Notas iniciais
Mais um, só pra chatear vocês!

A noite estava escura e cerrada, com nuvens negras tapando o céu. Paul caminhava, tentando seguir a linha da estrada de modo a saber que ainda tinha alguma consciência do que fazia. No entanto, a cada passo tudo se tornava mais difícil. Carregava John sobre um ombro e tinha uma bala incrustada no ombro contrário.

Ele tropeçou, caindo. Paul tombou sobre o corpo de John, ficando assim um pouco, reunindo as forças para continuar. Levantou-se, carregando o amigo novamente. Passou pela placa que indicava que o hospital estava a um quilómetro dali. Meio caminho já estava feito e ele se achava capaz de fazer o outro meio.

Paul esboçou um fraco mas verdadeiro sorriso ao ver as luzes do hospital. Continuou se arrastando para lá até que foi abordado por enfermeiros que tiraram John do ombro dele. Deitaram os dois sobre as macas e Paul só insistia a perguntar:

–O John está bem? Ele vai ficar bem?

Vendo que ele não ficaria quieto sem que lhe respondessem, um enfermeiro disse. – Sim, ele vai ficar bem.

–De verdade? – Os olhos de Paul já se fechavam enquanto o levavam para o bloco operatório.

–De verdade. – Após essa resposta Paul deixou-se finalmente desmaiar.

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–SCOTLAND YARD, AJUDEM! – Rick berrou entrando pelo hospital adentro, carregando Eva nos braços.

Imediatamente a arrancaram dos braços dele e a levaram para cirurgia. Mas Rick não tinha as suas esperanças muito altas. Ele estava todo manchado em sangue dela e ouvia os médicos falarem muito alto enquanto a levavam…como se as coisas estivessem a correr mal.

George apareceu logo atrás dele, trazendo a moça desmaiada no colo. Só agora com a luz foi que viu o quão bela ela era. Os cabelos escuros emolduravam a cara dela, e o tom de pele dela muito bronzeado fazia contraste com a fronha da almofada branca da maca na qual a deitavam. Ela era magra que nem ele, mas tinha uns lábios carnudos e George até se questionou se era errado estar a admirar uma mulher num sítio daqueles. Ainda por cima estando ela desmaiada.

George teve que puxar Rick com ele, que ainda estava estático olhando as portas por onde desapareceram com Eva. – Vem, ela vai ficar bem.

–Não vai não. – Ele murmurou, sacudindo o braço para que George tirasse a mão dele e caminhou para a sala de espera.

Os dois não trocavam palavras entre si. Rick reconfortou-se numa cadeira e pouco depois adormecera, completamente exausto. George continuava olhando entre o parceiro e as mãos. Por fim acabou tirando a aliança e prometeu a si mesmo que no dia seguinte estaria assinando e entregando a Pattie os papéis do divórcio.

George ouviu um grande alarido vindo do lobby do hospital. Rick acordou estremunhado com o barulho e ambos foram ver o que se passava. Deram com Paul trazendo John ao ombro. E aquilo foi algo que não esperavam ver…pelo menos assim. Esperavam que fosse John quem carregasse Paul.

Também Paul foi imediatamente levado para o bloco operatório e John para a enfermaria. Cientes que ambas as cirurgias demorariam tempo, decidiram ir para a enfermaria, para junto de John. Assim que entrou, George foi logo cercado por uma enfermeira que começou a tratar as feridas dele.

–Como é que ele está? – Rick perguntou a uma enfermeira que estava a acabar de colocar soro em John.

–Vai ficar bem, não se preocupe. Tem uma contusão na cabeça, mas nada de mais grave. Daqui a pouco deve acordar.

Ainda a enfermeira tinha acabado de ir embora e John abriu um olho, sussurrando. – Ela já foi embora?

–Já, valentão! – George disse, chegando-se à cama dele.

Lennon começou depressa a tirar a agulha do soro que estava presa no braço dele. – Hey, que estás a fazer? – Agora fora Rick quem o interpelava, empurrando-o para que ele se deitasse de novo na cama.

–Como é que eu vim parar aqui? O Paul? Eu deixei-o para trás-

–Calma, homem! – Rick empurrou-o outra vez para que ele se deitasse. – O Paul carregou -te até cá. Ele está em cirurgia, mas ele não morre com uma bala num ombro.

–Mesmo assim, eu tenho que ir para lá-

–Pára quieto ou eu forço-te a isso! – George ameaçou. – O Rick vai esperar fora da sala de operações e assim que souber alguma coisa ele vem contar.

–E eu vou ter que ficar aqui contigo?

–Boa sorte em segurar a besta! – Rick gozou dando um tapa no ombro de George. – E vê lá se descobres quem ela é. – Ele apontou a moça deitada na cama à esquerda de John e depois saiu. Ela era a tal mulher que George tinha trazido, inconsciente.

–Nem penses em te levantar, estás a ouvir? – George falou caminhando para a porta.

Intercetou uma enfermeira que o informou que a mulher estava desnutrida, provavelmente tinha passado dias sem comer e beber, mas que acordaria em breve. Quando voltou a entrar na enfermaria já John estava a tentar esgueirar-se. George agarrou nele pelo braço e o arrastou de novo para a cama.

–Estás-me a aleijar, pessoa mirrada! – Os dois trocaram um olhar e John agarrou no braço dele, apertando-o. – Puxa homem, és só pele e osso!

–Estás-me a aleijar agora tu, pitosga! – O detetive reclamou enquanto se ia ajoelhando. – Larga-me! – Ele falou num arfo.

John largou o braço de George que rapidamente se levantou e o empurrou no braço. Lennon puxou da almofada e lhe bateu com ela. Harrison olhou em volta mas não encontrou nada para contra-atacar.

–Oi… — Lennon falou, colocando a almofada atrás da cabeça outra vez.

–Vejo que está melhor, Sr. Lennon. – A enfermeira falou e ele apenas sorriu.

–Consideravelmente melhor, até porque eu hoje já morri!

A enfermeira não entendeu e foi dar a mediação aos outros pacientes que estavam na enfermaria também. George puxou uma cadeira para perto da cama de John e sentou-se nela. Os dois ficaram conversando até que Rick apareceu na porta, dizendo. – O Paul saiu do bloco. Ele está bem.

George nem viu John saindo pela enfermaria fora tal tinha sido a rapidez dele. Rick sentou-se na beira da cama de onde John tinha acabado de saltar e o amigo perguntou-lhe.

–E a Eva? Alguma notícia dela?

Rick apenas negou acenando com a cabeça e acrescentou. – Uma amiga dela está a vir para cá, já que pelos vistos ela não tem família…

George tentou então confortá-lo. – Vais ver, se calhar estar a demorar pode ser uma coisa boa…

Rick desabotoou o casaco, mostrando a George todo o sangue que tinha camisa. – Com este sangue todo que ela perdeu achas que demorar é coisa boa? Olha, — Ele fez sinal com a cabeça para que ele olhasse para a mulher que tinha trazido. – ela acordou. Vê lá se não a assustas com esse olho negro! – Dizendo isso Rick saiu outra vez da enfermaria.

George levantou-se e caminhou devagar para a moça. – Olá…?

–Onde estou?

–No hospital… — Ele segurou de leve nos braços dela, fazendo-a deitar-se na cama. – Não tente levantar-se. Está muito fraca.

–Quem é você? – Ela olhava o detetive, ainda confusa.

–Detetive George Harrison. Achei você num contentor vindo do México. Pode-me dizer o que fazia lá dentro?

– O meu nome é Olivia Trinidad Arias. — Vendo que George não desgrudava os olhos dela, procurando por algo mais na resposta dela, ela acrescentou. – Eu fugi do México… Detetive… — Ela agarrou na mão de George e o coração dele saltou uma batida, ficando paralisado olhando os olhos escuros dela. – não me mande de volta… por favor.

–Não o farei, – George beijou-lhe as costas da mão, segurando a mão dela nas duas dele. – não se preocupe.

Olivia sorriu para ele e George sentiu a respiração ficar presa no peito. Curioso como ele achava mais belos os olhos escuros dela do que os olhos azuis de Pattie. Talvez porque Olivia mostrava ternura no olhar…coisa que Pattie há muito não mostrava. George achou que tinha sido sinal do destino o facto de ele ter ainda há umas horas guardado a aliança no bolso, pondo finalmente fim naquele casamento. Depois de ficar algum tempo feito pateta olhando Olivia, ele sorriu também porque o seu coração já se tinha desprendido de Pattie e ele via ali na frente dele alguém melhor…E George que sempre dissera que isso de amor à primeira vista era uma bobagem agora se via forçado a admitir que tinha sido atingido por essa bobagem.

Olivia estava fraca e quando o médico entrou para dar uma olhada nas pessoas decidiu dar-lhe um sedativo para que ela dormisse novamente. Depois andou para a cama onde John tinha estado e pegou na prancheta, lendo o que dizia.

–Onde está o Senhor Lennon?

George deu um risinho e para que não fossem busca-lo, mentiu. – Sou eu. – Ele deitou-se sobre a cama.

O médico rolou os olhos, pensando que George o via como retardado que iria acreditar. – O hematoma da sua cabeça desapareceu rápido, Sr. Lennon. Você é um milagre da medicina!

De qualquer das formas, o médico ignorou e foi embora, não se preocupando em saber onde estaria o verdadeiro Lennon. George acabou por adormecer deitado lá na cama. Rick foi dar uma espreitada na enfermaria e viu o amigo dormindo. Foi até ao quarto onde estava Paul e ele estava ainda sedado. John dormia na cadeira ao lado da cama dele.

Parecia que ele era o único que ainda andava acordado, vagueando pelo hospital à espera de notícias de Eva. Foi sentar-se na sala de espera outra vez. Perguntou a um médico que passava por notícias de Eva. O médico nem chegou a abrir a boca quando uma mulher morena sentada nas cadeiras atrás dele que disse.

–Vem comigo. Eu te levo até à Eva.

–E você é? – Ele perguntou engasgado. Tal como George se tinha sentido há pouco ao ver Olivia, também ele se sentiu igual vendo aquela mulher.

–Sou…Era amiga da Eva. – Ela estendeu a mão para um cumprimento que Rick concedeu. – Maureen Cox.

–Richard…Rick…Starkey… — O homem nem conseguia falar direito, atrapalhando-se com as palavras tal era o encanto que Maureen causara nele.

–Vem então comigo. – Maureen falou cabisbaixa, caminhando pelo corredor do hospital, sendo seguida por Rick.


Notas finais
Agora, para onde eles foram ver a Eva, isso eu não conto agora! kkkkk