Back In The USSR
7 Capítulo 7
Notas iniciais
McCartney e Lennon estavam sentados nas secretárias dos dois detetives, que ainda não tinham chegado. Era já meio da manhã e até Martin tinha perguntado por eles. Não era costume eles se atrasarem.
–Ponto meu! – Lennon falou, levantando os braços em vitória. – Um a zero!
–Um a zero, o tanas! – O outro resmungou. – Um a um porque eu já acertei um também!
–Não conta se a bola bater no cesto e só depois entrar.
–És um batoteiro, John! – McCartney acusou, arremessando outra bola de papel para o cesto do lixo em frente. – Dois a um!
–Dois a zero! – Lennon disse entre dentes.
Martin saiu do seu gabinete mais uma vez, procurando por Starkey e Harrison, estranhando a demora deles. Foi quando se deparou com os agentes do MI6 de pés sobre as secretárias, arremessando papéis para o lixo. – Cavalheiros, depois quero isto tudo apanhado. Não pensem que por serem convidados que vão ser tratados de maneira diferente. Na minha delegacia joga-se pelas minhas regras!
–O senhor só é Capitão da divisão de homicídios. – Lennon lembrou em tom de gozo. – A delegacia não é sua!
Martin apontou-lhe o dedo bem perto da cara e falou, o agente sentindo o bafo dele na sua cara. – Ouça-me bem, senhor Lennon, a esquadra não é minha, mas este andar é! Por isso, é bom que se comportem ou todo o plano que têm fica sem efeito. Estamos entendidos?
–Sim senhor! – McCartney e Lennon disseram ao mesmo tempo. Assim que o Capitão virou costas, eles fizeram uma careta e continuaram a jogar.
McCartney sentiu alguém tocar-lhe de leve no ombro e rodou a cadeira para ver quem era. Preparava-se já para gozar com Harrison ou Starkey e foi quando deu de caras com a mulher mais linda que ele já tinha visto.
De cabelos louros pelo ombro, ela olhava-o com os seus olhos escuros e deu um sorrisinho antes de falar. – Eu não sei se estou a falar com a pessoa certa, mas eu preciso de ajuda.
–Não sei o que procura, mas eu sou a pessoa certa! Por favor, venha comigo para falarmos mais à vontade. – McCartney disse todo galante, levantando-se e levando a moça até à sala de descanso para lá falar com ela. Olhou para trás para o parceiro e recebeu um olhar esbugalhado e reprovativo. – Podemos falar aqui. De que precisa?
Os olhos dele percorriam a jovem moça e ele sentia-se fascinado a olhá-la. Mas ele não a olhava com desejo carnal…ele a achava linda, simplesmente isso, e sabia que estava a sorrir que nem um tonto. E achava surpreendente que os seus ouvidos estivessem realmente a escutar cada palavra que ela dizia.
–Eu e o meu namorado acabamos assim um bocadinho mal e desde que ele soube que eu estou grávida, — Ela deitou a mão na pequena barriga. Era pouco saliente, dando a entender que ela estava grávida de muito pouco tempo. – que aparece em minha casa e quer entrar à força. Eu não sei que mais fazer. – Ela disse num suspiro.
–Não se preocupe com isso. – McCartney olhou em torno procurando um papel e uma caneta. Escrevinhou alguma coisa e deu-lhe o pedacinho de papel para a mão. – Aqui tem o meu número. Cada vez que ele aparecer, ligue-me.
–Obrigada… — Ela fez uma pausa, querendo saber o nome da pessoa a quem agradecia.
–Paul, — Ele disse sorrindo. – Paul McCartney.
–Eu sou Linda Eastman.
–Prazer conhecê-la, Linda. – Ele disse, beijando-lhe a mão ternamente.
Linda sorriu e disse antes de sair. – Sr. McCartney-
–Paul, por favor. – Ele disse.
–Ok… Paul, para todos os efeitos, eu sou viúva e não mãe solteira.
–Com certeza.
Quando McCartney chegou à beira do parceiro, ainda levando aquele sorriso bobo nos lábios, foi recebido com uma data de bofetões na nuca e nos braços. Lennon apontou-lhe o dedo e disse. – Nem penses, Paul. Eu não quero saber com que mulheres dormes, mas eu não vou deixar que faças isso com uma grávida!
–O quê!? – Ele perguntou incrédulo. – Achas? Eu não sou assim tão insensível! Além disso, eu ofereci-me para a ajudar.
Lennon deu-lhe mais tapas, resmungando. – Ajudar em quê? Não penses que vais dar gémeos aquela mulher até porque agora já não consegues! Tu estás-me a ouvir?
–Estou, tira as mãos de cima de mim! – McCartney segurou o amigo pelos pulsos e deu-lhe um abanão. – E acalma-te homem!
–Hey rapazes, vão dançar o tango? – A voz de Starkey fez-se ao ouvir e ele logo apareceu.
–Que piada, Starkey! – McCartney falou meio grosso, ainda meio estranho com o comportamento de Lennon. – Aqui o John é que dormiu do lado errado da cama e não está a funcionar direito!
–Podia ter dormido, não tem ninguém lá mesmo! – Ele bufou, sentando-se na beirada da secretária.
–Bom dia. – Harrison disse, chegando também à beira deles. – Para quem chega sempre atrasado, hoje vocês esmeram-se e vieram até mesmo antes de nós!
–O vosso chefe já perguntou por vocês umas cem vezes. – Lennon proferiu, tentando melhorar o humor. Ficar irritável por não ter Cynthia ou Julian não ia ajudar em nada.
–Ele é um chato mesmo! – O baixinho disse, sentando-se à sua secretária que ficava logo ao lado da do seu parceiro.
–O que é isto? – Harrison perguntou, vendo uma coisa circular envolta num guardanapo sobre a sua mesa.
–Eu decidi redimir-me pelo que fiz ontem e trouxe-te um donut… — McCartney explicou.
–Hey homem, agora já gosto de ti! – O detetive disse, desembrulhando a rosquinha que nem criança a desembrulhar prenda de Natal e deu logo uma trinca, murmurando com os prazeres gustativos do pequeno bolo. – Isto é que é forma de começar o dia! Trouxeste também café?
–Eu disse que me queria redimir não servir de teu criado!
–E para mim? Não há nada? Eu fui o grande vencedor de ontem à noite! – Starkey perguntou, esperando algo também.
–Para ti não há nada campeão. Depois de me limpares 100 Libras achavas que eu te ia trazer alguma coisa?
–E eu a achar que estavas a dar numa de santo, Macca! – John sentia-se melhor o suficiente para dar a sua pontada sarcástica. — Ajudares mulheres, sem ser sexualmente, a oferecer coisas…Bem, eu estou fascinado com o que vejo!
–Está calado, cegueta!
McCartney encostou-se na secretária de Harrison e este andou com a cadeira até ao meio do corredor para estar perto de todos. – Então, como é que vai ser essa coisa do negócio?
–Calma aí, magricela ou ainda te entalas! – Lennon gozou.
–Eu quero e tenho que saber. Quer dizer, eu vou ser enfiado na toca de um KGB, é bom que saiba o que vai acontecer!
–Bem, já que insistes, é assim…
Lennon e McCartney foram tomando a vez para contar o plano. McCartney iria (tentar) seduzir uma mulher que anda sempre com Sokoloff, de modo a pedir que ela interceda junto do checo e deixe Harrison entrar no jogo de Texas Hold ‘Em. Starkey servirá de salvador de toda a situação já que Lennon não poderá fazer nada e o outro MI6 estará certamente ocupado…
O negócio consiste em trocar charutos cubanos por droga vinda do México. Os Serviços Secretos já revelaram alto interesse em quer deitar as mãos a esse contentor cheio de droga e nada melhor do que usar isso como moeda de troca. Contudo isto era uma informação ainda recente e Harrison corria riscos em pedir isso em troca. Mas o detetive não se preocupou com isso.
–Tudo entendido, garotada? – Lennon disse, finalizando.
–Tudo. Mas porquê ‘garotada’ se somos todos da mesma idade? – Starkey perguntou, afirmando a seguir. – Na verdade, eu até sou mais velho que tu!
–Como sabes isso? – O MI6 disse apanhado de surpresa.
–Achas que és o único que chega aqui e sabe de tudo?
–Bem, isso não importa. – McCartney falou, tentando evitar conversas paralelas e desviadoras. – O que interessa é que aparecem amanhã no Cavern.
–Tudo combinado.
Os dois MI6 despiram-se com um aperto de mão dos detetives e saíram. Lennon perguntou então a McCartney, quando já estavam na rua. – Aquele donut foi por pena de saber que a mulher dele o traiu ou foi mesmo ato de generosidade e arrependimento teu?
McCartney rolou os olhos e respondeu. – Agora já não posso ser simpático, não? – Não obtendo resposta, ele perguntou. – Porque não lhe disseste que ele provavelmente vai levar uma porrada que nem vai conseguir andar? …Ou falar!
–Foi por isso que lhe deste o donut! – Lennon concluiu. – Foi para ele te achar simpático e tu não teres que falar!
–Foi uma das razões, sim! – Ele confessou. – Mas porque não lhe disseste?
–Como é que dizes a uma pessoa que ela provavelmente vai ser surrada?
–Bem visto…
Enquanto estes dois discutiam os seus assuntos, Harrison também perguntava ao seu parceiro. – Como é que sabias que ele é mais novo que tu?
–Não sabia! Eles presumivelmente sabem tudo sobre nós e eu só atirei à sorte!
–Bem, tiveste sorte nisso! Hey, achas que o McCartney me deu a rosquinha pelo susto que me deu ou por pena de saber sobre a Pattie?
–Acho que foi pelo susto.
–Tu realmente és muito inocente em acreditar que as pessoas são todas boas na sua essência!
–Tu fizeste-me uma pergunta e eu respondi-te! Eu dei-te a minha opinião! Eu acho que eles são tipos legais.
–É, isso também não posso negar. Eu acho que eles são porreiros.
–Achas que a gente se safa com o negócio?
–Não sei, mas eu sei que tenho as minhas costas protegidas… – Harrison afirmou, olhando o parceiro de forma mais séria.
Durante o resto do dia McCartney e Lennon foram discretamente até as instalações dos Serviços Secretos e Starkey e Harrison ficaram a jogar um pouco de Texas Hold ‘Em, para preparação do detetive. As horas passaram rapidamente até que o sol se pôs e os dois detetives saíram para tratar de um certo assunto num certo bar no centro da cidade…
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