Back In The USSR
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Rick não estava a gostar do caminho que seguiam, que foi dar à morgue. Ele não conseguiu conter o longo e profundo suspiro ao ver que o corpo de Eva estava lá sobre uma marquesa.
-Eu e a Eva eramos amigas, mas fomos nos distanciando. Ela estava sempre fora por causa de reportagens e artigos… — Maureen suspirou e começou a chorar. – mas nunca achei que isto a fosse matar. Sabia que ela estava sempre em perigo, mas nunca pensei…que isto chegasse tão longe.
-Eu sei… — Rick abraçou Maureen com força. – A primeira vez que a vi, também vi logo que ela era uma aventureira maluca! – Ele brincou puxando de Maureen uma gargalhada.
-Vocês estavam juntos?
Rick ficou procurando palavras para se explicar e acabou dizendo. – Flirt casual de bar. Estivemos juntos… umas duas vezes.
-Ainda assim causa dor, não é?
Ele deu de ombros e respirou fundo, vendo Eva sem vida. – Perder uma vida humana é sempre doloroso…
-Lamento ter que deixá-lo sozinho, mas agora tenho que ir. – Maureen falou. – Mas fique com o meu número. Gostaria de falar consigo numa outra altura… numa mais apropriada.
Rick ficou o número de Maureen e assim que ela saiu da morgue ele aproximou-se do corpo de Eva, afastando-lhe umas mechas de cabelos.
-És uma louca, sabes? Arriscar a vida pelo emprego? Aqui só eu posso fazer isso, porque isso é o meu trabalho! – A mão dele desceu à face fria dela e acariciou-a. – Não tinhas que ter feito o que fizeste. Eu poderia ter-te contado tudo…mas tu preocupaste-te em pensar no que eu iria achar disso. Que só estavas comigo para ter informação….Mas eu não pensaria isso, Eva. Contudo, quando as pessoas dizem que as coisas na vida não acontecem por acaso…eu agora acredito. Estás-me a atirar para a tua amiga, não estás? – Ele próprio gargalhou mas depressa se calou vendo-a quieta. – Podes ter sido um flirt casual num bar, uma coincidência qualquer, mas isso não significa que não tenhas tido importância para mim. Tu mudaste-me. Sabes como? Logo à noite, eu não vou querer ir para um bar de strip. Vou ficar na companhia dos meus amigos e mais tarde ligarei à Maureen. Fizeste-me ver um outro lado da vida, sabes? Deixei de ser tão superficial. E agradeço-te por isso. – Ele inclinou-se sobre ela, colando os lábios nos dela. – E por tudo o que passamos, mesmo que tenham sido só dois dias. Eu falei verdade quando disse que tinha sido um prazer conhecer-te, e está na altura de te deixar ir. Adeus, Eva. – Rick fechou os olhos e cobriu a cara dela de novo com o lençol, saindo.
Rick foi até à enfermaria onde encontrou George e Olivia, ela rindo do que ele dizia. E sorriu pela felicidade do amigo. Já há muito que não o via assim.
-Olá!
-Olivia, este é o meu grande amigo que ainda há pouco te falei, o Rick. E Rick, esta é a Olivia.
Os dois trocaram um olá e Rick voltou a falar. – Eu vou para casa. Tomar um banho…queimar a roupa.
-Estás bem, Ritchie?
-As coisas estão a melhorar com o passar do tempo. Não te preocupes.
-Ok, se assim o dizes, eu confio. Até porque és muito mau mentiroso! – Ele riu e Rick fez o mesmo. – Eu vou ficar mais um pouco. Estamos à espera do médico para dar alta à Olivia e depois saímos também.
-Oi… — McCartney apareceu junto deles como se tivesse vindo a correr. – Finalmente vos encontro.
-Onde está o Lennon? — George perguntou espreitando para trás de Paul.
-Está bem. Foi tratar de uns assuntos… — Ele continuava a franzir o cenho olhando Olivia. – Eu ia sair agora também. Quem-
-Ótimo! – Rick falou puxando-o pelo braço e cortando-lhe o discurso. – Eu também ia agora embora, por isso fazes-me companhia! – Vendo que ele continuava apontando entre George e Olivia, ele declarou. – Eu explico no caminho, agora anda!
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Paul acordou lentamente, abrindo um olho de cada vez. Era já manhã e ele se sentia muito molengo devido à grande dose de analgésicos e da anestesia da qual agora quase não sentia o seu efeito. A muito custo sentou-se na cama e viu que John ainda dormia lá na cadeira ao lado dele.
Ele sacrificara-se para carrega-lo até ao hospital, não o deixando para trás, e saber que ele estava ali, que não o tinha abandonado, fê-lo sentir-se bem. Saltou abaixo da cama e viu uma muda de roupa lavada, o que lhe causou estranheza. Quanto tempo havia passado mesmo?
Bem, quando John acordasse ele lhe perguntaria isso, mas agora o deixaria dormir e ir-se-ia vestir porque hospitais é o sítio que Paul não gosta de estar. A muito custo vestiu as calças jeans, calçou as meias e os ténis. Depois viu a sua tarefa complicada para vestir a camisa. Esticou o braço esquerdo vestindo a manga da camisa e depois entre muitos queixumes vestiu a outra manga e viu-se assim, de camisa desapartada, incapaz de a apertar.
-Que é que estás a fazer? – Paul ouviu a voz de John, e ouviu-o espreguiçar-se pois os ossos dele estalaram quando ele o fez.
-Acordaste tarde, Johnny. Uns minutos atrás e tinhas-me visto nu!
-Outra vez? Por amor de Deus, já fiquei traumatizado que chegue da primeira vez! – John brincou chegando à beira dele.
-Eu agradecia uma mãozinha… — Paul falou, olhando a camisa desabotoada. John suspirou começando-lhe a abotoar os botões. – Não me chegaste a dizer o que vais fazer para ter a Cyn de volta.
-Vou deixar o MI6.
-E eu, que faço? – Paul disse cabisbaixo.
-Não sei. Por isso te contei isto, é algo que te afeta a ti também.
-Ok…deixas o MI6 e o que vais fazer?
John engoliu e olhou o chão. Não conseguia negar o sorrisinho que tinha nos lábios. – Scotland Yard…
Paul riu baixinho e falou. – Acho que vais precisar de um parceiro. Trata da minha demissão também. Onde tu fores, eu vou…
John deu um abraço forte em Paul e só depois se lembrou que ele tinha o ombro aleijado. – Eu vou falar com o Evans e tratar das demissões. – Ele colocou a mão na maçaneta da porta e antes de sair falou. – E vou chamar alguém para te colocar o braço ao peito.
Paul sentou-se na beira da cama e quando o enfermeiro entrou ele perguntou logo curioso. – Quanto tempo passou desde que cheguei ao hospital?
-Só esta noite.
-Então quem me trouxe as roupas?
-Uma jovem entrou com uma criança. Procurou por si e pelo cavalheiro que acabou de sair. Disse que era esposa dele, mas pouco depois foi embora.
-Cynthia…ela esteve cá. – Ele murmurou.
-Sente alguma dor?
-Não, não. Estou bem, obrigado. – O enfermeiro saiu e logo depois Paul saiu também, procurando por George e Rick.
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-Posso saber porque me puxaste da enfermaria fora? – McCartney resmungou. – Eu só queria saber quem ela era!
-Claro que sim! – Starkey respondeu zombando. – Agora era saber o nome, daqui a cinco minutos era a querer saltar-lhe à espinha…!
-Hey, hey, hey, — Ele reclamou levantando a mão. – eu já me deixei disso. Bem, mais ou menos. Um homem sabe sempre apreciar uma mulher bonita- Ai!
-Vês porque é que te arrastei dali para fora? A Olivia parece estar a dar ao George aquilo que ele já há muito não tinha. E eu quero que aquilo entre eles resulte.
-Em compensação de não ter resultado entre ti e a jornalista?
-É diferente. Sabes aquela sensação de não saberes nada do que vai acontecer mas aproveitares cada minuto com essa pessoa? – McCartney acenou com a cabeça. Agora mais do que nunca ele sentia isso cada vez que estava com Linda. – Eu não sei se iriamos dar em alguma coisa. Só o tempo o diria, e nós não tivemos essa oportunidade. – Starkey esticou o braço, chamando um táxi. – Vens também?
-Não. Eu não vou para casa. Eu e o John aparecemos depois na delegacia.
-Ok. – Ele deu-lhe um aperto de mão antes de entrar no táxi. – Fica bem. Até logo.
McCartney continuou o seu caminho a pé. Agora, cada um deles tinha algo a fazer que mudaria a vida deles.
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