me parecia que era apenas o típico clima do alvorecer, quando os primeiros raios de sol surgem, e no momento, um raio de sol intruso estava se esgueirando por uma pequena brecha que a cortina pesada não cobria.

O feixe de luz levemente alaranjado parou sobre meu seio. Percebi que uma outra familiaridade não estava mais ali.Minhas roupas. Eu já não sentia mais o conjunto sobre minha pele, mas sim o tecido tênue do lençol.

Engoli em seco quando finalmente me toquei de que não estava em nenhum lugar familiar, parecia estar bem longe da casa aonde costumava estar. Pisquei os olhos repentinamente. A beleza do lugar tirou-me as palavras e o único som que saiu dos meu lábios fora um suspiro de fascinação. Um cômodo longo e espaçoso se estendia à minha frente,com o carpete branco e as paredes escuras e alguns móveis que eu presumi serem mais valiosos do que meu próprio carro juntamente de meus pertences.

Minhas pálpebras suspenderam-se, cansadas. "Aonde diabos eu fui me meter?" — pensei. Levei minhas mãos á cabeça e sussurrei um palavrão.

"Já não basta tudo o que está acontecendo?" perguntei-me. Já imaginando uma resposta apropriada. — "Não, não bastava."

Soltei outro palavrão — mesmo que este fora mais baixo que o primeiro-, quando senti que não estava sozinha na cama. Quando o pensamento — rápido, mas não o suficiente- de me virar veio-me a cabeça, já não era mais possível. Braços envolveram meu corpo. Percebi que, quem quer que fosse, estava mais calorento do que à mim e que os braços eram definitivamente maiores que os meus. Cogitei a ideia em empurrar quem me cercava, mas por um instante refleti. Reconhecendo a familiaridade do abraço, o cheiro másculo juntamente com o pós-barba que eu comecei a venerar e odiar ao mesmo tempo — mesmo que de maneira forçada e os cabelos maiores do que o habitual masculino, mas que eu não deixava de achar extremamente atraente e cativante.

Porém eu não sentia o cheiro dele. Será que não era quem eu esperava que fosse? — indaguei, sentindo meus músculos ficarem tensos, mas não me mexi nem um pouco. Continuei estável, ainda sentindo meus músculos contraírem-se com a dor, mas eu não importei-me. Porém quando os braços puxaram o lençol mais para baixo, no intuito de revelar meus seios com os bicos enrijecidos pelo frio, me remexi inquieta. Porém não sabia distinguir se havia sido por acaso ou por maliciosidade, mas minhas dúvidas foram esclarecidas assim que ele envolveu meus seios de modo possessivo.

Soltando um gemido rouco seguido por um suspiro de satisfação, deduzi quem estava se aproveitando da minha boa vontade. Deduzi também, que assim como eu, ele sofria o mesmo tipo de desventura. Estava nu em pelo. E eu senti os efeitos — ou consequências da ereção matinal roçar minha coluna.

Suas mãos firmadas em meus seios de maneira persistente estavam me incomodando. Dessa vez me remexi mais intensamente e ele gemeu em discórdia, virando-se para o lado contrário. Assim feito, puxei o lençol com rapidez para tapar meus domínios "particulares".

Virei-me, ignorando o pequeno estalido que meu pescoço fez, encarando-o com expressão zangada. Enquanto ele estava com a cabeça apoiada sobre as mãos deixando seu corpo, esculpido e extenso, mais exposto. Os cabelos desgrenhados e o nariz maravilhosamente comprido, quase me fizeram esquecer o porquê de estar aborrecida. Sua face magnífica e seus olhos bipolares semi-cerrados demonstravam uma expressão serena, se não fosse é claro um sorriso que aparentava segundas intenções. O lençol na região da cintura um pouco mais abaixado deixava seu sexo um pouco mais á mostra. Porém, ele não pareceu se importar ou simplesmente incomodar-se com o fato de eu ter percorrido seu corpo com um rápido olhar. Mas o qual, não lhe passou despercebido.

Quando ele percebeu que estava sendo observado com uma expressão que não continha nenhum resquício de amigável, encarou-me com uma sobrancelha arqueada e o sorriso malicioso diminuindo aos poucos.

Eu já não tinha conversado com você sobre... — apontei pra ele e depois pra mim, tentando achar a palavra certa. Por fim, indaguei. — Isso?

Ele arqueou mais a sobrancelha e por pouco pareceu quase sumir por trás da franja extensa. Depois ele pareceu entender e o sorriso provocativo reapareceu em seus lábios.

Bom, pelo jeito, ontem você mudou de ideia. — pisquei algumas vezes, incerta se ele tinha mesmo falado aquilo. Ele escancarou ainda mais o sorriso.

Eu sabia que aquela pergunta ia soar ignorante, mas resolvi perguntar mesmo assim. Apesar de já saber a resposta.

Nós fizemos... quero dizer, nós... — Sam arqueou uma sobrancelha novamente e eu revirei os olhos. Quando estava pronta para completar a minha frase, Sam me interrompeu.

Você está bem, querida? — respirei profundamente e depois parei. De que ele havia me chamado? — Você não se lembra? — acrescentou levando sua mão esquerda até meu rosto, e sorriu, acariciando meu lábio inferior com o dedão.

Na verdade não lembrava, quero dizer, não precisava de muito esforço pra saber o que havia acontecido enquanto não havia entrado no "mundo dos sonhos" ou sei lá como se chama. Sentia minhas coxas doloridas — e o interior delas — assim como os meus seios. Eu só queria saber se nós mantínhamos a mesma relação da realidade original. Pelo jeito que Sam me encarava não me parecia que sim.

Mal senti ele se aproximando e prensando-me contra o colchão macio. Tentei cobri-me com o lençol, mas com um puxão forte, ele se livrou do incômodo.

Sam! O que você está fazendo?! — ele observou meu corpo e depois pronunciou-se.

Estou relembrando você e além disso — encarou-me nos olhos. -, temos de aproveitar o efeito natural que eu tenho sobre você. — ele se referia á uma coisa que eu sabia muito bem o que era. Só preferia não ter abaixado a guarda.

Sam mergulhou em meus lábios com uma rapidez incrível, tanto que não pude nem o repelir antes do ato. Com os lábios, ele deliciosamente quase fez-me derreter em seus braços. Sam acariciou novamente o mesmo local de antes. Apertando carinhosamente meus seios, mas mesmo assim de forma viril. Gemi à contra-gosto, cerrando os dentes. Sam acariciou minhas pernas, pronto para se prontificar entre elas.

Mas... — sussurrei entre os lábios. Colocando minhas mãos sobre o peitoral de Sam no intuito de pará-lo. Consegui fazer ele pelo menos me olhar, mas eu estava ocupada percebendo algo que costumava não estar ali antes.

Um anel em minha mão esquerda.

Encarei mais um pouco o anel quase sem perceber que Sam havia se metido por entre as minhas pernas. Era bonito. Muito bonito. Porém, extravagante demais. Até mesmo para uma mulher que se considerasse vaidosa e elegante á tal ponto.
Ele brilhava e refletia o raio solar que se concentrava justamente no tórax de Sam, de modo que seria capaz de causar a cegueira para quem encarasse por muito tempo. Eram enormes e brilhantes as três jóias que se prendiam no pequeno semi-círculo e se ajustavam em minha mão. Entretanto, havia uma joia centralizada entre as outras duas, e essa por sua vez se destacava por ser ainda mais esplendente. Era magnífica.
Aquele anel deveria ter sido o dobro do valor dos móveis que jaziam no quarto.

Mesmo assim, me lembrei qual o significado de um anel na mão esquerda. Meus olhos se arregalaram e eu abri a boca, pronta para soltar um grito tão alto e fino que fosse tão capaz de atordoar qualquer um que fosse. Enquanto ele ficou encarando minha expressão, com o rosto voltado para a confusão.

Encarei ele de novo. Ainda desnorteada, percebendo a situação em que estávamos. Tive vontade de sair correndo. Não importava se eu estava pelada ou não. Era melhor do que Sam estar também. Ainda por cima: sobre mim e excitado.

Ele pareceu perceber a minha insegurança, mas a ideia dele de tentar me acalmar, parecia não ser tão parecida como a minha. Sam sorriu de lado. Seria ótimo se eu não entendesse o significado do sorriso e o acompanhamento logo após.
Com os olhos semi-cerrados foi se aproximando de mim aos poucos e puxou meu quadril, apoiando as mãos ao lado de meu corpo.
Meus pensamentos se baseavam em: — Droga, Droga, Droga!

Meu coração batia fortemente contra meu peito. Cogitei a ideia de que ele fosse rasgar meu peito e pular pra fora, me dando tchauzinho e quicando para longe de mim. Procurei desesperadamente uma desculpa antes que ele finalmente alcançasse a minha boca.

Sam, não podemos!-Ele me encarou tão perto de meu rosto que prendi a respiração.- Quero dizer — acrescentei. -, temos trabalho! Isso! Temos trabalho! — Deduzi que para comprar aqueles móveis e aquele bendito anel precisávamos de um trabalho que no mínimo ganhássemos milhões por mês.

Definitivamente, nunca fiquei tão feliz na minha vida por ter um trabalho.

Sam pareceu achar graça, pois logo deu uma risada divertida.

Não tenho clientes para atender. — droga. — Eu não sei porque ficou tão aflita, amor. Afinal, você nem trabalha.

Como se não bastasse, minha resposta tão adequada, provou-se não ser tão útil assim. E como se não bastasse, a Allice da realidade de Sam provou ser ainda mais inútil do que eu pensava.

Cheguei a conclusão que ela passava o dia alimentando Sam com viagra. Porque tava difícil.

Sam inclinou-se sobre mim mais uma vez, creio que já estava irritando ele. Achei engraçado por um momento. Até me lembrar o porque de estar ali e repeli ele mais uma vez.

Ele bufou.

O que foi agora? — exclamou com a expressão levemente irritada e as têmporas franzidas.

Eu ia responder, mas o despertador apitou tão alto que me deu um susto e eu empurrei Sam. Ele havia se assustado tanto quanto eu, e estava desnorteado. Com o golpe forte que eu desferi contra ele, surpreso, despencou da cama e caiu de encontro com o chão.

Não pude evitar e caí na gargalhada. Antes de tapar minha boca tentando amenizar o som. Normalmente eu ficaria séria, mas aquilo foi tão engraçado quanto a cara que ele fez em seguida.

Obrigado, "querida". — exclamou com o rosto vermelho de raiva e todo desengonçado voltou para cama.

Sam parecia realmente bravo. No fim, ele deu um sorriso maldoso e eu interpretei isso como um sinal de resistência.

Você acha isso engraçado? — seus olhos encararam os meus e depois o despertador, que causou tanto reboliço, ao meu lado.

Seu rosto empalideceu, parecendo que ele havia visto um fantasma. Olhei para trás. Felizmente não havia nada fora do comum ali.

Quando olhei para meu lado novamente, Sam não estava mais ali. Olhei a minha frente e ele estava em pé. Encolhendo-se para colocar a cueca boxer rapidamente. Depois virou-se para mim que estava observando silenciosamente a tamanha pressa.

Por quê não me lembrou? — franzi o cenho. — Estamos atrasados. — continuei com a mesma expressão e ele revirou os olhos, irritado. — Abbra. Tínhamos falado para Dean que iríamos buscá-la desta vez! — Abbra?!

Abbra? — sussurrei, porém alto o bastante para Sam se suspirar e exclamar de costas.

Vai, me dizer que você não se lembra da nossa... — ele não disse mais nada. Seu telefone tocou fazendo um barulho agudo e irritante. Ele atendeu, sem se importar se ainda estava semi nu.

Sam havia se virado, obrigando-se a colocar a calça nas pernas compridas. Mesmo confusa com tudo oque estava acontecendo à minha volta, ainda tive um bom tempo pra encarar-lhe de costas. Um calor espalhou-se sobre mim, mas ignorei. Sam era a incarnação do pecado. Bastava uma simples olhada em sua pele morena, seus lábios finos ou em seus olhos levemente puxados e eu já me derretia. Sem falar em suas mãos firmes e suas braços fortes que se estendiam através dos ombros largos. Adornado, firme e deliciosamente másculo. Como se houvesse sido esculpido com todo o cuidado do mundo. Principalmente suas covinhas das costas, logo acima de uma das coisas que eu mais adorava nele.

Sam era um pecado ainda mais atraente por ser proibido.

Apesar de observar ele milhões e milhões de vezes, com voltas percorrendo todas a sua musculação definida das costas. Escutava atentamente a conversa.

Sim, pode avisar que nós vamos, sim. — ele falava com o que parecia um homem, com a voz um pouco menos grossa do que a de Sam, mas mesmo assim forte. — Nós estamos indo, tivemos alguns... — Sam olhou pra mim e depois se virou novamente, mas eu não precisei adivinhar que ele sorriu de lado. — imprevistos... o homem pareceu rir e disse alguma coisa que eu não entendi muito bem. O tom de voz de Sam pareceu ficar mais sério. Por fim, exclamou desligando o aparelho logo após. — Idiota.

Sam se virou assim que terminou de vestir suas calças. Eu havia me enrolado novamente no lençol e estava encarando o teto, inquieta.

O que foi? — ele perguntou. — Por quê não se levantou ainda?

Como assim, "ainda"? — levantei a cabeça tentando me recuperar da tontura anterior — que quase sempre — era causada por Sam.

Continuei encarando-o, à espera que aquilo fosse uma piada. Em menos de dois minutos ele estava em cima de mim, tentando de alguma forma fazer sexo comigo e agora era como se não tivesse acontecido nada. Aquilo era estranho, e sem falar que, tudo era diferente. Sam era uma das principais coisas irreconhecíveis que eu mal conseguia ficar próxima. Pelo menos do jeito que ele queria.

Vamos buscar Abbra, então se arrume.

Não senti vontade de reclamar, muito menos de rir. Definitivamente Sam perdeu a vergonha e principalmente o respeito. Ele não havia falado assim comigo, nenhuma outra vez. E eu preferia que continuasse assim.

Olhei novamente pra ele, mesmo que não sentisse a mínima vontade de concordar, tive de fazê-lo. A minha vontade de discutir com ele, era ainda menor do que a de aceitar numa boa ele me tratando como uma propriedade. Então por essa vez, fiquei quieta. Xingando qualquer um que fosse, menos ele mesmo. Apesar de minha raiva intensa estar sendo causada por um certo moreno alto, e ao mesmo tempo não estar sendo.

Faz sentido? Eu acho que não.

Sam pareceu decifrar a concordância apesar de estar juntamente com meu silêncio contrariado. Ele sorriu, mas sem mostrar os dentes e suas covinhas que há pouco tempo eu julgava serem extremamente charmosas, passaram a ser a coisa mais estranha que eu já havia visto.

O que quer que fosse não me alegrava nada. E foi aí que as coisas começaram a piorar.

~~//~~

Relutante, desci as escadas. Como se não bastasse, tive de ficar meia-hora procurando uma roupa decente. E Sam começou a ficar ainda mais irritado. Coisa que eu percebi pela forma insistente que gritava para mim me apressar.

Talvez eu tenha demorado só de birra. Mas que eu avisei pra ele ir sem mim, eu avisei.

Outra coisa responsável pela minha demora, foi a bendita decoração do local. Sem falar das portas desnecessárias que me levavam pra lugar nenhum.
Eu não sabia que estar bem de vida significava ter portas pra materiais de limpeza. Um armário bastava, mas com a quantidade de produtos que tinha dentro do cômodo, eu julgava que daria pra fazer uma quantidade aceitável de bombas caseiras.

Sem exageros.

Sam parecia que ia desmaiar pela forma insistente que olhava no relógio todo o momento.

Olhava o relógio e olhava pro lado, olhava o relógio e olhava pro lado.

Eu estava ficando zonza ao ver a angustiação dele. Quando finalmente percebeu que eu já havia terminado de me arrumar, já havia descido todos os degraus da escada. Por pouco não tropecei e rolei nos últimos degraus.

Eu e salto alto era uma combinação sem sentido. Mais uma vez, Allice provou ser mais inútil que qualquer outra pessoa. Sem falar que não havia mais nada no closet dela, a não ser, vestidos exageradamente purpurinados e saltos agulhas mais finos no limite do possível e é claro, excessivamente extravagantes.

Eu me perguntava se até para ir no posto de gasolina ela se produzia tanto. Não, provavelmente não. Pessoas do tipo dela não precisam ir em postos de gasolinas.

Eu estava começando a saber como ela era, e não gostava. Eu esperava que Sam também não.

Sam ergueu o olhar quando — novamente — quase tropecei no tapete que tomava conta da sala de estar. O cômodo era ainda maior que o quarto e ainda mais bonito.
Apesar de preferir casas menores, não podia deixar de admitir que viver ali seria ótimo.

Você vai sair assim? — Sam perguntou, como se eu estivesse vestida de trapos.

Nua é que eu não ia. falei num sussurro, pois sabia que se me escutasse iríamos demorar mais tempo discutindo.

O quê? — perguntou curioso.

Nada. — preferi deixar como estava.

Vamos então.- ele disparou para a porta e por meio segundo exitei.

Engoli em seco quando percebi que tinha duas fotos estampadas em porta-retratos acima da estante, que jazia antes atrás de Sam. Uma criança de cabelos longos sorria abertamente, mas mesmo assim, desafiadoramente. Se não fosse por seu tamanho poderia arriscar que era um sorriso malicioso. Seus olhos me lembravam um pouco Sam, eram puxados para o lado quase que iguais o dele, mas tinham um verde parecido com o de Dean. O que me aliviou um pouco. Seus cabelos percorriam seus ombros como uma cascata negra, enquanto ela se apoiava em alguém nada mais e nada menos que Dean. Que a abraçava carinhosamente.

Mas porque diabos tínhamos uma foto com Dean e sua filha?

Vamos, querida! — Sam gritou, foi quando eu percebi que havia passado tempo demais encarando as fotos.

Andei rapidamente até a porta tentando me equilibrar no salto.

Os raios de sol atingiram meu rosto em cheio, enquanto pássaros assobiavam e o odor da grama recém aparada me envolveu.
Senti minhas pupilas se dilatando e minha cabeça — juntamente com o meu rosto — arderem, graças ao calor dos raios solares.

Sam estava com a cabeça pra fora do vidro fumê de um carro, nada mais nada menos que um Porsche branco. Parecia ser recém comprado e sua pintura reluzia perante o sol.

Fechei a porta com força e vi Sam puxar um pequeno controle preto. Escutei um "bip" do outro lado da porta.
"Alarme" pensei.

Então desci correndo a rampa ladrilhada que levava á porta principal, atropelando algumas flores.

Logo em seguida adentrei o carro. O cheiro do couro do volante e dos bancos era perceptível, mas o que predominava era o frescor no ar. Me parecia menta, mas eu não sei dizer realmente se era. O porsche passava a sensação de ser mais apertado que o Impala e além disso era um pouco menor do que eu imaginava.

Eu mal coloquei o cinto e Sam arrancou o carro. Minha cabeça bateu fortemente contra o banco, fazendo o meu pescoço estalar dolorosamente. O ronco poderosamente estrondoso do carro, fez-me arrepiar até a espinha.
Eu sabia como um porsche era rápido, só esperava que Sam soubesse disso também e não nos matasse.

V-Você sabe que estamos indo buscar uma criança? — Sam estava ocupado demais em não bater o carro.

Estamos atrasados! — por fim respondeu, sem dar a mínima pra minha pergunta.

Dessa forma a gente vai acabar chegando á tempo... ao inferno!

Sam ignorou-me, mas passou à diminuir a velocidade do carro. O que me aliviou um pouco.

Por fim, estacionou na frente de uma escola quase vazia, se não fosse por uma menina sentada nos três únicos degraus da entrada.

Assim que ela nos viu. Se levantou em um pulo correndo em direção ao carro. Sam correu pra fora do carro e abraçou ela com força, tirando-a do chão. Eu saí pra fora do carro com meio minuto de atraso. E pelo que deu a entender ele estava pedindo desculpas pelo atraso.

Ele deveria pedir desculpas a mim por quase ter me matado. Agora eu entendo o motivo de Dean quase nunca deixar ele dirigir o Impala.

Encarei os dois curiosa, eles pareciam ser próximos. Diria que quase inseparáveis, pela forma insistente e firme que Sam a abraçava, enquanto ela ria como um bebê em seus braços. Sorri com o canto da boca, quase sem perceber.

Virei-me pra entrar novamente no carro. Pelo jeito aqueles dois iriam continuar se abraçando por mais um tempo. Assim que abri a porta novamente, uma coisa no outro lado da rua me chamou a atenção.
Um homem de cabelos negros parecia se entreter com a mesma cena que antes eu contemplava. Ele estava de óculos escuros, mas deu pra perceber que ele aparentava ter 30 e poucos anos. Também tinha uma marca no canto esquerdo da boca, lembrando-me uma cicatriz.

Cerrei os olhos um pouco mais, o que provavelmente fez com que sua atenção voltasse para mim. Franzi o cenho e encarei o homem, percebendo que seu rosto se contraía em um sorriso formando-se entre seus lábios arroxeados. Ele afinou ainda mais o sorriso, arreganhando os dentes brancos. Puxou seu óculos um pouco pra baixo e então eu percebi que a cicatriz ia de seu olho direito até a sua boca. Porém a cor de seus olhos me passou despercebida, pelos raios solares que se concentravam justamente em seu rosto. Impedindo-me de ver qualquer outra coisa que fosse.

Porém, alguma coisa nele fez meus ombros contrairem-se involuntariamente. Outro arrepio percorreu meu corpo, quando senti alguém me abraçar. Meu corpo se retesou por meio segundo antes de me fazer virar rapidamente pra ver quem era.
Abbra.
A garotinha sorria e apertava minha cintura carinhosamente.

Levantei minha cabeça, já não sentindo mais o olhar dele sobre mim. Olhei novamente pra rua contrária e estava deserta assim como a escola. Não tinha mais ninguém e agora eu me perguntava se estava realmente alucinando ou tinha um homem me encarando do outro lado da rua.

Cheguei a conclusão de que não gostaria da resposta.

Amor? — demorei um tempo pra me dar conta de que era a mim que Sam estava se dirigindo.

Abbra soltou uma risadinha e desvencilou seus braços de minha cintura. Me senti desconfortável por um momento, até finalmente me virar novamente para Sam.

O que foi? — exclamei ainda mais distante do que o momento em que acordei na cama de Sam.

Você está bem? — a mão de Sam pousou em meu ombro direito.

Olhei pra ela por um momento e percebi o anel em seu dedo anular. Era uma forma imprópria de pensar, mas eu me sentia bem por saber que nessa realidade Sam era casado comigo. Apesar de não dever achar isso.

Então lembrei que ele havia feito uma pergunta e tratei de responder.

Sim, só... vamos embora. — suspirei cansada, olhando envolta. eu não me sinto bem aqui.

Notas finais
Bom, pra falar a verdade não era pra esse capítulo ter duas partes, mas fui obrigada a dividir. Eu tinha absoluta certeza que vocês não iriam querer ler todo ele. pois assim daria umas 9.000 palavras se eu falasse tudo o que tem pra falar aqui. e.e Por isso vou dividir ele e passar pro pc (fiz no caderno ;-; ) agora eu não sei quanto tempo vai demorar.