Back In The USSR
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Lennon ia com a cabeça encostada ao vidro, parecendo chapado. A verdade é que durante a tortura de Sokoloff, Lennon morreu e eles o trouxeram à vida outra vez. Ele via tudo enevoado e respirava pesadamente. Harrison, após limpar o sangue da cara à camisa, puxou Lennon para trás, para ele se encostar no banco.
O capanga que conduzia travou repentinamente, já chegados ao porto de descargas, e se George não colocasse a mão no peito de John, ele teria batido com a cara no banco da frente. Ele ainda não estava bem ciente da realidade e caminhava cambaleante, tendo que George colocar o braço de John em redor do seu ombro, para que ele se segurasse nele.
-Qual é o contentor, magricela? – Sokoloff perguntou irritado e tão cego pelo que queria que nem reparou que George carregava John.
-Só depois de dizer onde está a droga.
-Quê é isso? És polícia? É que se fores… – Sokoloff chegou a ele para lhe dar um murro, mas George travou o punho dele com a mão. Agora que via que John quase nem se segurava em pé e que ele era o seu único apoio, ele tinha que deixar de parecer idiota e fraco.
Ele apertou o punho de Sokoloff e ouviu-se um estalido; George já lhe havia partido um osso. – Diga a fila primeiro e eu falo a seguir.
-Fila H. – Sokoloff falou, arfando.
-O meu contentor está na fila H também. Número.
-Nem penses!
George apertou mais a mão dele e outro estalido se ouviu. Os capangas de Sokoloff apontaram as armas a George e ele proferiu. – Ao primeiro disparo eu uso-o como meu escudo. – Os três homens baixaram as armas e George perguntou de novo. — Número do contentor.
-Nove zero nove.
Harrison largou a mão dele, fazendo um duro agente da KGB ajoelhar-se. Ele acomodou John sobre o ombro, que aos poucos parecia ganhar força nas pernas e disse, usando o seu bom bluff. – O contentor que veio de Cuba é o oito três cinco.
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McCartney e Starkey chegaram quase logo atrás deles, parando muito mais longe para que não fizesse barulho. Antes de saírem prepararam as armas e saíram, escondendo-se por entre uns contentores, escutando a conversa. Starkey calhou de olhar de lado e viu uma sombra. Fez sinal a McCartney que ia ver o que era e deu de caras com Eva.
-Que raio estás aqui a fazer? – Ele sussurrou e Eva deu de ombros. – Anda comigo. – Ele agarrou na mão dela, para a ter sempre próxima a ele caso acontecesse alguma coisa.
Quando viram George, John, Sokoloff e os seus capangas a caminhar para a fila H, McCartney falou. – Toma a direita, Starkey. Eu distraio-os.
-Hey, nunca a percas de vista. – Rick largou a mão de Eva. – Está na altura de eu ser o salvador da pátria!
Starkey correu ao longo dos corredores, seguindo as passadas dos outros. Quando McCartney viu que ele já estava numa posição confortável, espreitou e fez mira a Sokoloff. Mesmo no escuro acertou-lhe com um tiro certeiro na cabeça.
Os três capangas (Vãduva, Szwedko e Rybar) imediatamente sacaram das armas, esquecendo John e George que foram andando para o contentor 909, pois sem o chefe pareciam apenas baratas tontas correndo sem saber o que fazer. John já acompanhava George sem ajuda, o que ajudou a que se movimentassem mais depressa.
Conseguiam ouvir o tiroteio a acontecer e mantinham-se curvados. Abriram o contentor e viram pilhas de droga empilhadas. A missão estava quase cumprida. Só faltava que os quatro sobrevivessem e os KGB fossem mortos. Esse não era o propósito da missão; eles deveriam ser presos, mas já que as coisas foram por esse caminho…
Se o dito negócio não tivesse acontecido naquela noite, Harrison, Starkey, Lennon e McCartney teriam tido tempo de montar a armadilha. Quando Sokoloff e os seus capangas abrissem o contentor encontrariam agentes do MI6 e da Scotland Yard, prontos para os prender.
-Ok, diz-me que não só eu que está a ver ali alguém. – John falou para George.
Ele olhou para onde Lennon apontava e também viu algo. Foi até lá e encontrou uma moça. Procurou pelos sinais vitais dela e constatou que ela só estava desmaiada. De repente John e George deixaram de ouvir tiros. Esperaram em silêncio e não ouviram ninguém a vir ter com eles. Não sabiam quem estava vivo, quem estava morto…ou se pior, se estavam todos mortos. George pegou na rapariga em braços e foram caminhando para a saída do porto, na esperança de achar ou Paul ou Rick.
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Assim que Sokoloff foi atingindo, Vãduva, Szwedko e Rybar imediatamente sacaram das armas, esquecendo John e George que foram andando para o contentor 909, pois sem o chefe pareciam apenas baratas tontas correndo sem saber o que fazer. John já acompanhava George sem ajuda, o que ajudou a que se movimentassem mais depressa.
Rick disparou dois tiros, um deles atingindo Vãduva que caiu morto no chão. Depois correu para se esconder atrás de um outro contentor já que Rybar e Szwedko continuavam à procura de onde tinha vindo o tiro inicial.
Paul espreitou rapidamente e não vendo ninguém mandou Eva correr o máximo que conseguisse para se esconder na fila de contentores em frente. Ouvindo os passos, Rybar veio ver o que se passava. Problema foi que quando ele apareceu, Paul ainda ia a meio caminho para chegar até Eva, que já estava do outro lado.
Ele foi atingido no ombro esquerdo, a arma imediatamente caindo ao chão. Ela abaixou-se, estando debaixo de fogo e apanhou a arma, tendo que disparar com a mão direita, com a qual não tinha tanta pontaria. Eva saiu correndo para ajudar Paul e Rybar acabou por alvejá-la também. Ela caiu deitada no chão e Paul via Rybar cada vez mais próximo e as suas balas quase a acabar.
Ele sentou-se no chão, usando o seu corpo como barreira para proteger Eva que estava no chão. Com as suas últimas duas balas acertou mortalmente em Rybar. Isso foi a sua sorte. O seu azar apareceu repentinamente pelo lado esquerdo, de nome Szwedko. Paul virou-se e tentou disparar, mas não tinha mais balas.
Foi então que se ouviu um tiro e Szwedko caiu no chão. Paul viu Rick atrás dele ainda de arma apontada. Ele realmente tinha sido o salvador de todos. Paul deitou os olhos em Eva, tapando-lhe a ferida e Rick corria para eles.
-Leva-a a ela. – Paul falou, tentou uma primeira tontura pela perda de sangue.
-Eu digo ao John para te vir ajudar. – Rick prometeu, carregando Eva nos braços até ao carro.
Rick apareceu correndo, o que aliviou George, mas depois ele reparou que ele carregava alguém nos braços. John ainda pensou que fosse o seu parceiro, mas viu que era uma mulher. Ele tinha-a visto algumas vezes lá no Cavern. George ficou espantado ao ver que ele trazia Eva, mas não havia tempo para perguntas porque senão Rick perguntava também o que George fazia com aquela moça nos braços.
-Onde está o Paul? – John perguntou aflito. E essa aflição só lhe fez mal, fazendo respirar pesadamente e vendo tudo enevoado outra vez.
-Ele foi atingido. Eu não consegui trazê-lo. – Rick lamentou, mas acrescentou. – Nós vamos indo, John… Boa sorte.
-A gente vai como? – George perguntou, correndo junto com o parceiro. – O hospital é a uns 2 quilómetros daqui.
-Tem aqui o carro do Paul. – Rick proferiu, abrindo a porta do lado passageiro. George colocou a rapariga que trazia no banco traseiro e sentou-se ao volante.
Enquanto conduzia, os dois olhavam para trás, sabendo que acabavam de deixar para trás John e Paul. Mas não havia tempo a perder; Eva perdia imenso sangue a cada instante por mais que Rick fosse pressionando a ferida.
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-PAUL! – John berrava, correndo não sabendo por onde. – PAUL!
As pernas de John estavam adormecidas e ele não as sentia. Tropeçou e caiu uma primeira vez. Mas levantou-se logo de seguida, continuando a chamar Paul. Até que caiu a segunda vez e não se levantou mais. Tinha batido com a cabeça no chão. Murmurou mais uma vez o nome do parceiro e a última imagem que veio à sua mente antes de desmaiar foi a Julian correndo para o colo dele e Cynthia dando-lhe um beijo.
-John…- Paul falou fraco, já deitado no chão.
Paul não se conseguia levantar com as tonturas que sentia. Mas ele conseguia ouvir John ao longe. Até que não o ouviu mais. Não sabia se acontecera alguma coisa com John ou com ele próprio. Ele pestanejou e fechou os olhos. No entanto, ouvia uma voz a chamar o nome dele…e soava tal e qual como ela.
-Mãe? – Ele murmurou.
-Sim, Paul. Sou eu. Agora levanta-te. O John precisa da tua ajuda.
Ele sabia que estava a alucinar ou que se calhar já estaria morto porque a sua mãe morrera quando ele tinha quinze anos. Perdê-la em idade tão jovem revoltou-o e ele tornou-se o mulherengo que era hoje por causa dessa revolta. Perdera a virgindade com apenas quinze anos…
-Levanta-te, Paul. O John precisa da tua ajuda.
Paul não sabia sequer o que estava a acontecer, mas sentiu-se com força suficiente para se levantar. Meio cambaleante foi caminhando até que encontrou John desmaiado. Fez um esforço enorme para o carregar sobre o ombro e foi andando até à saída do porto. Viu dois carros lá parados, os de Sokoloff. Tentou abri-los, mas não conseguia sequer ver nada no meio do escuro da noite. Então só lhe restava uma hipótese: carregar John até ao hospital a dois quilómetros dali…a pé…
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