Notas iniciais
Minha primeira fic original, espero que gostem =)

— Você sabe que não precisa fazer isso, minha filha. — Disse o homem lançando um olhar triste à jovem. — Nós ainda podemos fugir.

— Eles nos seguiriam e nos matariam. — A garota respondeu. — Não quero que você se machuque por minha causa.

— Mia... — Lorde James Knightely pôs uma mão sobre o ombro dela. Não eram nem um pouco parecidos: ele era baixo, com cabelos louros e olhos verdes. Mia era alta e de cachos negros, com belos olhos de um tom cinzento, uma cópia perfeita de sua mãe já falecida.

— Não teremos essa discussão novamente, pai. — Mia disse em tom de quem dá o assunto por encerrado. James suspirou.

— Como quiser. — O homem a fitou com tristes olhos verdes, e Mia soube que ele estava com medo de perdê-la. Sua esposa Felícia Cigam, mãe de Mia, tinha falecido havia nove anos, mas a jovem bem sabia que o pai ainda sentiafalta da mulher que amara. Ele a amou tanto que nunca chegou a se casar após a morte de Felícia.

Perguntou-se se Henry sentiria sua falta desse jeito se ela morresse.

Ela olhou para fora da carruagem conforme esta parava em frente ao palácio real. Respirou fundo. Henry não deixará que me machuquem. Ela tinha que acreditar nisso.


— Eu não vou fazer isso. — Disse o rei em tom decidido, batendo o punho na mesa. Seu conselheiro suspirou mais uma vez, já cansado; era um homem velho, com cabelos grisalhos e frios olhos negros.

— Majestade, eu devo insistir. — Disse o velho conselheiro, Lorde Robert Agronn. — Bruxas são perigosas. Devemos ter todo o cuidado. — O homem franziu o cenho. — Ainda nem sei por que nos damos o trabalho de convocá-la à corte para um julgamento. Ela devia ser imediatamente executada.

Rei Henry Justice virou-se para Robert com fúria nos olhos muito azuis.

— Ela é minha futura esposa. — Cuspiu com raiva. Era um jovem alto para a sua idade, com pele clara e cachos ruivos. Normalmente tinha uma expressão serena no rosto, mas quando se enraivecia, como agora, parecia completamente diferente do jovem que era. — É filha de um Lorde, vem de uma família antiga e honrada...

— E foi vista praticando bruxaria. — Interrompeu-o Lorde Robert. — Deve ser punida por isso.

— Não vou fazer isso. — Henry balançou a cabeça, tentando não demonstrar a agonia que sentia crescer dentro do peito. Mia, como você pôde ser tão estúpida? Ele a avisara, se a descobrissem ele não poderia ajudá-la, mas ela não tinha dado importância.

Não vou executá-la, me recuso a fazer isso.

Robert abriu a boca para dizer algo, mas neste momento, um guarda adentrou a sala.

— Vossa Majestade. — Disse o guarda fazendo uma breve reverência. — Lady Mia Knightely acabou de chegar.

Henry quis ordenar que ela fosse levada até ele naquele exato momento, mas sabia que não podia. Então apenas anuiu e disse a Robert:

— Faremos o julgamento e ouviremos essas... Testemunhas. — Disse a palavra com desgosto, não se importando de esconder sua insatisfação. — Mas não vai adiantar. Eu não ordenarei a execução de minha noiva.

— Se ela for culpada, temo que você tenha que fazer isso, Majestade. — Robert fez uma reverência. — Com a sua licença. — Ele se retirou, deixando o rei sozinho.

Henry ficou olhando a porta por alguns instantes, tentando controlar sua fúria. Sabia por que Robert estava insistindo naquilo. Era ambicioso, e nunca aceitara o fato de o herdeiro da coroa estar se casando com alguém que nãosua filha Anyha. Ele me quer para sua filha desde que nasci, pensou amargurado.

Suspirou e foi até a janela, encostando-se ao batente e observando o céu além. Era apenas um jovem, tinha 18 anos recém-completados, mas seu pai morrera quando ele tinha 16, e ele era rei desde então. Não era algo fácil, e de fato nem um pouco divertido, mas era seu dever. Ele não podia simplesmente desistir. Não tinha irmãos que pudessem herdar a coroa em seu lugar.

Seu casamento com Mia fora arranjado desde que ele tinha 10 anos, e ambos sempre foram amigos desde que ele se lembrava. Conforme o tempo passava, ele percebeu que a amava, e ela viu que podia confiar nele – confiar osuficiente para contar seu maior segredo.

Ele se lembrava do dia em que ela lhe mostrara seus poderes. Ele sempre temera bruxas, crescera ouvindo as histórias que se contavam. Mas quando Mia lhe mostrou do que era capaz, ele ficou encantado. Ela usava os poderes que lhe foram dados para fazer o bem, e não o mal.

No entanto, ele a alertara.

— Tome cuidado. Se lhe descobrirem, você será queimada em uma fogueira. Você sabe que eu não poderei impedir, não se for realmente provado que você é uma bruxa.

Ela apenas sorrira e prometera que tomaria cuidado.

Mas você não tomou. Você foi irresponsável, e agora eu não sei o que fazer.