Back In The USSR
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Em relação ao capítulo anterior, eu não referi, mas aquela placa existe mesmo!
E, para me redimir dum capítulo um pouco complicado e longo, ficam com um pequeno e simples.
Lennon foi até ao quarto do filho, sentou-se na beira da cama e olhou em redor. Faltava aquele pequeno anjinho ali. Julian tinha agora quase dois anos e Lennon não conseguia exprimir em palavras a inteligência do garoto. Não consegui dizer o quanto o amava e talvez esse começasse a ser o problema. Nem para Cynthia ele conseguia quase falar. E não era porque não queria, mas porque não podia. Sempre que chegava a casa, já os dois dormiam. Só deixava um beijo nos cabelos do pequeno e deitava ao lado da mulher. Nem sequer se atrevia a puxá-la para si, para não a acordar. Ficava algum tempo a fitar o teto e por fim lá adormecia.
Lennon pegou um ursinho de pelúcia do filho que tinha sido deixado em cima da cama e sentiu pena e remorsos. Aquele simples ursinho tinha sido ele quem lho oferecera no dia em que Julian nascera. Desde então era companhia fiel do pequeno, e agora ele não o tinha com ele. Se calhar já não o queria mais… Talvez Cyn lhe tivesse dito para o deixar, tal como algum dia fariam ao papá. Lennon estremeceu só de pensar nisso. Voltou a colocar o ursinho sobre a cama, ao lado do travesseiro, e imaginou o travesso do menino ali dormindo. Isso aqueceu-lhe o coração e ele deitou-se na sua cama. A sua fria, sem Cynthia lá, só com o perfume dela impregnando nos lençóis. Nunca ele sentiu tanto frio e abandono como naquela noite.
Quem também não conseguia dormir era Harrison. Também ele tinha o cheiro do perfume da (ex-) mulher espalhado pela cama, mas isso a ele causava-lhe nojo. No mínimo, nojo. Saber que ela dormia lá com o outro e depois dormia com ele, assim, sem se esforçar para sentir pena do marido por o trair. A ideia de matar Eric, ou até mesmo Pattie já lhe tinha andado na mente. Mas quem o salvou de cometer tal loucura foi o seu fiel amigo Starkey. Mesmo sem o saber, ele fazia Harrison lembrar porque outrora (e ainda agora) amava Pattie. E com ele via o tipo de castigo que canalhas assassinos podem ter. Por isso, matar Pattie estava fora de questão. Ele ainda a amava. E matar Eric estava fora dos seus planos. Ele não é assassino. Ele é polícia, detetive de homicídios, prende quem é assassino.
Mas aquele odor dela incomoda-o. Saber que ele lhe deu tudo naquela cama e ela depois ia com o outro…Harrison socou o lado da cama vazio. Lembrava-se como se fosse ontem ele obrigando-a a fazer as malas e sair. Ver pela janela Eric esperando por ela, de guitarra ao ombro. Ouvi-la dizer que Eric lhe dava aquilo que ele nunca lhe tinha dado. Viu-a correr para os braços dele, dando-lhe um beijo, sabendo que ele via tudo. Saber que ele tocava os cabelos louros dela, a pele dela, suave como veludo, que ele a olhava nos olhos quando entrava nela e lhe arrancava suspiros, tudo isso enfraquecia Harrison. E tudo tinha acontecido há já quase três meses. Mas ele decidiu ser forte. Porque ela tinha sido “apenas” mais uma na sua vida. Uma que ele amara, antes. Haveria alguém que seria merecedora do amor dele, e ele do dela. E esses pensamentos aqueciam-lhe a alma, e punham-lhe um sorriso.
Starkey, esse sim, sabia que Eva não havia sido apenas mais uma. Em apenas uma noite ele afeiçoou-se a ela. E ele não queria que ela se esquecesse a noite anterior. Apenas lhe daria um pouco de tempo para lembrar tudo e sentir saudade. Saudade já Starkey sentia e ainda só se tinha despedido dela nessa manhã. Ainda muito cedo para dizer o que quer que fosse, mas ele gostou da companhia dela e queria repetir aquela noite e manhã outra vez.
Ele sorriu ao encarar a cama vazia com os lençóis ainda enrodilhados. Como ele gostava de não ter quem lhe arrumasse a casa. Chutou os sapatos e atirou o casaco para qualquer lado. Deitou-se na cama; os lençóis ainda com o perfume da jornalista. Ainda a conseguia ver ali deitada e gostou do truque que a sua mente lhe pregou. Com parte do dinheiro que tinha ganho levaria Eva a jantar fora e a faria ver que gostaria de a ter por perto. Verdade é que já fazia algum tempo em que se interessara em alguém. Fazia tempo desde que alguma mulher tenha deitado ao lado dele na cama sem que ele no fim tivesse que lhe pagar.
O mesmo não podia McCartney dizer. Pela sua cama passava todos os dias uma mulher. Sempre uma mulher diferente, sem que ele tivesse que pagar para isso. Aliás, elas quase tinham que pagar a ele. McCartney sentia-se como um gigolô, só que era ele quem procura as mulheres, ele era um mulherengo. Todos os dias via uma mulher diferente, dava gozo a uma mulher diferente, desde as loiras às morenas, às de olhos azuis às de olhos pretos, das brancas às negras (mesmo sendo relacionamentos inter-raciais proibidos).
Ele não sabia mas os seus genes já andavam aí no mundo. Nove pequenos McCartney’s (6 meninos e 3 meninas) tinham nascido destes acasos. Mas quem visse este homem não diria que ele era infeliz. Tinha um gozo imenso em ter muitas mulheres, em saber que as tinha a comer na palma da mão, em saber que as conquistava todas. Mas ele estava a ficar cansado de não conhecer uma única face, de não saber um único nome. Ele nunca tinha tido nenhum relacionamento, nem sério, nem de brincadeirinha. E sobre isso o seu amigo brincava dizendo que ele ainda era virgem nisso. E agora McCartney sentia-se farto de ser virgem nesse ponto da sua vida. Queria uma mulher que conhecesse. Uma única mulher.
Todos os quatros homens só queriam uma única mulher naquele momento.
Notas finais
Gostaram ou isto cai aqui de pára-quedas? No próximo capítulo já volta a ação!
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