Notas iniciais
Capítulo dedicado à Biscoita K =3

A corte estava lotada. Henry sentiu um desgosto profundo. Todos vieram para ver a desgraça da ex-futura rainha. Quis ordenar que todos fossem executados, mas se concentrou no que devia fazer ali, e não no que desejava.

Não pôde evitar pensar em como Mia estava bela naquele dia. Usava um vestido rosa claro de veludo, com um decote discreto e mangas que quase tocavam o chão. Seus longos cachos negros estavam presos em uma trança jogada sobre seu ombro direito.

Ela ajoelhou-se diante do rei.

Lorde Robert quem falou.

— Lady Mia Knightely, você foi convocada à corte para responder pelo crime de bruxaria.

Henry fechou uma mão em punho, mas se manteve calado.

O julgamento prosseguiu. As testemunhas foram chamadas, eram três e todas disseram ter visto Mia praticando bruxaria, ao tentar curar uma criança que tinha contraído uma doença gravíssima. Mia ouviu a tudo tão calada quanto o rei, seus olhos cinzentos fixos nas íris azuis de Henry. Ele podia quase vê-la dizendo as palavras: sinto muito. Quis levantar e ir até ela, abraçá-la e nunca mais soltá-la.

Por fim, Robert se dirigiu a Mia com um olhar triunfante.

— Você nega estas acusações?

A moça mal o olhou. Encarou o rei e então disse:

— Henry, por favor...

— Responda à pergunta. — Robert falou mais alto. Mia o olhou por um momento e então voltou a olhar para Henry. Ele sabia que ela sempre fora uma péssima mentirosa. Ela não vai conseguir fazer isso, percebeu com desespero.

— Eu sinto muito. — Ela disse ao rei com a voz frágil como vidro. Henry percebeu que ela já sabia, então, que não tinha salvação. Quis gritar que ela não podia desistir de lutar assim, mas tudo o que fez foi olhá-la.

Robert olhou para Henry com um sorriso de satisfação. Henry sentia sua garganta seca. Sabia o que tinha de fazer, mas não conseguia encontrar sua voz para dar a ordem.

— Vossa Majestade? — Robert disse.

— Henry. — Mia se levantou finalmente e avançou para o rei. Os guardas rapidamente avançaram para ela, segurando-a pelos braços. Ela lutou, mas por fim percebeu que não havia como se soltar, então olhou suplicante para seu noivo. — Por favor...

Henry percebeu que todos o encaravam. Seus olhos ardiam, mas ele se proibiu de chorar. Robert o olhava com irritação e expectativa.

— Prendam-na. — Henry disse por fim, e sua voz era rouca e baixa. Mas não baixa o suficiente para que Robert não o ouvisse; o velho conselheiro repetiu a ordem para os guardas.

Mia não lutou. Apenas olhou para Henry com lágrimas escorrendo pelo rosto. Antes que ela fosse levada, Henry já tinha se levantado e saído do salão, querendo mais do que tudo ficar sozinho.


A masmorra de pedra era fria e escura, e a palha que cobria o chão da cela de Mia fedia a urina. Ela encolheu-se contra a parede, abraçando os joelhos e chorando ao ponto de soluçar.

A quem ela estivera querendo enganar? Henry não podia fazer nada por ela. Nunca pôde. Ele era rei. Nunca podia fazer o que desejava.

Não soube dizer quanto tempo se passou. Após algum tempo, ela já não tinha mais lágrimas para chorar, então apenas fechou os olhos e tentou não pensar no que a esperava no dia seguinte, ao entardecer. Serei queimada na fogueira, como qualquer outra bruxa.

Assim que ela entrara no salão para seu julgamento ela soubera disso. Ela estava condenada, sempre estivera.

Lembrava-se do olhar angustiado e triste que Henry tinha quando a encarou antes de ordenar que fosse presa. A voz dele saíra como se ele tivesse algo preso na garganta, mas ela ainda pudera ouvi-lo. Após isso, ele tinha saído tempestuosamente do salão, e ela soube que estava perdida.

Ele estava tão belo, pensou lembrando. Ele tinha usado vestes em tons carmim e preto, com a sua coroa de ouro na cabeça, brilhando contra seus cachos arruivados. Parecia exatamente como um rei deveria ser. E agiu exatamente como um rei deve agir.

Ela não o culpava. Ele a tinha alertado do que poderia acontecer, mas ela preferira ignorá-lo. A culpa é minha, sempre foi.

Lembrava-se da primeira vez que mostrara a ele seus poderes – o olhar maravilhado que ele lhe dera. Ela ficara então feliz; achava que ele poderia rejeitá-la ao descobrir que ela era uma bruxa, mas ele jurou manter seu segredo bem guardado. E ele o guardou. Mas eu não.

Fechou os olhos e adormeceu.

Notas finais
Não sei fazer um julgamento é
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