Back To You

2 Voltando à vida...


Notas iniciais
Olá de novo!! Primeiro cap pronto! Na verdade ele é a continuação do prólogo então escrevi novamente o prólogo antes de dar prosseguimento ao cap.A parte repetida estará em itálico,ok?! Boa leitura!

Eu estava caindo.

Ou pelo menos essa era a sensação que eu tinha.

De repente eu parei. Eu acho...

Deitada de olhos fechados eu procurei ter uma percepção do espaço ao meu redor. Foi só eu me concentrar um pouco e a dor veio.

Forte.

Meu corpo todo doía. Do dedo do pé aos fios de cabelos.

Minha garganta queimava e meu sexo ardia.

Deus! Era melhor eu continuar caindo!!Pelo menos eu não sentia toda essa dor.

Um soluço interrompeu meus pensamentos ainda confusos.

Forcei minha mente a continuar se concentrando mesmo que a dor fosse atroz.

Outro soluço.

Alguém chorava... Mas quem? Por quê?

Em quanto eu tentava pensar de forma coerente, os soluços aumentaram e ficaram descontrolados. Era uma mulher. Percebi sua voz pelas palavras gaguejadas em meio ao pranto descontrolado.

De repente a minha dor não importava mais. Só a dor dela...

Por que ninguém fazia nada?

Será que eles não podiam ouvi-la?

O som se fez um pouco abafado, como se ela tentasse sufocar o choro com as mãos ou então o sufocasse contra o peito de alguém.

Rezei pra que a minha segunda hipótese estivesse correta. Ninguém deveria sofrer tanto assim... Ainda por cima estando sozinha sem consolo.

-Vamos, Alice. Isso ainda pode levar algum tempo. Você não precisa... -Escutei uma voz grave falar. Mas ele foi interrompido pela mulher. Que em meio ao choro disse.

-Não!-Sua voz foi surpreendente forte ao negar mais logo falhou um pouco quando ela prosseguiu-Eu... Vou estar com ela... Até... -Soluçou-... O final.

Senti uma mão pequena e molhada de lágrimas em cima da minha imóvel.

Então compreendi.

A mulher... Alice. Chorava por mim.

Seu choro recomeçou forte e eu senti uma dor aguda no peito.

Em minha cabeça eu gritava.

Pare! Não chore! Eu estou bem... Eu vou ficar bem.

Mais meus lábios estavam selados.

-Vem aqui, Alice. -A voz grave disse.

Senti sua mão soltar a minha e por um momento lamentei a perda do contato. Sentir sua pequena mão sobre a minha em certo ponto era reconfortante diminuía um pouco o caos na minha mente.

Os soluços se tornaram abafados novamente e imaginei que o homem

, seja lá quem fosse a abraçava novamente.

-Você fez tudo o que podia Alice. Deus quis assim. Deus...

-Para... Por favor... Eu sei. Só... Só me deixa chorar.

Eu tenho certeza absoluta que a angustia dela poderia ser sentida a quilômetros de distância.

Ela não parava.

E aquilo estava me matando.

Juntando todas as forças que consegui, em meio à confusão e dor, tentei abrir os olhos.

Nada.

-Agora já chega! Vem vamos sair daqui.

Ele estava levando-a embora.

Lembrei-me então das palavras que ela pronunciou agora pouco.

Vou estar com ela até o final

Eles pensavam que eu estava morrendo?

Cristo!

Eu não estava!!!Quer dizer, eu não estou!!!

Pânico me tomou.

Volta aqui!-Gritei em minha mente.

O desespero me tomou. E lutei contra as amarras invisíveis que prendiam meu corpo.

-James... Espera!-A voz da mulher soou forte agora. -Olha a mão dela!!!Ela mexeu!!!Eu tenho certeza!!!Olha!!-Ela gritou animada.

Senti uma onda de alivio.

Ela me percebeu.

Eu estou aqui!!Não estou morrendo!!-Minha mente seguia gritando.

-Alice... -O homem falou em tom delicado. -Esses pequenos espasmos são comuns, como você bem sabe... Isso não quer dizer...Ela não voltou ,Alice. Aceite o fim.

Merda!!Quando eu conseguisse me mexer eu daria um soco nesse tal de James.

Supliquei em minha mente.

Não desista de mim!!Por favor...

-Não, James. -Sua voz era mais clara agora. -Foi diferente dessa vez.

Senti sua pequena mão na minha.

Fechei minha mente para tudo ao redor e foquei minha atenção em minha mão.

Se eu só pudesse...

-Jesus!!-Ela exclamou animada-Olha aqui!Olha!

Com muito esforço senti sua mão apertando a minha e eu...

Deus obrigado!!!

Eu apertava sua mão de volta!!

-Impossível... -Ele sussurrou.

Senti algo gelado em meu peito e de repente uma luz ofuscou um dos meus olhos. E logo foi para o outro.

-Isso é... Isso é impossível-Ele falou mais forte mais ainda deixando transparecer dúvida em sua afirmação.

-Bella? Bella? Ta me escutando? Aperta minha mão se estiver... Vamos Bella. Você consegue! Aperta... Só um pouquinho.

Concentrei minha mente novamente e ouvi sua gargalhada.

-Você voltou, Bella!!-Ela falou rindo.

Sua risada era tão viva que senti vontade de rir também.

-Alice... Isso pode ser...

Foi então que uma coisa realmente espantosa aconteceu. Ainda de olhos fechados eu vi um flash.Claridade! Perdi metade da frase do homem presa em meio a minha euforia.

Talvez agora...Talvez agora eu conseguisse...Abrir os olhos...

A claridade se tornou mais forte e pisquei.

Ouvi um arfar.

Mais tudo o que eu tinha no meu campo de visão era luz.

-Jesus Cristo!!!-Ouvi homem exclamar, ou melhor dizendo, gritar ou quase isso. Tamanho o seu espanto.

Pisquei umas mil vezes tentando adaptar meus olhos a luz.

De repente a luz diminuiu e consegui olhar o ambiente que eu tinha ao meu redor. Percebi que as cortinas do quarto estavam fechadas e entendi como a luz diminuiu tão abruptamente.

-Bella! Bella! Olha pra mim...

Pisquei tentando enfocar melhor minha visão que ainda estava um pouco embaçada.

A mulher... Alice estava a minha frente. Ela era linda. Seus cabelos negros cortados quase a altura dos ombros se destacavam em sua pele alva. Seus olhos verdes estavam cheios de lágrimas que escorriam em meio a um sorriso enorme.

Mexi meus lábios tentando falar com ela.

Agora que consegui despertar a consciência do meu corpo aumentou, embora ainda fosse difícil e doloroso fazer qualquer movimento.

-O que?-Ela aproximou o ouvido da minha boca.

-Não...Chore. -Falei em um sussurro rouco.

Ela soltou uma gargalhada.

-Não mais, amiga. Não mais.

O homem entrou no meu campo de visão e a primeira coisa que pensei foi... Uau! Como ele é bonito. Em seguida reparei em sua roupa.

Toda branca. Médico.

Ele sorriu obviamente já recuperado do susto, e veio com o estetoscópio pra verificar meu peito.

-Seja bem vinda de volta Isabella. Devo admitir que isso sim é que é uma surpresa.

Franzi um pouco o cenho ao tempo em que tentava desvendar algum significado oculto por trás de suas palavras. Ele parece ter lido a minhas intenções em minha face e emendou.

-Uma surpresa agradável... Mas ainda sim uma surpresa.

Ele se inclinou ao meu lado e apertou um botão.

Um minuto depois entrou uma enfermeira olhando diretamente para ele.

-Sim? Ela já esta pronta pra ser levada?

Será que ele notou a forma como ela suspirou antes de fazer a pergunta?-Pensei. Achando um pouco divertido o fato de que a moça nem se quer me olhou para reparar que a morta aqui estava bem viva.

-Não sei... Porque você não pergunta pra ela se ela esta pronta?

A enfermeira deu uma risada, obviamente pensando ser uma piada, mas voltou seus olhos na minha direção rapidamente, e logo depois voltou seus olhos para o médico ainda sorrindo.

Parou em seco e voltou a me olhar com os olhos enormes.

-Jesus Cristo!

Isso está ficando repetitivo- Pensei.

O médico sorriu e disse.

-Providencie pra que a sala de exames esteja liberada pra Bella. E avise aos meus estagiários, nos vamos fazer um checape pra avaliar qual é exatamente a situação da Bella.

Não passou despercebido por mim que ele sempre falou meu nome ao invés de falar paciente pra lá... Paciente pra cá.

Quer dizer... Eu acho que é meu nome.

Ou pelo menos é assim que eles me chamam.

Será que esse médico me conhece? Ou simplesmente já esta na natureza dele ser tão informal?

A mulher que ainda tinha um sorriso fixo no rosto e uma das mãos em cima da minha, certamente deve me conhecer pra sofrer tanto com a minha possível morte.

-A...Agu...A- Tentei falar, ainda com a garganta em chamas.

A enfermeira que tinha ficado parada a minha frente com os olhos esbugalhados rapidamente acordou de seu transe de horror e saiu da sala. Voltou só alguns segundos depois com um copo e deu-o a Alice ao invés de o dar a mim.

Tentei mostrar um pouco de dignidade e levantar o tronco do meu corpo, mas foi um esforço inútil.

Alice se sentou ao meu lado na beira da cama e com muita delicadeza pôs algo em minha boca.

Eram pedaços mínimos de gelo. Mais eu senti como se fossem pedaços do céu.

Aliviou um pouco a ardência e fechei os olhos em alívio.

-Bella?-Alice me chamou nervosa.

Abri os olhos.

Ela soltou o ar em alívio.

-Ufa!Eu...só ufa!

Tentei sorrir, mas agora que não havia mais a possibilidade de me declararem morta ou nada parecido. A dor cobrou seu preço.

O médico com seus olhos treinados percebeu minha situação na mesma hora.

-Bella... Escuta... Provavelmente você deve estar sentindo um desconforto na garganta e nas partes íntimas é claro. Além de dor nos olhos e dor de cabeça.

Pisquei com a precisão de sua percepção.

-Os músculos também, Há muito enrijecidos devem estar incomodando. Vou te dar uma rápida explicação antes de te dar um analgésico que vai aliviar isso tudo.

O olhei em expectativa.

-Você sofreu um acidente..-Ele olhou pra Alice e Fez sinal de negação quando ela deu a entender que iria interromper. Logo prossegui -Os detalhes eu vou te contar quando você estiver em melhores condições. Basta saber que você esteve em coma durante muito... Muito tempo. Há uma semana a sua situação se complicou e você foi entubada novamente. Por isso a ardência na garganta. Nós havíamos acabado de tirar os tubos quando você despertou. Você também usou cateteres o que explica o desconforto que eu imagino que você esta sentindo em suas partes íntimas.

Pisquei. Se eu estivesse em condições melhores teria ficado roxa com esse papo de cateteres e partes íntimas, mas como tudo me doía me limitei a piscar.

-Durante o seu período de... De coma. Alguns dos estagiários em fisioterapia trabalharam seus músculos... Mas mesmo assim imagino que eles devam estar incomodando bastante. Bem...Eu vou aplicar um analgésico porque teremos uma longa tarde de exames e quando você acordar novamente já estará se sentindo um pouco melhor.

Eu acho que meus olhos demostravam todo o meu pânico à possibilidade de apagar novamente, por que ele se debruçou sobre mim, seu rosto a altura do meu e falou com solenidade.

-A medicação não vai te levar de volta ao coma, confie em mim, ok?!

Prendi seu olhar por um longo tempo até convencer a mim mesma de que ele estava falando a verdade. Por mais assustador que essa nova realidade fosse era melhor do que sucumbir ao coma ou a uma possível morte.

Alice, que estava muito quieta até agora, falou. E eu virei meus olhos em sua direção quebrando o contato visual com o doutor.

-Confia no Doutor James, Bella. Ele cuidou pessoalmente de você esse tempo todo em que esteve aqui. Ele, como eu, nunca desistiu... -Sua voz foi morrendo até completar -Até hoje...

Fiquei curiosa pra saber o quanto de tempo queria dizer ”esse tempo todo” Mas como não conseguia falar muito bem, virei meus olhos para o médico e vi que por de trás da faixada profissional ele escondia algum tipo de emoção.

Ele parecia estar verdadeiramente contente pelo meu despertar.

Tentei acenar com a cabeça em acordo mais uma tontura me atingiu e rodei os olhos.

Logo o médico estava sobre mim, verificando minha pulsação no pescoço.

-Chega de papo. Você esta se cansado demais por agora eu vou agora preparar a sua medicação pessoalmente e logo venho aplicá-la. Confia em mim, Bella. -Ele falou segurando minha mão e olhando em meus olhos-Você vai ficar Bem.

Voltou seu olhar pra Alice e falou.

-Quando eu voltar, senhorita Brandon, A senhora vai ter que se retirar pra paciente descansar. E nem pense em driblar minhas ordens, porque se não eu proíbo as suas visitas. Todas as suas visitas -Ela falou severo, mas olhou de rabo de olho pra mim e piscou. E se virou caminhando até a porta.

-Ok. Eu já estou indo. -Ela falou com um sorriso inocente. Mas assim que ele saiu ela deu uma careta pra porta.

-Ok. Eu vou já, Bella. Mas volto amanhã, viu?! Prometo! Nem mesmo que o James queira ele vai conseguir me impedir de te ver amanhã.

Acenei ligeiramente com a cabeça e ela sorriu.

Eu tinha tantas perguntas... Mas com tudo me doendo definitivamente não era o momento certo pra fazê-las. Olhei para o copo de gelo que estava na mesinha ao lado da cama e ela entendeu a mensagem.

Pegou mais uma porção de gelo, que estava quase líquido a essa altura, e a colocou em minha boca.

-Ai não vejo a hora de podermos conversar direito... Temos tanta coisa pra falar. Já sei que não vou nem dormir essa noite tamanha a minha ansiedade. Mas... Bem... Considerando que todos estavam preparados para sua eminente morte hoje, penso que esperar uns dias não vai me fazer arrancar os cabelos de ansiedade ,né?!Até porque seria uma pena... Acabei de cortá-los assim. Me despedaçaria o coração arrancá-los. Ela falou sorrindo.

Tentei sorrir de volta. Apesar da minha cabeça estar me matando...Ter alguém que se esmerasse tanto para apenas me arrancar um sorriso era no mínimo reconfortante.

Novamente as dúvidas me assaltaram.

Quem era essa mulher tão gentil?

O que é que ela era minha?

Forcei minha mente já dolorida e tudo o que consegui foi uma pontada de dor.

Arfei e ela me olhou preocupada.

-Eu vou... Eu vou chamar o James. Volto logo.

Tentei dizer pra que não me deixasse só, mas evidentemente não consegui. Só saíram uns resmungos. Mas para aumentar a minha recente maré de sorte o doutor entrou antes que ela deixasse o quarto. Ele empunhava uma seringa enorme e meu coração disparou.

Ok .Acabei de descobrir mais um dado sobre mim.

Eu tenho pavor de seringas.

Mas ele deu um sorriso tranquilizador e apontou pra um tubo que ainda seguia enfiado no meu braço.

Permiti-me fechar os olhos em alívio e quando os abri, ele já se afastava com a seringa vazia e um sorriso satisfeito no rosto.

-Prontinho Bella. Já já você vai dormir novamente.

O pânico voltou com força.O médico olhou novamente em meus olhos e falou:

-Juro por minha vida, Bella. Que você não corre o risco de voltar pro coma graças a medicação.

Soltei o ar em uma lufada.

Não sei porque acreditei em suas palavras.

-Agora senhorita Brandon, hora de se despedir. A Bella será levada logo para a sala de exames.

Alice fez uma careta, mas logo se aproximou de mim. Segurando minha mão entre as suas disse:

-Ok. Eu já vou indo, Bella. Mas não fica preocupada, eu volto amanhã. Prometo!!

Assenti ligeiramente com a cabeça a apertei sua mão.

Ela me deu um sorriso emocionado, com lagrimas nos olhos.

-Eu estou muito, mas muito feliz que você tenha despertado, viu?!Amanhã nos veremos.

Ela beijou minha testa e se encaminhou para a porta. Se virou pra mim e deu um sorriso enorme antes de sair.

Eu podia sentir o medicamento fazendo efeito. As dores melhoraram consideravelmente e uma sonolência se abateu sobre mim.

O médico ainda ficou no quarto me observando e depois de um momento ele puxou a cadeira e se sentou enfrente a mim.

-Eu vou fazer a maioria dos exames hoje. O resto eu vou fazer quando você estiver se sentindo melhor já que necessitam que o paciente esteja consciente.

Procurei fazer um esforço extra pra manter meus olhos abertos e continuar escutando-o, mas logo me senti sucumbir.

A última coisa que escutei antes de apagar foi sua voz falando.

-Isso Bella, Não lute contra. Você vai ficar bem. Eu prometo. Vamos... Boa menina.

E assim, embalada pela suavidade de sua voz. Sucumbi totalmente à escuridão.

Notas finais
Espero que tenham gostado!!Aguardo a opinião de vcs ok?!Logo logo teremos altas emoções vindo por aí...Lembrando que o segundo cap só será postado depois do fim de Broken Dreams(O que deve acontecer ainda essa semana).BjuxxxxxxxxxE até logo....