Back In The USSR
10 Capítulo 10
Lennon e McCartney partilhavam a mesa e o mais velho confidenciava com o outro. – Já sei o que fazer para ter mais tempo para a Cyn e o Julian.
Lennon não gostava de falar na família num sítio daqueles, cheio de criminosos, sendo ele um MI6 infiltrado. Se alguma destas coisas chegasse aos ouvidos dos KGB, a família dele era quem sofreria. Mas, como agora não havia ninguém perto deles, ele decidiu falar. Até porque a sua decisão afetaria McCartney também.
–Diz lá, o quê?
Lennon não teve tempo de responder ao amigo sentindo uma arma apontada ao pescoço e Rybar, o Checo, capanga de Sokoloff, lhe agarrando pelo casaco, dizendo num Inglês manhoso. – Levanta-te! O chefe quer ter uma conversinha contigo!
Lennon olhou McCartney de relanço, sendo arrancado do assento. McCartney não pode fazer nada a não ser assistir a tudo e ficar quieto e calado. E Lennon que era homem corajoso agora se sentia receoso de entrar naquela sala anexa onde Harrison jogava Texas Hold ‘Em com Sokoloff e outros.
Assim que Rybar entrou na sala, atirou Lennon direito ao chão e fechou a porta novamente. Um dos outros capangas o pontapeou no peito e tirou-lhe a arma. Depois agarrou nele pelo cabelo e sentou-o numa cadeira, enquanto o terceiro e último valentão de Sokoloff o amarrava. Um candeeiro balançava no teto e a luz oscilava de lado para lado. Foi quando Lennon reparou em Harrison atado numa cadeira em frente dele, com a cara escorrendo sangue e com o resto do corpo provavelmente também muito maltratado.
Duas horas antes…
Tinha chegada aquela noite. Os quatro aguardavam-na, ansiosos e medrosos. Queriam que a noite chegasse, para despachar o assunto, mas também queriam que tivesse uma eternidade a chegar porque havia um monte de coisas que podia dar para o torto.
Lennon já lá estava sentado, bebendo o seu whisky. McCartney entrou quase como galã do cinema. Todas as moças no bar, e elas que não eram assim tão poucas, o olharam. Umas pareciam que viam um anjo caído do céu, outras, um delicioso diabinho vindo do Inferno. De qualquer das formas, todas o olhavam como se ele fosse um pedaço de carne andante e elas se pareciam com lobos sedentos. Só lhes faltava (a algumas) lamber os lábios, saltar sobre ele e começar a atacar as outras para mostrar superioridade e marcar território.
Ele sentou umas mesas à frente de Lennon e esperou, de olhos grudados na porta. Esperava que entrasse Nikol Skalicky, a mulher Checa que andava sempre com Sokoloff. Alguns diziam que havia amor entre eles, outros diziam ser apenas para sexo casual. Verdade é que o grande anel que ela trazia no dedo revelava noivado.
A porta abriu-se e quem entrou foi Harrison, discreto, indo até ao balcão pedindo vodka. Ele tinha ficado alienado na primeira vez que bebera aquilo, mas depois da primeira vez nada custa. Deixou-se ficar ao balcão, esperando que alguém o viesse chamar para o jogo. Foi quando olhou para o lado e viu Eva. Era verdade o que ele pensava: ela ia fazer uma matéria sobre o caso deles. Ela também estava à pesca de informação. Os dois trocaram um olhar e mantiveram-se quietos como não se conhecessem. Mas ele sabia que assim que Starkey entrasse nenhum dos dois resistira dois minutos sem se aproximar. E dada a função de Starkey, salvar a situação caso as coisas dessem para o torto, Harrison não via as coisas irem bem.
Starkey entrou, sentou ao lado de Harrison sem lhe falar uma palavra, nem mesmo o olhar. Viu Eva pelo canto do olho e ficou quieto, louco para ir ter com ela e se perderem em beijos, mas fechou os olhos enquanto respirou fundo e focou-se na sua tarefa. Já tinha visto George levar um tiro e não pode fazer nada para o ajudar. Não queria que isso se voltasse a repetir.
Impacientemente os quatro esperavam que Nikol entrasse e não demorou nem vinte minutos para ela entrar. Vinha com uns sapatos de tacão, salto quinze ou vinte, mostrando logo superioridade em relação a todas as outras que lá estavam que imediatamente tiraram os olhos de McCartney. Ela despiu o longo casaco de pele que um dos homens que jogava bilhar imediatamente segurou e deixou a revelar um vestido curto e justo, realçando cada curva do seu corpo. Os seus olhos negros focaram-se em McCartney e um sorriso branco brotou, contrastando com os lábios pintados de vermelho vivo. Ela sentou ao lado dela na mesa, falando.
–Olá Sr. Casanova.
McCartney agarrou a mão dela, beijando-a. – Madame Skalicky, como vai?
–Tanta cortesia por sua parte. Se me lembro não costuma ser assim tão meigo...se me faço entender! – Ela comentou, dando depois uma gargalhada.
–Posso-lhe arranjar algo para beber? – Ele falou, disfarçando o embaraço.
O homem ia-se levantar mas ela o agarrou pelo antebraço e ele sentou-se novamente. Ela inclinou-se sobre ele, sussurrando. – Tenho a sensação que me quer pedir algo.
–Está correta. Está a ver aquele magricela acolá? – Ele disse apontando discretamente para Harrison. – Ele é meu conhecido e quer fazer negócios com Sokoloff, mas sabe que eu não posso entrar naquela sala.
–Uhm, entendi, queres que fale com o Dobroslav para ele o incluir no jogo. – McCartney assentiu com a cabeça, e Nikol inclinou-se ainda mais sobre ele, dizendo. – Mas para isso terei que ter algo em troca.
–O habitual? – As sobrancelhas dele levantaram-se e os lábios dele desenharam um sorriso maroto.
–Não só. – Ela disse firmemente, afastando-se dele. – Escolha duas raparigas e traga-as também. – McCartney franziu o cenho, estranhando o pedido. Nikol levantou-se e falou ao ouvido dele antes de ir para um pequeno quarto que lá havia. – Eu gosto de observar também.
McCartney sorriu. Agora que tinha decidido deixar de ser mulherengo e assentar para ter a sua primeira namorada, não podia ter melhor noite de ‘despedida’ do que aquela: faria parte de uma orgia! Ele pulou da cadeira, porque por muito que a partir de agora estivesse disposto a ser homem de uma mulher só, ele não podia deixar de estar excitado.
Ele olhou em volta. Cada moça parecia melhor que a outra, e ele vendo-se sem escolha subiu acima de uma mesa, perguntando. – Qual de vocês quer fazer parte de uma orgia?- McCartney ficou surpreso com a quantidade de moças que se chegaram a ele, começando já a puxá-lo pela roupa para que ele descesse da mesa. – Donzelas, só posso levar duas!
Elas trocaram olhares e começaram todas à luta umas com as outras, puxando cabelos, ferrando-se e pontapeando. Os homens que viam estavam animados a vê-las lutar mas havia duas moças que foram mais inteligentes que todas as outras. Elas eram as únicas que não lutavam.
–Venham comigo. – Ele falou, pegando na mão delas.
Não tardou a que o bartender começasse a separar as raparigas que lutavam. John e Eva riam como perdidos, cada um por seu motivo. John sabia que Paul conseguia causar esse efeito nas mulheres; Eva ria, vendo o quão ridículas elas tinham sido. Já George e Rick achavam que talvez Paul tivesse chegado a um extremo máximo e que era um animal sem respeito. Mas depressa perceberam que se estivesse na mesma situação dele, se calhar teriam feito o mesmo… e teriam tido as mesmas reações que ele. Sim, porque quando Paul desapareceu com as tais moças, Harrison e Starkey desviram os olhos do grande volume que (já) se notava nas calças dele.
Quando McCartney entrou no quarto encontrou Nikol sentada na beira da cama com umas algemas na mão. Ele engoliu em seco, arregalando os olhos à mulher que se chegava a ele com aquele vestido tão justo ao corpo que até quase fazia transparecer um pêlo arrepiado.
–Queridinhas, eu vou primeiro. – Ela falou para as outras, fazendo-as largar a mão de McCartney.
Nikol atirou as algemas sobre a cama e colocou as mãos sobre o peito de Paul, fazendo-as subir pelo tecido fino da camisa. Quando as mãos chegaram aos ombros, deslizaram pelos braços dele, fazendo o casaco cair no chão. Ela não tomou tempo a passar a mão pelo colete, arrancando os botões todos logo de uma vez. Atirou a peça para o chão e puxou-o pela gravata até à cama.
Fê-lo deitar-se e tirou-lhe a gravata também. Debruçou-se sobre ele e desapertou os primeiros botões da camisa para desnudar o pescoço dele, que imediatamente começou a morder e sugar. Enquanto isso, as mãos dela trabalhavam em desapertar os outros botões e se livrar da camisa. Quando ele ficou despido, ela o algemou à cama pelas duas mãos.
A respiração dele atribulou-se quando ela começou a desapertar o cinto das calças. Pela maneira que as coisas estavam a ir, ele só esperava que ela não pegasse no cinto e o chicoteasse. Mas ela não o fez, desabotoando o botão muito vagarosamente e correndo o zíper que se teria feito audível no meio do silêncio do quarto, se Paul não tivesse gemido, reagindo pela primeira vez a tudo o que acontecia.
Nikol parecia estar a amar torturar Paul daquele jeito. Sabia, já por experiência própria, que ele era rápido no que fazia, mas que o fazia quantas vezes fossem necessárias, resultando sempre no melhor que algum dia tinha tido. E agora estava desejosa de fazê-lo chegar ao seu limite e de vê-lo pedir por mais quando parasse naquele momento crucial antes de o deixar atingir o clímax.
Depois de o deixar completamente pelado, deitado sobre a cama, ela sorriu manhosa, vendo que o seu membro já estava um pouco ereto. Paul ainda não se atrevera a dizer nem um ai, porque com Nikol, quem liderava o jogo era ela e somente ela. E as moças que tinham entrado com Paul perceberam logo isso, ficando ali sentadas a ver, esperando que Nikol as deixasse aproveitar também. Nikol começou a masturbá-lo, tanto com as mãos como com a boca e Paul fazia os possíveis para não mostrar parte fraca. Mas não conseguiu, porque até cabeceou a cama só para não gemer e respirou ofegante após atingir um primeiro auge de prazer.
Nikol fez sinal para as raparigas, avisando que agora ele era todo delas. Avançou uma de cada vez; primeiramente uma de cabelos castanhos e olhos da mesma cor, não parecendo Inglesa.
Enquanto a rapariga tirava a roupa, Nikol deitou-se sobre ele, sussurrando ao ouvido dele. – Fica saber que se quebrares antes da moça, eu não falo com o Dobroslav.
Paul engoliu um pouco de saliva e fechou os olhos, enquanto a rapariga se encaixava nele. Ele estava condicionado de movimentos, mas a moça não parecia se importar nem um pouco em ter que ser ela a fazer esse trabalho. Paul tinha os olhos tão cerradamente fechados que até já magoava, só para não ter a imagem da rapariga que gemia. Sentia as paredes dela apertarem-se contra o seu membro e pela primeira vez na vida ele só se queria controlar.
Após a rapariga literalmente berrar ele se deixou ir também, sentindo-se já fraco depois de ter um segundo orgasmo, assim tão seguido do primeiro. E a segunda moça nem lhe deu tempo de recuperar, introduzindo o membro dele nela. Mas desta vez, era Paul quem tinha vontade de berrar porque estava até já dorido e sentia uma dor enorme no membro. Ele agarrava a cama com uma força bruta e arqueava as costas. Nikol percebeu que ele estava aflito, porém ela achava que estava era a enfraquecer.
–Então mocinho? – Ela disse dando uma gargalhada. – Já aguentaste três seguidas! Que se passa hoje?
Rapidamente todos perceberam porque é que Paul estava tão silenciosamente queixoso. Após a rapariga sair dele, viram o membro dele cheio de sangue. A última moça tinha-o aleijado e aleijado a sério. Ele sentia um ardor na cabeça do membro e viu por entre o sangue pele rasgada. As duas raparigas vestiram-se e saíram logo assustadas, mas Nikol parecia satisfazer-se (em todos os aspetos) com a tortura que lhe causava.
–Eu vou falar com o Dobroslav. – E depois de falar, saiu, deixando-o a sangrar, ainda algemado à cama.
Lennon estranhou por ver Nikol sair. Normalmente (ok, sempre!) Paul saía primeira, deixando ainda as mulheres recuperando o fôlego e as forças. Mas ele deixou-se esperar uns minutos e começou a ficar preocupado por ele não regressar. Então levantou-se e foi até ao tal quarto, esperando que ele lá estivesse e não num outro sítio qualquer, morto.
–Oh, Santo Deus! – Lennon berrou, tapando os olhos assim que abriu a porta e viu o amigo nu e algemado à cama. – Isso aí é sangue? – Ele disse, espreitando entre os dedos.
–É sangue, é! Agora tira-me as algemas!
–Tiraste a virgindade das moças, foi? – Ele gozou enquanto se focava só em olhar para as mãos de Paul enquanto lhe tirava as algemas.
–Não, elas é que me aleijaram! – Quando sentiu as mãos livres colocou-as imediatamente sobre o membro dorido, grunhindo com dores.
–És um fracote. – Lennon falou, virando-se de costas para ele.
–Fracote? – McCartney perguntou, vestindo lentamente a roupa, ainda se queixando. – Pega numa faca e corta-te na gaita e depois diz-me quem é o fracote!
–Eu espero lá fora. – Lennon foi caminhando para a porta. – Não quero que pensem que isto rolou foi coisa entre nós!
–Vai-te lá embora! – McCartney disse atirando uma almofada contra a porta que Lennon tinha acabado de fechado. Porém, ele ainda o conseguia ouvir a rir-se. Quando ele chegou à sala principal, viu Lennon a acabar de beber o whisky e sentou-se em frente a ele. Reparou que o copo só tinha o gelo no fundo e pegou nele, dizendo. – Não vais querer isso pois não? – Ele nem aguardou resposta, colocando o copo sobre a área magoada.
–Não te preocupes em devolver o copo! – Lennon levantou o braço, pedindo outra bebida ao bartender e foi quando viram um dos capangas de Sokoloff levando Harrison para a sala onde se jogava Texas Hold ‘Em.
Pelo menos o plano estava a resultar...
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