Notas iniciais
Acho que vocês vão amar este capítulo. Avisem-me se estiver enganada!

-Este não é o mais luxuoso dos sítios, mas dá para viver. – Harrison falou enquanto entrava no quarto da pensão, sendo seguido por Olivia.

-Não precisava de fazer isto tudo, Detetive.

-George. Chame-me George.

Olivia olhou para ele sem saber o que dizer. – Não precisava fazer isto.

-Preciso sim. – Ele pegou na carteira, tirando algum dinheiro e dando-o a Olivia que recusava segurá-lo na mão. – Aceite Olivia. Não é por piedade ou pena.

-Não posso aceitar!

-Olivia, — Ele começou a sorrir, olhando o chão por um momento. – eu salvei a sua vida e vai querer compensar-me por isso. E acredite, esta é a forma como eu quero que me compense. Deixe-me ajudá-la a instalar-se cá em Liverpool. — Olivia acabou por pegar no dinheiro e o aceitou, o que fez George sorrir. – Eu adorava ficar mais um pouco mas preciso de ir deitar o olho no meu amigo, o Rick.

-Claro, vá lá. – Ela ficou segurando a porta enquanto falava. – Mas será sempre bem-vindo para cá voltar.

-Voltarei então, Olivia!

-E mais uma vez muito obrigado.

George chegou num instante a casa de Starkey e bateu algumas vezes, mas ele não lhe abriu a porta. Isso não haveria de ser problema pois Harrison sabia onde o amigo guardava a chave sobresselente. Abriu a porta e deu com ele sentado no chão encostado ao sofá com uma garrafa na mão.

-Que é que pensas que estás a fazer? – George falou alto arrancando dele a garrafa.

-Ainda não estou bêbado. Só comecei há pouco!

-Levanta-te do chão e recompõem-te, homem! Vais ser um cobarde e beber?

-Porque tinha que ser ela? – Rick perguntou num desabafo.

-Não sei. – George respondendo sentando ao lado dele. – Gostava de ter essa resposta para te fazer sentir melhor. Mas acho que tem tudo a ver com karma sabes? O amor que tiraste é igual àquele que fizeste. E eu te garanto uma coisa Ritchie: tu nunca tiraste assim tanto amor das pessoas.

-Então quer dizer que aquilo que se passou entre mim e a Eva foi… passageiro?

-Acho que sim, amigo. Faz como eu: parte para outra. De preferência melhor!

-Referes-te à Olivia?

George deu de ombros tomando um gole de whisky. – Só o tempo o dirá.

-Então não faças como eu: não deixes passar demasiado tempo.

George olhou-o e sentiu alguma pena. Se tivesse havido tempo, talvez Eva e Rick tivessem resultado. Mas o que havia sido, havia sido. – Vá, agora levanta-te, muda de roupa que eu levo-te a um sítio que queiras!

-Para a delegacia, pode ser?

-Para a delegacia? – George perguntou franzindo o cenho.

-Sim. Eu não estou a fim de perder tempo em boates. E além disso, McCartney disse que iria lá ter connosco.

-Ok. – O outro disse sem jeito. A moça tinha-o mudado mesmo…

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Paul batia já há algum tempo na porta de casa de Linda, mas não havia modo de ela abrir.

-Meu Deus, que aconteceu? – Paul ouviu ela falando atrás dele. – Como você ficou desse jeito? – Ela falou tocando-lhe de leve no braço após pousar as compras no chão.

-Ossos do ofício. Mas está tudo bem agora. – Ele disse sossegando-a. – Passei para ver como estava. Se o Joe tinha voltado.

-Não. Não, está tudo bem por aqui. Mas… porque não entra por um pouco?

-Ok, aceito. – Paul seguiu Linda, carregando as compras até à cozinha. – Posso usar o seu telefone?

-Claro, força.

Paul marcou o número de casa da mãe de Cynthia e soube que ela ainda não tinha regressado após visitar John no hospital. Na verdade, a mãe dela o informou que ela estaria apanhando o próximo comboio para regressar.

-Linda, dá para me dar carona até à estação?

-Claro, vem comigo. Passa-se alguma coisa de grave?

-Tenho que parar aquela mulher antes que ela vá embora.

-Namorada? – Linda perguntou intrigada.

-Mulher do meu melhor amigo.

-Oh… — Linda disse de alguma forma aliviada. Mas nem ela entendia porque aquele alívio.

Paul entrou correndo pela estação adentro enquanto Linda esperava no carro. Ao longe viu Cynthia esperando o comboio com Julian ao colo e pelo jeito quieto da criança, ele estaria dormindo.

-Cynthia! – Ele berrava enquanto corria. – Cynthia!

-Paul? – Ela falou, estranhando vê-lo ali.

-Cynthia, — Ele disse recuperando o fôlego chegando à beira dela. – não vai. John vai deixar o MI6 para ter tempo para ti e para o Julian.

-E porque não é ele a dizer-me isso?

-Porque ele não sabe sequer que você está cá. Não entra no comboio, Cyn. Sabes o quanto o John é louco por ti e pelo miúdo, e pelo trabalho. E ele abdicou disso por vocês. Não vás…

-Como é que ele está?

-Ele está bem. Ele tinha tido só um hematoma na cabeça, mas depois saiu e foi-se demitir. Bem, foi-se demitir por nós dois.

Cynthia sorriu. – Onde um vai, o outro vai atrás!

-Sempre foi assim, sabes bem disso. E sabes muito bem que nós sempre nos ajudamos um ao outro… Vai lá falar com ele, a sós.

-E o Julian?

-Eu fico com ele. – Paul disse já pegando na criança. Não era a primeira vez que ficava com ele, nem que fosse por um par de horas. – Depois diz ao John para ir ter à delegacia.

Cynthia estalou um beijo na bochecha de Paul dizendo. – Vocês são uns sortudos por se terem um ao outro!

Ele saiu com Cynthia, só que ela tomou o caminho para casa de John e Paul entrou no carro de Linda outra vez que estranhou vendo ele com Julian ao colo. – Meu sobrinho emprestado… mas não deixa de ser meu afilhado. Não há mal se a gente ficar por lá um pouco, pois não? Serve já de prática para você!

Linda sorriu e ligou o carro outra vez. – Não, não há problema.

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John chegou a casa estafado. A última noite tinha sido esgotante e tratar daquela demissão lá com o Evans foi ainda pior. Contudo, ele aceitou John e Paul estivessem de saída para a Scotland Yard, mas os agora ex-agentes do MI6 não se livravam a ter que comparecer na sede dos Serviços Secretos para reportar o caso… letra por letra, usando as palavras de Evans.

Ele caminhou até ao quarto do filho, sabendo que em breve o teria ali. E foi quando a viu sentada na beira da cama segurando o urso de pelúcia do filho.

-Cyn! – John disse alegre, mas parado ainda à porta, completamente perplexo, pensando se aquilo um sonho ou realidade. Gaguejou umas vezes até que falou. – O Julian? O que estás aqui a fazer?

-Ligaram para casa da minha mãe a dizer que estavas no hospital. Fiquei em pânico e vim com o Julian. Mas como vi que estavas bem, não quis submeter o Julian a ver-te assim e ia embora outra vez. – Ela levantou-se e caminhou para ele. Se aquilo era alucinação, era alucinação bem real então. – Depois o Paul apareceu na estação e contou-me tudo. Ele ficou com o Julian e disse que depois saía para a delegacia.

-O Paul tem o Julian, é?

-É… — Cynthia sussurrou sorrindo.

Ela mordeu o lábio inferior sentindo a mão de John segurando-lhe a face. Assim que Lennon se apercebeu que aquilo não era ilusão, segurou a face dela nas duas mãos e a beijou. Começou como um beijo lento e terno mas depressa de tornou esmagador, matando as saudades que ambos tinham.

John não perdeu tempo em deslizar uma mão por ela abaixo até à cintura, trazendo para mais perto ainda enquanto lhe beijava o pescoço.

-Estás bem o suficiente para fazer isto? – Cyn perguntou entre respirações já que ele não parava os beijos.

John levantou os olhos em direção a ela dizendo. – Tu não me conheces, mulher?

Cynthia deu uma pequena risada na boca de John sentindo a mão dele nas suas costas, correndo o zíper do vestido devagar. Enquanto caminhavam, sem se desolarem de beijos, até ao quarto Cynthia se livrou da camisa de John e desapertou logo o cinto das calças dele.

John impulsionou o seu corpo contra o dela, a fazendo deitar na cama. Antes de se deitar sobre ela, ele próprio tirou as calças e sapatos e a continuou beijando, agora no peito e nas pernas. Aquela primeira vez seria demasiado rápida pois os dois não estavam juntos fazia já um mês. A sofreguidão e ansiedade estavam bem presentes nos dois.

Enquanto John mordiscava os mamilos dela, agora livres do sutiã, Cynthia corria a mão pelos cabelos dele, gemendo. O corpo dela arqueava-se contra o dele, e John não a fez esperar. Tirou a última roupa interior de cada um e entrou nela. Depois saiu para voltar a entrar. Os dois se acomodaram àquela sensação que já não tinham há algum tempo de depois John começou com investidas lentas.

Foi aumentando a velocidade com que o fazia e aguentaram-se assim por um pouco, mas não demorou nada a que os dois cedessem e atingissem o ponto. John saiu dela mas se deixou ficar sobre o seu corpo. Beijou-a no pescoço e depois na boca dela. Apoiou o cotovelo na cama e segurou a cabeça na mão, a olhando, afagando a face e os cabelos dela.

-Então, — Ele perguntou colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. – vais ficar?

-Vou a casa da minha mãe pegar as minhas coisas e as do Julian e volto no comboio amanhã de manhã.

John sorriu, não cabendo em si de felicidade. – E a que horas é o comboio de hoje?

-Acho que às seis…porquê?

John olhou o despertador para ver as horas e afirmou. – E o que senhorita planeia fazer até essa hora?

-Depende. Quanto tempo tenho?

-Uhm, uma hora…

-O senhor vai estar disponível por uma hora?

Ele deu um beijo lento nela. – Estarei sempre disponível. Para qualquer hora.

Durante essa hora os dois trocaram mais umas carícias e beijos, e depois de deixar Cynthia na estação, Lennon seguiu para a delegacia.